24 de maio de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

I AM...SASHA FIERCE
Beyoncé


Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Superbloom
Jessie Ware


Primeira Impressão

The Mountain
Gorillaz



Primeira Impressão

EQUILIBRIVM
Anitta



Em Busca da Redenção

Choka Choka
Anitta & Shakira


Durante muito tempo, mas muito tempo mesmo, a minha maior crítica à Anitta é o desperdício da oportunidade de fazer algo que fosse minimamente artístico com todo o potencial que a música brasileira possui, indo para algo parecido com o que a Rosalía faz. E, ao que parece, minhas “preces” foram escutadas, pois isso é o que parece ser o foco para o seu novo trabalho (Equilibrium) e há bons indícios disso na realmente interessante Choka Choka.

Apesar de ter alguns pontos de ressalva, a canção é, sem nenhuma dúvida, a melhor da carreira da Anitta. E isso não seria muito difícil, mas o feito é conquistado com louvor em uma canção que realmente faz uma mistura azeitada de vários gêneros brasileiros, como funk carioca, samba, dance-pop e tropical, criando uma faixa madura, comercial e com um toque artístico realmente refinado. Não é exatamente um trabalho que chegue perto de ser genial, mas Choka Choka é o resultado de uma produção criativa que finalmente parece entender o que a Anitta é capaz de entregar de verdade. Preciso apontar que, com pouco mais de dois minutos, a canção ainda soa curta demais para aproveitar todas as possibilidades sonoras que a música deixa expostas.

Além disso, a canção tem uma composição pouco inspirada, que meio que não permite que ela seja ainda melhor, mas, ainda assim, o trabalho tem carisma suficiente para não ser o peso morto da produção. A participação da Shakira não é tão bem aproveitada, especialmente devido ao tempo de duração da canção, mas é realmente revigorante ver sua presença ser tão divertida e imersa, com ela cantando em português. E o mais surpreendente é que a Anitta entrega uma performance muito boa aqui, segurando bem e adicionando personalidade à canção. Talvez os efeitos usados em sua voz não ajudem muito, mas Choka Choka funciona muito melhor do que eu poderia imaginar. Seria esse o começo da redenção artística da Anitta? Fica a pergunta para ser respondida nos próximos tempos.
nota: 7,5

O Céu de Olivia

the cure
Olivia Rodrigo


Apesar de sempre ter entrega boas canções, a Olivia Rodrigo chega ao seu ápice com o lançamento da sensacional the cure.

Segundo single do seu próximo álbum, a canção é sem nenhuma dúvida a mais madura da carreira da cantora devido, principalmente, de uma composição inspiradíssima, emocional e de uma escrita realmente potente e inteligente. E isso é algo que mostra o amadurecimento da cantora que, ao lado de Dan Nigro, escreve uma crônica ainda com indícios de ser os pensamentos de uma jovem em buscar de entender seus sentimentos, mas que, felizmente, está crescendo e tendo a capacidade de se aprofundar artisticamente. E isso é algo inestimável.

Em the cure, Olivia faz uma tocante crônica sobre tentar encontrar o amor próprio pela validação de quem se ama, mas começar a compreender que apenas a mesma consegue se “curar”. Sinceramente, é um trabalho que claramente encontra reflexos na vivencia da cantora, mas também é bem fácil de encontrar conexões com vários tipos de pessoas já que algo que pode acontecer com qualquer pessoa. Essa capacidade ampla de falar com outros públicos é outra qualidade da composição que é emoldurada por uma excelente produção que adiciona uma camada mais forte de indie rock para a base pop rock/alt pop que já é a marca da cantora. Devido a isso, a canção ganha uma urgência interessante sem perder, porém, o verniz radiofônico e da personalidade da cantora. Completa o pacote, a delicada, sentimental e sólida performance da Olivia que deixa claro a sua evolução continua como interprete principalmente.

E assim, a Olivia entrega o seu melhor momento da carreira até agora que, sinceramente, espero que continue a reverter no resultado final de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love.
nota: 8,5

New Faces Apresenta: Malcolm Todd

I Saw Your Face
Breathe
Malcolm Todd

Será que o cantor Malcolm Todd vai ocupar a vaga de próximo grande “white male popstar”, já que faz tempo que não surge um nome realmente forte nesse espaço? Se depender dos dois primeiros singles do seu segundo álbum, Do That Again, existe essa possibilidade real.

A grande qualidade aqui é a diferença entre os dois singles sonoramente, mas ambos deixam o cantor bem dentro desse escopo de “white male popstar” de uma maneira bem mais interessante do que se poderia esperar. De um lado, o lado mais comercial em Breathe e, do outro, o mais indie em I Saw Your Face. E, curiosamente, as duas canções podem funcionar melhor dependendo do estilo de quem escuta, pois, para mim, a primeira é o grande destaque ao invocar uma nostalgia da qual eu não sabia que estava sentindo falta, ao emoldurar quase perfeitamente o começo da carreira do Justin Timberlake.

E, queridos leitores, isso é algo que me pegou de surpresa no momento em que percebi que a batida de Breathe poderia facilmente ter entrado no primeiro álbum do Justin e, sinceramente, isso é um elogio verdadeiro. Uma mistura sexy, dançante, envolvente e carismática de pop, R&B e alt-pop que emoldura o estilo de produção do Pharrell Williams. A canção passa longe de ser uma pastiche barata, mas tem um quê claro de “brincadeira” ao seguir por esse caminho, o que funciona melhor do que o esperado. Todavia, a grande qualidade da canção é que Malcolm tem um carisma próprio ao ser um “nerd” carismático / “boy next door” que se encaixa muito bem com a pegada da canção, principalmente por essa diferença entre o estilo da faixa e quem a interpreta.

Apesar de menos inspirada, I Saw Your Face mostra uma outra faceta do artista ao ser uma sólida faixa de indie rock/pop que não reinventa a roda sonoramente, mas tem uma produção muito acertada, refinada e com personalidade.


Com esses dois momentos interessantes e auspiciosos, Malcolm Todd tem todo o potencial para ser a próxima grande promessa da música.
notas
I Saw Your Face: 7,5
Breathe: 8