24 de agosto de 2026

Primeira Impressão

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Kelela


Química Fundida

the bridge
Kelela & PinkPantheress

É meio complicado transmitir com precisão as personalidades artísticas de dois artistas em uma colaboração ao mesmo tempo em que se consegue fundi-las em apenas uma só. Entretanto, isso é o que acontece na excepcional the bridge.

A união da Kelela com a PinkPantheress poderia gerar algum atrito, pois, apesar de estarem dentro do mesmo reino sonoro, as duas apresentam diferenças bem nítidas. Felizmente, o resultado aqui é uma madura, fluida e cadenciada mistura das duas sonoridades, de forma a se tornar uma fusão praticamente perfeita, em que dá para sentir a força de cada uma impregnada na canção, sem uma se sobressair à outra. Devido a isso, the bridge se torna uma melódica e sensual 2-step, com pitadas generosas de R&B alternativo e pinceladas de UK bass e future garage, criando uma das batidas mais elegantes do ano.

Agrega-se a isso as performances inspiradas de ambas, exalando suas distintas personalidades, e uma química bem construída, e eis que temos uma das colaborações mais afinadas de 2026.
nota: 8,5

Primeira Impressão

EQUILIBRIVM II
Anitta



Primeira Impressão

Do That Again
Malcolm Todd



21 de agosto de 2026

Uma Segunda Chance Para: Show das Poderosas

Show das Poderosas
Anitta

Com uma carreira cheia de altos, baixos e alguns baixíssimos, Anitta chega a seu momento ao finalmente se encontrar artisticamente. Por isso, resolvi voltar no tempo e dar uma segunda chance para a canção que deu início a tudo: Show das Poderosas.

Era quase impossível, em 2013, não ter ouvido em algum momento e, possivelmente, por diversas vezes, a canção que se tornou o hit daquele ano. Apesar de não ter sido a primeira da carreira, Show das Poderosas foi o que colocou Anitta no mapa do mainstream brasileiro e, passados treze anos, é preciso apontar que tudo faz muito sentido, pois, mesmo não sendo um trabalho genial, a canção tem suas qualidades que a destacam na multidão. A maior delas é a produção, que consegue misturar bem o funk com o pop, adicionando toques de dance-pop e dubstep. Na verdade, quando esse último gênero é introduzido durante o segundo verso, é que a canção realmente atinge seu ápice, devido à total e inesperada quebra de expectativa.

O problema maior da produção é o seu clímax final, especialmente nos momentos finais, em que a canção perde a força em uma conclusão totalmente anticlimática, que meio que dá uma esfriada na canção. Show das Poderosas é dona de uma composição rasa, mas viciante, que consegue dialogar com a atmosfera pop e funk, criando uma letra que meio que se torna atemporal. Não é nada genial, mas é perfeita para o tipo de proposta da canção. Anitta, ainda no começo de carreira, entrega uma presença sólida, mas morna e, principalmente, sem muita versatilidade, deixando as mudanças da própria música fazerem parte do trabalho. Todavia, não há como não afirmar que existe um carisma da mesma que meio que faz a gente ser cativado pela sua presença.

Em Show das Poderosas, Anitta deu o seu primeiro grande passo para se tornar a maior popstar brasileira da nossa geração, para o bem ou para o mal.
nota: 7,5

20 de agosto de 2026

A Guinada

Just Be Bodies
Rose Gray


Estou realmente começando a ficar hypado para o segundo álbum da Rose Gray. Depois da ótima Club To Your Arms, a cantora lança outro acerto em Just Be Bodies.

Apesar de um pouco menos inspirada, a canção ainda mostra a evolução nítida da cantora ao entregar uma canção realmente competente e com uma personalidade muito bem definida e amadurecida. A produção entrega uma synth-pop emoldurada lindamente por um véu de house/trance, criando uma batida revigorante, mesmo que trabalhando em uma cadência mais contida. Acredito que, por ter uma batida “menor”, Just Be Bodies não chega a alcançar um novo nível, mas, felizmente, o cuidado instrumental e toda a atmosfera da canção valem realmente a pena. Gosto da composição, que continua a apostar no emocional misturado com sensualidade e toques filosóficos de uma forma natural e nada pretensiosa. Rose entrega uma boa performance, que poderia ter mais variação aqui e ali para dar um pouco mais de dinâmica à canção.

