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15 de março de 2026

A Verdadeira Beleza

Pressha
Jill Scott


Uma das melhores canções de To Whom This May Concern, da Jill Scott, Pressha é uma aula completa de como fazer uma música que a gente ouve e já percebe que é uma obra de valor irrefutável.

Tudo começa com a sua impressionante e forte composição, que relata e reflete sobre a pressão sobre a aparência física da mulher e, especialmente, como essa pressão reflete nos relacionamentos amorosos. Jill narra como foi estar em um relacionamento em que, apesar do interesse do companheiro, ele não a assumia devido à cantora não estar nos padrões.

Devastadora, poderosa, crua e honesta, Pressha é um trabalho de uma força emocional imensa, pois, além de ter uma letra com esse poder, a presença de Jill arremata tudo devido à maneira tão desconcertante que ela carrega a canção, transitando entre o melancólico e contido até o devastador e explosivo. E tudo isso demonstrando claramente o seu atemporal timbre e um alcance vocal impressionante.

Sonoramente, a canção é uma refinadíssima, profunda e adulta neo-soul/R&B com injeções de jazz que é como vinho bom que, quanto mais tempo vai se passando, vai ficando ainda melhor devido à sua instrumentalização classuda e a um trabalho de produção magistral. E essa é a beleza de ouvir uma artista.
nota: 8,5

4 de janeiro de 2026

O Retorno de Uma Diva

Beautiful People
Jill Scott


Depois de um hiato de mais de dez anos, Jill Scott, um dos nomes mais celebrados do R&B/soul contemporâneo, está de volta para lançar, este ano, o seu sexto álbum (To Whom This May Concern). E, como primeiro single, foi lançada a ótima Beautiful People.

Uma celebração sobre o que existe de melhor na raça humana – algo de que estamos precisando –, a canção é um glorioso e cativante R&B/soul que não tem pressa para ir envolvendo em sua teia sedosa, garantindo uma experiência transcendental para quem escuta do começo contido até o seu poderoso final. Classudo, elegante e maduro, Beautiful People é o tipo de canção para quem gosta de verdade de música, pois é a exemplificação do talento em forma de canção devido à presença magistral e escultural de Jill Scott, que domina a faixa com uma sabedoria que apenas uma lenda seria capaz de ter. E que o ano possa trazer mais retornos como esse deleite sonoro.
nota: 8,5

14 de abril de 2015

Aquela Dor Chamada Amor

You Don't Know
Jill Scott


"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer."


Esses versos são a primeira estrofe do mais famoso soneto do poeta português Luis de Camões que viveu no século XVI. Como vocês podem perceber que o amor sempre foi um dos principais temas motrizes do fazer arte, seja ela qual for e em qualquer época da humanidade. E, claro, a dor que o amor pode trazer (como mostra os versos acima) sempre foi dissecado para buscar expor a alma do ser humano. E, sejamos sinceros, quem nunca sofreu por amor? Seja o final de um romance mal resolvido ou o amor não correspondido. Não importa o que aconteceu, pois eu tenho certeza que todos aqui já derramaram lágrimas por amor. Tenho mais certeza que quando isso aconteceu houve alguma que marcou esse momento. Aquela música que conseguiu expressar todos os sentimentos que, às vezes, não conseguimos falar. Para mim, não importa a ocasião, há sempre uma canção soul music que relata as minhas dores. Apesar de nesse momento não estar precisando de uma música já sei qual será a minha próxima: You Don't Know da cantora americana Jill Scott.

Bastante conhecida na cena soul music tendo uma carreira de quinze anos com quatro álbuns já lançados, Jill Scott está preparando o seu novo trabalho ainda sem previsão de lançamento. You Don't Know é o primeiro single do álbum e não poderia ter sido uma escolha mais avassaladora que a canção. A música é uma devastadora, cruel, melancólica e sinceramente desconcertante crônica sobre o amor, ou melhor, a dor que o amor causa. Narrada pela visão feminina, You Don't Know fala sobre aquele amor que apenas causa sofrimento quando um dos envolvidos se entrega de uma forma tão profunda e intensa que se deixa levar pelas promessas vazias do outro e sempre acabando no "fundo do poço". Mesmo assim, a pessoa acaba voltando, pois ama de verdade e acredita que o outro pode mudar. Na canção, Jill afirma que quem nunca viveu isso não sabe o que é amor. Isso é um pouco radical, mas não podemos negar que essa é uma das vertentes do amor. Toda essa carga dramática encontra na performance visceral de Jill a interprete perfeita para fazer You Don't Know a canção perfeita para embalar os corações destruídos. Assim como uma das divas do soul como Aretha ou Nina, Jill é envolta em uma produção R&B/blues de primeira categoria em um arranjo tradicional, mas de uma força emocional poderosa. You Don't Know mostra que dor não apenas rima com amor, mas andam juntas de mãos dadas como amantes.
nota: 8,5