12 de agosto de 2026

Uma Segunda Chance Para: Roar

Roar
Katy Perry

Após quatorze anos de seu lançamento, Roar se tornou uma canção que deu para Katy Perry a continuidade da dominação na época das paradas, batendo de frente com Applause, da Gaga, e a vencendo comercialmente. Todavia, arriscadamente, a canção é facilmente notável como aquela que meio que deu a confirmação da limitação da sonoridade da Katy.

Lançada como primeiro single de Prism, sucessor do gigantesco sucesso de Teenage Dream, a canção é um trabalho perfeitamente aceitável que conta com alguns pontos bem positivos, mas não sai em nenhum momento do lugar-comum de um pop que hoje parece meio mofado, especialmente devido ao envolvimento daquele produtor caído em desgraça. O arranjo é grandioso e imponente para sustentar a base pop/pop rock pouco criativa, que sabe aonde quer chegar e não faz muito além do básico. Todavia, a canção tem um problema maior: a sua composição.

Clichê, meio infantil e beirando o pueril, a composição aqui é de um nível de autoajuda que atualmente poderia ser ouvida como tema de algum filme da Patrulha Canina. Todavia, preciso reconhecer que o resultado final funciona como um atestado de que, esteticamente, é um trabalho bem acertado. Até hoje lembro perfeitamente de cada verso da canção, sendo diferente, por exemplo, da canção da Gaga. Além disso, o refrão é realmente um momento que dá vida à canção devido à sua força de grudar nos nossos ouvidos com uma facilidade incrível e definitiva. O ponto alto da canção é a presença da Katy, que entrega aqui a sua melhor performance vocal dessa era e, provavelmente, de toda a sua carreira.

Mesmo sendo um marco do pop, Roar não é exatamente uma das canções mais memoráveis do pop. E, sinceramente, isso é até algo bom, já que a Katy tem canções melhores na discografia.
nota: 7

Uma Segunda Chance Para: Applause

Applause
Lady Gaga

Quatorze anos depois do seu lançamento como primeiro single do Artpop, a canção Applause ainda guarda uma pergunta: um trabalho à frente do seu tempo ou um tropeço pelo ego?

Primeira canção lançada pela cantora depois do arrasa-quarteirão do Born This Way, a nova era da Gaga era um dos acontecimentos mais esperados de 2013 e, por isso, o lançamento da canção foi um acontecimento, especialmente devido a ter sido lançada basicamente junto com Roar, da Katy Perry. E, com isso, a expectativa era algo gigantesco e, infelizmente, não foi correspondida para muitos na época, e isso também afetou a minha percepção sobre a canção que, longe de considerar ruim, considerei apenas “boa”. Olhando em retrospectiva, é preciso dizer que minha visão mudou bastante em relação a Applause.

Respondendo à questão colocada no começo: a canção é exatamente à frente do seu tempo e, muito menos, um tropeço. Talvez, a melhor definição que possa dar é uma canção menor entre os grandes momentos da carreira da Gaga. A grande qualidade da canção é a sua limpa, vigorosa, elétrica e disparadamente dançante produção, que entrega uma eletropop/dance-pop de uma força comercial reluzente e totalmente direta.

Contagiante e divertida, Applause tem uma melodia que gruda na gente logo nos primeiros acordes e vai criando ainda mais força ao longo da sua duração, que culmina em um clímax final grandioso na medida, sendo modelado por um refrão certeiro e redondinho. Outro ponto é a performance da Gaga que, mesmo não sendo uma das suas melhores, é um trabalho que dá energia, personalidade e dinamismo para a canção.

O problema aqui é a composição, pois, apesar de entender a mensagem de amor para os fãs e, também, as cutucadas nos críticos, o resultado fica em uma linha tênue entre o pretensioso, o cringe, o divertido e o inteligente, o que deixa tudo meio embaçado e facilmente termina como o que puxa a canção para baixo, salvando o bom refrão devido à sua simplicidade perfeita.

