28 de fevereiro de 2018

Doce Kehlani

Again
Kehlani

Nem sempre um artista precisa mostrar o seu talento ao lançar uma canção genial com uma produção complexa e estilizada. Ás vezes, uma boa e tradicional balada pode ser o veiculo perfeito. Esse é o caso da cantora Kehlani e a bela Again.

A canção não passa de baladinha pop/R&B com base de violão, mas, para a felicidade de quem ouve, é um trabalho precioso devido a presença magnifica de Kehlani. Elevando a canção com um trabalho vocal perfeito que é, ao mesmo tempo, delicado e forte, a cantora se colocar como uma das melhores vozes do novo R&B, exalando uma personalidade cativante e deliciosa como o cheiro de uma rosa perfumada. Além disso, Again tem outro aspecto primoroso na sua composição: sobriedade. A canção fala sobre as batidas de cabeça que a gente enfrenta quando ama alguém e sabe que a relação não faz bem para os envolvidos, mas, mesmo assim, a gente continua a insistir nos mesmo erros. Essa temática poderia muito ficar melosa e dramática demais não fosse a elegância e maturidade da composição consegue imprimir. Não é um trabalho que irá resistir ao tempo, mas é uma canção que precisa ser descoberta.
nota: 8



27 de fevereiro de 2018

Uma Nova Chance

I Know You (feat. Bastille)
Craig David

O cantor Craig David fez bastante sucesso no começo dos anos dois mil na Inglaterra e, também, no resto do mundo com seu primeiro álbum Born to Do It, sendo quase uma resposta britânica aos cantores de R&B da época nos Estados Unidos. Depois de dezessete anos, Craig David continua com relevância por lá, ganhando uma nova chance para ser sucesso nas paradas com a canção I Know You.

Produzido por Fraser T Smith, I Know You consegue unir a sonoridade de Craig com um verniz cuidadosamente moderno para criar a música perfeita para ajudar o cantor a reconquistar as paradas. A parceria com a banda Bastille dá a sustentação ideal para alcançar esse desejo, pois é da sonoridade indie pop/drum bass que a canção ganha a sua personalidade final, tornando-se uma sombria, adulta e acima da média R&B eletrônico/eletropop. Com sua batida pomposa, mas, ao mesmo tempo, contida de partir para o batidão desnecessário, I Know You é o tipo de canção que é melhor que a sua apresentação pode parecer. Junta-se ao fato da ótima performances vocais de Craig e do Bastille, especialmente a parte épica do refrão, e a letra bem escrita que evoca um sentimento mais profundo que canções como essa são capazes de entregar. Uma música digna de dar para Craig David uma nova chance de sucesso comercial.
nota: 7,5

26 de fevereiro de 2018

Cinzas do Carnaval

Carnaval (feat. Pitbull)
Claudia Leitte


Particularmente, eu não tenha nada contra a Claudia Leitte, apesar de achar que a mesma parece estar em um estado de forçar a sua persona em todos os momentos em que pode. Entretanto, não como negar que a cantora Claudia Leitte faz algumas coisas que dá vontade de revirar os olhos em compulsão. Esse é o caso da canção Carnaval, tentativa da mesma de, ao mesmo tempo, virar o hit do carnaval passado e ajudar na sua carreira internacional.

A canção é tecnicamente bem produzida e tal, mas erra em vários outros pontos, começando pelos vocais da Claudia. Não sei como um artista que ouve a sua própria voz em uma música e acha que o uso excessivo de efeitos vocais ajuda de maneira positiva o resultado final, mas acho que a Claudia achou que mascarar a sua voz foi algo realmente bom. Em vários momentos não dá para perceber que é a cantora que está por trás da canção, pois o seu timbre foi completamente enterrado nas toneladas de efeitos. Não seria difícil trocar a cantora por outra e resultar o mesmo que ouvimos em Carnaval. Se esse fosse o único problema até seria mais fácil de avaliar melhor a canção, mas o single é uma pilha de erros. Pitbull até acrescenta alguma personalidade, mas, sejamos sinceros, o rapper está mais datado que a própria presença de um rapper em uma canção pop. A batida é dançante até ficar massificada e com um tambor acima do tom, atrapalhando o resto da canção. Fechando o pacote fica a péssima e clichê composição que mistura inglês e espanhol de forma boba e nada inteligente. Com esse resultado, o Carnaval de Claudinha foi só cinzas.
nota: 5

25 de fevereiro de 2018

Os Anos '90 Batem a Sua Porta

One Foot
Walk The Moon



Assim como foi um dos avisos que havia uma onda de nostalgia dos anos oitenta voltado para a música pop com o sucesso de Shut Up And Dance, a banda Walk The Moon parece ser o cavaleiro que vem anunciando a próxima onda de influência: os anos noventa. E a mensagem está bem clara em One Foot.

