Cry Baby
Vince Staples
SóSingles
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4 de setembro de 2026
Grande Lisa
SaWaDiKa
LISA
LISA
SaWaDiKa é uma canção que facilmente poderia terminar bem abaixo da média, mas é salva devido à grandiosa performance da Lisa.
Sonoramente, a canção tem uma boa condução, mas é criativamente rasa. Um pop rap com introdução de elementos de jersey club e trap, a canção tem uma construção linear e que várias vezes esbarra no puro clichê. Sem ter momentos de nuances ou novas texturas, SaWaDiKa é uma canção que fica presa a uma mesma ideia sem nunca realmente explorar as suas possibilidades. Não é exatamente ruim, mas, sim, limitada sonoramente. Todavia, o que eleva a canção de maneira considerável é a presença fenomenal da Lisa, transitando entre a sua persona cantora e a persona rapper de uma forma impactante, que mostra um total domínio, força e um talento refinado da artista.
E salvar uma canção é um talento realmente para poucos. Queria, porém, que a Lisa tivesse um material à sua imensa capacidade.
nota: 7
Uma Nova Mulher
Bass Persuades
Miley
Miley
Depois de entregar o melhor trabalho da carreira em Something Beautiful, a Miley (agora sem o Cyrus) está de volta para, possivelmente, reconquistar o território comercial perdido. E, como single do novo álbum, foi lançada a canção que dá nome ao trabalho: Bass Persuades.
Apesar de parecer meio que ter as mesmas bases sonoras do álbum anterior, o single é claramente uma versão mais radiofônica e vendável, ao ser um divertido e dançante electropop/electro house com um acabamento elegante e classudo. A produção deixa claro que essa é uma Miley pop, mas é um pop maduro e muito bem pensado. Talvez a produção não acerte ao não dar para a parte final algo mais grandioso, deixando o clímax final meio linear, sendo que poderia ser algo realmente épico. Isso não é um grande problema, pois a canção funciona de maneira bem azeitada e com o fator “chiclete” que vai grudando aos poucos.
Além da produção, o outro destaque é a composição interessante, que parece discutir o fato de a geração atual estar perdida devido ao consumo intenso das novas tecnologias, sem ter espaço para viver de verdade. Também parece apontar para certo crescimento do conservadorismo nessa geração. É uma boa letra que tem um refrão bem convincente que poderia, porém, ser um pouco mais lapidado em alguns momentos, especialmente no segundo verso. E, por fim, Bass Persuades também é a continuidade da demonstração de como a Miley evolui como cantora, ao entregar uma performance versátil e segurar perfeitamente a canção.
Espero que essa nova era da Miley possa reunir o que a mesma mostrou de melhor artisticamente com todo o seu potencial comercial. E isso seria realmente incrível.
nota: 8
3 de setembro de 2026
A Voz Que Faz A a Diferença
Bottle
Remi Wolf
Remi Wolf
É preciso de muito talento vocal para dar vida a uma canção que poderia facilmente se tornar apenas boa, mas se torna ótima devido a uma poderosa performance. Esse é o caso de Bottle, da Remi Wolf.
Single do seu segundo álbum (Mud), a cantora preenche todos os espaços da canção de maneira primorosa, sem precisar recorrer a estereótipos vocais como, por exemplo, grandes agudos. Com um timbre elegante e melancólico, a cantora mistura contemplação e força na medida certa para carregar essa forte crônica sobre depressão e estar emocionalmente “drenada”. Todavia, a cantora decide seguir um caminho mais sóbrio e menos sentimental, dando a Bottle uma personalidade distinta e muito bem moldada pela sua presença. Sonoramente, a canção é um competente pop rock/soft rock que é elevada devido à presença da sua intérprete, que dá à canção toda uma distinta atmosfera.
E essa é outra prova de que talento sempre é o ingrediente principal de uma boa música.
nota: 8
2 de setembro de 2026
Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single
Hips Don't Lie (featuring Wyclef Jean)
Shakira
Shakira
Em 2006, Shakira lançou como single a canção Hips Don't Lie, do relançamento de Oral Fixation, Vol. 2. A cantora já era um fenômeno mundial. Na América Latina, a mesma já tinha se consolidado como um nome de peso fazia algum tempo, e o mercado estadunidense e mundial já havia sido introduzido à artista devido ao sucesso de Laundry Service, em 2001. Todavia, o gigantesco sucesso da canção elevou a carreira da colombiana para um outro nível de sucesso estelar, fazendo a cantora se tornar figura carimbada entre as maiores de todos os tempos.
