5 de abril de 2026

Primeira Impressão

Sexistential
Robyn



Primeira Impressão

My Ego Told Me To
Leigh-Anne


Primeira Impressão

luck… or something
Hilary Duff


Cadê a Justiça?

Leak It
FLO


Se houvesse justiça de verdade, o FLO seria o maior girl group da atualidade e isso não está nem para discussão. Em Leak It, o trio comprova por A + B ao entregar uma canção realmente louvável.

Enquanto outras artistas tentam fazer algo que seja divertido, dançante e icônico, o FLO entrega, em uma bandeja, exatamente o tipo de música que deveria virar um grande viral. Uma mistura azeitada e carismática de dance-pop, R&B, crank e electropop que deixa claro que é preciso mais do que uma estética chamativa para fazer esse tipo de canção funcionar, pois Leak It tem uma produção madura, criativa, divertida e que entende bem todos os elementos dessa mistura para que ela funcione perfeitamente. Todavia, o grande trunfo da canção está na sua ótima composição.

Conseguindo ser engraçada, enérgica, empoderada, sexy e bem-humorada, a composição consegue funcionar em vários níveis ao falar sobre se sentir tão “gostosa” que vai postar suas fotos, sem parecer forçada, cringe ou clichê. E isso é algo realmente louvável, especialmente quando entrega uma estética refinadíssima com um refrão realmente viciante e contagiante. E, por fim, a presença vocal das três integrantes, que ganham o mesmo destaque aqui, é algo que arremata a canção com chave de ouro.

E o sucesso deveria ser o destino do FLO se realmente fosse um mundo justo.
nota: 8


Vai Que é Tua, BeBe!

Hysteria
Bebe Rexha


Acredito que a Bebe Rexha tenha em mãos o que pode ser um verdadeiro comeback como nos bons tempos. E, novamente, a cantora parece provar isso com o lançamento de Hysteria.

Segundo single oficial de Dirty Blonde, a canção é uma excitante e histérica mistura de pop rock com electro house que funciona perfeitamente ao ficar bem na beiradinha da farofa, encontrando o criativo e, também, o clichê. É um lugar difícil de construir uma canção como essa, mas a produção acerta bem ao fazer da experiência algo rápido e rasteiro, não deixando espaço para furos ou tropeços, já que poderia facilmente descambar para uma bomba atômica sonora.

O grande problema de Hysteria, porém, é a sua composição, adequada, mas completamente piegas e sem muita criatividade. Dentro do contexto da canção, a letra funciona devido à sua pegada direta e sem maiores enfeites. Todavia, o trabalho poderia ter um refinamento estético maior, com uma composição menos previsível e um pouco mais profunda. Dito isso, a canção se beneficia da presença marcante da performance da Bebe, que, mesmo não saindo muito de um lugar de conforto, consegue dar a personalidade ideal para a canção.

E assim a Bebe vai saindo do asilo da Khia de maneira com potencial de verdade.
nota: 8

Country Lojas de Departamento

Choosin' Texas
Ella Langley


Sabe aquele tipo de canção que tem cara de tocar ao fundo em lojas de departamento? Então, pela primeira vez, ouço uma canção country que se encaixa perfeitamente nesse nicho, como é o caso de Choosin' Texas, da Ella Langley.

Conquistando o primeiro lugar na Billboard, a canção é uma simpática, inofensiva e meio que esquecível mistura de country/soft rock, que tem uma produção boa, mas nada que possa ser remotamente ligado a algo excitante. Quase automática no quesito criatividade, a produção se salva de verdade devido ao bom instrumental e à força da sua composição. Muito bem escrita, emocional e refinada, a letra de Choosin' Texas tem aquele tipo de carisma lírico que faz a canção funcionar ao narrar, com inteligência, que a narradora percebe que foi trocada por outra, usando uma metáfora sobre trocar de estados nos Estados Unidos. A canção finaliza com a doce e competente performance de Ella, que cumpre seu papel como uma boa vocalista country, sem, porém, adicionar nada de novo à mistura.

É exatamente como uma música de departamento: agradável, mas que a gente já esquece assim que sai da loja.
nota: 7

29 de março de 2026

A Mais Fraca

Automatic
Jessie Ware


Se todas as canções mais “fracas” de um artista fossem como Automatic, da Jessie Ware, o mundo com certeza seria um lugar bem melhor.

Terceiro single de Superbloom, a canção é a menos inspirada até agora e, mesmo assim, é um trabalho realmente interessante e gracioso. Acredito que o fato de ter menos de três minutos seja um dos fatores que fazem a canção parecer menor do que o esperado, pois parece que fica faltando tempo para trabalhar melhor a deliciosa produção pop soul com boogie e toques de funk, que dá outra faceta à nova era da cantora. Ter esticado mais o aprofundamento dessa sonoridade daria ainda mais força à canção, já que poderíamos ouvir mais do excepcional instrumental.

Todavia, Automatic é um trabalho que emana a essência da cantora devido a essa produção, que capta perfeitamente toda uma aura vintage sem soar datada, pretensiosa ou baseada em uma nostalgia barata. É fino, elegante e sincero, com um toque delicioso que mistura sensualidade com romance — algo que apenas alguém como Jessie é capaz de entregar. Outro ponto alto é a rápida, mas deliciosa, participação do ator Colman Domingo, com um voiceover que abre a canção e adiciona ainda mais personalidade. E isso tudo porque Automatic nem está no mesmo nível que as canções anteriores. Imagine se estivesse.
nota: 8

Uma Para os Gay Emocionados

The Best
Conan Gray


É ainda um pouco desconcertante para uma pessoa como eu, que tenho alguns anos a mais nas costas que as novas gerações de pessoas queers, que possam, apesar de todos os desafios que ainda enfrentamos, ter artistas queers que fazem da sua arte escapes para os seus sentimentos e que encontrem pessoas que os entendem perfeitamente. Em The Best, o Conan Gray entrega um desses momentos que não teríamos a chance de ouvir alguns anos atrás com tanta facilidade no mainstream.

Single da versão deluxe de Wishbone, a canção é uma power balada pop rock/indie pop que casa perfeitamente com a atmosfera do álbum, mostrando a capacidade de Conan de uma maneira tão clara como o dia. E isso não é novidade, pois o artista vem amadurecendo a olhos vistos e entrega aqui uma das suas canções mais refinadas até o momento. Um dos motivos para isso é a sua ótima composição, que se deixa ser sentimental, emocional e dolorida ao contar sobre o final de um relacionamento que não deu exatamente certo do ponto de vista de uma pessoa queer.

A letra, porém, poderia ser facilmente cantada por um artista de outra sexualidade e/ou gênero, que teria a mesma carga de sentimentos, mas ganha novo significado aqui por poder finalmente ter um ponto de vista que não seria possível anos atrás. E isso é tão importante quanto a mesma falar claramente sobre um romance queer, pois dá vazão a sentimentos que, no final das contas, são iguais para todos. Outro grande momento é a performance de Conan, que carrega a canção de maneira segura e com uma interpretação tocante. E isso é algo que faz de The Best uma canção até mais importante do que a gente espera.
nota: 8