Um dos nomes mais citados para vencer o Grammy de New Artist, a britânica Sienna Spiro lançou seu álbum de estreia no começo do ano, intitulado Visitor, que mostra potencial para o futuro. Todavia, o álbum também mostra o quanto a cantora ainda é verde em um trabalho que posso apontar como “genérico bom”.
Ao analisar o álbum, fica claro que Spiro está para Olivia Dean assim como Duffy estava para Adele, sendo uma espécie de “reflexo” menos interessante. Entretanto, Spiro é ainda menos interessante devido, principalmente, ao resultado do álbum ser tão dispensável e esquecível. Como apontado na introdução, o trabalho é tecnicamente bom, mas também é claramente uma versão genérica de um pop soul/R&B que tem uma casca lindíssima e um interior vazio. Até consigo ver certa distinção entre o que é apresentado aqui e a sonoridade de The Art of Loving, pois temos uma clara intenção de ser mais dramático em uma coleção de baladas que exploram sentimentos de maneira bem mais emocional, puxando para um lado que fica mais fácil de ser absorvido por uma parte do público. É refinado, mas não é exatamente elegante. É emocional, mas parece querer manipular quem escuta de maneira bastante evidente. É bem construído, mas carece de criatividade genuína para sair do lugar-comum. E é aqui que começam os problemas do álbum.
A produção de Visitor sabe muito bem quais elementos usar para construir o álbum, reunindo o sentimentalismo de Adele, a jovialidade de Olivia Dean, a força vocal de Duffy e as claras influências vintage de nomes clássicos. Todavia, em nenhum momento a produção consegue transmitir a impressão de algo refrescante, em que possamos ver uma artista com uma sonoridade capaz de evoluir para algo realmente próprio. Ao invés disso, o álbum termina sendo quase como um trabalho pré-pronto que, normalmente, era destinado aos vencedores do American Idol/The X Factor no auge desses realities, quando tínhamos alguém com talento, mas afogado em um trabalho clichê, conservador e com um verniz extremamente comercial, sem se importar de fato com a construção da persona de Spiro. Só que a produção também sabe muito bem o que fazer para passar longe do ruim, pois tudo é encaixado perfeitamente, com letras que ficam no meio do caminho entre a sinceridade artística e a pasteurização criativa, com toques de inteligência no mesmo nível de momentos completamente cringes. O que realmente faz sentido nisso tudo e o que dá certo é a presença inspirada de Sienna Spiro.
Longe de ser uma cantora única, a jovem de 21 anos é dona de uma voz bela e atemporal que precisa, na verdade, de experiência para fugir dos clichês vocais e também de certo “rebolado” para encontrar a sinceridade em suas performances. Apesar disso, Visitor ganha a vida que tem justamente por causa dela, pois, claramente, o álbum é construído totalmente em volta de sua persona e, felizmente, ela consegue estar à altura do que é exigido e ainda vai um pouco mais além. O melhor momento do álbum é quando ela entrega sua performance mais potente na emocionante Die On This Hill. O problema da canção é essa impressão de estarmos ouvindo algo que já foi feito antes, tanto sonora quanto liricamente, criando a sensação de que ela já soa datada. Todavia, Sienna entrega uma belíssima performance que eleva a canção de maneira bastante significativa.
Outros bons momentos do álbum ficam por conta da abertura com a melancólica e madura This Is My House e da bonita e triste The Visitor, que tem os melhores versos de todo o álbum em “You're holding me for the night for some pleasure / If that's all we are / Know I'll always be a visitor, mm / In your arms”.
Visitor apresenta o mundo a Sienna Spiro de maneira a mostrar que, em algum lugar, existe uma versão real da cantora que, quem sabe, será apresentada no futuro.


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