18 de agosto de 2026

3 Por 1 - Yseult

Now or Never
Freak
Freak (feat. JT)
Yseult

Mais conhecida devido à participação em Alibi e por ter se apresentado na abertura dos últimos Jogos Olímpicos, a cantora Yseult é o tipo de artista que fica circulando aos arredores do mainstream, mas ainda não teve o seu momento. E isso é uma pena, pois a cantora entregou, este ano, duas das melhores canções do ano.

Possivelmente, Now or Never e Freak devem ser canções que fazem parte do próximo álbum da cantora e, sinceramente, que isso seja indicativo dos rumos do trabalho, pois ambas são canções simplesmente sensacionais. Na verdade, Freak é mais do que sensacional e, sim, genial. Quando ouvi pela primeira vez, não esperava que a cantora fosse entregar algo tão espetacular como essa mistura incrível de new jack swing, contemporary R&B e dance-pop, que recria de maneira perfeita uma estética dos anos oitenta, especialmente a sonoridade da Janet Jackson, com toques de Salt-N-Pepa e En Vogue.

Respeitosa, excitante, elegante, divertida, nostálgica, dançante, moderna e irresistível, Freak é um trabalho tão especial no momento que consegue ser tantas coisas ao mesmo tempo e, mesmo assim, nunca soar como uma colcha de retalhos com peças demais. Tudo se encaixa de maneira tão ideal que não há como não se deixar levar pela batida frenética. E um dos motivos para a canção realmente dar liga é a presença refinadíssima, sensual e poderosa dos vocais de Yseult, que domina a canção em uma performance apoteótica e deslumbrante. Na versão remix, a presença da rapper JT dá mais afirmação às influências do rap de Salt-N-Pepa, criando ainda mais essa atmosfera sem fazer a canção perder valor artístico. Na verdade, a presença da rapper poderia ser mais explorada, pois está limitada apenas a um ótimo verso no começo da canção.

Em Now or Never, a produção dá uma leve errada no tempo de duração da canção e na sua estrutura mais contida, que poderia facilmente sustentar mais tempo para explorar o seu excepcional instrumental. Todavia, o resultado é ainda sensacional devido, novamente, à qualidade de emoldurar uma sonoridade oitentista tão bem. Dessa vez, o objeto escolhido é o synth-pop, que tem toques deliciosos de R&B. Com um instrumental impecável, que poderia ter um final mais apoteótico, a canção também deixa bem clara a versatilidade e o potencial vocal da cantora, que parece tirar inspiração de Whitney Houston nas suas canções dançantes/mid-tempo da década.

Espero que Yseult possa ter o reconhecimento que merece, pois, só com essas duas canções, a mesma já deixou no chinelo álbuns de grandes nomes do pop atual.
notas
Now or Never: 8,5
Freak: 9
Freak (feat. JT): 8,5

17 de agosto de 2026

PinkRobinson

WannaCry
Ninajirachi & Porter Robinson


Nem sempre uma comparação é para mostrar os lados negativos de um objeto de estudo. Por exemplo, a canção WannaCry, parceria dos DJs Porter Robinson e Ninajirachi, soa como se fosse uma versão turbinada de uma canção da PinkPantheress.

A canção é uma excepcional electropop com electro house que mostra a sinergia dos dois envolvidos, especialmente devido a podermos notar as influências de cada um sendo bem exploradas e fundidas. Com um instrumental realmente impressionante, a canção ganha traços que facilmente poderiam ser de outros artistas que, nesse caso, é o da PinkPantheress. A batida até pode ser mais grandiosa que a que a cantora entrega normalmente, mas, sinceramente, WannaCry tem a mesma vibe atmosférica que a mixtape Fancy That, terminando como se fosse algo que a mesma pode alcançar no futuro.

