21 de setembro de 2026

Erotica

Lucky[Hymn]
Shygirl

Com o segundo single de SWALLOW!, a instigante Lucky[Hymn], a gente consegue entender qual é a vibe da nova era da Shygirl: Erotica.

Não sei de verdade se o álbum é realmente inspirado no álbum da Madonna, mas, sinceramente, ao unir a nova canção com o que a mesma entregou em Alyse, foi na hora que a minha mente foi levada a fazer essa conexão. E aqui a sensação é ainda maior devido à construção sonora, que mistura art pop/deconstructed club com toques de indie folk/rock, criando uma batida envolvente, sensual e madura, que parece claramente ter características básicas de canções como Rain e Deeper and Deeper. Não é, porém, uma referência copiada ou na cara, mas é quase como se a essência criativa fosse a linha que liga com o trabalho da rainha do pop.

A comparação também vai além da sonoridade, pois Lucky[Hymn] também tem semelhanças líricas ao ter uma composição robusta que reflete sobre sentimentos profundos, mas de uma forma acessível e bem talhada estruturalmente falando. Gostaria, porém, que a letra fosse “maior” para poder explorar ainda mais essa crônica sobre se entregar sem medo à paixão de maneira definitiva. Fechando o “pacote”, Shygirl entrega uma ótima performance que mostra uma versatilidade bem grande, especialmente se comparada à canção anterior.

E assim, aos quase quarenta e cinco minutos do segundo tempo de 2026, a Shygirl vai criando um hype para o que pode ser um dos álbuns do ano.
nota: 8,5

Pop Sentimental

Make Believe
Rachel Chinouriri


Apesar de uma mudança considerável, a nova fase sonora da Rachel Chinouriri está bem auspiciosa. Agora é a vez da interessante Make Believe.

Segundo single de I think I spoke too soon, a canção é uma sedosa, intrigante, madura e graciosa alt-pop/synthpop com toques de dark pop em uma instrumental eficientemente simples. A produção não quer revolucionar, mas, sim, criar um pop que possa incrementar a sonoridade da cantora de maneira natural, que seja claramente uma evolução do que a mesma vinha fazendo, ao mesmo tempo que seja uma mudança realmente distinta.

E, sinceramente, isso dá certo para Make Believe porque a personalidade da artista é mantida ao se alinhar com a sóbria e melancólica composição sobre tentar fazer sua paixão realmente se interessar, mesmo que seja meio que pela insistência de um coração desesperado. Além disso, a performance de Rachel cria certa fricção bem-vinda que dá personalidade para a canção devido à forma sentimental, cool e grave que a mesma entoa a canção, aproveitando o máximo do seu grave e melódico timbre.

É uma mudança que pode ainda desabar no contexto do álbum, mas, por enquanto, está sendo muito feliz para a Rachel Chinouriri.
nota: 8

18 de setembro de 2026

Rosadinho

new trick
ROSÉ


De todos os lançamentos solo recentes das integrantes do Blackpink, “new trick”, da ROSÉ, é disparado o melhor. E ainda poderia ter um resultado ainda melhor.

A canção é um cativante e efervescente pop rock/power pop que a gente não ouve atualmente sendo feito. Quase algo que poderia ter sido feito por alguma estrela juvenil do Disney Channel lá pelos anos 2010, mas com uma camada pop punk que dá certa ousadia para a canção e que emoldura também o período de glória da Avril Lavigne. Todavia, a canção é refrescante devido à sua construção atemporal, leve e chiclete. Além disso, ROSÉ entrega uma performance graciosa que acerta a dinâmica da canção ao mostrar uma ótima versatilidade. O problema de “new trick” é a sua boa, mas esquecível, composição, que realmente só tem um momento inspirado no seu direto refrão, que se torna a mola propulsora perfeita para a canção.

Agora só falta a Jennie para fechar esse ciclo e a gente saber quem vence essa “batalha”. Por enquanto, a ROSÉ é a vencedora clara.
nota: 7,5

Ou Vai ou Racha

Party
Troye Sivan


Com o lançamento de Party, segundo single de She's the Best, Troye Sivan deixa bem claro o rumo da sua nova era. É divisivo? Com certeza, mas, sinceramente, eu estou do lado positivo dessa recepção.

Com uma produção completamente pendendo para o house, especialmente puxando para o acid house, a canção é eletrizante, dançante, grudenta e muito bem construída, com um toque experimental que conversa com a sonoridade do cantor, mas dá alguns passos para sair do pop mais delimitado que ele vem apresentando. Existe uma clara inspiração dos anos noventa e começo dos anos dois mil na elaboração da batida, sem deixar a canção datada. Todavia, a grande qualidade e o que dá o toque perfeito de gênio à batida é o excepcional uso do sample de “Music”, da Madonna, que é a cola perfeita para unir toda a canção. O problema de “Party” é a sua composição.

Tirando a letra vinda da canção da rainha do pop, o single é composto apenas por um verso que vai ser repetido como se fosse um grande refrão. Na verdade, isso não seria um grande problema se o verso fosse realmente bom, pois o que temos aqui é até divertido e “campy”, só que também é raso e menos interessante do que deveria ser. E isso custa à canção alguns pontos importantes, pois sua embalagem é consideravelmente superior ao seu conteúdo. Quanto ao Troye, eu gosto da performance dele mais “spoken word” devido à sua entrega exemplar e carismática, mesmo que eu tenha a certeza de que não deva agradar a todos e que seu melhor momento é quando entoa os versos de “Music”.

Espero que esse seja o tipo de trabalho que a divulgação possa ajudar a dar um hype maior para o álbum, mas, mesmo assim, são corajosas as decisões do Troye Sivan.
nota: 8