25 de agosto de 2026

Faixa Por Faixa - Grandes Álbuns (Publicado Originalmente em 5 de maio de 2012)

CD: Jolene
Artista: Dolly Parton
Gênero: Country
Vendagem: Sem dados concretos
Singles/Peak na Billboard: Jolene (60º; primeira música dela a entrar na parada principal americana) e I Will Always Love You
Ano: 1973


Considerado um dos maiores álbuns de todos os tempos, Jolene foi responsável pela ascensão definitiva de Dolly Parton ao sucesso. Lançado em 1974, teve como primeiro single a canção que dava nome ao álbum. Com Jolene (a música), Dolly escreveu uma parte importante do country devido ao sucesso da canção, que é considerada uma de suas obras de arte. Outra música lançada na época foi I Will Always Love You, mas que só alcançou o status de clássico quase duas décadas depois, quando foi regravada por Whitney Houston.

Faixas


1. Jolene: Já foi dito, mas não custa retificar: a canção é um dos maiores clássicos de todos os tempos da música americana. Em uma época em que estava em voga o feminismo, Dolly lançou a história de uma simples dona de casa que, ao ver a linda amante do marido prestes a roubá-lo, vai implorar para que ela a deixe em paz, pois ela “pode ter qualquer homem, mas só ele a fará feliz”. A dramaticidade imposta por Dolly em uma canção brilhante está acima da capacidade da maioria das cantoras.
nota: 10

2. When Someone Wants To Leave: Em uma composição inspiradíssima, em que Dolly faz uma pequena, mas genial, carta aberta sobre o fim de um relacionamento. “But I know you want to leave / As bad as I want you to stay”, declama Dolly, tentando saber o que está acontecendo. Colocado assim, parece uma continuação da história de Jolene.
nota: 9,5

3. River Of Happiness: Deixando o tom mais “alegrinho”, ela faz uma canção sobre o amor e o que ele pode trazer. O espírito acolhedor de Dolly se encaixa perfeitamente no tom da canção.
nota: 8,5

4. Early Morning Breeze: Regravação de uma música sua que tinha saído em outro álbum. A produção instrumental é de arrepiar. Com inspiração no rock e a adição de um baixo que faz lembrar Hendrix, a canção é um dos pontos altos do álbum. Ainda mais juntando a estranheza de uma composição leve e para cima com um arranjo um pouco dark e mais “sério”.
nota: 10

5. Highlight Of My Life: Voltando ao “normal”, ela entrega uma “prima” country de You Are the Sunshine of My Life, de Stevie Wonder. Alegre e divertida do começo ao fim.
nota: 8,5

6. I Will Always Love You: É muito interessante ver como foi gravada originalmente uma canção que ficaria famosa de outra maneira. Muito mais contida que a versão de Whitney, a interpretação de Dolly mostra mais tristeza na colocação das notas e na divisão da melodia, que já começa com o arranjo e, antes do final, é mais declamada no ritmo. Essas diferenças são gritantes, mas não comprometem nenhuma das duas versões de serem geniais.
nota: 10

7. Randy: Uma canção de apenas um minuto e cinquenta e dois segundos é melhor que muita canção de hoje em dia com o triplo de duração, produção e composição. Uma simples e tocante declaração de amor pode ser mais poderosa que uma complexa e demorada narração sobre o amor.
nota: 9

8. Living On Memories Of You: Uma música pode vencer o tempo quando, ao ouvi-la, você pode colocá-la em uma nova roupagem e ela continuar tão boa. Ouvindo a canção e prestando atenção à interpretação magnífica de Dolly, fiquei imaginando uma cantora de soul/R&B fazendo uma versão poderosa para a triste letra. Assim, canções se fazem eternas.
nota: 9,5

9. Lonely Comin' Down: Única música do álbum que tem duração de mais de três minutos, revive a parceria dela com o cantor que a lançou, Porter Wagoner. Escrita por ele, a canção é uma balada avassaladora sobre a solidão e o que ela traz. Dolly está inspirada para mostrar a tristeza necessária.
nota: 10

10. It Must Be You: Terminando com uma canção romântica sobre encontrar o amor da vida.
nota: 8,5

Obrigado por todo, Dolly!

 

Well, I can't tell you where I'm goin', I'm not sure of where I've been
But I know I must keep travelin' 'til my road comes to an end
I'm out here on my journey, tryin' to make the most of it
I'm a puzzle, I must figure out where all my pieces fit

Um Turbilhão

Can't Get Over Losing You (feat. Portraits of Tracy)
The Avalanches

Quase nunca uma canção que tem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo consegue dar certo sem precisar exatamente fundir todos os elementos. E isso acontece com a interessante Can't Get Over Losing You, da banda The Avalanches.