Todavia, isso não tira em nada o brilho da produção dos DJs, já que é claro que a canção tem uma personalidade bem distinta devido à presença de ambos. E um desses motivos é que ambos cantam na canção. Claro, envolvidos em uma dose de efeitos vocais, Robinson (frequente aqui no blog) e Ninajirachi conseguem criar um vínculo entre os dois e com quem escuta de maneira natural, o que os diferencia de canções produzidas por atuais expoentes do eletrônico. Além disso, a intrigante composição é outro ponto de destaque, pois parte da visão de vírus de computador para falar sobre uma relação tóxica, e isso faz a gente entender que o real entendimento artístico dos dois é algo bem acima da média.

Quem sabe uma parceria de um dos dois com a PinkPantheress não resultaria em algo realmente genial? Sonhar não paga imposto.
nota: 8,5

Kelly Still Got It!

I'd Be Lyin'
Kelly Clarkson


Não tem como duvidar que, além de ser a maior vencedora de todos os tempos de um reality musical, a Kelly Clarkson é um dos maiores nomes do pop surgidos nos anos 2000. E, mesmo após tantos anos, a cantora ainda está em “forma” ao entregar uma canção tão boa como é o caso de I’d Be Lyin’.

Lembrando muito a sonoridade da cantora feita por volta de 2010, a canção é uma eficiente, empolgante e contagiante pop rock com toques de synth-pop e country pop. Não passa nem longe de ser algo novo, mas a produção entrega mais do que uma canção sólida, já que temos um cuidado extremo com a instrumentalização, que vai crescendo aos poucos até o seu final realmente grandioso. Entretanto, o grande destaque da canção é, como sempre, a presença magistral e magnética da Kelly. Com a sua qualidade vocal tão precisa, que domina qualquer canção com perfeição, e uma versatilidade pouco vista, a cantora adiciona boa parte da emoção e dá personalidade a I’d Be Lyin’.

Se fosse nos tempos de vacas gordas comercialmente da Kelly, o single seria facilmente topo das paradas. De qualquer forma, o resultado ainda deixa claro que a Kelly continua sendo uma grande artista.
nota: 8

14 de agosto de 2026

O Paraíso da Tinashe

Melatonin
Tinashe

Na história desse blog, sempre tive o maior apreço pelo talento da Tinashe, mesmo que a mesma não entregasse algo exatamente à sua altura. E é por isso que não há surpresa em concluir que Melatonin, novo single do seu próximo álbum, Popstar, é o melhor da sua carreira. Na verdade, a canção é a melhor do ano, sem concorrência nenhuma.

Apesar de esperar algo no mínimo acima da média, a qualidade entregue na canção é algo realmente inacreditável devido a todas as complexas camadas que são adicionadas, que em nenhum momento transformam a canção em algo de difícil assimilação. A produção é uma verdadeira aula de como conseguir incluir várias influências em apenas uma canção, que a faz parecer cerca de três ou quatro canções diferentes, mas consegue dar uma liga tão visceral e poderosa que, ao seu final, tudo parece fundido à perfeição.

Uma mistura inspiradíssima de hyperpop e dance-pop que vai sendo incrementada de EDM, ao mesmo tempo em que é uma refinadíssima construção techno, que é apurada com subgêneros como, por exemplo, Detroit techno e acid techno. E ainda tem toques de R&B e electroclash apenas para serem as cerejas em cima do bolo. Dessa maneira, Melatonin poderia facilmente se tornar algo completamente desjuntado e sem foco.

Felizmente, a produção segura o touro na “unha” criativa e entrega uma canção impressionante, fluida e coesa, apesar de algumas mudanças rítmicas importantes. E tudo isso é acompanhado pela performance extraordinária da Tinashe, especialmente quando a sua voz é alterada para entoar o genial refrão. A composição é icônica devido à sua apuração estética e, principalmente, à temática, que é basicamente um recado para todos que estão “dormindo” para a existência da Tinashe.

E assim a Tinashe encontra o seu merecido paraíso musical com uma canção que já nasce lendária.
nota: 9,5