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7 de setembro de 2026

Projeto: Icônica (Ainda Em Progresso)

Nicole Kidman
ADÉLA


Mesmo não sendo tão bom quanto era esperado, o debut da Adéla tem algumas pérolas, como é o caso de Nicole Kidman.

Uma deliciosa mistura de R&B, alt-pop e trap pop que poderia ser mais aprofundada sonoramente, explorando novas camadas e texturas. Todavia, a produção acerta na mosca com uma batida cadenciada e envolvente, enquanto Adéla entrega uma performance competente. O grande destaque da canção, porém, é sua divertida composição sobre se sentir “poderosa” e se comparar diretamente com Nicole Kidman, especialmente no refrão, em que filmes da atriz são citados de maneira inteligente e incorporados à narrativa.

E é nesses momentos que a gente vê que Adéla tem potencial de verdade.
nota: 8

4 de agosto de 2026

O Começo da Dominação

Ain't In LA
ADÉLA


Será que a Adéla realmente está a um passo da glória? E isso parece estar acontecendo com a repercussão extremamente positiva do desempenho de Ain't In LA.

Single do seu primeiro álbum, PRIMA, a canção não poderia ser melhor para começar a marcar a carreira da artista no mainstream, pois é um trabalho recheado de uma personalidade bem distinta. Uma “esquisita”, grudenta, sexy, marcante e envolvente mistura de alt-pop, trap e synth-pop, Ain't In LA tem uma produção que sabe lindamente equilibrar elementos que poderiam facilmente se tornar irritantes, como, por exemplo, a voz modificada entoando o verso de introdução, que se torna quase um interlude ao longo da canção. Isso cria uma canção madura, mas com um frescor autêntico que faz a gente querer entender quem é Adéla.

Gosto muito da presença da artista na canção, pois ela entrega uma performance segura e com personalidade bem delimitada, deixando claro que é uma artista com capacidade de segurar uma canção tão peculiar de maneira a extrair o seu melhor. A composição, porém, poderia ser mais refinada aqui e ali, mesmo sendo um bom trabalho que demonstra também uma capacidade de dialogar sobre assuntos íntimos ao mesmo tempo em que tenta ser esteticamente pop.

Adéla vai ascendendo de uma maneira que acredito que possamos estar diante da próxima estrela pop. Veremos.
nota: 8


23 de junho de 2026

Filler Bom

Red Bottoms
ADÉLA


Um dos parâmetros para medir o potencial de uma estrela pop em ascensão é observar a qualidade das suas canções quando elas são o que se pode chamar de fillers. Um ótimo exemplo disso é Adéla com o single Red Bottoms.

A canção não tem cara de single, especialmente depois da explosiva KGB, mas o resultado final é realmente bem acima da média. Basicamente, a faixa é uma balada mid-tempo que incorpora elementos de indie pop e R&B à batida alt-pop/dark pop que a produção constrói de maneira bem delimitada e com personalidade. Não é exatamente nada impressionante, mas Red Bottoms tem um acabamento caprichado e que se apoia principalmente no carisma da cantora.

E isso se deve à sua estilosa, sentimental e contida performance, que ajuda o público a perceber que a cantora tem boas possibilidades vocais, demonstrando ser capaz de sustentar canções bem diferentes de maneira realmente natural e com personalidade. A composição também é outro ponto positivo, ao ser inteligente na comparação de alguém que se sente usada em um relacionamento com um sapato gasto, ganhando pontos pelas boas saídas líricas que compensam sua superficialidade emocional.

Com duas canções que mostram um potencial verdadeiramente promissor, Adéla vai trilhando um caminho que merece ser acompanhado de perto.
nota: 7,5

26 de abril de 2026

New Faces Apresenta: Adéla

KGB
ADÉLA

Existem males que vêm para bem. Primeira eliminada do reality que formou o Katseye, a eslovaca Adéla vem começando a ter uma carreira que tem grandes possibilidades de ser consideravelmente melhor que a do girl band. Depois de assinar um contrato com uma gravadora, a cantora vem se preparando para lançar seu debut e, como single, lançou a ótima KGB.

A canção é uma ótima apresentação e formulação da imagem da artista para o público mais mainstream que quer, claramente, ser envernizada com o toque “comercial” e, ao mesmo tempo, ter um toque realmente refrescante de uma nova artista. E esse toque vem de alguns lados, mas o principal é sobre a origem de Adéla, que gera uma ótima brincadeira na construção da exagerada, “tongue in cheek” e divertidíssima composição. KGB faz uma ácida e irônica associação sobre a construção/ascensão da artista como uma diva pop com o fato de ela ser igual a uma espiã da KGB, que foi o órgão da União Soviética associado aos espiões e à Guerra Fria. E o melhor é que a letra é escrita de maneira bem amarrada, sabendo dosar bem a bobagem com a estética pop e também servindo como uma introdução sobre qual é a persona da artista. Outro grande acerto é a sua acertada produção.

Ao contrário de quase tudo que o Katseye já entregou, a produção entrega em KGB uma batida marcada e com elementos bastante “over” na batida, mas, felizmente, sabem lindamente dosar para criar um equilíbrio bem delimitado com o lado mais digestível da canção. Dessa maneira, a canção se torna uma excêntrica, elétrica e explosiva mistura de eletropop, electro house e toques de ballroom e dance-pop, mas com um senso estético para agradar um grupo maior de ouvintes ao não ir com tudo nessas influências. Isso cria uma canção que poderia ser ainda mais disruptiva, mas que fica no meio do caminho. Felizmente, o trabalho nem precisa de maior input artístico para ser um verdadeiro bang. Vocalmente, Adéla apresenta espaço para crescer, mas aqui entrega uma performance sensacional que dá todo o tom da canção, com personalidade de sobra.

E assim, queridos leitores, fica a prova cabal de que nem sempre quem vence termina sendo o vencedor, pois Adéla parece ter um caminho glorioso pela frente.
nota: 8