11 de setembro de 2026

Primeira Impressão

Dancing On The Wall
MUNA



Uma Segunda Chance Para: I Gotta Feeling

I Gotta Feeling
The Black Eyed Peas

Possivelmente, o gigantesco sucesso de I Gotta Feeling foi um dos últimos arrasa-quarteirões antes da ascensão definitiva do Spotify, lançado em 2008, um ano antes do lançamento da canção do The Black Eyed Peas. Devido a isso, a faixa entrou em um “bolsão” dentro da cultura pop reservado para poucas músicas. Todavia, depois de dezessete anos do lançamento, qual é o sentimento sobre sua qualidade? Valeu o hype ou é uma bomba datada?

Na minha visão, o resultado é meio 50/50, especialmente quando a gente olha em retrospectiva. Quando o grupo decidiu deixar meio de lado o hip hop para se aventurar no eletrônico/EDM/electropop, foi uma decisão arriscada, mas que valeu a pena devido ao sucesso do álbum The E.N.D.. Criativamente, o álbum recebeu uma enxurrada de críticas que variaram do mediano ao negativo, especialmente no quesito sonoridade. E acredito que esse seja o grande motivo para I Gotta Feeling ainda ser uma música divisiva, mesmo tendo qualidades bem interessantes.

A razão principal é que a produção de David Guetta e Frédéric Riesterer já era meio datada e clichê quando foi lançada, criando a sensação de que a faixa era uma cópia passada por um triturador de “popficação” para ficar ainda mais radiofônica e massificada. E isso dá à música um aspecto de farofa tão farofada que fica meio complicado encontrar uma identidade distinta. Entretanto, esse problema também gera sua melhor qualidade: o gigantesco fator “chiclete”.

Ouvir a canção pela primeira vez é algo que, sinceramente, deve ser um portal para qualquer pessoa “viciar” nela, para o bem ou para o mal. A batida é sonoramente nada complexa, mas foi cuidadosamente montada para ser grandiosa, grudenta e ter uma melodia de facílima assimilação desde a primeira vez. Quando toca a primeira nota, a gente já sabe qual música vai começar. E isso é algo que podemos chamar de atemporal, de certa maneira, o que meio que contradiz o cheiro de naftalina que a faixa também exala. Felizmente, existe um termo para isso: prazer culposo. E essa é a melhor definição para a música.

Liricamente, I Gotta Feeling apresenta a mesma dualidade ao ser uma obra sobre “curtir a vida” da maneira mais clichê e sem profundidade possível, mas também construída de uma forma que conseguimos decorar a letra na hora em que escutamos e nunca mais esquecer. O que realmente se sobressai é a presença de todos os integrantes do Black Eyed Peas, que entregam boas performances. Mas, sinceramente, é só quando Fergie aparece que tudo dá liga de verdade. E essa observação é ainda mais curiosa, pois faz a gente voltar a pensar por que a carreira solo dela não teve mais durabilidade, ainda mais quando associamos isso ao sucesso de The Dutchess.

I Gotta Feeling é uma máquina do tempo datada e nostálgica, que é até mais interessante do que a gente lembra. Só não pode pensar muito além da superfície para ainda se divertir com a canção.
nota: 7

Irmandade & Celebração

Joy. (featuring Absolutely and Amma)
RAYE


Não há como negar que um dos nomes de 2026 é Raye, devido aos frutos da aclamação e do sucesso de THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE. E acredito que nada mais justo do que lançar Joy como single, pois a canção é, basicamente, uma celebração.

A faixa é realmente uma celebração musical em vários sentidos. Primeiro, conta com a participação de suas duas irmãs, também cantoras, Absolutely e Amma, o que dá à produção todo um aspecto de irmandade, carinho e afeição que é a intenção base do trabalho. Além disso, as duas artistas não estão aqui apenas pela ligação fraternal, mas também por serem talentosas e promissoras, ajudando a elevar o resultado.

