CONFESSIONS II
Madonna
SóSingles
Blog destinado a analisar músicas! Seja Muito Bem Vindo!
12 de julho de 2026
9 de julho de 2026
Toques
My Body Isn’t Ready
sombr
sombr
Sabe aquele amigo que precisa levar uns toques de tempos em tempos? Então, o sombr é esse tipo de pessoa, ainda mais lançando músicas como My Body Isn’t Ready.
Se eu fosse amigo dele, falaria que, sombr, a canção é até boazinha, especialmente devido a um sólido instrumental, mas, querido, a produção entrega uma balada pop rock/britpop quase tão genérica quanto remédio de farmácia popular. Não é nem de longe ruim, mas a melodia parece “fria” e “esquecível” para uma canção que poderia ser bem melhor. E parece que My Body Isn’t Ready veio direto de uma demo do Coldplay, quando a banda ainda fazia música boa, e nem mesmo assim a produção foi capaz de entregar algo melhor. Também iria dar o toque de que ele tem potencial vocal, mas algumas decisões da produção vocal parecem enterrá-lo em efeitos, deixando a sua performance “overproduced” e meio sem sentimento. Por fim, iria elogiar a boa composição, que mostra certo amadurecimento, mesmo que não tenha muito efeito no restante da canção, de fato.
Isso era o que falaria para o sombr se eu fosse amigo dele. Como não sou, fica apenas a resenha mesmo.
nota: 6,5
Então, É Isso?
Wink Wink
Charli XCX
Charli XCX
Quando mais a Charli XCX mostra do novo álbum, mais forte fica a sensação de “é só isso mesmo?”. E essa é a perfeita definição de Wink Wink.
Consigo entender perfeitamente a ideia criativa que a produção tenta seguir, mas o resultado é completamente insonso e sem graça quando deveria ser potente e cheio de personalidade. E a sensação aumenta aqui devido à maneira como boa parte do instrumental é construída, tentando soar como algo descolado ao referenciar toda a vibe post-punk misturada com indie rock, mas que acaba soando como uma cópia sem inspiração e desmilinguida. Sinceramente, a produção de A. G. Cook e Keane é realmente decepcionante, pois até entrega, tecnicamente, uma canção sólida que não tem um pingo de força criativa. Wink Wink, porém, tem um bom momento no refrão, que é até legal, e a performance da Charli poderia ser mais interessante se estivesse em uma canção que desse algum estofo para não soar como uma tentativa vazia de ser uma roqueira de atitude. E é isso o que tem para hoje para o sucesso do Brat. Quem diria, né?
nota: 6
8 de julho de 2026
Pesadão
On Your Mind
FKA twigs & Lil Yachty
FKA twigs & Lil Yachty
Primeiro single do terceiro álbum do projeto Eusexua, agora com o subtítulo BODY HIGH, On Your Mind é mais um momento inspirado da FKA twigs.
Apesar de não atingir um grande pico, o single é um trabalho tão único na sua construção que fica bem complicado não se deixar levar pela batida pesadona, elétrica e excêntrica. A produção entrega uma mistura áspera, mas que funciona bem, de jersey club com bubblegum bass, pop rap e dance-pop, que consegue combinar perfeitamente com toda a personalidade apresentada nas canções dos dois primeiros álbuns, entregando, também, uma visão nova da artista sobre o seu próprio material.
E é algo realmente inspirador de se perceber, pois mostra que essa trilogia é um trabalho realmente pensado de forma contínua e em evolução. Gosto especialmente da segunda metade da canção, já que é quando todas as peças se encaixam da melhor maneira, entregando um ótimo clímax final. A principal peça é a presença do Lil Yachty, que logo no seu primeiro verso, bem na abertura da canção, parece meio descolado, mas isso muda no segundo verso, que é introduzido de uma forma em que sua presença ajuda a elevar a canção ao se alinhar com a presença etérea e cativante da FKA twigs. Devido a isso, On Your Mind encontra todo o seu potencial, finalizando como um aperitivo realmente saboroso para o que está por vir.
nota: 8
Pronta Para o Remix
Speakerphone
Rebecca Black
Rebecca Black
Dona de uma das guinadas de carreira mais impressionantes da década, a Rebecca Black continua a demonstrar o seu talento com o lançamento da divertida Speakerphone. E olha que a canção é menos interessante do que a cantora já entregou.
O problema da canção é que ela não é tão “carnuda” sonoramente como poderia ser, deixando a impressão de que as suas lacunas poderiam facilmente ser preenchidas por um remix realmente inspirado que completasse o que parece faltar. E, sinceramente, eu consigo ver a presença da Kesha facilmente na segunda metade da canção. Entretanto, Speakerphone ainda é um trabalho bastante competente devido a uma produção madura, certeira e inteligente, que entrega uma rápida e rasteira mistura azeitada de electropop, club, hyperpop e dance-pop, com uma batida explosiva do começo ao fim. O toque especial é o uso da ótima Sugar Water Cyanide, da própria cantora, como sample, pois dá ainda mais noção de quão interessante é a atual fase da artista.
