9 de setembro de 2026

New Faces Apresenta: Audrey Hobert

Silver Jubilee
Audrey Hobert


Não me incomodo tanto quando um “nepo baby” tem talento de verdade, pois, ao menos, isso compensa a facilidade do artista em alcançar lugares que possivelmente não teria condição de alcançar sem suas conexões. Um exemplo é a cantora Audrey Hobert.

Filha do roteirista Tim Hobert e irmã do músico Malcolm Todd, a cantora ganhou destaque pelo trabalho como compositora para Gracie Abrams e pelo hit moderado de Sue Me no ano passado, mesmo ano em que lançou seu primeiro álbum, Who's the Clown?. Como último single do trabalho, foi lançada a interessante Silver Jubilee.

A grande qualidade é a sua inspirada composição, que mostra claramente a qualidade da sua persona como compositora ao escrever uma letra inteligente, ácida, descolada e divertida sobre perceber o seu envelhecimento e amadurecimento, mesmo sendo uma pessoa que apenas completou vinte e dois anos. A mesma consegue passar uma mensagem com uma personalidade muito bem definida e diferente, sem precisar soar pretensiosa. A produção é um pouco segura demais, mas entrega um eletropop/pop rock eficiente, com uma batida cativante que gruda nos ouvidos no momento em que chega ao seu ótimo refrão.

Se for para ser nepo baby, que seja com talento, como parece ser o caso de Audrey Hobert.
nota: 8

8 de setembro de 2026

Mudanças Amadurecidas

Marianne
Fontaines D.C.


Sempre é interessante tentar entender a evolução sonora de um artista quando ele decide dar uma guinada em uma direção inesperada. Em Marianne, a banda Fontaines D.C. faz exatamente isso.

Primeiro single do novo álbum da banda, Dopamine Chamber, a canção adiciona, de maneira bem nítida, um synth-pop influenciado, aparentemente, pelo Depeche Mode. É uma referência que não é inesperada, mas que dá à faixa um resultado surpreendente e sensacional ao ser lindamente misturada com post-punk, darkwave e dream pop, criando uma melodia hipnótica que emoldura perfeitamente a sensação de uma canção vinda diretamente dos anos oitenta, sem terminar sendo uma cópia barata.

Existe um trabalho muito inspirado, maduro e poderoso na construção de Marianne, especialmente em seu clímax final, que arremata a canção de maneira decisivamente especial. A performance sombria e marcante do vocalista Grian Chatten dá uma ênfase emocional e angustiante à inspirada composição sobre problemas mentais e os efeitos que eles causam nas pessoas.

Entrando no final do ano, o Fontaines D.C. se torna um dos nomes que mais me despertam hype. Veremos.
nota: 8,5

A Maldição do Linear

CLICK
JISOO


Única integrante do Blackpink a não lançar, até agora, um álbum solo, Jisoo continua tentando se consolidar de maneira a “alcançar” suas companheiras de grupo. E a mais nova tentativa é com o single CLICK.

A canção é até boazinha, mas perde uma grande oportunidade de ser ótima devido a uma produção que nunca a faz deslanchar. Isso fica ainda mais evidente quando percebemos que a batida synth-pop/dance-pop tinha tudo para se tornar um grande trabalho, pois possui uma melodia interessante e bem pensada, mas nunca chega a lugar nenhum, resultando em uma faixa linear e sem verdadeira pegada. Vocalmente, Jisoo entrega uma boa performance, que, porém, carece de maior dinamismo para realmente saltar aos olhos. A composição segue pelo mesmo caminho, mas com um resultado ainda menos marcante que o restante da canção.

CLICK poderia ser um musicão se conseguisse fugir desse estado de linearidade que a impede de sair do apenas “ok”.
nota: 6,5

7 de setembro de 2026

Primeira Impressão

PRIMA
ADÉLA



Projeto: Icônica (Ainda Em Progresso)

Nicole Kidman
ADÉLA


Mesmo não sendo tão bom quanto era esperado, o debut da Adéla tem algumas pérolas, como é o caso de Nicole Kidman.

Uma deliciosa mistura de R&B, alt-pop e trap pop que poderia ser mais aprofundada sonoramente, explorando novas camadas e texturas. Todavia, a produção acerta na mosca com uma batida cadenciada e envolvente, enquanto Adéla entrega uma performance competente. O grande destaque da canção, porém, é sua divertida composição sobre se sentir “poderosa” e se comparar diretamente com Nicole Kidman, especialmente no refrão, em que filmes da atriz são citados de maneira inteligente e incorporados à narrativa.

E é nesses momentos que a gente vê que Adéla tem potencial de verdade.
nota: 8

Um Encontro Que Não Deveria Funcionar

CONSTANTLY
Tiffany Day & slayr


Existem músicas que parecem não ter sido feitas para dar certo, mas, por algum motivo, o resultado acaba sendo drasticamente melhor do que o esperado. Esse é o caso perfeito de CONSTANTLY.

Parceria da cantora Tiffany Day com o rapper slayr, a canção tem uma sonoridade que poderia facilmente desandar ao ser uma mistura de hyperpop/eletropop com elementos de digicore, pop rap e hip hop. Felizmente, a produção competente e inteligente tem a visão necessária para fazer tudo funcionar. Devido a isso, o resultado fica bem no fio da navalha entre o brilhantismo e o desastre, o que, na verdade, faz com que CONSTANTLY ganhe ainda mais brilho justamente por terminar no primeiro lado.

Além disso, a mistura entre os dois artistas se torna ainda mais interessante devido às suas diferenças. Mesmo assim, a presença de ambos na canção faz sentido, principalmente pela ótima composição, que se constrói como uma crônica profunda sobre o relacionamento entre duas pessoas.

E assim temos uma das canções mais inesperadas do ano, que vai entrar na lista das melhores do ano sem nenhuma dúvida.
nota: 8,5

4 de setembro de 2026

Primeira Impressão

Cry Baby
Vince Staples



Grande Lisa

SaWaDiKa
LISA

SaWaDiKa é uma canção que facilmente poderia terminar bem abaixo da média, mas é salva devido à grandiosa performance da Lisa.

Sonoramente, a canção tem uma boa condução, mas é criativamente rasa. Um pop rap com introdução de elementos de jersey club e trap, a canção tem uma construção linear e que várias vezes esbarra no puro clichê. Sem ter momentos de nuances ou novas texturas, SaWaDiKa é uma canção que fica presa a uma mesma ideia sem nunca realmente explorar as suas possibilidades. Não é exatamente ruim, mas, sim, limitada sonoramente. Todavia, o que eleva a canção de maneira considerável é a presença fenomenal da Lisa, transitando entre a sua persona cantora e a persona rapper de uma forma impactante, que mostra um total domínio, força e um talento refinado da artista.

E salvar uma canção é um talento realmente para poucos. Queria, porém, que a Lisa tivesse um material à sua imensa capacidade.
nota: 7