27 de novembro de 2020

Lady Rina GaGa Sawayama

Lucid
Rina Sawayama



Dona de uma das melhores trajetórias em 2020, Rina Sawayama ainda não atingiu infelizmente um público mais mainstream dentro do pop. Nem sei se essa é intenção, mas o lançamento de Lucid parece apontar para essa direção ao mirar diretamente a sonoridade da Lady GaGa. 

Não acredito que a ideia tenha sido fazer uma canção da GaGa na voz de Rina, mas a produção também não tenta ocultar muita coisa ao ser construída por BloodPop, responsável por dar forma ao Chromatica. Felizmente, Lucid é uma boa “cópia”, pois consegue ser melhor que várias faixas do álbum da GaGa. Isso se deve especialmente devido ao carisma e refrescância que a presença de Rina causa no comando da canção. Um bom e dançante dance-pop/electropop, o single que marca o começo dos trabalhos do lançamento da versão delux do debut de Rina, a canção caí em alguns momentos no lugar comum em uma batida farofa. Todavia, as nuances e o ótimo refrão salvam a canção inteira de ser apenas genérica para uma ser deliciosamente genérica. Espero que em algum momento um público maior possa descobrir a Rina Sawayama por seus méritos e, principalmente, a mesma não desça mais em qualidade apenas para agradar. 
nota: 7,5

Respingos

Monster
Shawn Mendes & Justin Bieber

Sinceramente, eu tento ver o lado bom da carreira do Justin Bieber, mas o canadense não parece colaborar com a minha vida. Depois de reclamar de barriga cheia no seu próprio single, o cantor resolveu respingar o seu white people problem na canção Monster do Shawn Mendes.


Sonoramente, Monster é a música mais ousada da carreira dos dois artistas ao ser uma sólida pop/pop rock com toques R&B que parece mostrar evolução da carreira de Shawn. Faltou, porém, um aprofundamento das ideias para dar mais corpo a batida, mas é necessário elogiar a produção Frank Dukes. O grande problema aqui é a composição que poderia ser ótima, mas acaba ressoando aquela sensação de ouvir os dois artistas reclamando de barrida cheia. Dessa vez, porém, o resultado final é melhor que a canção solo do Justin, pois parece mais sincera e original. Todavia, o verso de Bieber repete exatamente os mesmos erros que em Lonely a ser um desabafo raso, vitimista e reclamão. Sem grandes performances dos envolvidos, mas segurando a onda bem no resultado final, Monster poderia ser melhor se não tivesse sido respingado por erros herdados de outra canção. 
nota: 7

Sucesso Curioso

Hawái
Maluma

Hawái (Remix)
Maluma & The Weeknd


Entender o sucesso atual de Hawái do Maluma é algo bastante curioso, pois a canção não faz necessariamente os requisitos para ser um sucesso comercial latino atualmente. E menos sentido ainda faz o “remix” com a presença do The Weeknd. 

Devo dizer que gosto da canção em alguns pontos, mas que não faz o resultado final ser melhor que apenas mediano. Hawái é um reggaeton com cadencia lenta que quase o transforma em uma balada. E por isso, o sucesso comercial que a canção vem alcançando parece não fazer muito sentido, pois, normalmente, canções com batida mais “animadas” parecem ser melhores aceitas pelo mainstream comercial. Além disso, a parte inicial que recaí mais para a balada funciona melhor que a batida massificada que Hawái assume da primeira metade para frente. O remix não remix com o The Weeknd não altera nada, tirando o fato de ouvir o cantor estadunidense cantar em espanhol. Sendo a canção que pode finalmente transforma o Maluma na estrela mundial que vem prometendo algum tempo, Hawái ganha um peso que não teria se tivesse sido mais um single lançado. 
notas 
Versão original: 6 
Versão remix: 6

New Faces Apresenta: Arlo Parks

Green Eyes
Arlo Parks

Sempre fiquei atento ao que R&B/soul feito na Inglaterra pode trazer para o jogo da indústria, pois, de tempos em tempos, surge um nome que estoura mundialmente com o público e a crítica. E é por isso que ouvir a novata Arlo Parks é reflorescer esse sentimento de expetativa. Ainda mais com uma canção tão bom quanto Green Eyes. 

Preparando para lançar o seu primeiro álbum, a cantora de apenas vinte anos vem chamando atenção nos últimos tempos ao figurar em listas conceituadas como a da BBC e da revista NNE. E em Green Eyes fica claro perceber essa expectativa para a sua carreira. A canção é uma deliciosa pop soul/R&B que fica entre a sonoridade do começo da carreira da Lily Allen misturada com algo que a Lianne La Havas entregaria. Todavia, Arlo tem personalidade artística suficiente para limpar o ar e deixar essas comparações apenas como influências, criando uma canção que se sustenta perfeitamente por si. Elegante melódica, a canção conta a história de um amor que acabou por causa do preconceito das pessoas em aceitar um casal do mesmo sexo. Assumidamente bissexual, a cantora coloca mais um tijolo na construção de toda uma geração de artistas queers ao usar a sua envolvente e levemente áspera voz para dar voz ao uma canção deliciosa do começo ao fim. E assim continua a levar a bandeira de todo gerações de artistas R&B/soul britânicos. 
nota: 7,5

26 de novembro de 2020

Single do Ano - Votação 2

A segunda enquete para definir o Single do Ano será o histórico número um na Billboard do BTS com Dynamite contra o remix de Savage da Megan Thee Stallion com a presença da Beyoncé. Votem!