De qualquer maneira, Rose Gray pode realmente sair do lugar de promessa para ser uma realização.
nota: 8


Reavaliação

Didn't Mean to Turn You On
Mariah Carey & Rochelle Jordan


Possivelmente, a era Glitter da Mariah Carey seja uma das mais controversas da cultura pop de todos os tempos. O álbum que serviu de trilha sonora para o filme de mesmo nome foi uma das peças que quase destruíram a carreira e a vida da cantora no começo dos anos 2000. Todavia, nos últimos anos, o álbum vem sendo reavaliado por parte do público como sendo injustiçado. E é tanto que a cantora vai lançar um trabalho comemorativo dos vinte e cinco anos. Como primeiro single, foi lançado o remix de Didn't Mean to Turn You On.

A escolha é curiosa, pois a canção nem foi single do álbum. Entretanto, o resultado é realmente inspirado devido à presença magnética da Rochelle Jordan e do produtor KLSH, que juntos entregaram o sensacional Through The Wall no ano passado. O resultado é um verdadeiro fato raro, pois termina sendo melhor que a original. De uma sólida, mas conservadora, regravação da canção original da cantora Cherrelle, a canção sai do funk/disco original para uma envolvente, deliciosa, moderna e madura synth-pop misturada com eletrônico e traços de funk, que transforma a canção em uma nova e excitante versão.


E isso é algo realmente admirável, pois a produção consegue dar para a canção a vibe da Rochelle sem esquecer da personalidade da Mariah, respeitando também a versão original de Didn't Mean to Turn You On. Na verdade, eu gostaria muito de ver a Mariah fazendo um trabalho completo com o produtor, pois isso seria, com certeza, algo que iria ser um comeback lendário. Vocalmente, as duas cantoras se misturam perfeitamente, e a Rochelle adiciona uma carga de personalidade bem grande para essa versão sem tentar roubar a música para si ou se deixar intimidar pela parceira lendária.

Espero que nessa comemoração possa ter versões tão interessantes e que ajude a mais pessoas a redescobrir um álbum longe de perfeito, mas que tem algumas pérolas sonoras.
nota: 8

19 de agosto de 2026

A Que Foi Deixada Para Trás

Pop Sound
Kim Petras

Inicialmente destinada a aparecer no álbum Detour, Pop Sound foi lançada antes no EP Pretour pela Kim Petras de maneira não oficial e longe das plataformas como, por exemplo, o Spotify e afins. Agora, a canção ganha um lançamento oficial para que todos possam ouvir o que é a melhor canção da artista até o momento.

A maior qualidade da canção é que a mesma consegue unir perfeitamente todas as melhores qualidades da sonoridade recente da artista de maneira certeira e refinada. A produção constrói uma marcante, grandiosa e cativante mistura que combina muito bem electropop, hyperpop e electro house, conseguindo criar uma batida que, em nenhum momento, perde o foco ou parte para a cacofonia sonora, em que todas as peças estão lindamente ligadas umas às outras de maneira fluida. O resultado é algo que carrega o DNA da artista e, ao mesmo tempo, coloca a mesma em outro patamar. E parte disso vem da sua composição.

Pop Sound é sobre música, ou melhor, sobre o lugar da música no mundo atual, especialmente da música da Kim. É uma temática bem interessante que precisa ser muito bem trabalhada para não cair em um mar de pretensiosidade. Felizmente, o resultado aqui mescla bem reflexões filosóficas com a estrutura de uma canção pop, criando um trabalho com maturidade artística e estética. Gosto especialmente dos versos em que a Kim questiona as gravadoras ao entoar “What's your position? Your holy mission?/ Shoot at the stars, head first collision”. Por fim, a cantora entrega uma ótima performance que começa a mil por hora e termina da mesma maneira.

Dessa maneira tão inspirada, a Kim Petras vai reconstruindo a sua carreira como poucas artistas têm a chance de alcançar.
nota: 8,5