E isso é algo que a gente nunca poderia imaginar para o futuro da Rebecca lá nos tempos de Friday. Sinceramente, eu realmente fico feliz com a forma como as coisas deram certo para a cantora.
nota: 7,5
7 de julho de 2026
Um Regalo
MORNING DEW (DONK)
Beyoncé
Beyoncé
Como um presente para os seus fãs devido à celebração dos seus 45 anos e, também, aos vinte anos do B'Day, a Beyoncé lançou a gostosinha MORNING DEW (DONK).
Gravada, na verdade, em 2013 e vazada em 2021, a canção ganha uma versão retrabalhada e oficial que mostra que até o que não é lançado pela cantora merece ver a luz do dia. Um contido, sensual, delicioso e gracioso R&B contemporâneo com toque de soul e pop, a canção tem uma batida realmente envolvente que vai grudando em quem ouve, de forma que a gente realmente fica viciado. Não é, porém, um trabalho que logo desperta a nossa atenção, especialmente para quem não gosta ou não entende o estilo da canção, que mergulha totalmente na sua ideia original. Tendo uma ideia sobre qual é a intenção sonora da canção, o prazer de escutar é realmente garantido.
E prazer é basicamente o tema central da canção, pois é claramente sobre sexo, especialmente o feito de manhã. O grande trunfo da letra é fazer com que o seu tema seja explorado sem meias palavras, mas sem nunca deixar o teor ficar vulgar ou brega, ao ter um pesado verniz de elegância que deixa tudo maduro e sexy. Tenho que admitir que não gosto tanto do refrão, e demorou um pouco para o uso repetido de “donk” fazer realmente sentido para mim. Felizmente, a performance sedosa da Beyoncé apara certas arestas, fazendo a canção terminar realmente à altura da sua presença.
MORNING DEW (DONK) encontra seu lugar até mesmo dentro da discografia da cantora, ao se fixar entre as mais refinadas canções “b-sides/demos” da sua carreira.
nota: 8
2 de julho de 2026
A Volta de Uma Outra Querida
Lost Boys
Phoebe Bridgers
Phoebe Bridgers
Depois de um hiato de seis anos em sua carreira solo, a Phoebe Bridgers está de volta para lançar o seu terceiro álbum, intitulado Lost Weekend. Como primeira canção, foi lançada a confortável Lost Boys.
O single é o tipo de canção que a gente logo liga à artista, pois tem o seu DNA impregnado do começo ao fim. E o que poderia ser um problema, se essa qualidade refletisse a não evolução da artista, não tem o mesmo efeito devido à qualidade alta da canção. A sua melhor qualidade é a competente, cativante e cativante melodia que mistura bem indie pop/rock com folk rock em uma canção que consegue ser autoral e, ao mesmo tempo, ser de fácil apelo para os mais variados públicos. Gosto, principalmente, do seu clímax final, pois é onde a canção realmente alcança todo o seu potencial instrumental e fecha bem com um raro fade-in.
Liricamente, Bridgers e seus colaboradores acertam o tom nessa crônica sobre amadurecer e se sentir deslocado do resto do mundo, mesmo tendo, de partida, uma metáfora meio batida ao comparar a canção com a história de Peter Pan. A canção também apresenta outra inspirada performance da cantora, entregando perfeitamente o que se espera. E é exatamente isso que Lost Boys transmite ao ser mais um trabalho competente da Phoebe Bridgers.
nota: 8
Uma Surpresa
The Time of My Life
Benson Boone
Benson Boone
Tem horas que a gente precisa deixar de lado qualquer orgulho e ser o mais verdadeiro possível. E um desses momentos é agora, pois preciso dizer com todas as letras: Benson Boone fez uma música realmente boa. A responsável por isso é a ótima The Time of My Life.
O grande trunfo da canção é saber usar o melhor atributo do cantor de maneira realmente inspirada: a sua voz. E, por isso, o cantor entrega a sua melhor performance ao ser devastadoramente triste e tocante, usando o seu timbre de maneira primorosa, ao começar de maneira contida e sentimental para ir crescendo até o final grandioso, que tira o melhor de todo o alcance da sua voz. Sinceramente, é um trabalho vocal realmente notável, mas isso poderia ser jogado fora se The Time of My Life não tivesse uma produção realmente boa.
Felizmente, esse é o caso. Sem mudar muito os rumos de Benson, a canção é uma power balada pop rock épica, mas que ganha contornos mais maduros e profundos devido à introdução bem pensada de soft rock e indie pop, que dão estofo. Todavia, o grande ponto forte da canção é o instrumental classudo e lindamente conduzido, que dá a base perfeita para a performance do cantor, criando uma união realmente bem acima da média em comparação às canções do mesmo. O ponto menos inspirado é a ainda clichê composição que, ao menos, cumpre muito bem seu papel, especialmente quando a voz do cantor concentra toda a força emocional.
E quem sabe esse não seja o começo de uma nova história para Benson Boone?
nota: 8
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