My Ghosts Go Ghost
By Storm
SóSingles
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17 de fevereiro de 2026
As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer
Nos últimos anos, surgiu uma onda de serem lançados remixes de canções que não eram exatamente remixes, mas, sim, apenas a adição de participações especiais para ajudar o lado comercial das mesmas. E isso é algo que, felizmente, diminuiu bastante nos últimos tempos. Todavia, nem todas as canções são caça-níqueis baratos, pois resultam em trabalhos realmente interessantes. Só que, para a gente conhecer qual é o melhor trabalho desse “gênero”, é preciso voltar algumas décadas no tempo para lembrar do...
15 de fevereiro de 2026
Direto de 1988
Dancing On The Wall
MUNA
MUNA
Saber como usar a nostalgia é uma dádiva, pois mostra o quão inteligente e criativo é o talento por trás de um trabalho. Em Dancing On The Wall, single da banda Muna, temos o caso perfeito dessa habilidade.
Claramente, a canção é inspirada no synth-pop/pop rock dos anos oitenta, mas em nenhum momento soa datada, clichê ou como uma cópia barata. Existe uma naturalidade latente que confere à canção uma linda e verdadeira força criativa, tornando-a um trabalho irresistível. E a principal razão disso é a sua lapidada, graciosa e precisa produção, que entrega uma faixa com uma construção instrumental relativamente simples, mas extremamente eficiente e cativante.
Dancing On The Wall, porém, também se beneficia de uma composição realmente inspirada. Ao falar sobre uma relação em que não existe reciprocidade, a letra conta uma história com começo, meio e fim, na qual todos os sentimentos são revelados de maneira sentimental, mas sem pieguice barata e com uma estética pop afinadíssima. Há algo na composição que é difícil de explicar, mas que nos dá vontade de cantar cada verso com força, mesmo sem termos passado exatamente pelas mesmas emoções. E, completando o “pacote”, está a presença deliciosa dos vocais de Katie Gavin, que captam perfeitamente toda a aura da canção.
Dancing On The Wall é o que chamo de uma aula sobre como fazer dar certo algo que poderia resultar muito errado.
nota: 8,5
Gostosinha Demais
Charme
Liniker
Liniker
Tenho um grande apreço por artistas que conseguem se divertir com o seu ofício ao lançar canções leves, descontraídas e despretensiosas. Charme, da Liniker, é um desses exemplos.
Conhecida pelo público devido à apresentação da cantora no Tiny Desk, a canção ganha uma versão de estúdio que capta a sua essência ao ser esse trabalho que não tem a vontade de ser algo grandioso ou profundo, mas, sim, um gostosinho exercício de leveza e divertimento. A batida contagiante de Charme é o seu grande atrativo, pois é impossível ficar impassível com a atmosfera construída, que mistura pop, R&B e boogie de maneira madura e divertida. Não é para elevar a sonoridade da artista e, sim, para fazê-la simplesmente se divertir e divertir o seu público, conduzindo a canção com um carisma solar e radiante. Liricamente, a canção é um trabalho restrito pelas escolhas poéticas que, porém, não atrapalham em nada, já que as escolhas combinam com toda a vibe da canção.
Charme é simples para a gente ficar mais encantado com a presença magnética da Liniker. E isso é o suficiente.
nota: 7,5
Garoto Simpático
Homewrecker
sombr
sombr
Boa parte das canções do sombr passa a vibe de ser algo que poderia ser ótimo, mas, ao ser legal, já é meio que o suficiente. É assim com a boa “Homewrecker”.
Capitalizando no sucesso do seu álbum de estreia, a canção é uma mistura redonda, classuda e mais interessante do que parece de indie pop, pop/yacht rock com elementos de tropical music, que assenta bem quando a gente entende as raízes das influências oitentistas da faixa. Com certeza, a canção está longe de ser um grande acerto, pois não tem aquele toque especial capaz de elevar o resultado final. Todavia, existe uma verdade criativa sincera por trás da produção que faz a gente ficar convencido. Talvez, com uma parte final mais grandiosa, “Homewrecker” pudesse funcionar bem melhor, pois a canção termina de maneira anticlimática. A boa composição, com destaque para o cativante refrão, e a performance sóbria e segura do sombr ajudam a arrematar os detalhes finais da canção.
Com esse bom caminho, é possível que o sombr continue arrematando a simpatia de parte do público. Veremos.
nota: 7,5
Bossa Mitski Nova
I’ll Change for You
Mitski
Mitski
De tempos em tempos, algum artista que considero talentoso tem a capacidade de me surpreender com algo que eu nunca estaria esperando. E é esse o caso da Mitski ao lançar a sublime I’ll Change for You.
Segundo single do seu novo álbum, a canção é simplesmente uma refinadíssima bossa nova que é de cair o queixo devido à sua magistral produção. Respeitando ao máximo o gênero brasileiro, mas adicionando camadas de chamber pop, jazz pop e indie pop que incrementam a canção para levá-la a um outro lugar criativo que liga diretamente com a personalidade artística da cantora. Todavia, o toque de mestre nesse caldeirão é a pitada magistral de samba que arremata I’ll Change for You com chave de ouro.
Felizmente, porém, a canção não tem apenas essas qualidades, pois tudo é construído em uma pequena e complexa “estufa” de vidro para criar uma canção rara e apaixonante. A simples e contida, mas emocional, composição é uma crônica tocante sobre uma pessoa que tenta entender o fim de um romance ao mesmo tempo que tenta descobrir uma maneira de recuperá-lo. Delicada e pungente, a performance de Mitski é um trabalho que vibra nos nossos ouvidos e corações, pois tem uma mistura de melancolia, tristeza e esperança genuína.
E com esse resultado, que contrasta criativamente tanto com o primeiro single (Where's My Phone?), Mitski vai criando uma jornada completamente inesperada para o que promete ser um dos álbuns do ano.
nota: 8,5
You Better Work
Slight Werk (Club Mix)
Honey Dijon & Bree Runway
Honey Dijon & Bree Runway
Uma das artistas eletrônicas mais importantes da atualidade é, sem dúvida nenhuma, a Honey Dijon. A prova cabal disso é a ótima Slight Werk (Club Mix), com a presença da Bree Runway.
Eletrizante, divertidíssima e contagiante, é uma hip house/tech house com toques pesados e reluzentes de vogue e ballroom. A canção não tenta imitar esses gêneros, mas, sim, é um trabalho que remete perfeitamente a eles devido ao conhecimento prático, teórico e, digamos, espiritual da produção da Honey. Além disso, o trabalho instrumental aplicado na canção é realmente inspirado, pois mostra uma intrincada rede de construção que poderia facilmente se restringir a algumas batidas soltas aqui e ali nas mãos de alguém menos talentoso.
O arremate da canção vem por conta da ótima e cativante performance da Bree Runway, que consegue entender toda a atmosfera da canção ao moldar sua presença para se encaixar nela sem perder personalidade.
E é de personalidade como a da Honey Dijon que a gente precisa ainda mais.
nota: 8
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