31 de maio de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Uma música apenas pode mudar toda a trajetória da carreira de uma artista. Pode ser a música de estreia do artista. Pode ser aquela em que o mesmo é apenas um convidado. Pode ser uma canção em que o mesmo é apenas creditado como compositor e/ou produtor. Existem, porém, algumas canções que surgem de uma maneira tão decisiva na carreira de um artista que literalmente toda a sua história é dependente desse trabalho. E é hoje isso que veremos ao descobrir melhor...


Filler by Ariana

hate that i made you love me
Ariana Grande

É fato que a Ariana Grande nunca entregou uma canção ruim de verdade, mas, nos últimos tempos, a qualidade de seus trabalhos ficou estagnada no apenas bom. E, novamente, é essa a sensação com hate that i made you love me.

Primeiro single de Petal, a canção é uma segura, sólida, bem produzida, elegante e comercial mistura de synth-pop com alt-pop e R&B, que basicamente vem sendo a base da sonoridade da artista. Bem construída pela produção da própria cantora ao lado dos fiéis parceiros Ilya e Max Martin, a canção não parece realmente empolgar com a sua batida contida demais e passa a sensação de que funcionaria melhor como apenas o recheio do álbum do que como um single, ainda mais o primeiro single.

Além disso, hate that i made you love me soa ainda mais contida e menor devido à performance contidíssima de Ariana, que entoa a canção de maneira calma, reflexiva e quase melancólica. E isso, sinceramente, não é problema nenhum, mas deixa uma lacuna quando a gente sabe bem que Ariana é capaz de muito, mas muito mais. O ponto alto da canção é a sua interessante composição, que poderia facilmente ter sido envolvida por uma produção mais excitante.

Apesar de ser uma boa canção, o single mostra que Ariana parece presa em sua própria cartilha, sem saber como encontrar um novo caminho sonoro.
nota: 7,5

A Evolução de Lola

From Down Here
Lola Young


É preciso entender que, ao contrário do que tentaram vender, a Lola Young não é uma artista simplesmente “pop” com toques artísticos. A jovem é entalhada na mesma madeira de nomes como Amy Winehouse e Adele, sendo uma artista genuína com possibilidade de se introduzir no mainstream. E é assim que vejo o seu mais novo e excepcional single: From Down Here.

Ampliando sua visão sonora, a canção é uma produção de James Blake ao lado de Dom Maker e Jameela Jamil, que dá à canção um verniz que mistura pop soul com indietrônica e alt-pop em uma embalagem surpreendente devido à química perfeita da persona de Lola com toda a vibe da canção. E é uma sinergia que realmente dá à canção uma vibe até simples, mas eficiente, que termina sendo uma continuação do que a artista vem fazendo, como também uma evolução surpreendente e muito bem-vinda. Toda a melancolia e o sentimento da batida servem para refletir o grande destaque da canção: a sua extraordinária composição.

Depois de ter tirado um tempo para cuidar da sua saúde mental, a composição de From Down Here é ainda mais visceral e emocional quando a gente percebe a força da crônica que Lola faz ao falar sobre como se sente deslocada do resto do mundo, especialmente no momento em que está amadurecendo e tentando deixar para trás as coisas ruins às quais vinha se apegando. É uma letra sincera, cortante, sensível e de uma verdade crua que deixa a gente realmente sensibilizado, especialmente se a gente já se sentiu ou se sente dessa maneira. Gosto especialmente dos versos que fecham a primeira estrofe, quando Lola canta: “Try a conversation, don't know where to start/But it's my favourite place, so why do I hate it here?”.

E, com uma performance de uma emoção sentimental, mas totalmente contida e contemplativa, Lola entrega uma canção que deveria ser outro imenso sucesso comercial, se conseguir achar as rachaduras do mainstream.
nota: 8,5


New Faces Apresenta: GIRLSET

Tweak
GIRLSET


Uma nova tendência é os reality shows musicais para formar girl/boy bands com inspiração direta no K-pop, como, por exemplo, o Katseye. Apesar de menos conhecida atualmente, a girl band GIRLSET (conhecida antes como Vcha) foi formada na mesma época pelo reality A2K. E, sendo sincero, apenas com a canção Tweak, o quarteto se mostra mais interessante que as suas contemporâneas.


A grande qualidade da canção é a sua influência, que é claramente vinda do R&B dos anos noventa, tanto que usa sample da canção Weak, do SWV, um dos expoentes do gênero na década. Com uma produção que mistura muito bem toques de trap, bubblegum pop e jersey club, o resultado da canção é delicioso, bem pensado, divertido e sensual na medida certa. É uma canção que, apesar de seguir certo padrão, dá ao GIRLSET toda uma personalidade realmente interessante e que meio que as coloca fora dos padrões para outros nomes com a mesma pegada.

O problema da canção é a sua segunda metade, que não chega a ser abaixo da média, mas está abaixo da primeira metade, que é realmente inspirada. As quatro integrantes apresentam personalidades distintas que são muito bem aproveitadas na canção, mostrando também ótima química. E, juntando-se a isso, está a certeira e carismática composição, que funciona sem problemas no meio do caminho entre o clichê, o nostálgico e o inteligente. Espero que o GIRLSET possa continuar nesse caminho e encontrar o caminho para o reconhecimento mainstream, pois, sinceramente, seria merecido.
nota: 7,5

Falta Ânimo

SS26
Charli xcx


O grande problema das canções novas da Charli XCX é a falta de ânimo que elas transmitem. E isso fica mais evidente em SS26.

Bem melhor que Rock Music, a canção é mais um esboço de uma música realmente do que a concretização das ideias por trás dela. O motivo principal é que a produção parece totalmente presa a uma ideia do que seria a adição do rock à sonoridade da cantora, mas deixa a desejar ao não adicionar um fator de excitação verdadeira à produção. Dessa maneira, SS26 termina sendo uma boa, mas opaca, mistura de alt-pop com indie rock, electropop e alt-pop, que desperdiça seu potencial com um instrumental contido demais, que termina sendo quase sonolento.

E o pior é perder a oportunidade de dar à canção algo que pudesse estar na mesma altura da ótima performance da Charli, que decide tirar todos os efeitos vocais, deixando sua voz o mais natural possível em um trabalho diferente, que salva um pouco a canção. Uma pena, porém, que tudo à sua volta soe tão desanimado.
nota: 7

24 de maio de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

I AM...SASHA FIERCE
Beyoncé


Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Superbloom
Jessie Ware