Beyoncé
SóSingles
Blog destinado a analisar músicas! Seja Muito Bem Vindo!
22 de março de 2026
Uma Segunda Chance Para: Beautiful Liar
Beautiful Liar
Beyoncé & Shakira
Beyoncé & Shakira
Para marcar o lançamento da versão Deluxe de B’Day, a Beyoncé resolveu lançar como single a canção Beautiful Liar, que marcou a sua primeira grande parceria feminina com a presença da Shakira. Na época, a canção não bateu tão forte em mim, mas, surpreendentemente, envelheceu melhor do que o esperado.
Não dá para negar que o encontro de duas forças é o grande atrativo da canção e que isso é feito da melhor maneira possível, ao dividir quase que por igual a participação de cada uma. Isso dá uma dinâmica incrível à faixa, que se apropria bem do carisma de ambas, sem que nenhuma perca espaço, criando uma boa química entre as duas. Existe, claro, certa fricção devido a personalidades tão marcantes, mas Beautiful Liar se beneficia disso ao gerar uma identidade realmente interessante. O problema aqui é a mixagem da voz da Shakira em algumas partes que, aliada ao seu sotaque, deixa meio difícil entender o que ela canta quando não se conhece a composição. Não é um problema imenso, mas é algo que afeta o resultado final.
Beautiful Liar é sustentada pela produção, que entrega uma eficiente mistura de latin pop, dance-pop e toques de música árabe, sendo ao mesmo tempo altamente comercial e também um tanto clichê. Apesar disso, o trabalho é refinado devido ao cuidado estético aplicado à canção, que consegue criar um instrumental seguro criativamente e com os toques necessários para ser icônico. E assim a composição caminha, mas aqui existe um toque que considero de genialidade ao ser basicamente o mesmo de The Boy Is Mine, da Brandy e Monica, vindo do ponto de vista de duas mulheres maduras que conseguem acertar as contas depois de descobrirem que estavam “saindo” com o mesmo homem.
Com o passar dos anos, Beautiful Liar melhora ao permanecer na memória como uma surpresa inesperada. E também serve como lembrete de que duetos como esse estão cada vez mais raros.
nota: 8
A Genial Raye
Click Clack Symphony. (featuring Hans Zimmer)
RAYE
RAYE
Ficar aqui relembrando o quanto talentosa é a Raye é meio que chover no molhado, mas, queridos leitores, é algo que precisa ser feito devido ao merecimento da própria. E isso é resultado de uma canção tão espetacular como Click Clack Symphony.
Depois de dois singles impressionantes, a cantora lança o que já considero como uma das melhores canções do ano e, também, da carreira da britânica. E isso é algo impressionante para alguém que já tem uma lista de canções no mesmo calibre. Entretanto, a cantora novamente acha maneiras de nos surpreender de maneiras completamente inesperadas. E isso se repete em Click Clack Symphony, pois estamos diante de uma das mais complexas, profundas e impressionantes canções dos últimos tempos. Tentar determinar qual é exatamente o gênero da canção é uma tarefa complicadíssima, já que é entregue um dos crossovers mais impressionantes que já há ao unir pop, R&B, progressivo, soul, spoken word, rap, música clássica/orquestral e vários outros subgêneros para criar uma obra épica e inesquecível.
Uma obra que expande os limites da sonoridade da cantora, mas que conversa plenamente com a construção da discografia recente da artista. Completamente imprevisível e sempre com surpresas impecáveis, o single encontra um lugar perfeito e único entre o artístico e o comercial, apresentando momentos de pura engenhosidade criativa, ao mesmo tempo que entrega momentos que facilmente seriam ideais para virarem virais. E isso mostra o quanto a produção entende todos esses elementos de uma maneira única e genial. Quando a gente ouve o resultado final da canção, consegue entender perfeitamente o que passa na mente da Raye, que tem como parceiros de produção Mike Sabath, responsável por Escapism, e o maestro/compositor/condutor/produtor Hans Zimmer, considerado um dos maiores nomes de trilhas sonoras do cinema e que tem no currículo trabalhos como O Rei Leão e Duna, ambos vencedores do Oscar, e só para citar dois exemplos. É dessa completa quebra de expectativas e dessa mentalidade distinta que é possível ter uma canção como Click Clack Symphony.
E é também devido à presença sobre-humana da performance descomunal da Raye. A cantora entrega, na mesma canção, versatilidade, alcance e força emocional que alguns artistas não têm a capacidade de entregar durante toda uma carreira. Isso é algo que a coloca em outro parâmetro, pois, quando a gente a vê ao vivo, entende que a versão de estúdio não esconde ou maquia nada que a mesma não seja capaz de fazer. Gigantesca, emocional, cativante e carismática, Raye carrega a canção de uma maneira que capta não apenas toda a grandiosidade da sua criação, mas, sim, está à altura de tamanho trabalho hercúleo. Liricamente, a canção é outro trabalho impressionante, pois mistura com exatidão profundidade temática e emocional com uma estética pop e de fácil digestão. A canção é uma história de quando a Raye estava na pior e foi ajudada a sair desse estado emocional com a ajuda das suas amigas, refletindo temas como solidão e empoderamento na contemporaneidade, com toques esperançosos e de autoajuda. Tudo isso é feito transitando entre o emocional, o divertido, o clichê e o profundo de uma forma que realmente faz a gente ficar hipnotizado pela maestria. Em especial, o refrão é o grande momento da canção, em que a cantora consegue misturar tudo de maneira perfeita:
Send the call out, send the call out
Calling all my baddest women, it's about to go down
Click-click-click clack symphony, I need that
Click-click-click clack symphony, I love the sound of it
Click Clack Symphony não prova, comprova ou reafirma o talento da Raye, pois isso é algo que a mesma já garantiu há algum tempo. A canção apenas é outro tijolo na construção de uma das melhores artistas do nosso tempo.
