30 de abril de 2014

Primeira Impressão

No Mythologies To Follow
MØ


O ano de 2014 está se aproximando da sua metade e até agora não tínhamos nenhum debut de um artista que fosse realmente bom. Até agora, pois essa posição está sendo preenchida pela dinamarquesa MØ (se pronuncia, mais ou menos, como mú) e seu surpreendente No Mythologies To Follow.

Muito pouco conhecida do grande público, MØ já está chamando a atenção da impressa especializada ganhando status de grande promessa do pop. Não é para menos, pois o trabalho que ela mostra em No seu primeiro trabalho No Mythologies To Follow é sólido, edificante e, dentro do possível, bastante original. Uma das características mais interessante da jovem de 25 anos é que, apesar de estar em fase de amadurecimento, as semelhanças com outras vozes de cantoras não atrapalha, mas faz com que MØ se mostre uma cantora versátil. Lembrando em certos momentos a Debbie Harry (vocalista do Blondie), em outros tendo com o mesmo tom peculiar da Paloma Faith e alguns momentos com a mesma pegada da Lana Del Rey, MØ consegue se sobressair devido ao seu empenho de fazer algo realmente diferente e pessoal o resulta em interpretações ousadas e inspiradas. Claro, falta mais experiência não vai fazer mal nenhum, mas pelo que ouvimos aqui a cantora ainda vai encontrar ainda mais o seu caminho. Os mesmos elogios podem ser feitos para a produção refinada de No Mythologies To Follow. Buscando uma sonoridade indie, mas que não perde o foco de ser pop sem cair em armadilhas de se transformar em comercial demais ou alternativo demais. Sombrio, mas sexy. Divertido, mas bem orquestrado. Dançante, mas não farofento. No Mythologies To Follow deve agradar quem os fãs menos xiitas das duas vertentes do pop. Mesmo permeado de boas composições falando, basicamente, de amor de maneira inteligente e refinada, MØ ainda precisa de mais urgência em suas composições. Algo que faça que suas músicas sejam ouvidas de maneira ainda mais critica. O tempo dará o que falta para ela fazer isso. Apontar uma ou mais faixas como as melhores é difícil, pois todo o álbum tem a mesma qualidade. Eu posso apontar as que eu mais gostei: Red In The Grey, Pilgrim, Walk This Way e Slow Love. De longe, No Mythologies To Follow é o melhor álbum de um artista novo até agora de 2014 e MØ a melhor artista nova. E devem se manter assim por um longo tempo.

29 de abril de 2014

Investimento Duplo

Problem (feat. Iggy Azalea)
Ariana Grande


A pergunta que começa a se fazer em minha mente nesse exato momento é: Ariana Grande pode ser o nome de 2014? Depois de uma estreia com o álbum Yours Truly sendo um sucesso bem satisfatório em termos de vendas e tendo, surpreendentemente, um resultado excepcional, Ariana prepara para lançar seu segundo álbum, ainda sem titulo, nesse ano. Para começar a divulgar o trabalho a jovem cantora lançou Problem ao lado da rapper Iggy Azalea.

A grande surpresa está sendo o sucesso comercial inicial da canção que se tornou o single que mais rápido a chegar ao topo do iTunes nos Estados Unidos com cerca de apenas 40 minutos (o recorde anterior foi de We Are Never Ever Getting Back Together da Taylor Swift com o tempo de 50 minutos). Além disso, Problem já está em número um em mais de 40 países, um feito impressionante para uma artista ainda em começo de carreira.  Dessa maneira, Ariana vai pavimentando o seu caminho, mas com uma companheira de viagem. No momento em que lança Problem, a canção Fancy  está indo muito bem em vários mercados, como o USA, Iggy Azalea também vai se beneficiar do sucesso de Problem. Um investimento duplo.