O single do próximo álbum da banda (No Bad Memories) tem, ao mesmo tempo, sample de canção de cantor da Motown desconhecido, lançada em 2022 depois da sua morte (I Can’t Get Used to Losing You, de Wilson William), voz distorcida, batida com várias influências e uma duração de menos de três minutos. E, sinceramente, o resultado é bem melhor do que o esperado, devido à criatividade com que tudo isso é agrupado em uma canção original, divertida, madura e realmente única.

Uma mistura de chillwave com nu-disco, eletropop e electro house, Can't Get Over Losing You funciona principalmente pela habilidade da produção em saber polir o que poderia deixar resíduos não bem estruturados, deixando certeiramente as aparas necessárias para criar esse turbilhão bem-vindo de estranheza que dá um toque refinado para o resultado final. É interessante notar que algo fora do lugar poderia fazer a canção desandar. Entoada pela artista Portraits of Tracy, a maneira como os vocais são conduzidos, mesmo sob efeitos, faz sentido dentro da canção devido a toda a sua atmosfera.

E, apesar de ser “pequena”, ao ter menos de três minutos, a produção consegue preencher qualquer sensação de brevidade em uma canção que realmente ocupa toda a sua duração, sem a gente precisar de mais. Outro feito louvável para uma canção que é um trabalho de elogios.
nota: 8,5


Oh! Glória! Nelly!

Maneater (RITUAL VERSION)
Nelly Furtado


Poucas vezes fui pego de maneira tão surpreendente como ao ouvir Maneater (RITUAL VERSION), da Nelly Furtado. Single para o lançamento da versão comemorativa de vinte anos de Loose, a canção não é um remix ou uma versão diferente da canção original e, sim, uma nova e completa canção que simplesmente eleva o material para um patamar completamente novo e incrivelmente genial.

A nova versão foi literalmente reconstruída da base sonora, ao ir de uma divertidíssima eletropop/R&B para uma épica, soturna e colossal mistura de dark ambient com neoclassical, art pop/rock e baroque pop. Atmosférica e sufocante, a construção do genial instrumental cria toda uma impensada e magistral atmosfera sombria que dá novo significado para a composição, que não foi alterada. Se antes a canção era sobre a força sexy de uma mulher sem medo da sua sexualidade, para ter uma energia quase mística e de uma força feminina que transcende o humano, quase como uma deusa ou bruxa de poderes incontáveis. É uma mudança tão espetacular que a gente fica realmente impressionado e quase sem palavras depois de escutar.

Com uma vibe saída de algum álbum da Lingua Ignota/Reverend Kristin Michael Hayter, Maneater (RITUAL VERSION) ainda tem outro destaque impressionante na performance vocal da Nelly. Obviamente, a cantora muda a sua maneira de entoar a canção, mas, sinceramente, eu não esperaria que ela segurasse tão bem uma canção com essa vibe. E não é apenas bem e, sim, brilhantemente, conseguindo manter intactas sua personalidade e características e, ao mesmo tempo, carregando toda a gravidade e força da canção de forma irretocável. Tenho que admitir que, com mais de sete minutos, a canção se beneficiaria de uma versão mais enxuta. Todavia, não posso negar que a produção da cantora ao lado de Adam Tendler consegue manter a qualidade e a atenção até o último segundo.

Se no começo do ano alguém tivesse falado para mim que a possível melhor canção do ano fosse uma versão de uma canção da Nelly Furtado de 2006, não teria acreditado e ainda teria gargalhado dessa pessoa. Só que essa é a situação em que me encontro atualmente, e não tenho do que reclamar.
nota: 9,5

24 de agosto de 2026

Primeira Impressão

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Kelela


Química Fundida

the bridge
Kelela & PinkPantheress

É meio complicado transmitir com precisão as personalidades artísticas de dois artistas em uma colaboração ao mesmo tempo em que se consegue fundi-las em apenas uma só. Entretanto, isso é o que acontece na excepcional the bridge.

A união da Kelela com a PinkPantheress poderia gerar algum atrito, pois, apesar de estarem dentro do mesmo reino sonoro, as duas apresentam diferenças bem nítidas. Felizmente, o resultado aqui é uma madura, fluida e cadenciada mistura das duas sonoridades, de forma a se tornar uma fusão praticamente perfeita, em que dá para sentir a força de cada uma impregnada na canção, sem uma se sobressair à outra. Devido a isso, the bridge se torna uma melódica e sensual 2-step, com pitadas generosas de R&B alternativo e pinceladas de UK bass e future garage, criando uma das batidas mais elegantes do ano.

Agrega-se a isso as performances inspiradas de ambas, exalando suas distintas personalidades, e uma química bem construída, e eis que temos uma das colaborações mais afinadas de 2026.
nota: 8,5

Primeira Impressão

EQUILIBRIVM II
Anitta



Primeira Impressão

Do That Again
Malcolm Todd