14 de junho de 2026

Primeira Impressão

Cruel World
Holly Humberstone


Primeira Impressão

Trying Times
James Blake


Primeira Impressão

Whatever's Clever!
Charlie Puth


Primeira Impressão - Outros Lançamentos

Midnight Sun: Girls Trip
Zara Larsson


Uma Segunda Chance Para: On The Floor

On The Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez


Se você viveu 2011, em algum momento ouviu tocar On The Floor, da Jennifer Lopez, sem dúvida nenhuma. E, depois de mais de quinze anos de lançamento, ver que a música ainda tem capacidade de se tornar um viral não é surpresa nenhuma, pois a canção é realmente boa, especialmente devido à produção de RedOne.

Uma das melhores canções do produtor fora do trabalho com a GaGa, sua produção pega uma ideia até simples e vai com ela até o limite sem pedir desculpas ou olhar para trás. Pegando o sample de Lambada, da banda franco-brasileira Kaoma, que, por sua vez, era um cover de Llorando se fue, da banda peruana Los Kjarkas, RedOne envolve a canção com uma mistura de dance-pop, house, eletropop e latin pop que poderia ter dado muito errado, mas que é subvertida devido à grandiosidade do instrumental. E essa é a melhor qualidade da canção: sua atmosfera épica e espetaculosa.

A canção não pede licença desde o seu começo e apenas vai aumentando a velocidade para terminar em um final épico e completamente viciante. Todavia, para essas partes terem um efeito tão notável, é preciso haver momentos que as contrabalancem, e isso é dado pelo uso do sample bem nítido na primeira metade do refrão, que dá à canção o tempo necessário para a explosão que logo se aproxima. Essa sabedoria de usar esses momentos para construir o clima da canção é literalmente um toque de gênio de RedOne. On The Floor não teria toda essa força se não tivesse outros elementos que também dessem certo.

Felizmente, tudo dá certo. J.Lo entrega uma das melhores performances de sua carreira, em que o carisma da cantora é muito bem utilizado para dar ainda mais personalidade à música. Enquanto isso, o rapper Pitbull entrega dois versos sensacionais que acabam roubando a cena de verdade, principalmente devido ao fato de ele realmente ter entendido o tom da canção. A composição é, de longe, o ponto menos inspirado, ao ser uma ode aos festeiros de plantão, mas, graças a um trabalho lírico certeiro, o que temos aqui é uma letra direta, divertida, fácil e grudenta, que faz a gente querer cantar junto. A citação dos lugares para “se fazer festa”, incluindo o Brasil, é algo com que é quase impossível não cantar junto.

On The Floor é um trabalho surpreendente que envelhece muito melhor do que o esperado. E deveria ser bem mais lembrada por ser um dos maiores sucessos de todos os tempos.
nota: 8

Uma Farofada Bem Servida

Sad Girls
Bebe Rexha & David Guetta

De tempos em tempos, acontece um momento meio que mágico na música: surge uma boa farofada eletrônica. Dessa vez, quem prepara o prato é Bebe Rexha com David Guetta na suculenta Sad Girls.

Single do álbum Dirty Blonde, a canção é uma farofada electropop/eletro-house que David já fez algumas vezes e repete a fórmula novamente. Felizmente, porém, a produção conta com outros nomes além do DJ francês, dando uma envernizada mais interessante à canção, que acaba sendo mais corpulenta e interessante do que tinha o direito de ser.

Entretanto, o que realmente a faz se destacar é a sensacional performance de Bebe, que domina a canção de uma maneira tão imponente que faz a faixa ganhar vida de verdade, especialmente porque dá para notar que ela adiciona emoção genuína à sua interpretação, lembrando a força da Sia em Titanium. Além disso, Sad Girls tem realmente uma boa composição, que consegue unir clichês a uma mensagem genuína, o que faz toda a diferença no final.

Resumidamente: consuma essa farofada com vontade, porque vale a pena.
nota: 7,5

Bons Hábitos

the feeling
Steve Lacy


Acredito que atualmente um dos poucos artistas relevantes que estão conseguindo carregar bem o neo-soul é o Steve Lacy. E o cantor está de volta com a interessante "The Feeling".

Single do seu próximo álbum, a canção é um inteligente, maduro e sedoso neo-soul com adições bem azeitadas de R&B alternativo e bedroom pop que funciona principalmente devido à construção de uma atmosfera densa, melancólica e bastante climática. Apesar de um pouco linear demais no instrumental, a canção realmente cria essa presença sonora envolvente que vai aos poucos sugando a gente para uma espécie de vórtice da canção.

No centro, porém, está a descolada, aveludada e sexy presença vocal de Lacy, que entoa a canção de uma forma tão própria que poderia não funcionar, mas o resultado é um triunfo em relação ao domínio dele sobre o seu instrumento vocal, mostrando perfeitamente como consegue se moldar para preencher as lacunas que possa ter devido à decisão da produção por um arranjo mais chapado. O único problema de "The Feeling" é o seu refrão, que deveria arrematar os versos que narram sobre a angústia de um amor não correspondido de maneira inteligente e com personalidade, mas termina sendo rasteiro e sem a força emocional de que a canção precisaria.

Mesmo com esse tropeço, a canção é um ótimo lembrete do talento de Steve Lacy.
nota: 8

Ainda Há Hype

Love Sensation
Madonna


A gente pode notar o hype de um álbum quando até mesmo a canção menos inspirada lançada como single ainda é uma canção realmente excitante. Esse é o caso de Love Sensation, da Madonna.

Terceira canção e segundo single lançado de Confessions II, a música é a menos inspirada até agora, mas, felizmente, o resultado final é ainda melhor que boa parte das canções lançadas pela cantora nos últimos trabalhos. Uma sólida e classuda dance-pop, emoldurada por eurohouse e nu-disco, Love Sensation vai aos poucos crescendo na percepção, especialmente devido ao envolvente refrão, que realmente é a cola de toda a canção.

O principal problema são os versos iniciais, que ganham uma batida mais contida e não parecem fazer a gente se envolver com a canção logo de cara. Junta-se a isso a performance meio deslocada da Madonna nesses momentos, ajudando a criar um início meio trôpego da canção. Todavia, quando surge o ótimo refrão, as coisas vão se acomodando e fazendo mais sentido, ajudando a canção a terminar de maneira bem interessante e, principalmente, divertidíssima.

Poderia ser um single com uma pegada mais explosiva do começo ao fim? Sim, poderia facilmente. Mas, sinceramente, o resultado de Love Sensation não atrapalha em nada o hype para o que deve ser o melhor álbum da Madonna em duas décadas.
nota: 7,5