19 de julho de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

começando a chegar em um ponto da minha vida em que as minhas referências diretas sobre música vão se tornando “vintages”, para não dizer algo menos positivo. De qualquer forma, canções que são parte do meu fundamento musical não são tão conhecidas pelas novas gerações. E, se você faz parte dessa geração e lê esse blog, quero apresentar uma dessas canções. Hoje irei apresentar a você uma das canções mais inspiradoras que já ouvi com...


Queen Black

Hot Wet Delirious
Rebecca Black


Depois de um leve tropeço com a boa, mas falha, Speakerphone, a Rebecca Black volta a entregar qualidade com a ótima Hot Wet Delirious.

Uma sexy, áspera e grudenta electropop que incorpora elementos de club music, R&B e dance-pop, a canção apresenta uma das mais interessantes construções instrumentais da carreira da artista devido às quebras de expectativas que vão sendo adicionadas ao longo da sua duração. E a melhor de todas é a que diferencia a batida do pré-refrão em relação ao refrão, pois dá toda uma textura diferenciada para a canção, que a faz ter ainda mais profundidade estética e sonora. Além disso, Hot Wet Delirious conta muito com a presença madura da Rebecca, pois a cantora entrega uma performance realmente caprichada e potente que combina perfeitamente com a produção.

E quem diria que a Rebecca Black seria uma das artistas pop mais consistentes da atualidade?
nota: 8

Altos e Baixos

Black Prada Dress
Ellie Goulding


A carreira da Ellie Goulding é marcada por altos e baixos que são basicamente na mesma intensidade. Quando a cantora acerta, entrega momentos inspirados, como é o caso de Black Prada Dress.

Primeiro single de seu próximo álbum (I Know Too Much), a canção é uma power balada alt-pop misturada interessantemente com jersey club, que funciona de maneira azeitada devido, principalmente, à excepcional e substancial instrumentalização dada para a canção. Classuda, forte e marcante, a batida da canção não chega a ser a famosa “para chorar na pista de dança”, mas consegue entregar esse sentimento de maneira grandiosa e bem conduzida.

O grande destaque de Black Prada Dress, porém, é sua emocional, triste e honesta composição sobre estar em um relacionamento tóxico, em que a outra pessoa faz de tudo para deixar a outra pequena e desimportante. É uma letra refinada, mas que guarda um lado cru e honesto que é realmente tocante e que faz a gente lembrar o quanto é boa a lírica da Ellie. E a performance da artista encerra os acertos de maneira competente, mesmo que o seu clímax final pudesse ser ainda mais espetaculoso.

Espero que o resto das canções do novo álbum sejam outros momentos altos, pois a Ellie Goulding tem talento suficiente para esse feito.
nota: 8

New Faces Apresenta: Meg Stalter

Prettiest Girl in America
Meg Stalter

E se eu falar que uma das mais divertidas canções pop deste ano vem de uma atriz/comediante, você acreditaria? Então, é melhor começar a crer, pois é isso que acontece com Prettiest Girl in America, da Meg Stalter.

Conhecida pelo papel de Kayla na genial Hacks, a atriz começa a sua carreira como cantora com uma canção que fica lindamente entre a galhofa, o cafona, a seriedade e a sinceridade sonora. De um lado, está a divertidíssima composição sobre as dores de “ser a garota mais bonita da América”, que flerta pesadamente com a paródia misturada com o cinismo, mas que funciona perfeitamente devido ao cuidado estético apurado, que alcança o efeito desejado de maneira honesta e, claro, hilária.

Do outro lado, a produção entrega uma competente electrocash misturada com hyperpop, que parece tirar sarro dos gêneros e seus clichês e, ao mesmo tempo, consegue ser um trabalho que respeita e se inspira diretamente em nomes como Charli XCX e Kesha. E isso, sinceramente, é algo realmente raro de alcançar, pois, acima de tudo, Prettiest Girl in America termina sendo uma ótima canção. Além disso, a personalidade da Meg transborda na canção em uma performance realmente sólida, engraçadíssima e que mostra que isso é algo realmente sério da sua parte.

Meg Stalter é a próxima popstar que nem a gente sabia que precisava ouvir.
nota: 8

Sensações

Voyager
PJ Harvey


De tempos em tempos, surge uma canção que vem dos lugares menos esperados para se tornar um dos grandes momentos do ano em que é lançada. Dessa vez, é a canção Voyager, da lendária PJ Harvey.

