27 de fevereiro de 2022

Primeira Impressão

Lady Leste
Gloria Groove



Uma Segunda Chance Para: Blank Space

Blank Space
Taylor Swift


Para quem conhece o blog algum tempo sabe que apenas começou a realmente admirar os trabalhos da Taylor Swift, especialmente depois do lançamento de Folklore. E é por isso que canções anteriores não fazem exatamente o meu critério para gostar. Entretanto, existe uma canção que ao longo dos anos comecei a realmente gostar: Blank Space não é genial, mas tem boas qualidades que vem envelhecendo como vinho.

Acredito que a canção foi um dos momentos decisivos para a transição da Taylor de estrela country para diva pop. No momento do seu lançamento não tina capitado exatamente todo o potencial, mas passando oito anos começo a perceber as qualidades da canção. A maior delas é a sua composição. Ainda rodeada por polêmicas envolvendo a sua vida romântica, a cantora entrega em Blank Space uma sátira inteligente e debochada sobre a sua fama de “namoradora”. Debochada, muito bem escrita e com um refrão grudento, a letra da canção demonstra melhor qualidade da cantora ao ser verborrágica e com um senso pop muito bem definido. Sonoramente, a canção é um electropop refinado pelas mãos de Shellback e Max Martin que não reinventa a roda, mas entrega uma batida limpa e memorável. Uma pena, porém, que Taylor não é uma cantora com muitos recursos vocais, mesmo que segurando bem Blank Space, a canção parece que poderia ser ainda mais potente com uma cantora vocalmente acima da média. De qualquer forma, Blank Space se mostra muito mais interessante que quando foi lançada quando podemos notar que a mesma era a porta para a evolução artística de Taylor Swift.
nota: 7

25 de fevereiro de 2022

Primeira Impressão

QVVJFA?
Baco Exu Do Blues



Uma Nem Tão Nova Florence

King
Florence + The Machine


No meio de tão m@rda acontecendo atualmente é muito bom ouvir o retorno do Florence + The Machine. Preparando para lançar o quinto álbum da carreira, a banda começa os trabalhos com o lançamento da ótima King.

O single é um trabalho que consegue ser simultaneamente um trabalho típico da banda e um ponto relativamente novo na sua discografia. Produzido pela vocalista Florence e o onipresente Jack Antonoff, King apresenta os traços marcantes da banda como, por exemplo, o complexo instrumental, a atmosfera grandiosa e força emocional impressionante, mas aqui tudo é envolvido em uma nevoa contida que transforma a canção em uma slow burn impactante que vai entrando cada vez mais fundo na nossa pele a cada nova audição. O estilo de Antonoff é percebido ao notar que King é uma indie rock com inspiração dos anos setenta e, felizmente, essa decisão parece fundir com perfeição com o estilo da banda de maneira a criar uma canção que tem a personalidade única deles do começo ao fim. Novamente, Florence entrega uma performance simplesmente avassaladora ao mostra uma restrição vocal que não apenas combina com atmosfera da canção e, também, com a profunda e sempre pungente composição que fala sobre a individualidade de uma pessoa em um relacionamento visto do ponto de vista feminino. E assim o Florence + The Machine é um ponto de esperança no meio da escuridão.
nota: 8,5

Na Cara Dura

Closer (feat. H.E.R)
Saweetie


Sabe aquele meme de pode copiar, mas não faz igual? Então, essa é a melhor definição de Closer da rapper Saweetie com a H.E.R que é a copia de Kiss Me More.

Não apenas pelo fato da canção ter a mesma estrutura da rapper ficar com os versos e a convidada ficar com o refrão cantado, mas pela sonoridade praticamente igual. Uma dance-pop/post disco com toques de soul, Closer parece na verdade uma parodia que deveria ter uma letra engraçadona para passar em um programa de humor, mas que termina sendo uma canção pastiche, repetitiva e completamente morna devido a não ter nenhuma das qualidades da canção da Doja. A presença da H.E.R é completamente sem graça e não tem a força da SZA e a Saweetie até coloca personalidade, especialmente no seu segundo verso, mas não é suficiente para superar a Doja. Sinceramente, eu já “cópias” de várias canções, mas Closer é a mais “na cara dura” dos últimos tempos.
nota: 5,5

Sono

Nail Tech
Jack Harlow


Como o rapper Jack Harlow consegue entrega uma performance tão energética e marcante na sua participação em Industry Baby do Lil Nas X para entregar o completo oposto no seu single Nail Tech?

Depois de algum tempo ouvindo a canção pela primeira comecei a pensar em outras e esqueci completamente do que estava fazendo, tendo que reiniciar a canção para poder avaliar a mesma. E isso é devido a performance apática de Jack que deveria ser a cola que ligaria todos os pontos de Nail Tech, especialmente devido a sua produção climática. O rapper desperdiça uma batida criada por seis produtores que consegue ser realmente interessante ao ter uma construção bem pensada, cheia de nuances e uma ideia definida. Isso se perde quando Jack Harlow esquece a performance no churrasco.
nota: 5,5

22 de fevereiro de 2022

Uma Tempestade de Sons

The Garden Path
Kamasi Washington

Não demora muito para entender que The Garden Path é o tipo de canção que chega como uma tempestade e vai embora deixando um turbilhão de emoções. E isso é feito pelo saxofonista Kamasi Washington de maneira a parece que tudo é extremamente fácil.

Quase sem composição, tirando um coro que repete no começo e no fim da canção exatamente seis versos, The Garden Path é o triunfo de uma instrumentalização genial. Explosiva, mas sem perder a ternura. Sufocante, mas nunca sendo exageradamente frenética. Belíssima, mas apresentando uma fúria selvagem. Contemplativa e, ao mesmo tempo, sabendo exatamente o que é do começo ao fim. A canção é essa dualidade de informações, mas que nunca se perder devido ao pulso firme da produção. E o solo de sax de Kamasi é algo realmente triunfal e poderoso como a fúria de vendável. Obviamente, a canção é uma jazz que mistura acid jazz, contemporâneo e toques orquestrais que não é para todos os públicos, especialmente aqueles que estão acostumados com uma sonoridade comercial e mainstream. Entretanto, qualquer um que ouvir a canção não pode dizer que não está diante de uma música impressionante.
nota: 9

Simon & Garfunkel & Father John Misty

Q4
Father John Misty


Ao analisar as duas canções lançada em 2022 pelo Father John Misty para o álbum Chloë and the Next 20th Century tenho a certeza que a inspiração para o trabalho vem de uma jukebox que contém vários nomes importantes do rock/pop. Depois de emular Elvis Costello em Funny Girl, a cantor entrega a sua versão de Simon & Garfunkel em Q4.

Uma delicada e melódica indie folk/pop, o novo single apresenta uma batida que parece ter saída diretamente do álbum da dupla que alcançou o estrelato nos anos sessenta com canções como Mrs. Robinson e The Sound of Silence. Sonoramente, a canção tem uma construção relativamente simples, mas que é envolvida por um cuidado instrumental que todos os seus componentes conseguem criar uma atmosfera encantadora e levemente triste que consegue emoldurar toda a estética básica do Simon & Garfunkel. Com uma performance segura e encantadora de Father John Misty, Q4 tem como ponto um pouco negativo a sua composição. Muito bem escrita, a letra não chega a criar o impacto necessário que uma canção nessa pegada precisa ter para sair do lugar de ser apenas boa para ser genial. De qualquer forma, espero ansioso para a sua próxima incursão que o cantor irá fazer entre os maiores nomes da música.
nota: 8