Falando da canção em si, Problem é uma boa canção. Menos inspirada que várias faixas de Yours Truly, o single continua na mesma pegada de trazer a sonoridade dos anos noventa para a elaboração da personalidade musical de Ariana. Só que dessa vez o R&B  mais tradicional foi deixado um pouco de lado e uma mistura de R&B/hip hop foi usada, algo parecido com que fez Mariah Carey nos meados dos anos '90. A batida é bem legal fugindo da mesmice atual, mas também se rende a umas pitadas de pop para fazer atual e comercial. Gosto da adição de instrumentos como o sintetizador no refrão e o saxofone em outros momentos. De uma maneira geral, a produção poderia ter entrega algo mais poderoso e menos "certinho", mas o resultado final é bom. Mostrando potencial vocal, Ariana faz uma performance boa, mas com alguns erros como, por exemplo, em certos momento parece que ela está forçando para atingir um tom mais alto e dramático, coisa que não precisaria. Iggy também não está perfeita, mas seu carisma consegue superar os pequenos detalhes errados. A composição é um pouco trivial demais com um tema batido, mas as algumas ideais são ótimas e valem os elogios (o refrão "sussurrado" feito pelo rapper Big Sean que não foi creditado e a referencia à Jay-Z no rap). Ao que parece Ariana (e Iggy) serão um grande problema... para as outras artistas em 2014.
nota: 7

28 de abril de 2014

Uma Katy Com Cobertura

Birthday
Katy Perry

Katy vem comprovando cada vez mais como uma das artistas pop com maior poder midiático da atualidade. E, claro, ela se usa disso para fazer o que tem fazer: sucesso comercial. Sua última aposta é o single Birthday.

Para quem não está sabendo o último "bafafá" com o nome da cantora ocorreu devido ao fato dela interpretar um comediante judeu no clipe de Birthday, fato que causou criticas por esse personagem ser considerado estereotipado e clichê. Não que isso vá impedir o possível sucesso da canção ainda mais que Birthday é feita para vender/tocar nas rádios. Uma produção certinha misturando pop e uma dose grande de disco que acaba resultando em uma canção divertida, despretensiosa e dispensável. A composição é mediana e tem algumas insinuações sexuais, mas nada vulgar ou interessante. O melhor de Birthday é a simpática performance da cantora que faz a canção ser um trabalho bem agradável de ouvir. Em outras palavras, Katy é a cobertura que melhora o bolo em si.
nota: 6,5

26 de abril de 2014

Primeira Impressão

St. Vincent
St. Vincent


Nem sempre o que parece a "regra" é o que deve ser o que norteia nossas opiniões, principalmente, quando se trata do mundo da música. Por exemplo: o álbum homônimo da cantora americana St. Vincent foi aclamado criticamente por muitos especialistas dando uma classificação de 89 no Metacritic. Porém, nem por isso todos que ouvirem o álbum vão achar a mesma coisa. Esse é o meu caso.

St. Vincent é um álbum interessante e com boas sacadas, mas, na minha opinião, um trabalho apenas mediano. Não há como negar que a produção não faz um trabalho criativo e bem diferente construindo uma sonoridade pop, mas conceitual em sua estrutura minimalista misturando estilos como art pop e rock indie. Porém, dando uma boa analisada na sonoridade de St. Vincent, fica claro que mesmo envolto em um belíssimo "papel de presente" o álbum é apenas um CD de pop comum mais requintado. É fácil até notar em alguns momentos como, por exemplo, em I Prefer Your Love tem uma vibe meio Madonna das baladas dos anos oitenta misturado com a temática religiosa. Não é uma falha, mas não impressiona como vários críticos falaram. Vocalmente, a cantora St. Vincent tem personalidade bem definida sabendo como se colocar nas canções se adequando ao seu próprio estilo. Nada realmente marcante, mas um trabalho bem conduzido. O ponto negativo do álbum são as suas composições. Entendo perfeitamente e até curto quem busca algo mais autoral e indie, mas aqui o trabalho é hermético demais e não passa emoção ou mesmo um sentimento de afinidade com as mensagens passadas no álbum. É um trabalho bem escrito, mas faltou um toque mais acessível. Resumindo: regras estão aí para ser quebradas.

25 de abril de 2014

O Criador

Marilyn Monroe
Pharrell Williams


Depois de muitos anos, quase sempre, nos bastidores o cantor/rapper/produtor Pharrell Williams finalmente alcançou o panteão do estrelato com o mega sucesso de Happy. E nos próximos meses Pharrell vai ainda estar mais em evidencia como produtor para vários nomes importantes e também novatos, sendo o novo jurado do The Voice US e, claro, como artista solo. Segundo single do álbum G I R L, Marilyn Monroe mostra um pouco da genialidade de Williams.

