20 de maio de 2022

Rainha Rina

This Hell
Rina Sawayama

Dona de um dos melhores debut pop dos últimos dez anos, a Rina Sawayama prepara para lançar o sucessor de Sawayama com o lançamento de Hold the Girl em setembro. Como primeiro single foi lançada a divertidíssima This Hell.

Voltando os seus olhas para o rock, a cantora lançar em This Hell uma versão pop/dance extremamente divertido, energético, viciante e levemente brega. Acredito que a canção seja uma espécie de homenagem/imitação/pastiche das influencias rock na discografia da cantora, especialmente quando se olha a sua ótima regravação de Enter the Sandman do Metallica. Não é exatamente para se levar a sério como a versão de Rina do rock, mas a produção de Clarence Clarity e Paul Epworth entrega uma canção realmente sólida e com um instrumental sensacional com pontos extras para o ótimo solo de guitarra. E quando se nota essa ideia por trás de This Hell é que se pode curtir a composição cliché sobre não precisar ser aceito pela sociedade para poder viver feliz ao fazer uma metáfora sobre como é melhor ir para o inferno do que viver escondendo quem é de verdade. O que continua idêntico aos outros trabalhos de Rina é a sua maravilhosa entrega vocal que, além de completamente versátil, consegue mostrar potencia sem exageros. E como esse começo auspicioso, Rina entra na sua nova era com dois pés direitos.
nota: 8

Uma Segunda Chance Para: Bang Bang

Bang Bang (feat. Ariana Grande & Nicki Minaj)
Jessie J

“Camp é a experiência do mundo consistentemente estética. Ela representa a vitória do 'estilo' sobre o 'conteúdo', da 'estética' sobre a 'moralidade', da ironia sobre a tragédia”. É até relativamente fácil encontrar exemplos claro do camp na música, mas existem alguns que não são tão levados a sério como uma obra que ostenta essa qualidade. Esse é o caso de do smash hit Bang Bang da Jessie J.

Acredito que muitos não percebem que a canção lançada há oito anos atrás pode ser qualificada como camp é o fato de muitos encararem a canção de maneira muito séria dentro do mundo pop. Entretanto, Bang Bang precisa encarada como uma explosão de tudo que o pop tem de mais irritante, mas feito de maneira deliberadamente exagerada, divertida, colorida, contagiante, superficial e com uma pretensiosidade deliciosa. Começa obviamente pela performance exageradíssima da Jessie J. Norma constante da carreira da britânica, os vocais de Jessie aqui encontram um dos seus ápices de gritarias e firulas vocais, mas tudo funciona perfeitamente devido a estilo “large than life” que toda a canção exala. Em canções menos grandiosas, digamos assim, a voz da cantora parece dominar mais do que deveria e termina ofuscando ou/e salvando todo o resto. Em Bang Bang, porém, a cantora entrega a sua versão vocal da atuação da Faye Dunaway em Mommie Dearest como a atriz Joan Crawford. Além disso, o “elenco” de apoio da canção também não deixa a deseja. 

Ariana Grande é como se fosse a coadjuvante que leve um pouco sério demais o seu papel, entregando uma performance sólida nos momentos que brilha sozinha. Essa distancia entre o que é a canção e a sua performance também é outra amostra sobre o quanto camp é Bang Bang. Já Nicki Minaj embarca completamente na vibe da canção ao entregar a sua mais caricata, contagiante e poderosa performance em uma canção pop sendo um featuring. Produzida Max Martin, Rickard Göransson e Ilya, a canção é exatamente o que se esperada de uma canção como essa pegada ao ser uma mistura de pop, soul, eletropop e R&B que eleva tudo ao volume onzes sem olhar para trás em nenhum momento, especialmente no seu frenético e marcante clímax final embalado pelo grudento refrão. Não que Bang Bang venha envelhecendo como vinho, mas, sim, que depois desses anos posso admirar a canção pelo o que realmente é de verdade desde o seu lançamento.
nota: 8

New Faces Apresenta: FLO

Cardboard Box
FLO


Recentemente, o Little Mix anunciou um hiato na carreira, deixando um espaço vago para ser ocupado por uma girlband dentro do mainstream pop. E esse grupo pode ser do trio de novatas FLO. Formado por Jorja Douglas, Renée Downer e Stella Quaresma, o grupo já tem um EP para ser lançado ainda esse ano e como primeira canção foi lançada a ótima Cardboard Box.

