6 de outubro de 2026

Uma Balada de Respeito

I Won't Cry
Remi Wolf


A arte de fazer uma boa balada romântica meio que está perdida atualmente, infelizmente. Todavia, de tempos em tempos, surge uma canção que ocupa esse lugar com mérito. Esse é o caso de I Won't Cry, da Remi Wolf.

Single do seu próximo álbum (Mud), a canção é uma devastadora, melancólica, épica, poderosa e soft rock/pop rock que consegue manter a essência sonora da cantora e, ao mesmo tempo, nos contemplar com uma abordagem mais tradicional de uma canção balada. E isso é sensacional, pois estamos diante de um trabalho realmente acachapante em todos os sentidos, partindo do espetacular instrumental até a sua emocional, crua e cortante composição.

Em I Won't Cry, Remi entrega uma composição que é, basicamente, sobre implorar para ser amada quando quem se ama decide seguir em frente sem olhar para o que foi deixado para trás. Um trabalho que poderia partir para um sentimentalismo piegas, mas que, felizmente, é salvo por uma letra honesta, verdadeira e que tem uma inteligência de construção exemplar ao ser simples e, ao mesmo tempo, explorar sentimentos complexos. E o ponto alto está no ótimo refrão: “Pull me from the shelf and dust me off/Shower me with selfish love/Play me like you want me back around again”. A canção é ainda contemplada por uma performance realmente inspirada e magistral de Remi, que imprime toda a força emocional sem pesar vocalmente ou deixar a desejar.

Uma canção de respeito que faz jus ao talento da artista e ao título de balada, com louvor.
nota: 8,5

Too Cool For Oscar

On Video
Phoebe Bridgers


Em uma corrida para o Oscar de Melhor Canção que pode fazer história, eis que surge uma azarona: Phoebe Bridgers. A canção que pode fazê-la chegar para disputar uma estatueta é a interessante On Video.

Tema do filme Primetime, em que a cantora faz o debut como atriz, a canção tem toda a atmosfera que pode até conseguir chegar a ter uma indicação, mas é tão descolada que nunca terá chance de vencer. E, sinceramente, isso é uma pena, pois o trabalho é um pungente, distinto e inspirado indie rock/post-punk que consegue captar toda a atmosfera do filme e, ao mesmo tempo, ter plenamente todas as qualidades da persona da artista.

Sombria e cortante, On Video não é sonoramente algo genial, especialmente comparando com outros trabalhos de Phoebe, mas é tão distinta e perfeita para ser o tema de um filme tão peculiar como é Primetime. Além disso, a excepcional composição é um trabalho de uma inteligência grandíssima ao se conectar com o filme de maneira nada clichê e totalmente original, o que faz a sua mensagem ainda mais poderosa. E essa também é a percepção sobre a grandiosa performance da Phoebe, que entrega uma emoção sóbria e desconcertante.

Acredito que, caso consiga, a indicação vai ser a vitória, mas quem sabe não exista um milagre aí no caminho?
nota: 8

5 de outubro de 2026

Na Torcida

World's Greatest!
Lil Nas X


Mesmo antes de ter quaisquer problemas pessoais, a gente sabe muito bem o motivo do “fracasso” da carreira do Lil Nas X que, claramente, tem a ver com a forma como artistas negros e queers são tratados quando não seguem certas normas. Todavia, fico feliz de verdade de vê-lo de volta com World's Greatest!.

Não acho que esse será o comeback comercial para o rapper, mas, sinceramente, é uma prova cabal do talento do artista, sem nenhuma dúvida. Uma cativante e inspirada faixa de pop rap, com introduções bem pensadas de pop rock e alt-pop, a canção é um trabalho maduro e refinado que, felizmente, não perde o toque pop do rapper que o fez estourar. Entretanto, o trabalho é mais profundo ao ser um hino sobre recomeçar e se lembrar de quem é e nunca perder o seu caminho, mesmo que seja um feito de dores e perdas.

Funcionando também como uma homenagem à sua mãe, que veio a falecer em agosto passado, World's Greatest! é uma canção que não deveria, mas emociona porque é possível ouvir a dor e a força de vontade de continuar do Lil Nas X em uma composição forte, madura e com um senso pop bem definido. Tenho que admitir que não gosto tanto do refrão, que poderia facilmente ser mais lapidado. Entretanto, o resto da letra é um trabalho muito acima da média. Além disso, o rapper entrega uma excepcional performance, mostrando por que é um dos melhores artistas a casar pop e rap que já surgiu.

Espero que, mesmo que não seja um sucesso, a canção possa iniciar um novo caminho de bons frutos para o Lil Nas X, já que ele merece de verdade.
nota: 8

O Refrão Perdido

Blink Twice
Rose Gray


Estou realmente gostando do que a Rose Gray vem entregando na sua nova era. Infelizmente, o novo single, Blink Twice, erra em algo muito importante: o refrão.

Sonoramente, a canção é uma graciosa, despretensiosa e gostosa dance-pop, com elementos de progressive house e trance, que funciona muito bem pela atmosfera solar e convidativa. Sabe aquelas canções que a gente ouve uma vez e, mesmo não sabendo o nome ou de quem é, ficam na nossa cabeça por muito tempo devido à sua originalidade e frescor, mesmo não sendo geniais? Então, essa é a sensação principal após ouvir a canção. Todavia, isso poderia ser elevado para outro patamar com um refrão mais interessante.

Apesar de muito boa, a composição sobre aproveitar a vida mesmo que o mundo esteja caindo aos pedaços ao redor deixa a desejar quando o refrão chega e não consegue amarrar as suas pontas em algo que deveria fazer a canção explodir. Ao invés disso, Blink Twice entrega um contido momento que não tem a força que os elementos à sua volta possuem, mesmo não sendo um momento ruim de verdade. É apenas meio decepcionante e anticlimático.

Felizmente, Rose entrega uma performance sólida e divertida que dá conta de fazer o single ainda realmente valer a pena de se escutar.
nota: 7,5

2 de outubro de 2026

Primeira Impressão

THRASHER
Brandon Flowers



As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Estava há algum tempo atrás no Twitter quando me deparei com uma postagem que falava que o clipe vinculado era da música que marcou a transição dos anos oitenta para os noventa. E, depois de algum tempo, refleti que era uma boa analogia, pois a canção em questão tem elementos que a fazem ser realmente esse elo de ligação. Por isso, decidi falar, em As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer, sobre....