18 de setembro de 2026

Rosadinho

new trick
ROSÉ


De todos os lançamentos solo recentes das integrantes do Blackpink, “new trick”, da ROSÉ, é disparado o melhor. E ainda poderia ter um resultado ainda melhor.

A canção é um cativante e efervescente pop rock/power pop que a gente não ouve atualmente sendo feito. Quase algo que poderia ter sido feito por alguma estrela juvenil do Disney Channel lá pelos anos 2010, mas com uma camada pop punk que dá certa ousadia para a canção e que emoldura também o período de glória da Avril Lavigne. Todavia, a canção é refrescante devido à sua construção atemporal, leve e chiclete. Além disso, ROSÉ entrega uma performance graciosa que acerta a dinâmica da canção ao mostrar uma ótima versatilidade. O problema de “new trick” é a sua boa, mas esquecível, composição, que realmente só tem um momento inspirado no seu direto refrão, que se torna a mola propulsora perfeita para a canção.

Agora só falta a Jennie para fechar esse ciclo e a gente saber quem vence essa “batalha”. Por enquanto, a ROSÉ é a vencedora clara.
nota: 7,5

Ou Vai ou Racha

Party
Troye Sivan


Com o lançamento de Party, segundo single de She's the Best, Troye Sivan deixa bem claro o rumo da sua nova era. É divisivo? Com certeza, mas, sinceramente, eu estou do lado positivo dessa recepção.

Com uma produção completamente pendendo para o house, especialmente puxando para o acid house, a canção é eletrizante, dançante, grudenta e muito bem construída, com um toque experimental que conversa com a sonoridade do cantor, mas dá alguns passos para sair do pop mais delimitado que ele vem apresentando. Existe uma clara inspiração dos anos noventa e começo dos anos dois mil na elaboração da batida, sem deixar a canção datada. Todavia, a grande qualidade e o que dá o toque perfeito de gênio à batida é o excepcional uso do sample de “Music”, da Madonna, que é a cola perfeita para unir toda a canção. O problema de “Party” é a sua composição.

Tirando a letra vinda da canção da rainha do pop, o single é composto apenas por um verso que vai ser repetido como se fosse um grande refrão. Na verdade, isso não seria um grande problema se o verso fosse realmente bom, pois o que temos aqui é até divertido e “campy”, só que também é raso e menos interessante do que deveria ser. E isso custa à canção alguns pontos importantes, pois sua embalagem é consideravelmente superior ao seu conteúdo. Quanto ao Troye, eu gosto da performance dele mais “spoken word” devido à sua entrega exemplar e carismática, mesmo que eu tenha a certeza de que não deva agradar a todos e que seu melhor momento é quando entoa os versos de “Music”.

Espero que esse seja o tipo de trabalho que a divulgação possa ajudar a dar um hype maior para o álbum, mas, mesmo assim, são corajosas as decisões do Troye Sivan.
nota: 8

11 de setembro de 2026

Primeira Impressão

Dancing On The Wall
MUNA



Uma Segunda Chance Para: I Gotta Feeling

I Gotta Feeling
The Black Eyed Peas

Possivelmente, o gigantesco sucesso de I Gotta Feeling foi um dos últimos arrasa-quarteirões antes da ascensão definitiva do Spotify, lançado em 2008, um ano antes do lançamento da canção do The Black Eyed Peas. Devido a isso, a faixa entrou em um “bolsão” dentro da cultura pop reservado para poucas músicas. Todavia, depois de dezessete anos do lançamento, qual é o sentimento sobre sua qualidade? Valeu o hype ou é uma bomba datada?

Na minha visão, o resultado é meio 50/50, especialmente quando a gente olha em retrospectiva. Quando o grupo decidiu deixar meio de lado o hip hop para se aventurar no eletrônico/EDM/electropop, foi uma decisão arriscada, mas que valeu a pena devido ao sucesso do álbum The E.N.D.. Criativamente, o álbum recebeu uma enxurrada de críticas que variaram do mediano ao negativo, especialmente no quesito sonoridade. E acredito que esse seja o grande motivo para I Gotta Feeling ainda ser uma música divisiva, mesmo tendo qualidades bem interessantes.

A razão principal é que a produção de David Guetta e Frédéric Riesterer já era meio datada e clichê quando foi lançada, criando a sensação de que a faixa era uma cópia passada por um triturador de “popficação” para ficar ainda mais radiofônica e massificada. E isso dá à música um aspecto de farofa tão farofada que fica meio complicado encontrar uma identidade distinta. Entretanto, esse problema também gera sua melhor qualidade: o gigantesco fator “chiclete”.

Ouvir a canção pela primeira vez é algo que, sinceramente, deve ser um portal para qualquer pessoa “viciar” nela, para o bem ou para o mal. A batida é sonoramente nada complexa, mas foi cuidadosamente montada para ser grandiosa, grudenta e ter uma melodia de facílima assimilação desde a primeira vez. Quando toca a primeira nota, a gente já sabe qual música vai começar. E isso é algo que podemos chamar de atemporal, de certa maneira, o que meio que contradiz o cheiro de naftalina que a faixa também exala. Felizmente, existe um termo para isso: prazer culposo. E essa é a melhor definição para a música.

Liricamente, I Gotta Feeling apresenta a mesma dualidade ao ser uma obra sobre “curtir a vida” da maneira mais clichê e sem profundidade possível, mas também construída de uma forma que conseguimos decorar a letra na hora em que escutamos e nunca mais esquecer. O que realmente se sobressai é a presença de todos os integrantes do Black Eyed Peas, que entregam boas performances. Mas, sinceramente, é só quando Fergie aparece que tudo dá liga de verdade. E essa observação é ainda mais curiosa, pois faz a gente voltar a pensar por que a carreira solo dela não teve mais durabilidade, ainda mais quando associamos isso ao sucesso de The Dutchess.

I Gotta Feeling é uma máquina do tempo datada e nostálgica, que é até mais interessante do que a gente lembra. Só não pode pensar muito além da superfície para ainda se divertir com a canção.
nota: 7