29 de abril de 2022

New Faces Apresenta: Doechii

Crazy
Doechii


Existem alguns artistas novatos que fico feliz em “descobrir”, mas outros termino furioso de não ter conhecido bem antes. Esse é o caso da rapper Doechii que lançou a genial Crazy.


Nascida Jaylah Hickmon e conhecida anteriormente Iamdoechii, a rapper vem começando a ganhar notoriedade desde ano passado com o sucesso viral de Yucky Blucky Fruitcake (que irei ter que falar em um especial em breve). Devido a isso, Doechii assinou com uma grande gravadora e deve lançar o primeiro álbum ainda esse ano. Como single foi lançada essa pancada chamada Crazy. É um pouco difícil comparar o que a rapper entrega na faixa, mas o melhor link que posso fazer é com a lendária 212 da Azealia Banks. Frenética, ambiciosa, experimental e de uma produção espetacularmente inteligente, Crazy é assim como 212 uma hip hop/eletrônica/house que explode na nossa cara feito uma gramada, deixando quem escuta fascinado e desnorteado. Entretanto, Doechii entrega uma canção mais áspera, feroz e quase animalesca devido a sua espetacular performance que consegue deixar a canção ainda mais revigorante. Se pudesse comparar com uma atriz, a rapper entrega uma atuação que seria digna de ser indicada ao Oscar simplesmente pela qualidade do que por campanhas mediáticas que poderiam ser feitas. Existe uma urgência nos versos diretos e concisos da canção que é como o toque final de gênio de Crazy. Espero que a rapper possa conquistar o apelo de um público maior nos próximos anos, pois apenas por esse começo já sabemos que a mesma tem um talento realmente especial.
nota: 9

O Céu de Ava

Maybe You’re The Problem
Ava Max


Pode se dizer que não gosta da Ava Max, mas nunca pode acusar a cantora de não ser persistente. E com essa característica que a cantora lança o seu melhor single com a ótima Maybe You’re The Problem.

Não espere que a canção seja exatamente original, mas, sim, uma excitante e divertida synth-pop com forte influencia dos anos oitenta que tira inspiração diretamente do The Weeknd. Felizmente, a canção tem uma boa produção que consegue não ser uma cópia barata, especialmente devido a injeção de personalidade que a cantora oferece com uma presença sólida e com carisma bem definido. E isso deveria ser sempre o ponto forte das canções da cantora, pois Ava é uma ótima cantora com instrumental para ainda ser melhor e que precisa ainda achar um pouco de seu próprio caminho. Outro ponto positivo de Maybe You’re The Problem é a sua clichê, mas muito bem escrita composição sobre perceber a pessoa tóxica com que se relaciona e descobrir que nem sempre os erros de um relacionamento é divido por dois. Se toda canção lançada daqui para frente tiver essa mesma qualidade, a Ava Max pode se tornar a próxima mega diva pop mainstream.
nota: 8



Filler de Respeito

Plan B
Megan Thee Stallion


Nem sempre uma boa música serve para ser um single, pois falta algum componente que vire essa chave essencial para o sucesso comercial. Um bom caso disso é a interessante Plan B da Megan Thee Stallion.

Possível single do seu próximo trabalho, a canção é uma das mais interessante em questão sonora lançadas pela rapper. Uma fusão suculenta de hip hop/rap com uma dose de funk/soul que referencia diretamente a origem dos gêneros lá nos anos oitenta. Entretanto, a produção adiciona uma dose áspera de personalidade que faz de Plan B realmente original, mesmo não sendo genial. A presença de Megan é outro ponto alto da canção, pois a rapper se mostra em uma performance direta, marrenta e estilosa ao usar a sua personalidade para entoar mais uma canção de empoderamento muito bem escrita. Apesar de toda a qualidade, o single não é o tipo de canção que parece ser feita para o sucesso, especialmente devido a sua estilização, a falta de um refrão poderoso e a sensação de ser um filler. Uma filler, sim, mas um que vale mais que muitas canções no topo das paradas.
nota: 7,5



A Mesma Canção

Thousand Miles
The Kid LAROI

Um dos principais nomes dessa onde post-pop punk/emo, o australiano The Kid LAROI entrega novamente a mesma canção em Thousand Miles.

Sonoramente, a canção é exatamente como os seus outros lançamentos de sucesso, especialmente Stay e Without You. Uma pop rock/pop punk mid-tempo com base de violão e efeitos vocais pesados na voz do cantor, Thousand Miles é amontoado de frases feitas e lugares comuns sonoramente que não chega a ser uma imensa bomba e, sim, uma canção completamente esquecível e dispensável. E o problema não é o estilo em si e, sim, a mesma estrutura sonora, vocal e lírica que se repete em todas as canções do cantor, mostrando que o alcance do mesmo é até o momento é restritíssima a uma coisa apenas. Está funcionando até momentos, mas a pergunta é: até quando?
nota: 5

26 de abril de 2022

A Mais Indie da Rainha dos Indie

Free
Florence + The Machine


Seria capaz do Florence + The Machine lançar uma lançar uma canção mais indie que a média de todos os seus lançamentos? Eis que surge Free para responder essa questão.