Cardboard Box é, provavelmente, a canção que melhor captura o que o Destiny’s Child estaria fazendo atualmente se a girl band tivesse surgido atualmente: um R&B cativante, radiofônico, divertido e de personalidade ímpar. Boa parte dessa qualidade é devido a produção redonda e inteligente do produtor MNEK que tem trabalhos como nomes como, por exemplo, Dua Lipa, Christina Aguilera, Beyoncé, Kylie Minogue e, claro, o Little Mix. Outro ponto forte da Cardboard Box é a sua ácida e inteligente composição sobre um pé na bunda bem dado que lembra diretamente trabalhos como Say My Name e Bills, Bills, Bills, mas, felizmente, encontra personalidade suficiente para brilhar com humor e ótimas sacadas. Vocalmente, ainda é cedo para apontar definitivamente as integrantes como uma força pop, mas aqui é possível sentir todo o potencial em uma performance realmente sólida e especial na harmonização. Agora é esperar para saber se o FLO serão as próximas supremas das girlgroups.
nota: 8

Um Pouco a Mais

No Love (Extended Version) (feat. SZA & Cardi B)
Summer Walker

Enquanto enfrentamos uma onda de frio imensa, o verão americano se aproxima com rapidez e com isso surge as famosas músicas do verão que fazem gigantescos sucesso nessa época do ano por lá. Ainda é cedo para saber qual ou quais serão as candidatas para 2022, mas acho que No Love da Summer Walker em versão estendida não será essa canção.

Uma boa e redondinha R&B, a canção tem uma batida bastante gostosa de se ouvir e, sinceramente, o resultado é até viciante. O problema é que a canção não dá o boom que uma canção dessa precisa para ser realmente marcante. E o maior erra é desperdiçar a presença da Cardi B. Relegada apenas alguns versos bem do começo da canção, a rapper não tem muito o que fazer e não adiciona nenhuma gota de personalidade para a canção devido ao fato que a mesma apenas “canta”. Já presente na versão original, SZA brilha e tem uma química ótima com a Summer Walker, mas isso já tinha sido visto na versão original. Uma pena que No Love termine sendo apenas boa, mas bem esquecível.
nota: 7



17 de maio de 2022

KaBOOOOOOOOOOOOOOMMM

Welcome to Hell
black midi

Uma das minhas “descobertas” mais felizes do ano passado, a banda black midi não está disposta a deixar o fogo da criação apagar e preparam o lançamento do álbum intitulado Hellfire. Como primeiro single foi lançada a genial Welcome to Hell.

Explosiva, complexa, gigantesca, exuberante, atordoante, intrigante, inesperada, intricada, épica e de tirar o folego. Esses são apenas alguns adjetivos que consigo encontrar para qualificar a experiência de ouvir Welcome to Hell. A produção simplesmente pega todas as qualidades da banda e a adiciona em uma canção de apenas quatro minutos que tem como único defeito o fato que a mesma tem um fim. Essa sensação de estamos ouvindo algo gravado que parece uma impressionante improvisação é simplesmente genial, pois dá para a canção uma vibe de sempre se renovar a cada nova audição. A impressionante instrumentalização é algo que não há muitas palavras para descrever, pois é de uma grandiosidade meticulosa de estontear. Nas mãos de outra banda, cada mudança de caminho a canção faz nesse caldeirão de art/avant/experimental rock poderia render uma canção, mas o black midi transforma em apenas uma com uma coesão espetacular. A composição é de uma genialidade absurda ao ser uma crônica feroz e desoladora sobre as consequências desoladoras da guerra. Welcome to Hell é o tipo de canção que a gente não sabia que precisa ouvir, mas que depois se torna algo que a gente não sabe como viveu sem conhecer.
nota: 9,5