Todavia, o brilho principal vem claramente da performance solar, cativante e madura de Raye, que invoca todos os sentimentos que a produção quer transmitir nessa verdadeira celebração à vida e sobre entender que é preciso ser sempre otimista, mesmo sabendo que ela é feita de momentos de tempestade. Apesar de meio clichê, a composição de Joy é lindamente bem escrita e passa verdade em sua mensagem. A produção, por sua vez, cria uma sonoridade que capta todos esses sentimentos ao construir um inspirador, animado, contagiante e envolvente pop soul, dance-pop e gospel, que conquista desde os primeiros segundos.

Nada mais justo do que Raye poder celebrar tudo o que vem alcançando, pois a cantora merece — e muito mais, sem dúvidas.
nota: 8,5

2 Por 1 - Tinashe

Pillow Fight
I'd Rather Be Alone
Tinashe


Ainda no hype de Melatonin, a Tinashe lança duas novas canções para a promoção de Popstar: Pillow Fight e I'd Rather Be Alone. Mesmo não estando na mesma altura do single anterior, as duas faixas dão ainda mais alcance sonoro para a nova era da cantora.

Em Pillow Fight, a cantora volta a entregar um R&B/pop soul com toques de trap que não chega a ser algo revolucionário, mas é bem acabado e possui uma melodia relativamente simples, porém adoravelmente cativante. É um trabalho claramente menor, que consegue se sobressair devido à maneira como a cantora o defende, dominando a faixa como se não exigisse quase nenhum esforço.

Em I'd Rather Be Alone, a qualidade melhora devido à dramaticidade da canção, que se apresenta como uma interessante balada electropop/synth-rock/R&B. E isso é outra amostra clara da imensa versatilidade da Tinashe, que consegue navegar por gêneros tão distintos de maneira fluida e sempre muito bem preparada. Aqui, a cantora entrega uma performance contida, mas emocional, que combina perfeitamente com o trabalho. A canção poderia, porém, ser ainda mais profunda sonoramente, o que a faria se tornar mais pungente e épica.

Dessa maneira, Tinashe continua a comprovar que é um talento realmente único em uma carreira inspiradora.
notas
Pillow Fight: 7,5
I'd Rather Be Alone: 8


10 de setembro de 2026

Primeira Impressão

THERAPY AT THE CLUB
FLO




A Vingança é o Sucesso

crank 2
Slayyyter

Apesar de ainda não ter estourado dentro da bolha mainstream, a Slayyyter vem construindo uma carreira bastante auspiciosa, meio que quase ocupando o espaço da Charli XCX antes do estouro de Brat. E isso vai se mostrando com o hype criado para o lançamento de crank 2.

Single de WOR$T MAN IN AMERICA, a canção é claramente uma irmã/continuação de Crank, lançada no ano passado. Sobre a canção, disse que era “uma sofisticada, borbulhante, barulhenta e potente faixa de industrial pop/electrocash/eletro hip hop que adiciona uma nova camada à construção sonora atual da cantora, mas sem perder o rumo artístico que a mesma vem seguindo”. E, basicamente, essa mesma anotação vale para a nova canção, mas, felizmente, existem outras características que dão personalidade a crank 2.

A primeira, e melhor, é que dá para notar que a canção usa a faixa anterior como base sonora, mas também constrói uma clara personalidade ao realmente apresentar algo novo tanto instrumental quanto melodicamente. Aqui, a atmosfera é mais raivosa e ácida, especialmente devido à composição, que novamente volta a falar sobre o relacionamento da Slayyyter, que terminou nada amigavelmente. Além disso, a produção corrige o erro do clímax final ao dar à canção um encerramento explosivo e poderoso, assim como a performance da cantora, que consegue mostrar uma grande versatilidade sem sair do seu domínio performático. Meu “problema” com crank 2 é que a produção poderia ir bem mais a fundo na construção da batida, fazendo a canção realmente ficar acima da “original”.

Indiscutivelmente, crank 2 continua a cimentar a carreira da Slayyyter como uma força artística que deve ser acompanhada de perto.
nota: 8