23 de outubro de 2020

Confortável Demais

positions
Ariana Grande


Estabelecida como uma das principais divas pop da atualidade, a Ariana Grande irá completar a façanha de ter lançado seis álbuns em um espaço de apenas sete anos, sendo um número que é alcançado por alguns artistas de renome em toda uma carreira. E se for depender dos resultados recentes, o primeiro single do novo álbum será um outro sucesso para a bagagem da cantora. O problema é que ao encontrar a estrada de tijolos de ouro, Ariana se mostra confortavelmente estagnada em um lugar seguro. 


Ao descobrir qual é a exatamente qual é a sonoridade que melhor se encaixa para a sua carreira, a cantora estabelece firmemente a sua persona artística como poucas artistas pop da sua geração. Isso é ótimo, pois mostra uma maturidade da mesma. O problema é que isso pode gerar uma estagnação ruidosa. Ariana já provou que consegue carregar muito bem várias vertentes do pop como prova na sua parceria com a GaGa, mas a sua persona solo é esse pop contido com influência de R&B com toques de trap. Em positions, o seu novo single, a cantora repete com as mesas qualidades de canções como o smash hit Thank You, Next e Break Up with Your Girlfriend, I'm Bored. Bem produzida, radiofônica e cativante, a canção mostra um lado mais romântico que as canções anteriores com uma letra de exaltação do seu atual namorado com toques divertidos e um refrão redondinho. Além disso, a cantora continua a mostra carisma ao entregar uma performance contida, mas bastante presente e com personalidade. O problema é que positions parece um looping que soa como uma reciclagem muito bem feita, mas com gosto levemente requentado. Não acredito que a Ariana precise mudar drasticamente a sua sonoridade para mostrar versatilidade e, sim, ousar mais dentro do que a mesma se propõe em fazer. O bom é que esse caminho ainda está dando certo. Aguardemos cenas dos próximos capítulos.
nota: 7

O Padrão

WONDER
Shawn Mendes

Apesar de ser certo hate recebido pelas suas canções, o Shawn Mendes é sim um bom artista. Não é genial, mas mantém uma consistência dentro do que se propõe a fazer que é elogiável. Novamente, o cantor mostra o seu talento em amadurecimento na boa WONDER. 

Primeiro single do seu próximo álbum de mesmo nome, WONDER é uma consistente e bem pensada pop contemporâneo com toques interessantes de pop rock e até mesmo de indie que parece ser uma mudança na sua sonoridade. Mudança sutil é verdade, mas que aponta uma possível evolução significativa. Apesar da boa produção, a canção poderia ter uma construção mais azeitada, pois as nuances adicionadas parecem um pouco deslocadas e não tão bem colocadas. A composição, porém, é o ponto fraco da canção, pois Shawn Mendes entrega um trabalho apenas ok, sendo que o mesmo já tinha mostrado mais força criativa como, por exemplo, a poderosa In My Blood. WONDER é o padrão do Shawn Mendes, mas, felizmente, ainda é um bom padrão. 
nota: 7

21 de outubro de 2020

Como Fazer um Remix Que Não é Um Remix

Levitating
Levitating (feat. DaBaby)
Dua Lipa


Fazendo de tudo um pouco para emplacar os hits que deveriam ter saído do aclamado Future Nostalgia, Dua Lipa resolveu seguir a cartilha e lançar um remix que não é remix com participação especial de um nome da moda para Levitating. A surpresa aqui é que, ao contrário da maioria das canções com a mesma “pegada”, a nova versão funciona melhor que tem direito.

Depois de uma versão odiada pelo público com o remix ao lado da Madonna e Missy Elliott, Levitating ganha uma versão remix que faz o que muitos odiaram em The Blessed Madonna Remix: nada foi alterado sonoramente. Ou quase nada. A canção continua praticamente a mesma ao ser uma deliciosa, alto-astral, divertida e comercial post-disco/funk/electropop que parecer grudar na nossa cabeça como chiclete recém mascado. Eletrizante do começo ao fim, a canção é a tradução perfeita do alcance pop que a Dua Lipa pode alcançar. A presença de DaBaby poderia atrapalhar, mas passa longe no momento que o rapper funciona como uma cerejinha em cima do bolo. A sua performance assim como o seu ótimo vero combinam quase perfeitamente com toda a vibe de Levitating, criando um ponto luminoso e, não, de distração da canção. Claro, o rapper poderia aparecer em outros momentos para cravar ainda mais a sua presença, mas a participação ajuda a Dua Lipa fazer o melhor remix que não é um remix de 2020. E isso já é algo realmente sensacional. 
notas 
Versão Original: 8
Versão Remix: 8

Boa Intenção

OK Not to Be OK
Marshmello & Demi Lovato

Lançada como primeira parceria do DJ Marshmello e a Demi Lovato, OK Not to Be OK tem uma ótima intensão por trás: ser um hino na prevenção conta o suicídio. E isso é algo realmente inspirador. Uma pena, porém, que em questão de qualidade apenas, a canção é apenas mediana. 

