6 de agosto de 2026

Celebração Merecida

MELHOR NOTÍCIA
Liniker

Acho que ainda muitas pessoas não têm noção da grandiosidade e da importância de a Liniker ser atualmente uma das maiores artistas brasileiras em atividade, vencendo Grammys e lotando shows em uma turnê aclamada. E isso é algo revolucionário, pois mostra que o talento sempre vence no final. Como forma de divulgar a Bye Bye Caju Tour e, acredito, também como forma de agradecimento, a cantora lançou a ótima MELHOR NOTÍCIA.

Assim como todo o Caju, a canção é a prova cabal da qualidade da sonoridade da artista, pois é um trabalho completo, refinado e com a sua marca indiscutível. Uma classuda e envolvente mistura de MPB, soul e psicodelia que vai sendo desenrolada sem pressa em uma construção instrumental substancial, elegante e cativante. A produção não tem medo de fazer uma canção de cinco minutos, já que tem a capacidade de manter o interesse de quem ouve preso do começo ao fim. MELHOR NOTÍCIA ainda conta com a presença sempre impecável da Liniker, que entoa a canção de uma maneira que parece não ter dificuldade alguma, mas é uma performance que apenas alguém com a sua capacidade vocal e emocional é capaz de sustentar tão bem.

E assim a gente sabe que ainda existe esperança no mundo quando vê o “bem” vencendo com o sucesso da Liniker.
nota: 8

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Lush Life
Zara Larsson


Se a Zara Larsson só alcançou o atual status que desfruta depois de mais de dez anos de carreira, é preciso que a mesma tenha começado de algum lugar. E a canção que a fez despontar artisticamente e comercialmente foi o hit Lush Life.

Lançada em 2015 como primeiro single do seu segundo álbum (So Good), a canção é o tipo de trabalho ao qual a gente pode até não ter dado atenção na época, mas fica claro que estávamos diante de alguém com potencial. E o grande destaque aqui é a performance segura e carismática da Zara, que segura a canção não apenas bem, mas também adiciona toques de personalidade legítima que fazem a canção ganhar pontos no resultado final. Claro, ainda existe certa noção de estarmos diante de uma jovem que, na época, tinha apenas 17 anos e, por isso, ainda estava aprendendo a usar melhor o seu potencial.

Todavia, Lush Life é o tipo ideal de canção que dá para uma cantora ainda inexperiente a plataforma ideal para começar a explorar vocalmente, pois a canção entrega uma produção tão redondinha e confiável que é a base para artistas poderem brincar com as possibilidades. E é isso que Zara faz ao adicionar doses controladas da sua personalidade para entoar essa simpática, divertida, solar e viciante mistura de tropical pop e electropop.

Com uma letra bem escrita, ingênua, inofensiva e apenas acima da média, Zara faz de Lush Life a sua pedra fundamental na construção da sua carreira, que vai se tornando algo realmente memorável.
nota: 7,5

Quem Ri Por Último

AH HA
Cardi B


Depois de tudo que aconteceu nos últimos tempos, é impossível não afirmar que, no final, quem venceu de verdade foi a Cardi B. Apesar de não estar no topo comercial da carreira, a rapper entrega em AH HA uma das suas melhores canções em muito tempo.

A grande qualidade da canção é a presença da rapper, que entrega uma das suas mais poderosas, classudas e excepcionais performances. Nada de muitas firulas, mas, sim, uma aula de como uma rapper encara uma canção de maneira centrada e direta, sem espaço para qualquer um questionar o seu flow. Além disso, AH HA se beneficia de uma produção segura, bem construída e madura de trap/hip hop, que entrega exatamente o que se propõe a fazer de maneira limpa e com personalidade. E a composição é a celebração merecida do sucesso da rapper, atirando para todos os lados de maneira ácida, divertida e com uma escrita estruturada.

E assim Cardi B ri por último. E merecidamente.
nota: 8

5 de agosto de 2026

O Poder do Refrão

After All
Carly Rae Jepsen


Existem algumas canções que são elevadas simplesmente pelo fato da genialidade de um dos seus componentes. Em After All, single da Carly Rae Jepsen, esse elemento é o espetacular refrão.

Segundo single de Day and Night, a canção é uma produção com o selo de qualidade da cantora, mas aqui mostrando um amadurecimento ainda mais refinado ao entregar uma chic sophisti-pop, cativante e com elementos bem explorados de disco, neo-psychedelia e pop soul. Experimental na medida certa, After All é um trabalho que, apenas por si, já seria um trabalho respeitável, mas, quando entra o refrão, tudo ganha uma nova dinâmica e qualidade.

O refrão quebra qualquer expectativa ao seguir por uma batida completamente diferente do resto da canção, acompanhando também a mudança vocal em que Carly o entoa usando em plenos pulmões o seu falsete, criando um contraste com o resto dos vocais doces, sedosos e contidos. O que poderia fazer de After All um experimento desajambrado termina sendo como a cola que une toda a canção de maneira graciosa e reverberante. Carly sempre entregou muito bons refrões, mas aqui entrega um dos momentos mais inspirados da sua carreira, com uma inteligência criativa aflorada.