Passados todos esses anos, Applause tem uma aura de cult classic que faz sentido para o que a canção se tornou: um trabalho que merece ser redescoberto, mesmo não sendo o ápice da Lady Gaga.
nota: 8

11 de agosto de 2026

Disco Carly

Don't Leave Me on the Dance Floor
Carly Rae Jepsen


Continuando a divulgação de Day and Night, a Carly Rae Jepsen lança outro acerto na saborosa Don't Leave Me on the Dance Floor. E a canção já meio que se torna uma das melhores da sua carreira até agora.

Mudando novamente de estilo, a cantora agora navega belissimamente pelas águas da disco em uma elegante, envolvente e deliciosa nu-disco misturada de maneira inteligente com eletrônico, synth-pop, synth funk e dance-pop. A produção cria uma batida realmente especial que entra naquele hall de trabalhos que exalam atemporalidade, mas que está totalmente mergulhado em uma modernidade respeitosa.

Tenho que admitir, porém, que, se o clímax fosse ainda mais apoteótico e grandioso, o resultado final de Don't Leave Me on the Dance Floor ainda seria melhor do que já realmente se tornou. Além da excepcional produção, a canção ainda conta com uma letra simples, eficiente e com uma emoção tangível que se adequa perfeitamente à categoria de “chorar e dançar” na pista, sendo entoada pela sempre competentíssima e versátil presença da Carly.

E assim a Carly vai criando ainda mais hype para um álbum que promete ser um dos pontos altos da segunda metade de 2026.
nota: 8,5

Deus, Ouça Minhas Orações

That's Like
cupcakKe


Peço ao Deus poderoso que tire qualquer vestígio de sucesso da Nicki Minaj e passe todo para a cupcakKe, pois a rapper merece de verdade. Ainda mais quando entrega canções como a sensacional That's Like.

Apesar de ter menos de dois minutos, o single do seu próximo álbum é basicamente uma aula de como fazer uma canção curta ser completamente marcante. A canção tem apenas um grande e contínuo verso, em que exige a mais poderosa, afrontosa, carismática e frenética possível performance, e isso a cupcakKe entrega de maneira realmente impressionante. Não há nenhum momento em que a mesma perde a cadência e/ou força, introduzindo camadas e texturas que apenas adicionam personalidade ao resultado final. E isso é algo que não falta para That's Like.

A produção consegue usar todos os segundos de uma forma que dá substância para a canção e não a deixa perder qualquer pingo de qualidade devido à sua duração. O que é entregue é uma batida marcante que mistura hardcore/industrial hip hop com toques de eletrônico e experimental, que preenche tanto a canção que parece que estamos diante de um trabalho de minutagem bem maior. Liricamente, a verborragia da escrita da rapper é algo admirável, pois a mesma dispara uma metralhadora a potência máxima, sempre com um acabamento perfeito, um flow preciso e um humor tão distinto e marcante.

Espero que o universo escute minhas preces e que a cupcakKe possa, em algum momento, ocupar um lugar no mainstream que já foi bem preenchido no passado.
nota: 8,5

10 de agosto de 2026

Chorar & Dançar

One song away from crying
Rachel Chinouriri


Eu já escrevi várias vezes sobre canções que se encaixam no título perfeito para “chorar e dançar” na pista de dança, sendo a maior delas o clássico Dancing on My Own, da Robyn. Todavia, pouquíssimas vezes esse foi o tema da canção em si, como é o caso de One Song Away from Crying, da Rachel Chinouriri.

Primeiro single do segundo álbum da britânica, a canção é sobre literalmente colocar seus sentimentos na pista de dança e tentar esconder a dor com uma camada de divertimento. E a letra funciona devido à eficiente construção estética e à tocante sensibilidade que fazem a gente se sentir conectado com os sentimentos explorados na letra, pois acredito que todo mundo já se sentiu da mesma maneira em algum momento. No primeiro verso, tem uma passagem que acerta na mosca o sentimento: “I’ve never looked better and I've never felt worse”. E, sinceramente, quem nunca se sentiu assim?