Originalmente, a canção era para marcar a reunião do The Fugees na época, que acabou não saindo do papel. Então, a canção foi “dada” para Shakira, pois a mesma estava cotada para ser parte do remix. E, sinceramente, não acho que, nas mãos de outra pessoa, a canção teria tanto sucesso, pois a canção é embebedada na personalidade da artista, assim como toda a sua estrutura criativa. Claro, a produção e a participação de Wyclef Jean, haitiano de nascimento, também contribuem bastante, mas é claro que existe um tempero extra que apenas a Shakira no ápice da sua criatividade poderia oferecer.
E, com a união de talentos, é criada uma excitante, única, vibrante, original, viciante e atemporal latin pop/dance-pop, que incorpora preciosamente elementos de cumbia e, principalmente, reggaeton, sendo uma das primeiras canções de sucesso mundial que explorou o gênero latino antes da sua popularização. Todavia, Hips Don't Lie não se limita a apenas um caminho, pois a produção cria um instrumental que consegue agregar todas as influências e usá-las da maneira mais inteligente possível, com camadas que dão uma força descomunal, já que a canção é uma das mais reconhecíveis dos anos 2000. Existem, porém, alguns detalhes negativos na canção que é preciso abordar.
Até entendo que seja devido à presença maior do Wyclef Jean, mas a canção parece mais ser um featuring do Wyclef Jean com Shakira do que o contrário, devido à presença do rapper, que é bem grande durante toda a duração. Apesar disso, é preciso apontar que o rapper entrega uma ótima performance, que encontra química com a presença marcante da cantora, que consegue colocar toda a sua personalidade de maneira plena. Tenho que apontar que tenho certo problema com a mixagem da voz da cantora em alguns momentos, mas sua força é tão grande que dá uma apagada nesses “tropeços”. Outra grande qualidade da canção é a sua composição cheia de clichês, mas extremamente eficiente, que gruda na nossa mente e sabe genialmente misturar inglês e espanhol.
Hips Don't Lie é o tipo de canção que poderia muito bem ter sido lançada devido à sua origem, mas é a peça fundamental na carreira de uma das maiores artistas latinas da história.
nota: 8,5
1 de setembro de 2026
Uma Canção Para O Coração Apaixonado
stupid song
Olivia Rodrigo
Olivia Rodrigo
Uma das melhores canções de you seem pretty sad for a girl so in love e, também, da carreira da Olivia Rodrigo, stupid song é um trabalho tão interessante que até mesmo ultrapassa qualquer possibilidade de comparação com a canção que, claramente, é a sua influência.
A estrutura e a construção da canção são claramente referências ao que é feito em happier than ever, da Billie Eilish. E isso não se torna um problema, pois, como disse na minha resenha do álbum, a canção “funciona tão bem em construir sua própria personalidade que é preciso uma certa ginástica mental (como fiz) para comparar as duas”. A produção de Dan Nigro assegura, de maneira bem pensada, que a base pop rock/indie pop possa ter personalidade suficiente para ganhar vida própria em um trabalho instrumental realmente robusto e bonito. Todavia, o que dá vida e é parte fundamental da personalidade é a performance sensacional da Olivia e a composição primorosa, que fazem de stupid song uma das canções românticas mais originais e criativas em muito tempo, conseguindo transmitir perfeitamente a sensação de estar perdidamente apaixonado de maneira inteligente e potente.
E assim a Olivia Rodrigo vai cravando seu nome entre os melhores expoentes do pop contemporâneo.
nota: 8,5
House Família
Motivation
Carly Rae Jepsen
Carly Rae Jepsen
Quarto single lançado de Day and Night, Motivation é a canção mais “fraca” dessa era da Carly Rae Jepsen até o momento. Felizmente, a canção ainda é um trabalho inspirado e curioso.
Uma eurodance com toques de diva/deep house, a canção poderia facilmente ter uma composição de temática clichê e uma batida igualmente previsível, mas Carly entrega uma crônica bonita e afetuosa sobre o poder da família na vida das pessoas. Nas palavras da própria cantora, a composição é sobre qualquer tipo de família que a gente forma ao longo da vida. Esse toque sentimental, partindo de um tema tão específico, contrasta de maneira interessante com a construção da canção à sua volta, causando um ruído que deixa a canção se destacar de maneira única. E isso é algo realmente inspirador.
Todavia, Motivation poderia mergulhar mais na sua inspiração sonora, pois a produção parece meio receosa de se deixar levar e entregar algo mais dinâmico e explosivo. Criativa e inteligente, a canção falta, porém, aquele momento explosivo para arrematar tudo de maneira bem amarrada. Até entendo que, dependendo da maneira que fizesse, isso poderia diminuir o impacto emocional da canção, mas a produção teria total capacidade de encontrar uma saída para isso sem comprometer as outras qualidades da canção.
De qualquer forma, a canção é outro inspirado tijolo nessa era tão inusitada da Carly Rae Jepsen.
nota: 8
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