Uma electropop/EDM que pode não ser o fundo do poço, mas, infelizmente, não sai nem em um centímetro do lugar comum ao ser a repetição quase integral de qualquer canção do mesmo estilo. A produção de Marshmello é tecnicamente boa, pois ajuda a canção a soar clean e encorpada. Entretanto, não há uma gota de criatividade verdadeira para sustentar a canção como um trabalho distinto e com personalidade. A canção tem uma letra bem pensada, mas liricamente mediano ao não ter um refrão realmente pungente e viciante. Demi entrega uma boa performance, mas sem força suficiente para elevar muito a canção. O que ajuda a canção mesmo é a sua válida e boa intenção. 
nota: 6

Neblina

Baby It's You
London Grammar

Assim como objetos no meio de uma neblina, o London Grammar sempre pareceu desfocado para mim. Sempre quis conhecer e avaliar a banda britânica, mas a carreira deles nunca entrou em foco para chamar realmente a minha atenção. Finalmente, quase que por acaso topo com Baby It's You, single do terceiro álbum da banda, e acredito que tenha perdido algo realmente interessante.

Não sei exatamente como a sonoridade do trio em trabalhos passados, mas Baby It's You é uma auspiciosa, envolvente e graciosa pop soul com electropop, drum bass e eletrônico em uma batida elegante. Contida, mas longe de ser minimalista, a atmosfera quase dreamy ajuda a canção a ter um verniz que pode até soar massificado, mas é, na verdade, um trabalho de uma beleza simples e edificante. Não espere nenhum arrombo criativo e, sim, uma coleção discreta de nuances bem colocadas e pensadas. A performance da vocalista Hannah Reid é como um bálsamo sobre uma ferida aberta, pois traz uma calma refrescante sem perder, porém, o foco das sensações/emoções que a canção transmite. O único problema de Baby It's You é sua boa, mas limitada composição que poderia facilmente ganhar muito mais profundidade com a adição de mais versos e um refrão de verdade. De qualquer forma, espero que tenha tirado a neblina do London Grammar para poder encontra-los mais vezes no futuro.
nota: 7,5

18 de outubro de 2020

Quem é Doja Cat?

Freak
Doja Cat

Até o momento, a Doja Cat já entregou disco, pop, rap. hip hop e R&B em canções completamente distintas entre si. Isso não é nenhum problema se a cantora mostrasse personalidade de verdade. E não é com Freak que teremos uma amostra verdadeira da real Doja Cat.

Freak é uma inusitada doo-wop/R&B/rap que funciona até melhor que o esperado devido a surpreendente e a bem usada sample de Put Your Head on My Shoulder do Paul Anka de 1959. A produção também acerta ao saber dosar bem todos os elementos de forma inteligente. Um pouco longa, a canção poderia ser bem melhor se tivesse a personalidade de Doja bem melhor lapidada. Entregando uma performance que transita entre a sua persona cantora e a sua persona rapper, a artista ainda soa verde para sustentar uma canção tão “grandiosa” sonoramente. A composição sobre sexo tem seus momentos, mesmo que não tenha a força necessária para virar hit como Say So. Vamos esperar se a artista possa responder no futuro: quem é Doja Cat? 
nota: 7

No Meio do Caminho Tinha Uma Pedra

Better
Zayn

Depois de um começo meteórico em que parecia que a sua carreira iria explodir na estratosfera, Zayn viu a sua carreira decair exatamente como o corpo celeste, principalmente devido o lançamento da bomba Icarus Falls. Além disso, o cantor viu o seu ex companheiro de One Direction Harry Styles surgir como um verdadeiro fenômeno pop no último ano. Sumido e se dedicando ao nascimento do primeiro filho, Zayn resolveu fazer o seu comeback com o lançamento de Better. E pela recepção da canção não parece que as mesas irão virar a favor do cantor. 


Better está bem longe do impacto causado pelo grande sucesso da carreira do cantor: a ótima Pillowtalk. Na verdade, a canção não tem impacto nenhum ao ser um sem sal R&B que tem até uma vibe gostosinha que até parece mirar em uma sonoridade estilo Maxwell, mas que tem na produção chapada e sem criatividade nenhuma o seu maior problema. A canção parece mais um filler que nem deveria entrar em um álbum que uma canção que valha a pena ser lançada como single. Rápida demais, Better também não conta com uma composição marcante e, principalmente, decepciona no quesito vocais já que parece que Zayn gravou morrendo de sono ao ser uma performance arrastada, fraca e sem personalidade. Uma pena que não seja uma canção que irá colocar a carreira dele nos eixos, pois o cantor é bem mais talentoso que essa esquecível canção. 
nota: 5