Apesar de ter sido lançada no final do ano passado, One Foot é a porta bandeira sobre a nova tendência que deve começar a pipocar no mundo pop em todas as partes: a nostalgia dos anos noventa e todo o que fez da década o que foi. Aqui é possível ouvir a influência daquele pop rock teen/dance pop/pop chiclete/pop punk que fez a cabeça de uma boa parte do público e que gerou one hit wonders como, por exemplo, o New Radicals com a canção You Get What You Give ou aqueles em começo de carreira como o Green Day com Basket Case. Fácil de viciar, divertida e com uma atmosfera que parece ser a perfeita para matines de adolescentes descolados, One Foot é um trabalho que exala nostalgia, mas não fica presa em um tempo que não volta mais e consegue entregar uma canção moderna dentro das suas pretensões. Outro ponto positivo é a composição que "conta" uma história rica e com apelo pop exemplar como eram as canções naquela década. O erro em One Foot é a sua duração de mais de quatro minutos, deixando a parte final um pouco arrastada. Nada disso, porém, tira da canção ser um bom aralto para o que pode estar por vir.
nota: 7,5

24 de fevereiro de 2018

Resiliência 2

Us
Jennifer Lopez

Gostem ou não da Jennifer Lopez, mas é preciso admitir que a artista é uma guerreira no quesito em não desistir da sua carreira musical. Sem atingir o sucesso comercial já faz algum tempo, J.Lo continua apostando alto na sua vertente cantora. Dessa vez, a cantora lançou o single Us.

Sem fazer parte de nenhum projeto, pois o seu próximo álbum é totalmente em espanhol, Us prova que Lopez ainda tem a capacidade de dominar uma canção pop como poucas atualmente. Produzido por Skrillex e Poo Bear, o single é um bom dance pop com toques de latin pop que consegue ser comercial e ter um toque pessoal da sonoridade da cantora. Além disso, quem ouve a performance vocal da cantora fica fácil de notar a evolução vocal dela desde o começo da carreira, mostrando amadurecimento e uma segurança que a mesma não tinha durante os momentos de "glória". O problema da canção é a sua frágil e pobre composição que tem um refrão nada interessante e chega a ser irritante. Acredito que a canção não tenha sido lançada com intuito de estourar, ainda mais que J.Lo tem em ponto de bala uma faixa com maior potencial. Entretanto, é muito bom que a cantora não parece ter se acomodado e ainda continua a reivindicar o seu lugar dentro do pop.
nota: 6,5

23 de fevereiro de 2018

Antes Tarde do Que Nunca - Votação

Depois da primeira e bem sucedida escolha do álbum para o Antes Tarde do Que Nunca chegou a hora para a segunda enquete ser aberta. Alguns álbuns saíram, outros entraram. Todavia, reforço que todos serão resenhados no seu momento. Agora é com vocês: qual será o próximo álbum no Antes Tarde do Que Nunca? Votem aqui do lado!



1. The Miseducation Of Lauryn Hill - Lauryn Hill
2. Born in the U.S.A. - Bruce Springsteen
3. The Diary of Alicia Keys - Alicia Keys
4. This Is Me...Then - Jennifer Lopez
5. Jagged Little Pill - Alanis Morissette
6. Justified - Justin Timberlake
7. Hounds Of Love - Kate Bush
8. Fearless - Jazmine Sullivan
9. 808s & Heartbreak - Kanye West

22 de fevereiro de 2018

Recomeçando o Recomeço

Savior (feat.Quavo)
Iggy Azalea

Tentando recomeçar a carreira pela quarta ou quinta vez, a Iggy Azalea parece que finalmente acertou com a canção Savior. Uma pena que erros em torno da canção não ajudam em nada a rapper.

O primeiro problema da canção é fato dela estar associada com aquele produtor acusado de violência sexual e abuso que não é melhor a gente citar nominalmente. Apesar de negar a sua associação com ele, Iggy Azalea teve a sua imagem ainda mais arranhada e ainda viu a canção perder pontos positivos com o público. O pior que Savior é até uma boa canção. Lembrando o apelo pop de Fancy, mas com uma pegada mais adulta, o single tinha um potencial enorme para virar um sucesso, mesmo que mediano. A batida é redondinha, o refrão é bom, a construção é interessante e Iggy entrega sua melhor performance em tempos, criando uma fusão de cantar e fazer o rap que combina perfeitamente com a canção. Além do problema já citado, outro erro aqui é a presença do rapper Quavo, não pela sua performance cantando o refrão e invertendo a ordem normal, mas, sim, pois o mesmo é acusado de homofobia. Savior seria um ótimo recomeço para a rapper, mas depois de tudo isso Iggy precisa recomeçar o recomeço com urgência.
nota: 7