31 de julho de 2012

Sinto Cheiro de Safadeza

This Is Love (feat. Eva Simons)
will.i.am

Vocês devem saber o que é um sample, né? Então, acho que não preciso explicar, mas quero salientar uma coisa: sempre que um sample é usado é obrigatório dar as referências dos criadores originais. Então, lá estava eu ouvindo a canção This is Love do will. i . am e pensei: ele usou a música Is This Love do Bob Marley para usar como peça chave na letra da canção. Para a minha surpresa não é bem assim já que não há nada indicando isso. Nenhuma referencia a possível uso da canção. Que coisa, né? Seria apenas coincidência ou apenas safadeza?

Seja de qualquer maneira This Is Love não melhora por isso. A canção tem uma boa estrutura quando começa num volume mais baixo com base de piano e uma batida mais "acústica". Ao usar essa parte como pré-chorus e refrão, will. i .am consegue nessa hora manter um nível apoteótico e contagiante. Quando a música parte para a batida do dance pop louco, a canção perde força e se transforma num genérico barato. O rapper até está bem nos vocais cantando/fazendo rap com uma letra mais ou menos e refrão que se sustenta pela batida do arranjo. Eva faz uma participação arroz com feijão sem mostrar talento de verdade apenas sendo notado que ela tem um tom de voz parecido com a Rihanna. Contudo, posso estar enganado, mas tem angu nesse caroço e o seu Bob deve estar se revirando no caixão com muita fumaça em volta com essa história.
nota: 6

30 de julho de 2012

A Volta Dos Que Vão Voltar Três Vezes

Oh Love
Green Day

Um é bom, dois é melhor, três é sensacional. É assim que eu me sinto com a noticia que o Green Day está de volta não apenas para um, mas para três álbuns a trilogia ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré!  que serão lançados ao longo desse ano e no começo do ano que vêm. Claro, o primeiro álbum é a ¡Uno! que tem como primeiro single a canção Oh Love.

Longe da genialidade de alguns trabalhos do grupo, a música está infinitivamente acima da maioria das canções que estão tocando nas rádios. Oh Love carrega na alma o DNA do grupo desde o primeiro riff da guitarra. Grandioso do começo ao fim, o arranjo peca em certos momentos onde não é tão pungente como em outros. Talvez o seu maior defeito é que o seu final deveria ser mais apoteotico como a música sugere. Todavia, quase ninguém hoje em dia é capaz de criar uma canção de amor tão classuda como Oh Love. A composição sobre as inseguranças de declarar e poder ver o coração sendo partido. Billie, sempre ótimo nos vocais, declama "Oh amor, oh amor/Você não vai chover em mim esta noite?". E pergunto: quem nunca ficou tão inseguro? E quem nunca sonhou em ver o Green Day três vezes mais?
nota: 8,5

29 de julho de 2012

A Volta dos Que Foram Há Muito Tempo

Settle Down
No Doubt

Muitos da nova geração não devem fazer a menor idéia de são o No Doubt. Talvez, com muita sorte, saibam quem é a Gwen Stefani devido ao trabalho solo dela. Isso pode ser um fator forte para a repercussão morna que a volta do grupo está causando. Mesmo ainda com prestigio no mercado, o hiato de quase doze anos sem lançar um álbum novo pesa. E não ajuda muito a canção Settle Down ser o single que abre caminhos para o lançamento do álbum Push and Shove.

Longe de a canção ser ruim, ainda mais sendo a cara do grupo. A mistura de gêneros continua a marca registrada do grupo e eles continuam fazendo isso primorosamente pegando o Ska, rock e pop e com ajuda do produtor Spike Stent (que já trabalhou com Deus e o mundo) constroem uma canção super gostosa de ouvir e dançar. Só que estamos vendo apenas a ponta do iceberg do que o grupo consegue fazer. Com canções como Hey Baby e a marca registrada Don't Speak, o grupo é capaz de "cavar" muito mais fundo. Não só apenas na musicalidade, mas como na mensagem que não apenas de um "vamos nos divertir" de maneira cool. O bom mesmo da canção é dona Gwen que continua ótima. Espero que o No Doubt seja igual ao Sade: passa anos, mas continuam sempre ótimos. E não apenas bons.
nota: 6,5

26 de julho de 2012

A Volta dos Dinossauros do Rock

That's Why God Made The Radio
The Beach Boys

Existem pessoa que fazem história e existem pessoas que são história. O grupo The Beach Boys são a história viva e produtiva da música. Considerados como uma das maiores bandas de todos os tempos, o grupo lançou o CD That's Why God Made The Radio após 16 anos sem lançar um álbum inédito se tornando o segundo artista a passar mais tempo sem colocar um trabalho no top 10 da Billboard sendo a última vez deles em 1964 e perdendo apenas para o Frank Sinatra. E como single foi escolhida a canção que dá nome ao álbum.