nota: 9
2 Por 1 - Holly Humberstone
To Love Somebody
Cruel World
Holly Humberstone
Cruel World
Holly Humberstone
De tempos em tempos, acontece de eu me deparar com uma artista que, teoricamente, já deveria ter encontrado bem antes. Todavia, existem alguns momentos em que fica claro que o momento não poderia ser melhor, como, por exemplo, aconteceu com a Chappell Roan. Parece que o mesmo está acontecendo com a Holly Humberstone.
Preparando-se para lançar o seu segundo álbum, a cantora britânica parece ter todos os elementos para se tornar a próxima sensação do pop. E isso fica claríssimo com o lançamento de dois singles: To Love Somebody e Cruel World. Ambas as canções apresentam a mesma qualidade e, queridos leitores, são altíssimas. E, além disso, as duas canções apresentam aquele “je ne sais quoi” que não dá para entender, mas, sim, apenas sentir nos ossos. A grande qualidade da jovem é ter uma personalidade que parece remeter a outros nomes, como a própria Chappell, com alusões claras a Olivia Rodrigo e um toque de Sabrina Carpenter, além de uma sinceridade no estilo de Olivia Dean, mas que termina sendo uma artista que claramente tem uma personalidade bem definida e já cimentada. Isso é um dos fatores que dá base à minha esperança no futuro de Holly, mas, principalmente, ao resultado das duas canções.
Em Cruel World, a produção de Rob Milton é tão adoravelmente refinada que a gente se sente atraído logo nos primeiros segundos da canção e vai sendo envolvido ainda mais durante a sua iluminada execução. Claramente, a canção tem inspiração dos anos oitenta, mas busca não ser nostálgica para conseguir ser moderna de uma maneira natural e respeitosa. Todavia, a grande qualidade da canção é seu trabalho instrumental cativante e gracioso, em que dá para perceber a inclusão de influências de indie pop, alt pop e pop rock na construção da deliciosa batida synth-pop.
Outro ponto importante na canção é o vislumbre da lírica de Holly: uma temática batida e simples (uma paixão mal resolvida), envolta em uma estética bastante distinta, ao ter acidez, melancolia, delicadeza e um senso de divertimento precioso:
And now the lights are gettin' low
Mirrorballs and pheromones
I can be a social hand grenade
Tick-tick-tick-tick boom
Com a mesma qualidade, mas mais sentimental e dramática, está To Love Somebody. Com uma carga mais alt-pop/pop rock na base synth-pop, a canção é uma balada mid-tempo sobre o lado bom do fim de um amor, em que a cantora preserva as qualidades líricas já citadas, adicionando, porém, uma carga emocional realmente comovente, que tem seu ponto alto no simples, mas completamente eficiente refrão. E aqui também é possível ver com clareza o belo e cristalino timbre de Holly, que carrega as duas canções de maneira distinta, mas muito bem segura do que pode entregar.
Com esses resultados, podem anotar que Holly Humberstone é nome do futuro. Só resta um hit para chegar lá.
notas
To Love Somebody: 8,5
Cruel World: 8,5
Cruel World: 8,5
15 de março de 2026
A Verdadeira Beleza
Pressha
Jill Scott
Jill Scott
Uma das melhores canções de To Whom This May Concern, da Jill Scott, Pressha é uma aula completa de como fazer uma música que a gente ouve e já percebe que é uma obra de valor irrefutável.
Tudo começa com a sua impressionante e forte composição, que relata e reflete sobre a pressão sobre a aparência física da mulher e, especialmente, como essa pressão reflete nos relacionamentos amorosos. Jill narra como foi estar em um relacionamento em que, apesar do interesse do companheiro, ele não a assumia devido à cantora não estar nos padrões.
Devastadora, poderosa, crua e honesta, Pressha é um trabalho de uma força emocional imensa, pois, além de ter uma letra com esse poder, a presença de Jill arremata tudo devido à maneira tão desconcertante que ela carrega a canção, transitando entre o melancólico e contido até o devastador e explosivo. E tudo isso demonstrando claramente o seu atemporal timbre e um alcance vocal impressionante.
Sonoramente, a canção é uma refinadíssima, profunda e adulta neo-soul/R&B com injeções de jazz que é como vinho bom que, quanto mais tempo vai se passando, vai ficando ainda melhor devido à sua instrumentalização classuda e a um trabalho de produção magistral. E essa é a beleza de ouvir uma artista.
nota: 8,5
Assinar:
Comentários (Atom)







