1 de outubro de 2026

Primeira Impressão

WILDFIRE
Loreen





O terceiro álbum da Loreen, intitulado Wildfire, é um trabalho que tem várias ótimas ideias que, às vezes, encontram a base necessária para ganhar vida. Todavia, boa parte do álbum fica em um platô sem chegar perto de uma execução à altura do que foi pensado.

Mais conhecida por ter vencido duas vezes o Eurovision Song Contest, a cantora tem total potencial para entregar um álbum que seja à altura da sua forma artística. E, queridos leitores, quando isso acontece, é algo realmente interessante de se presenciar devido à voz e à persona artística tão distintas da artista. Com uma produção diversa que inclui nomes como Jesse Shatkin, Rami Yacoub, TMS, entre outros, o álbum é um trabalho eletropop que vai sendo desenrolado e incrementado com texturas diversas, indo do alt-pop, trap, trance e referências de sonoridades árabes. E isso é, sinceramente, algo refrescante, pois tudo é bem tratado tecnicamente do começo ao fim, com canções com bons instrumentais. Entretanto, o álbum tem alguns bolsões em que parece que a produção não sabe desenvolver criativamente suas ideias.

Boa parte das canções no álbum são basicamente uma nota sete: boa construção, mas faltam toques de criatividade na produção que peguem a base e a elevem para um outro patamar. É como se a produção achasse que só de ter um começo realmente muito bom iria resultar em algo realmente muito bom, deixando de trabalhar, refinar e elevar o material. E é por isso que várias canções ganham saídas fáceis e um verniz massificado que cria certo ruído ao escutar. Essa sensação aumenta ainda mais quando a gente percebe que Wildfire tem, sim, momentos realmente inspirados que fazem jus à potencialidade da sonoridade.

O principal momento acontece com a ótima Feels Like Heaven, ao ser “uma mistura épica, envolvente e madura de electropop, euro-trance e dark pop, que consegue fugir do lugar-comum no momento em que a produção acerta ao adicionar texturas e construir um instrumental robusto e poderoso. Na verdade, grande parte da qualidade de Feels Like Heaven vem justamente do fato de entregar um trabalho técnico primoroso, que praticamente apaga qualquer sensação de clichê ou de algo datado que a canção poderia carregar”. Outro fator importante para o álbum é a voz e as performances de Loreen.

Mesmo quando tem algumas decisões vocais estranhas e/ou quando as canções não dão sustentação para que a mesma explore vocalmente, a presença da cantora é tão distinta e marcante que sua presença ajuda a dar personalidade para qualquer canção. E, quando a mesma acerta totalmente e tem um bom material em mãos, temos, por exemplo, a vencedora de 2023 do Eurovision, Tattoo, que “é uma climática e poderosa electropop/euro pop que tem uma construção instrumental encorpada e que consegue injetar uma carga emocional poderosa que consegue fazê-la se destacar facilmente, mesmo lembrando vagamente Frozen da Madonna em seu break instrumental. Entretanto, o que a canção se destaca mesmo é a performance espetacular da Loreen. Dona de voz marcante e potente e um timbre límpido, a cantora domina cada momento da canção de forma a elevar cada momento de maneira iluminada e de uma emoção genuína”.

Outros momentos que realmente funcionam no álbum são a dramática, quase experimental e sóbria balada Where Do We Go From Here e a faixa que encerra o álbum, True Love, ao ser a contrapartida da abertura devido à sua construção de power ballad pop mais tradicional e sentimental.

Wildfire é um trabalho que se sustenta por promessas que quase são cumpridas e, mesmo assim, deixam bem à mostra o potencial real da Loreen.

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