1 de março de 2026

Primeira Impressão

The Romantic
Bruno Mars



Nada Arriscado

Risk It All
Bruno Mars

Lançado como segundo single de The Romantic, Risk It All realmente não tem nada de arriscado, mesmo trazendo algumas surpresas. Felizmente, o trabalho ainda carrega o selo de qualidade de Bruno Mars.

A grande sacada dessa balada é a adição de influências latinas, especialmente — e deliciosamente — a inclusão do bolero na mistura da segura base de R&B/soul. E isso dá todo o tempero necessário para a canção se tornar realmente um trabalho diferenciado sem, porém, perder a essência básica do artista.

Todavia, o grande destaque de Risk It All é a inspiradíssima performance de Bruno, que não apenas domina a canção primorosamente, mas também nos faz lembrar do quanto o seu timbre é lindo e aveludado quando ele o deixa se expor dessa maneira. A primeira parte da canção, em especial, em que a sua voz é colocada em evidência, é realmente deslumbrante.

Sem correr riscos, Bruno garante mais um momento verdadeiramente inspirado para a sua carreira.
nota: 7,5

A Balada de Um Coração Esperançoso

Nightingale Lane.
RAYE


Depois do sucesso mais do que merecido de WHERE IS MY HUSBAND!, Raye lança mais um single do seu próximo álbum (This Music May Contain Hope), intitulado Nightingale Lane. E o resultado prova por A + B que não há nenhuma outra artista atualmente no nível da britânica.

O oposto do single anterior, a nova música é uma balada épica que mistura com perfeição vários elementos que influenciam a sonoridade da artista, ao fundir jazz, pop e soul em um instrumental simplesmente espetacular e de cair o queixo. A construção direta, mas complexa, do arranjo demonstra não apenas todo o cuidado artístico de Raye, como também uma produção inspirada, madura e encantadora. As camadas que vão sendo desenroladas durante a execução da canção são impressionantes, especialmente devido à quantidade de texturas e nuances adicionadas, que poderiam facilmente fazer da faixa algo cheio apenas de boas intenções — e não um trabalho completamente realizado. Felizmente, Nightingale Lane passa muito longe disso e ainda entrega muito mais. Outro grande trunfo da canção é ser, liricamente, a cara-metade de WHERE IS MY HUSBAND!.

No single anterior, Raye brincava jocosamente sobre encontrar um amor para chamar de seu. Agora, o tom é mais dramático e, ao mesmo tempo, mais esperançoso, pois, ao relatar o primeiro amor da sua vida — que também foi sua maior decepção —, a cantora demonstra uma visão clara de que ainda acredita que viverá seu grande amor. E toda essa grandiosidade emocional é potencializada por uma composição excepcional, que nunca soa piegas, mas sempre explode em emoção sincera e genuína. Ainda há um senso estético apuradíssimo que expressa todos esses sentimentos de maneira igualmente refinada: “We never were quite right for each other, baby / But in the absence of passion in my life / I remember how alive love once was”. Complexo, mas direto e nada pretensioso.

E tudo isso é interpretado de maneira genial por Raye, que simplesmente entrega a melhor performance da sua carreira. Não é apenas uma performance grandiosa, mas, sim, definidora de carreira. Existe um toque da aspereza de Janis Joplin, misturado com a melancolia de Amy Winehouse, com nuances do poder vocal de Mariah Carey e inspiração nas grandes divas do jazz. Tudo isso, porém, está nas entrelinhas, pois Nightingale Lane é uma canção que escancara todo o talento de Raye em sua forma mais pura.

É assim que uma artista se torna uma lenda. Que vida, Raye!
nota: 9

Sem Descanço

OLD TECHNOLOGY
Slayyyter

Quinto single lançado do álbum Worst Girl in America, que só vai ser lançado no final de março, a canção OLD TECHNOLOGY continua a provar que Slayyyter vai entregar um dos álbuns do ano.

Assim como todos os singles anteriores, a canção também é uma exploração refinada dos limites do pop, ao ser uma fusão de electropop com electroclash, com toques de rap pop, punk, industrial e hip hop. O resultado poderia ter sido um pouco mais apurado, mas a produção entrega uma canção com uma pegada tão distinta que vai ajudando a criar uma sonoridade com a cara da Slayyyter, que é rústica, pegajosa, excêntrica e com personalidade inusitada.

Gosto, especialmente, dessa introdução punk na construção da canção, pois é uma nuance que faz com que OLD TECHNOLOGY realmente capture a essência que a artista quer passar na sua sonoridade. Novamente, Slayyyter carrega a canção com uma despretensão vocal excelente, pois se alinha com a condução da produção sem ser sufocada pela mesma. E, mesmo não sendo uma cantora com um grande alcance vocal, Slayyyter sempre vem se mostrando de uma versatilidade excepcional, que é a chave para fazer todas as canções funcionarem.

Tenho que admitir que não sou exatamente fã da composição, não pelo teor, mas, sim, pela sua forma escrita, que não encontra um lugar de equilíbrio perfeito para poder explorar a contento os meandros que a canção apresenta. De qualquer forma, OLD TECHNOLOGY é outro importante tijolo na ascensão artística e, quem sabe, comercial da Slayyyter.
nota: 8

Free Ava!

