7 de outubro de 2026

Primeira Impressão

Daughter from Hell
Gracie Abrams





Sabe aquela velha máxima na escola/faculdade quando se empresta um trabalho para alguém: “copia, mas não faz igual”? Então, eu tenho certeza de que a Gracie Abrams nunca ouviu isso, pois, em Daughter from Hell, seu terceiro álbum, a cantora copia na cara dura a Taylor Swift. E mais: faz tudo pior.

Ouvir quase uma hora de duração espalhada em dezesseis faixas é um exercício de paciência e força de vontade, pois, quanto mais vamos nos adentrando no trabalho, mais a situação vai ficando precária e irritante devido ao “descaramento” artístico. Entendo um artista se inspirar diretamente em outro, mas aqui é o caso de uma tentativa de clonagem da pior qualidade. E tudo ganha novas nuances quando a gente percebe que a tentativa de emoldurar a sonoridade da Taylor não é de uma era ruim, como, por exemplo, a atual, mas, sim, da melhor fase da carreira, durante a dupla Folklore/Evermore. Todavia, a situação ainda vai piorando quando a gente percebe que o álbum conta com a produção de nomes diretamente envolvidos nessa fase: Justin Vernon e, principalmente, Aaron Dessner.

Comparar Daughter from Hell com os dois álbuns citados é como comparar um veículo novinho, saído de fábrica, com o resultado de um acidente que deu perda total: a gente sabe que é o mesmo veículo, mas agora não passa de um amontoado de entulho mal engendrado. A sonoridade ouvida aqui é, obviamente, um indie pop misturado com alt-pop e indie folk que “recria” a mesma estrutura, cadência, atmosfera, clichê e melodia da Taylor sem, porém, ter nada que seja interessante, inteligente, criativo e original para falar. E, devido a isso, o resultado se torna um pastiche chato, raso, repetitivo e totalmente medíocre. E essa decisão é tão mortal que, até quando a produção dá algum sinal de vida, as mesmas correntes de erros balançam na frente da canção. O melhor caso disso é no single Hit the Wall.

“A canção é uma segura, bem-feita e até interessante faixa midtempo de indie pop/alt-pop que não foge em nada do escopo sonoro até agora apresentado pela artista. Todavia, existe um refinamento mais maduro que demonstra o amadurecimento da parceria com o produtor Aaron Dessner, ajudando a canção a parecer o começo da evolução da artista”.

Quando a gente escuta a canção pela primeira vez, logo no começo do álbum, a gente realmente pensa que existem, sim, semelhanças com a Taylor, mas que parece existir uma saída e que isso vai ser explorado ao longo do álbum. Ledo engano. Tirando as presenças de Look at My Life e Death Wish, que são quase como suspiros únicos, o resto de Daughter from Hell é uma coleção de mediocridade na sua forma mais pura.

E, queridos amigos, a situação ainda piora, pois, liricamente, o trabalho é bem escrito tecnicamente, mas é tematicamente vazio e, criativamente, um poço de lugares-comuns. Entretanto, é ao notar que até mesmo a construção das letras repete basicamente a mesma forma de escrever as composições da Taylor que a situação ainda fica mais insuportável. E, para fechar o desastre, temos Gracie que, teoricamente, é uma cantora com potencial e um bom timbre, imitando a maneira e até mesmo a cadência de cantar da sua “musa”, o que deixa tudo ainda mais vergonhoso.

Se a gente comparar, por exemplo, uma artista nova que lançou este ano o seu terceiro álbum, nesse caso a Olivia Rodrigo, isso se torna o último prego no caixão de Daughter from Hell e faz da Gracie Abrams dona de um dos piores álbuns do ano.


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