That's Why God Made The Radio, o single, comprova que o som da banda não mudou nas últimas décadas mesmo longe de sucessos como Good Vibrations. O rock/pop com pegada dos anos sessenta (estilo que eles mesmos ajudaram a "fundar") pode até parecer datada para alguns, mas a originalidade deles vem do fato que ninguém consegue fazer uma harmonização de vozes tão perfeita como eles. Além disso, a produção do vocalista e principal compositor Brian Wilson ainda se mostra vibrante. Quem disse que os dinossauros estão extintos?
nota: 7,5

A Volta

Nesse especial vou falar de três bandas importantes que estão voltando nesse ano. Porque, no final, eles sempre voltam!

25 de julho de 2012

Por Anda Dona Rita?

Reza
Rita Lee

Sim, ela é uma das maiores artistas do Brasil. Sim, ela passou por uns maus bocados ao longo da carreira e da vida pessoal. Contudo, Rita Lee sempre vai ser fodona² mesmo quando não está nos seus melhores dias.

Depois de anunciar sua aposentadoria dos shows, ela acabou de lançar o álbum Reza. Como primeiro single foi lançada a canção que dá nome ao trabalho e também serve de música tema para a novela Avenida Brasil, mais especificamente o núcleo do Cadinho. E como esse núcleo é a canção: fraca em comparação ao resto, mas tem bons momentos. Rock/MPB redondinho com letra divertidinha sobre recuperação após o fim de um relacionamento. Rita já fez coisas muito melhores, mas é sempre bom ver ela aí de pé. Agora como a Dona Rita, avó do Rock Nacional.
nota: 6

24 de julho de 2012

Prefiro ao Natural

Spectrum
Spectrum (Say My Name) [Calvin Harris Remix]
Florence + The Machine


Vamos ás boas noticias primeiro: Florence + The Machine acaba de alcançar  primeiro lugar da parada britânica pela primeira vez. A noticia não tão boa é que precisou do DJ/produtor  Calvin Harris dar uma forcinha para isso acontecer ao fazer o remix da canção Spectrum, quinto single do Ceremonials.

Spectrum é a canção mais audaciosa do trabalho do grupo. A complexa instrumentalização da canção dada pelo produtor Paul Epworth com a utilização de tambores cria uma atmosfera peculiar e grandiosa para a canção que se perde completamente no remix arroz com farofa de Calvin Harris. Além disso, a duração é encurtada perdendo o fio da história que a música passa. A poderosa, cativante e cheias de nuances performance vocal de Florence se perde na utilização de efeitos e a deixa apagada na versão remix. Ao menos a monumental composição que pode ser entendida com inúmeras variantes foi mantida intacta no remix. Feliz pelo sucesso do grupo, mas prefiro as coisas no natural como elas foram feitas.
nota
Versão Original: 9
Versão Remix: 6

23 de julho de 2012

Sou a Cheryl, Eu Acho!

Call My Name
Cheryl Cole


Ela se chama Cheryl Cole, mas se chamá-la por Rihanna ela também responde. Depois de flopar lindamente com seu segundo álbum (Messy Little Raindrops, 2010), a inglesa Cheryl Cole resolveu correr atrás do prejuízo chamando o DJ/produtor Calvin Harris para produzir o primeiro single do álbum A Million Lights. Tentando acertar no sucesso, acertou na Rihanna em We Found Love e em virada surpreendente o tiro foi bem mais dado.


Call My Name segue exatamente o mesmo caminho da canção da Rihanna, só que aqui Cole ganha pontos por não ser tão boa cantora com a RiRi. Pop/dance com uma pegada bem clean e com cara de hit radiofônico, Calvin produziu e escreveu a canção. Acredito que a boa produção dada para a canção é uma compensação pela letra fraca que tem como refrão a seguinte frase:


Como você pensa que me sinto quando você chama o meu nome?
Meu nome, diga o meu nome, querido


E mesmo assim é viciante. Prazer culposo em nível vergonha alheia. Cole é uma das cantoras com menor inspiração para cantar, mas mesmo assim não faz feio aqui. Só é passável. Mesmo com o sucesso na canção na parada britânica, o álbum A Million Lights vendeu apenas 54 mil cópias na primeira semana, metade do que vendeu Messy Little Raindrops. Quem sabe mudando para Rihanna Cole não ajuda?
nota: 7