Novo single do aguardado Dance Fever, a canção é uma incrível mistura de indie pop, indie rock e toques de electropop embalados em uma camada experimental que consegue soar como um trabalho da banda e, ao mesmo tempo, se diferenciar com os toques de sonoridade de artistas como Bruce Springsteen e The Killers. E é nesse momento que a canção se torna o trabalho mais indie dos últimos tempos da banda. A produção da Florence ao lado de Jack Antonoff e Dave Bayley consegue emendar todas essas caraterísticas em uma canção lindamente instrumentalizada que usa toda a força de uma atmosfera sublime, ambígua e reconfortante para jogar todo esse peso de Free de ser várias coisas ao mesmo, mas ser primeiramente uma canção do Florence + The Machine em estado bruto. Isso só poderia acontecer dessa forma, pois a canção é dona de uma composição genial. Falando sobre o peso da ansiedade em nossas vidas ao relatar o dia a dia de uma pessoa que vive com essa doença, Free apresenta um tom até esperançoso ao mostrar que é possível lutar contra esse mal em uma letra tocante, revigorante, emocionante, expiatória e eletrificada. Estranha, nada comercial do de vista atual, dançante e completamente mágica, a canção vai pavimentando o caminho para que o Florence + The Machine tenha um dos melhores trabalhos da sua genial carreira.
nota: 8,5

New Faces Apresenta: Isaac Dunbar

Bleach
Tainted Love
Isaac Dunbar

Descobrir novos artistas é algo que realmente tenho uma excitação verdadeira durante os meus anos de blog. E descobrir um artista como Isaac Dunbar é ainda melhor, pois o mesmo consegue entregar dois dos melhores singles do ano nas sensacionais Bleach e Tainted Love.

Fã de Lady GaGa e EDM music, o cantor assinou em 2019 o contrato com uma grande gravadora depois de lanças suas canções de maneira independente. Sem ainda lançar um álbum, Isaac Dunbar vem preparando o lançamento do EP Banish the Banshees para final de Maio. Como singles desse trabalho foram lançado duas canções que mostram o seu gigantesco potencial. Bleach é uma eletrizante, refrescante, contagiante e classuda mistura de R&B, dance-pop, post-disco e indie pop que realmente funciona devido a inteligência na condução da canção. Leve e divertida, a canção nunca é, porém, dispensável ou esquecível com a produção adicionando uma dose reluzente de nuances que incrementam o resultado final sem perder a sua base original. E é na luminosa performance Isaac que a canção ganha ainda força para se completar de maneira inspirada. Em Tainted Love, o cantor não perde folego ao entrar um trabalho também espetacular. Mergulhando ainda mais na influencia disco, a canção é uma romântica e deliciosa post-disco, pop soul e R&B que poderia facilmente ser um cover de uma canção dos anos setenta, mas é de uma originalidade cativante. A composição é simples, suculenta, inteligente e de uma fluidez impecável ao saber contar uma história de uma noite romântica, sabendo explorar ideias líricas extremamente eficientes e conseguir expressar toda a eletricidade de um encontro entre duas pessoas apaixonadas. Vocalmente, Isaac é um diamante que pode ser ainda refinado, mas se mostra já maduro e lindamente envolvente com a sua grande versatilidade. Queridos leitores, guardem esse nome Isaac Dunbar, mesmo não podendo estourar comercialmente é sempre bom conhecer talentos desse tamanho.
notas
Bleach: 8,5
Tainted Love: 8,5

Encontrando o Caminho

Memories
Conan Gray

Desde a sua “estreia” aqui no blog com a mediana Overdrive, a trajetória do Conan Gray tem sido uma ascensão realmente louvável. E agora o mesmo entrega o seu melhor momento até agora com a ótima Memories.

A busca pela sua identidade artista parece ter um caminho que busca inspirações no que deu certo para outros artistas, mas sem nunca parece uma cópia apagada ou repeti dos originais. Liricamente, a clara inspiração é da Taylor Swift com a sua verborragia elegante e sentimental. Em Memories, Conan relata um relacionamento tóxico que, apesar de todos os seus esforços, a outra pessoa não o deixar curar as feridas e a deixar no passado. Muito bem escrita e com uma inteligência lírica refinada, a canção poderia ter um refrão mais direto para explorar todo o seu potencial cativante. Em questão de sonoridade, a produção não necessariamente bebe diretamente de uma fonte, mas essa pop rock/indie pop parece querer mostrar profundidade e versatilidade de Conan para o mostrar como um artista maduro como apostou o Harry Styles desde o começo da sua carreira solo. Conan Gray vem construindo uma carreira uma discografia elogiável que precisa apenas encontrar o caminho para o sucesso mainstream.
nota: 8

Caminho Desviado

That’s Hilarious
Charlie Puth


Recentemente, o Charlie Puth revelou que teve uma epifania quando o Elton John falou que a musica dele era ruim e isso o fez pensar sobre a sua carreira. Apesar da melhora nos últimos tempos, acredito que That’s Hilarious não era exatamente o oposto que o Elton queria dizer.

That’s Hilarious é completamente dispensável. Apesar do bom começo, mostrando que poderia entregar algo com estofo e dramático, Charlie vereda por outros caminhos ao criar uma batida esquecível, massificada e boba de eletropop que não acrescentada nada de novo ou excitante. É apenas monótona. A canção tem até uma produção sólida e uma composição decente, mas That’s Hilarious é como uma massa de pão crua e sem sal. E isso mostra que Charlie Puth não ainda seguido a risca o conselho que lhe foi dado.
nota: 6