Escrita e produzida para fazer parte do show do físico, professor, apresentador e músico Brian Cox, a canção é composta do ponto de vista da sonda Voyager 2, que foi lançada ao espaço em 1977 pela NASA para explorar a nossa galáxia. Com esse “material” em mãos, PJ entrega uma espetacular e transcendental canção que consegue captar com perfeição a sensação que temos ao pensar sobre o espaço e suas possibilidades, ao ser uma mistura de mistério, contemplação, admiração, vazio, deslumbre e medo. E isso, em uma canção de apenas quatro minutos, é algo realmente extraordinário.

Para captar tamanha riqueza de sensações e, dependendo de quem escuta, até outras, a produção de Voyager faz uma mistura genial de ambient pop com alt pop/rock que consegue captar perfeitamente toda essa atmosfera sideral de forma admirável, pois consegue caminhar entre o artístico e o clichê de maneira triunfal. A composição, construída por apenas poucas palavras, sem versos complexos, mas que transmitem genialmente toda a essência pretendida, é algo realmente poderoso e mostra toda a capacidade da PJ Harvey. E, por fim, a mesma entrega uma performance que se derrete e forma uma amálgama única com toda a atmosfera da canção.

E, desa maneira, temos uma das melhores canções do ano.
nota: 8,5

Chazinho Bom

O CHÁ
Gloria Groove


Como comemoração dos dez anos de carreira, a Glória Groove lançou a simpática O CHÁ.

Longe de ser uma grande canção, o single é um trabalho redondinho e divertido devido à boa produção e à presença marcante da drag. Uma pop reggae bem conduzida, O CHÁ é o tipo de canção que poderia ficar melhor dentro de um projeto do que sendo um single, mas a canção é competente o suficiente devido à sua instrumentalização competente. Entretanto, a canção fica de pé por causa da força da Glória, que exala personalidade do começo ao fim, especialmente elevando o bom refrão. Poderia ser uma canção com um resultado melhor? Sim, mas é um trabalho que não faz feio como parabéns pelos dez anos de carreira da Glória.
nota: 7,5

Melhor

Crash Out
Tinashe


Depois de uma leve decepção com Too Easy, a Tinashe volta aos bons trilhos com o lançamento da boa Crash Out.

A grande diferença entre as duas canções é que o novo lançamento realmente tem cara de uma música “completa”, devido a ter tempo suficiente para se desenvolver sonoramente. Com isso, o single é uma competente e divertida mistura de R&B com pop rap e uk bass que funciona devido à sempre alta qualidade de produção da artista e, principalmente, devido à sua habilidade de segurar com perfeição esse tipo de canção, dando a ela uma carga imensa de personalidade. Todavia, Crash Out parece menos explosiva que as melhores canções da Tinashe, e isso deixa o resultado levemente esquecível. Mas, sinceramente, a canção é uma prova cabal de que a Tinashe é um talento nato e sempre competente.
nota: 7,5

A Volta de Um Querido

Plans
Brandon Flowers


Depois de um hiato de onze anos na carreira solo, Brandon Flowers está de volta para lançar seu terceiro álbum, intitulado Thrasher. E, como primeiro single, foi lançada a boa Plans.

Diferente da sonoridade do último álbum, o ótimo The Desired Effect, que seguia um caminho mais pop rock/eletropop, o single é um sólido country rock/alt-country que funciona bem melhor do que poderia ser esperado devido a uma produção eficiente, que entrega uma canção nada inovadora, mas, sim, respeitosa e classuda. E o grande ponto alto é que a produção sabe misturar bem o gênero com a personalidade de Brandon, criando uma canção que não parece estar deslocada demais do que o artista já entregou na sua carreira de maneira geral.

Entretanto, o grande destaque de Plans é a sempre ótima presença de Brandon, que entrega uma performance que capta a atmosfera da canção sem perder, porém, toda a sua força vocal distinta. Na verdade, sempre achei o vocalista do The Killers perfeito para segurar canções que contam uma história devido ao seu timbre melancólico e atemporal. Isso se reflete bem na composição, que conta, de maneira contida, mas bonita, sobre a sensação de que a vida nem sempre segue o caminho que a gente planeja.

Mesmo mudando drasticamente de sonoridade, o começo da nova era do Brandon Flowers tem um nível de qualidade que realmente me faz começar a ter um bom hype para o que está por vir.
nota: 8