11 de agosto de 2026

Disco Carly

Don't Leave Me on the Dance Floor
Carly Rae Jepsen


Continuando a divulgação de Day and Night, a Carly Rae Jepsen lança outro acerto na saborosa Don't Leave Me on the Dance Floor. E a canção já meio que se torna uma das melhores da sua carreira até agora.

Mudando novamente de estilo, a cantora agora navega belissimamente pelas águas da disco em uma elegante, envolvente e deliciosa nu-disco misturada de maneira inteligente com eletrônico, synth-pop, synth funk e dance-pop. A produção cria uma batida realmente especial que entra naquele hall de trabalhos que exalam atemporalidade, mas que está totalmente mergulhado em uma modernidade respeitosa.

Tenho que admitir, porém, que, se o clímax fosse ainda mais apoteótico e grandioso, o resultado final de Don't Leave Me on the Dance Floor ainda seria melhor do que já realmente se tornou. Além da excepcional produção, a canção ainda conta com uma letra simples, eficiente e com uma emoção tangível que se adequa perfeitamente à categoria de “chorar e dançar” na pista, sendo entoada pela sempre competentíssima e versátil presença da Carly.

E assim a Carly vai criando ainda mais hype para um álbum que promete ser um dos pontos altos da segunda metade de 2026.
nota: 8,5

Deus, Ouça Minhas Orações

That's Like
cupcakKe


Peço ao Deus poderoso que tire qualquer vestígio de sucesso da Nicki Minaj e passe todo para a cupcakKe, pois a rapper merece de verdade. Ainda mais quando entrega canções como a sensacional That's Like.

Apesar de ter menos de dois minutos, o single do seu próximo álbum é basicamente uma aula de como fazer uma canção curta ser completamente marcante. A canção tem apenas um grande e contínuo verso, em que exige a mais poderosa, afrontosa, carismática e frenética possível performance, e isso a cupcakKe entrega de maneira realmente impressionante. Não há nenhum momento em que a mesma perde a cadência e/ou força, introduzindo camadas e texturas que apenas adicionam personalidade ao resultado final. E isso é algo que não falta para That's Like.

A produção consegue usar todos os segundos de uma forma que dá substância para a canção e não a deixa perder qualquer pingo de qualidade devido à sua duração. O que é entregue é uma batida marcante que mistura hardcore/industrial hip hop com toques de eletrônico e experimental, que preenche tanto a canção que parece que estamos diante de um trabalho de minutagem bem maior. Liricamente, a verborragia da escrita da rapper é algo admirável, pois a mesma dispara uma metralhadora a potência máxima, sempre com um acabamento perfeito, um flow preciso e um humor tão distinto e marcante.

Espero que o universo escute minhas preces e que a cupcakKe possa, em algum momento, ocupar um lugar no mainstream que já foi bem preenchido no passado.
nota: 8,5

10 de agosto de 2026

Chorar & Dançar

One song away from crying
Rachel Chinouriri


Eu já escrevi várias vezes sobre canções que se encaixam no título perfeito para “chorar e dançar” na pista de dança, sendo a maior delas o clássico Dancing on My Own, da Robyn. Todavia, pouquíssimas vezes esse foi o tema da canção em si, como é o caso de One Song Away from Crying, da Rachel Chinouriri.

Primeiro single do segundo álbum da britânica, a canção é sobre literalmente colocar seus sentimentos na pista de dança e tentar esconder a dor com uma camada de divertimento. E a letra funciona devido à eficiente construção estética e à tocante sensibilidade que fazem a gente se sentir conectado com os sentimentos explorados na letra, pois acredito que todo mundo já se sentiu da mesma maneira em algum momento. No primeiro verso, tem uma passagem que acerta na mosca o sentimento: “I’ve never looked better and I've never felt worse”. E, sinceramente, quem nunca se sentiu assim?

Sonoramente, a canção é levemente estranha, mas funciona melhor que o esperado ao ser uma mistura refinada e magnética de synth-pop/funk e R&B que cria uma batida que passa longe de ser explosiva, mas vai conquistando aos poucos devido à batida cadenciada, contida e grudenta. Rachel não quer fazer a gente dançar como se não houvesse amanhã, mas, sim, fazer a gente balançar o suficiente para esconder as lágrimas. Falando na cantora, sua voz combina bem com o estilo da canção, já que consegue se moldar bem à atmosfera da canção, especialmente no delicioso refrão.

Um começo curioso e auspicioso para a nova era da Rachel Chinouriri. Tem a minha atenção.
nota: 8


Alguns Anos Atrasado

Animal
KATSEYE


“Perdendo” membros mais rápido do que se pode falar, KATSEYE lança uma das suas melhores canções em Animal. Todavia, a canção está alguns anos atrasada.

Uma divertida e até legal dance-pop/R&B que poderia facilmente ser alguma canção da Meghan Trainor no seu auge comercial, o single funciona até bem devido à produção despretensiosa e segura. Só que a canção soa totalmente datada e meio envelhecida devido à escolha sonora. Além disso, a sensação aumenta devido à composição, que tem a assinatura do Ed Sheeran e de colaboradores frequentes do cantor, e isso deixa uma sensação ainda maior de déjà vu, com toques de naftalina em Animal. O que ajuda de fato é a performance solar e realmente carismática das integrantes, que estão no melhor momento como um grupo, pois deixa as integrantes menos expostas às loucuras e exageros vocais de outras canções.

Animal é até boazinha, mas não ajuda a realmente salvar a lavoura do KATSEYE.
nota: 6,5

9 de agosto de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

4
Beyoncé



Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Dance for You
Beyoncé

Lançada como parte da versão deluxe de 4, Dance For You é uma das melhores canções dessa era, pois agrega todas as qualidades do álbum e adiciona mais uma camada de sensualidade. Uma pena, porém, que não seja tão lembrada dentro da discografia da cantora.

Com mais de seis minutos, a canção é um trabalho de uma riqueza sonora admirável devido à espetacular construção instrumental, que vai criando camadas para o desenrolar envolvente, magnético e de uma elegância cativante. Produzido pela cantora ao lado do The-Dream, Dance For You é uma mid-tempo R&B com toques de soul que consegue ter uma batida tradicional sem soar nada datada devido, principalmente, à inteligência com que tudo vai sendo explorado para nunca deixar a canção perder um pingo de interesse, mesmo devido à sua grande duração. É como uma montanha-russa que nunca para de descer, sempre mantendo a adrenalina no alto. O motivo para isso é a sua moldura sensual, sexual e deliciosamente safadinha da ótima composição.

A canção é uma clara declaração de amor em que a pessoa quer mostrar da maneira mais picante possível. E isso é feito de uma maneira explícita, mas totalmente refinada e que nunca chega nem perto do vulgar. É o famoso sexy sem ser vulgar. E, queridos leitores, Dance For You é o tipo de canção que “exala” sexo mesmo sem precisar da composição, pois a parte instrumental já faz o trabalho por si. Quando adiciona a letra, o resultado é ainda mais provocativo e instigante, que é contemplado por uma performance da Beyoncé simplesmente hipnotizante. A cantora parece preencher qualquer lacuna com sua voz, que nunca precisa de grandes modulações, mas, sim, apenas da presença magistral para dar toda a força emocional por trás do desejo expresso na canção.

Apesar de ser um trabalho escondido, Dance For You é uma das canções mais preciosas da carreira da Beyoncé.
nota: 9

Primeira Impressão

petal
Ariana Grande



Primeira Impressão

HALO
Tiffany Day