Sonoramente, a canção é levemente estranha, mas funciona melhor que o esperado ao ser uma mistura refinada e magnética de synth-pop/funk e R&B que cria uma batida que passa longe de ser explosiva, mas vai conquistando aos poucos devido à batida cadenciada, contida e grudenta. Rachel não quer fazer a gente dançar como se não houvesse amanhã, mas, sim, fazer a gente balançar o suficiente para esconder as lágrimas. Falando na cantora, sua voz combina bem com o estilo da canção, já que consegue se moldar bem à atmosfera da canção, especialmente no delicioso refrão.

Um começo curioso e auspicioso para a nova era da Rachel Chinouriri. Tem a minha atenção.
nota: 8


Alguns Anos Atrasado

Animal
KATSEYE


“Perdendo” membros mais rápido do que se pode falar, KATSEYE lança uma das suas melhores canções em Animal. Todavia, a canção está alguns anos atrasada.

Uma divertida e até legal dance-pop/R&B que poderia facilmente ser alguma canção da Meghan Trainor no seu auge comercial, o single funciona até bem devido à produção despretensiosa e segura. Só que a canção soa totalmente datada e meio envelhecida devido à escolha sonora. Além disso, a sensação aumenta devido à composição, que tem a assinatura do Ed Sheeran e de colaboradores frequentes do cantor, e isso deixa uma sensação ainda maior de déjà vu, com toques de naftalina em Animal. O que ajuda de fato é a performance solar e realmente carismática das integrantes, que estão no melhor momento como um grupo, pois deixa as integrantes menos expostas às loucuras e exageros vocais de outras canções.

Animal é até boazinha, mas não ajuda a realmente salvar a lavoura do KATSEYE.
nota: 6,5

9 de agosto de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

4
Beyoncé



Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Dance for You
Beyoncé

Lançada como parte da versão deluxe de 4, Dance For You é uma das melhores canções dessa era, pois agrega todas as qualidades do álbum e adiciona mais uma camada de sensualidade. Uma pena, porém, que não seja tão lembrada dentro da discografia da cantora.

Com mais de seis minutos, a canção é um trabalho de uma riqueza sonora admirável devido à espetacular construção instrumental, que vai criando camadas para o desenrolar envolvente, magnético e de uma elegância cativante. Produzido pela cantora ao lado do The-Dream, Dance For You é uma mid-tempo R&B com toques de soul que consegue ter uma batida tradicional sem soar nada datada devido, principalmente, à inteligência com que tudo vai sendo explorado para nunca deixar a canção perder um pingo de interesse, mesmo devido à sua grande duração. É como uma montanha-russa que nunca para de descer, sempre mantendo a adrenalina no alto. O motivo para isso é a sua moldura sensual, sexual e deliciosamente safadinha da ótima composição.

A canção é uma clara declaração de amor em que a pessoa quer mostrar da maneira mais picante possível. E isso é feito de uma maneira explícita, mas totalmente refinada e que nunca chega nem perto do vulgar. É o famoso sexy sem ser vulgar. E, queridos leitores, Dance For You é o tipo de canção que “exala” sexo mesmo sem precisar da composição, pois a parte instrumental já faz o trabalho por si. Quando adiciona a letra, o resultado é ainda mais provocativo e instigante, que é contemplado por uma performance da Beyoncé simplesmente hipnotizante. A cantora parece preencher qualquer lacuna com sua voz, que nunca precisa de grandes modulações, mas, sim, apenas da presença magistral para dar toda a força emocional por trás do desejo expresso na canção.

Apesar de ser um trabalho escondido, Dance For You é uma das canções mais preciosas da carreira da Beyoncé.
nota: 9