Com uma composição elegante, sensual e classuda, Carly entrega uma das canções mais interessantes do ano devido, principalmente, ao toque de gênio do refrão.
nota: 8,5

Mãe & Filha

Talk To Me, Zara
Robyn & Zara Larsson


Existe um “meme” de que a Zara Larsson seria a filha/herdeira artística da Beyoncé. E, mesmo adorando a cantora, isso não seria algo menos preciso e verdadeiro. Todavia, eu posso ver a Zara como a “próxima” Robyn, e isso fica bem claro em Talk To Me, Zara.

Remix do single de Sexistential, a canção é o raro remix atual que realmente dá certo. E isso é devido à produção adicionar realmente mudanças que dão para a base original uma nova faceta sem perder a sua essência. Um equilíbrio bem administrado que, sinceramente, é quase um unicórnio perante tantos remixes que nem mereciam ver a luz do dia.

Quando resenhei o single, afirmei que Talk To Me é “uma refinadíssima e deliciosa synth-pop com toques de house e dance-pop que carrega perfeitamente a marca da personalidade da Robyn”. Conservando essa base, Talk To Me, Zara adiciona uma dose concentrada da sonoridade da Zara, dando bastante espaço para que a cantora também se apodere da canção. É um equilíbrio raro nesse tipo de canção, pois ambas as artistas têm espaço suficiente para brilharem e, também, criarem uma química real e deliciosa. Além disso, os versos da Zara são novos, criando ainda mais a sensação de uma parceria real e não apenas um caça-níquel para dar algum up comercial.

Com o resultado de Talk To Me, Zara, a visão é clara de que a Zara pode se inspirar ainda mais na carreira da Robyn, pois existe realmente uma ligação entre as duas.
nota: 8

4 de agosto de 2026

Fofo Até Demais

Less than a Lover
JENNIE


Dona de um dos melhores debuts solo das integrantes do Blackpink, a Jennie tem potencial para entregar canções melhores que a baladinha inofensiva Less than a Lover.

A canção é o tipo de música que é bonitinha, mas não faz peso algum e é completamente esquecível. Uma mistura simpática de bedroom pop com synth-pop e o que parecem ser toques de bossa nova, a produção cria uma canção que dá, ao menos, espaço para a cantora realmente deixar transparecer o seu talento vocal. Contida, delicada e com um timbre aconchegante, Jennie não tem muita dificuldade para carregar a canção, adicionando um pouco da sua personalidade genuína.

Less than a Lover é uma canção passável que poderia ter dado espaço para algo mais interessante na carreira da Jennie.
nota: 6,5

O Começo da Dominação

Ain't In LA
ADÉLA


Será que a Adéla realmente está a um passo da glória? E isso parece estar acontecendo com a repercussão extremamente positiva do desempenho de Ain't In LA.

Single do seu primeiro álbum, PRIMA, a canção não poderia ser melhor para começar a marcar a carreira da artista no mainstream, pois é um trabalho recheado de uma personalidade bem distinta. Uma “esquisita”, grudenta, sexy, marcante e envolvente mistura de alt-pop, trap e synth-pop, Ain't In LA tem uma produção que sabe lindamente equilibrar elementos que poderiam facilmente se tornar irritantes, como, por exemplo, a voz modificada entoando o verso de introdução, que se torna quase um interlude ao longo da canção. Isso cria uma canção madura, mas com um frescor autêntico que faz a gente querer entender quem é Adéla.

Gosto muito da presença da artista na canção, pois ela entrega uma performance segura e com personalidade bem delimitada, deixando claro que é uma artista com capacidade de segurar uma canção tão peculiar de maneira a extrair o seu melhor. A composição, porém, poderia ser mais refinada aqui e ali, mesmo sendo um bom trabalho que demonstra também uma capacidade de dialogar sobre assuntos íntimos ao mesmo tempo em que tenta ser esteticamente pop.

Adéla vai ascendendo de uma maneira que acredito que possamos estar diante da próxima estrela pop. Veremos.
nota: 8


Bad Girl

Sauna
Jessie Ware

Mesmo sem alcançar o mesmo impacto que os dois álbuns anteriores, a Jessie Ware entregou em Superbloom um dos melhores trabalhos do ano. E ainda nos presenteia com o lançamento de singles como a sensacional Sauna.

Uma das melhores faixas do álbum, a canção é uma cativante, atemporal e deliciosa italo-disco/funky disco/dance-pop que parece ter saído de uma sessão de gravação de Giorgio Moroder com Donna Summer, especialmente da que resultou no clássico Bad Girls. E isso é uma comparação celestial, pois estamos falando de uma das melhores canções da era disco.

Em Sauna, o grande mérito da produção é o primor da construção do instrumental, que demonstra um total domínio do material de inspiração devido ao resultado vintage, mas ainda soando moderno e encorpado. A composição é outro ponto altíssimo da canção, pois consegue fazer as mais deliciosas metáforas safadinhas sobre o desejo sexual, mantendo, porém, a elegância da Jessie intacta e graciosa. E a cantora entrega uma performance realmente inspirada, sexy e aveludada, em quase estado de graça.

Mesmo sem a repercussão que merece, Jessie Ware ainda continua no topo da sua força criativa.
nota: 8,5