A canção tem com a sua grande qualidade a produção apurada dada pelo próprio cantor. Usando de maneira espetacular toda a sua bagagem ao criar uma batida funk/R&B que consegue sair do lugar comum devido a elaboração do arranjo inspiradíssimo, cheio de nuances em uma batida contagiante. A composição poderia ser mais elaborada já que a ideia por trás é muita boa: uma ode ao amor. Outra coisa que poderia ter sido melhor aproveitada é a participação da Kelly Osbourne que mesmo rápida é marcante e inusitada. Mesmo não sendo o melhor trabalho da carreira dele como produtor, Marilyn Monroe é a plataforma perfeita para o mundo ver o talento de Pharrell como criador de músicas impressionantemente originais.
nota: 7,5

24 de abril de 2014

Uma Segunda Chance Para "Tightrope"

Tightrope (feat. Big Boi)
Janelle Monáe


Músicas se tornam eternas por vários motivos. Um desses motivos é a sua qualidade. Uma música que está nessa categoria é a canção Tightrope da Janelle Monáe.

Lançado como single do primeiro álbum da cantora (The ArchAndroid), Tightrope se torno quase imediatamente em um clássico moderno e, claro, uma das marcas da carreira da cantora. Não é para menos que a canção tenha alcançado esse posto tão rapidamente, pois, em um mar de mesmices, Janelle veio como uma verdadeira ventania de ar fresco ao entregar uma obra encantadoramente genial. Com uma forte veia funk, a canção dá uma remodelada no estilo em uma produção primorosa com uma batida viciante e deliciosa tão bem construida que coloca no chinelo muitas carreiras de cantoras de R&B/soul menos talentosas. Janelle ataca a canção como uma leoa em busca de alimento em uma performance arrebatadora desde o primeiro momento até o fim. A participação do rapper Big Boi (da dupla OutKast) poderia ser completamente desnecessária, mas sua parte é tão simpática e bem costurada que apenas aumenta a qualidade da canção. Sem mais, apenas um canção que virou eterna.
nota original: 8,5
nota atual:9,5
Resultado Final: Uma canção que precisa ser lembrada como um dos marcos da música dessa geração.
Resenha Original

23 de abril de 2014

O DJ Que Sabia Cantar

Summer
Calvin Harris


O DJ/produtor Calvin Harris tem uma grande vantagem em relação aos seus concorrentes diretos: ele canta.
Quando uma canção dele não tem um featuring, ele mesmo vai lá e empresta a sua voz para a canção. Esse é o caso do seu mais recente single, Summer.

A canção não está veiculada (ainda) a nenhum álbum do DJ e foi lançada no começo de Março. Summer segue a risca a cartilha das produções de Calvin: house pop comercial bem feitinho, mas completamente sem imaginação. Parece um eterno déjà vu. O que consegue sair um pouco da mesmice é a participação ativa de Calvin como cantor (melhor em gravação que muitos cantores pop por aí) dono de uma voz rouca e a composição bonitinha. Quem diria que chegamos num ponto que cantar seria um ponto positivo para uma canção?
nota: 6

22 de abril de 2014

Os Estados Unidos da Shakira

Empire
Shakira


Shakira é uma força da natureza. Claro, podemos sentir todo o seu poder quando a colombiana acerta de
verdade como no caso do single Empire.

A canção marca a volta da cantora às suas influências mais rock que é uma das bases de sua sonoridade. E mais que apenas um retorno, Empire mostra toda a força artística da cantora. Produzida pela cantora e por Steve Mac, o single é uma balada rock/pop com um arranjo épico muito bem construida tanto na sua parte técnica quanto na sua sonoridade em que podemos testemunhar toda a exuberância criativa que Shakira é capaz de entregar. A composição também é um trabalho poderoso que tem uma mistura de paixão e sexualidade latente sem precisar de apelação gratuita. Mesmo entregando uma performance vocal arrasadora, Shakira tem um erro em apoiar, em alguns momentos, em efeitos para dar uma dinâmica diferente para sua voz o que resulta em algo estranho e desnecessário. Apesar desse deslize, Empire é a melhor música da cantora lançada em anos. Um verdadeiro trufo e triunfo.
nota: 8