KiLL iT QUEEN
Ava Max


Depois de uma batalha com a sua ex-gravadora, a Ava Max está finalmente livre para seguir uma carreira com maior controle sobre seus caminhos a seguir. Como primeiro single, foi lançada a simpática KiLL iT QUEEN.

Longe de ser seu melhor trabalho, a canção parece deixar à mostra que a cantora vai possivelmente explorar mais a sua sonoridade. E isso se dá devido à produção apostar em uma excêntrica construção para a batida electropop da canção, que parece se inspirar na cadência de Bohemian Rhapsody.

Não vi nenhum lugar citando o uso de samples, mas KiLL iT QUEEN ganha claramente essa inspiração, que a faz realmente funcionar melhor que o esperado, especialmente depois de uma segunda ouvida e, especialmente, da sua metade para frente.

O problema da canção é sua “catch”, mas piegas e previsível composição que busca ser sobre amor-próprio e empoderamento, cheia de frases de efeito e sem substância. Felizmente, Ava compensa boa parte desse problema com uma performance realmente acima da média, versátil e com personalidade distinta.

KiLL iT QUEEN não coloca fogo no mundo, mas é um bom recomeço para a carreira da Ava Max.
nota: 7

Diversão Melancólica

She Knows Too Much
Thundercat & Mac Miller

Ouvir She Knows Too Much, single do Thundercat, é um exercício complicado, pois é, ao mesmo tempo, uma diversão pura e também muito triste devido à presença do Mac Miller.

Frequente colaborador do rapper, Thundercat lança a canção oficialmente como single do seu novo álbum depois de seis meses de a mesma ter vazado. E é novamente um trabalho que só deixa escancarado o tamanho gigantesco do talento do Mac. Completamente despretensioso, o rapper entregou uma performance deliciosa, divertida, leve, suingada e de carisma puríssimo em uma canção que não teria a mesma força sem a sua presença. E isso é comprovação da profundidade da capacidade artística de Mac ao encarnar essa deliciosa e dançante mistura de funk com pop rap e jazz fusion. E olha que a produção poderia ainda ser melhor.

Assinada por Greg Kurstin, She Knows Too Much é um trabalho refinado, mas que poderia alcançar seu potencial total no momento em que se soltasse desde o começo. E isso acontece devido ao instrumental só explodir no seu terço final ao ser incrementado por mais instrumentos que dão mais substância para a canção. Até essa parte, a grande força é a presença iluminada de Mac e a harmonia com Thundercat, que toma aqui um papel mais coadjuvante vocalmente. Quando há essa passagem instrumental, a canção ganha toda a sua mágica sonora, conseguindo ser arrematada de maneira deliciosa e excitante.

De qualquer forma, a canção ainda é um trabalho que precisa ser ouvido, mesmo que seja uma forma de homenagear Mac Miller.
nota: 8

K-Pop Brasil

TIC TIC
NMIXX & Pabllo Vittar


Depois da primeira parceria, a Pabllo Vittar volta a trabalhar com o girl group coreano NMIXX, mas dessa vez como participação especial. E o resultado de TIC TIC parece mostrar que a união deu samba de verdade.

Dessa vez, porém, a canção tem mais elementos de K-pop, usando o funk como influência na construção da batida. E isso não é um problema, pois, novamente, é feito de uma maneira muito bem pensada, divertida e inteligente, sabendo extrair o melhor das influências.

Novamente, o single é clichê, mas é o tipo de canção que só realmente funciona com esse toque, já que, se explorasse demais, é bem possível que desse muito errado. E olha que a batida mais eletrônica da canção é ainda mais acentuada do que em MEXE, mas isso não afeta muito o resultado final. O destaque da música é, mais uma vez, a performance de todas as envolvidas e a química verdadeira entre elas, pois a canção dá tempo para que se mostrem no melhor de cada uma e ainda sejam “divas”.

Com mais um acerto, começo a querer um álbum em parceria entre o NMIXX e a Pabllo Vittar, pois seria algo, no mínimo, divertidíssimo.
nota: 7,5

Um Pouquinho

How I Get
Laufey


Mantendo um nível alto de qualidade nos seus lançamentos, a Laufey dá uma leve caída com a canção How I Get.

Single da versão deluxe/relançamento de A Matter of Time, a canção tem uma estrutura que não soa tão fluida como é o costume nas canções da cantora. É um exercício interessante, pois dá uma vivacidade interessante para a discografia da cantora ao ter toques mais pronunciados de chamber pop e ambient pop. Todavia, How I Get não tem a mesma áurea que os trabalhos mais ousados da cantora. E outro motivo vem da sua composição.

Bem escrita, a letra da canção demora um pouco mais a fazer a gente embargar na emoção que a cantora quer passar, mas acaba encontrando seu caminho com o seu lindo final. Na verdade, é o seu clímax impecável que faz a canção funcionar e ter algumas arestas corrigidas. Outro sustento da canção é a classuda e melancólica performance da cantora, que carrega todo o peso emocional da canção.

Apesar de um pouquinho inferior, How I Get é ainda outro trabalho exemplar da Laufey.
nota: 7,5