De Volta a Um Tempo de Que Não Vivi

The Foundations of Decay
My Chemical Romance


Apesar de terem tido o ápice durante os meus anos de adolescência devo admitir que a onde emo dos anos dois mil nunca tiveram a minha atenção realmente, mesmo que tenha apreciado os trabalhos mais recentes de nomes como Fall Out Boy, Panic! At the Disco e, especialmente, o Paramore. Um dos principais nomes dessa época que não tinha cruzado o meu caminho durante a sua maturidade por aqui era o do My Chemical Romance que não lança um trabalho realmente novo desde 2010. Em The Foundations of Decay, primeiro possível single do próximo álbum, a banda volta madura e pronta para mostrar uma nova fase da banda. Uma pena que ainda não eu tenha gostado de verdade.

A principal qualidade da canção é a sua gigantesca, pomposa e bem construída instrumentação e a sólida produção que entrega um trabalho maduro e de um potencial incrível. Transitando bem entre o rock progressivo, o emo e hard rock, a canção tem um apelo atemporal que realmente deixa claro certa evolução artística do My Chemical Romance. Entretanto, o poderia ser uma canção sensacional é rebaixada devido a péssima decisão vocal ao terem a grande ideia de colocar a voz de Gerard Way em um efeito abafado que parece deixar por baixo do arranjo. É como se estivéssemos em um show e o retorno do som dos instrumentos estivessem bem mais nítidos que dos microfones. Apenas no final que a decisão parece funcionar, mas isso já é tarde demais já que The Foundations of Decay não alcança o voo que poderia ter devido a sua incrível produção, mesmo sendo um trabalho interessante. Uma pena.
nota: 7

A Melhor Nova Velha Taylor

This Love (Taylor's Version)
Taylor Swift

De todas as canções regravadas pela Taylor Swift até o momento, a que mais gostei do resultado foi a de This Love. Especialmente devido a fato da nova versão ser o mais parecido com a discografia mais recente da cantora.

Parte do álbum 1989, a canção na sua versão original era balada linear indie pop/synth-pop que não passava nada mais que o normal para uma canção dessa era da cantora. Em This Love (Taylor's Version), porém, a canção ganha uma excelente e delicada camada de electropop que dá força emocional para o resultado final e eleva a canção para um patamar diferente. E isso é o suficiente para dar o suporte suficiente para a boa composição realmente se mostrar em toda a sua glória. Até mesmo os vocais de Taylor estão bem mais encorpados, criando um efeito sentimental mais maduro que cai como uma luva para a canção que se torna uma interessante visita ao passado pelos olhos da atual Taylor. Ainda não é genial, mas mostra que a cantora realmente amadureceu artisticamente.
nota: 7,5

O Poder Do Sample

Vegas
Doja Cat


Irei fazer uma afirmação forte, mas que acredito que seja realmente verdadeira: com o material certo nas mãos, a Doja Cat é insuperável. Uma pena que a artista tenha que passar por tanta coisa medíocre para entregar canções como a ótima Vegas.

Fazendo parte da trilha do filme Elvis sobre a estrela do rock, a canção tem a engenhosidade e inteligência de usar o sample de um dos sucessos do cantor para dar base para a canção em Hound Dog. Todavia, a versão aqui escutada fortemente é a versão original em forma de blues da cantora Big Mama Thornton. Ao tomar essa decisão, a produção resgata as verdadeiras origens do rock na música negra para criar um tem para um filme que espero mostre esse cenário. Com essa base poderosa, Vegas já ganha qualidade, mas também acerta devido a sua deliciosa batida R&B, blues e hip hop. O uso do sample poderia ser ainda mais explorado, mas isso não tira o brilho do resultado final e, especial, a sensacional performance de Doja. Divertida, despretensiosa, sexy e com personalidade bem definitiva, a rapper/cantora se mostra bem mais interessante quando a mesma tem em mãos uma canção tão boa quanto é Vegas.
nota: 8