Slayyyter
26 de abril de 2026
A Hora da Slayyyter
BROKE BITCH FREE$TYLE
Slayyyter
Slayyyter
A fase atual da Slayyyter está tão boa que, mesmo tendo acabado de lançar o álbum, a cantora já anunciou o primeiro single da versão deluxe: a explosiva BROKE BITCH FREE$TYLE.
A canção claramente se encaixa no álbum, de maneira a continuar expandindo a sonoridade da cantora para lugares novos e excitantes. Na faixa, a produção aposta na construção de um industrial hip hop com electropop e pinceladas de rap e eletrônico, criando uma sonoridade extremamente estilizada devido à batida frenética. Felizmente, a produção sabe dosar muito bem as asperezas de BROKE BITCH FREE$TYLE, para não deixar a canção se tornar irritante devido à batida extremamente marcada por tambores. E Slayyyter conduz a faixa com uma performance tão gigantesca que a coloca em um patamar no qual apenas ela mesma conseguiria carregar uma canção com tamanha distinção criativa.
Não é exatamente uma canção para qualquer público, mas é facilmente apreciada por quem gostou de qualquer música recente da artista. E isso é uma qualidade para poucos.
nota: 8
New Faces Apresenta: Adéla
KGB
ADÉLA
Existem males que vêm para bem. Primeira eliminada do reality que formou o Katseye, a eslovaca Adéla vem começando a ter uma carreira que tem grandes possibilidades de ser consideravelmente melhor que a do girl band. Depois de assinar um contrato com uma gravadora, a cantora vem se preparando para lançar seu debut e, como single, lançou a ótima KGB.
A canção é uma ótima apresentação e formulação da imagem da artista para o público mais mainstream que quer, claramente, ser envernizada com o toque “comercial” e, ao mesmo tempo, ter um toque realmente refrescante de uma nova artista. E esse toque vem de alguns lados, mas o principal é sobre a origem de Adéla, que gera uma ótima brincadeira na construção da exagerada, “tongue in cheek” e divertidíssima composição. KGB faz uma ácida e irônica associação sobre a construção/ascensão da artista como uma diva pop com o fato de ela ser igual a uma espiã da KGB, que foi o órgão da União Soviética associado aos espiões e à Guerra Fria. E o melhor é que a letra é escrita de maneira bem amarrada, sabendo dosar bem a bobagem com a estética pop e também servindo como uma introdução sobre qual é a persona da artista. Outro grande acerto é a sua acertada produção.
Ao contrário de quase tudo que o Katseye já entregou, a produção entrega em KGB uma batida marcada e com elementos bastante “over” na batida, mas, felizmente, sabem lindamente dosar para criar um equilíbrio bem delimitado com o lado mais digestível da canção. Dessa maneira, a canção se torna uma excêntrica, elétrica e explosiva mistura de eletropop, electro house e toques de ballroom e dance-pop, mas com um senso estético para agradar um grupo maior de ouvintes ao não ir com tudo nessas influências. Isso cria uma canção que poderia ser ainda mais disruptiva, mas que fica no meio do caminho. Felizmente, o trabalho nem precisa de maior input artístico para ser um verdadeiro bang. Vocalmente, Adéla apresenta espaço para crescer, mas aqui entrega uma performance sensacional que dá todo o tom da canção, com personalidade de sobra.
E assim, queridos leitores, fica a prova cabal de que nem sempre quem vence termina sendo o vencedor, pois Adéla parece ter um caminho glorioso pela frente.
nota: 8
Disco By Sabrina
House Tour
Sabrina Carpenter
Colhendo os imensos frutos do seu sucesso recente, a Sabrina Carpenter lança House Tour como single de Man's Best Friend. Uma pena que tenha sido só agora, pois a canção poderia ser um imenso sucesso de verdade.
Uma das melhores faixas do álbum, a canção é uma gostosinha e divertida synth-pop com toques deliciosos de synth-funk e dance-pop, que cria a batida mais interessante de todo o álbum. É rasa, mas é cativante. É vintage, mas é feita especialmente para o público atual. Não é nada inovadora, mas o fator “familiar” é realmente auspicioso. Talvez tenha faltado um toque de genialidade na produção para que a canção subisse alguns degraus e fosse ainda melhor, mas é feita de maneira tão redondinha que o resultado é bem aceitável. Além disso, a maneira despretensiosa, fofa e, ao mesmo tempo, sexy que Sabrina carrega House Tour é outro momento inspirado, e acredito que, entre todas as suas contemporâneas, a artista é a única que seria capaz de sustentar uma canção com composição tão sexualmente carregada.
Se tivesse sido lançada antes, House Tour teria chances de ser o outro “Expresso” da Sabrina.
nota: 7,5
Uma Para os Tiozões!
Who Will You Follow
Evanescence
Apesar de não apresentar nada de novo na sonoridade da banda, a canção entrega o que é esperado de uma forma tão bem construída, refinada e madura que fica difícil não se deixar cativar. Uma poderosa e grandiosa mistura de nu-metal/rock alternativo/metal que sabe exatamente o que é, qual é o seu público e como entregar exatamente isso, sem mais nem menos. E, sinceramente, isso é algo bem raro de acontecer, pois nem sempre um artista com anos de estrada, como o Evanescence, é capaz de entregar dessa maneira.
Todavia, Who Will You Follow é o veículo perfeito para mostrar o quão impressionante é a presença de Amy Lee, pois a vocalista entrega uma performance poderosa em que não apenas não parece que se passaram mais de vinte anos desde o lançamento do debut da banda, mas também mostra um frescor delicioso no momento em que a gente percebe que não existe ninguém atualmente parecido com ela, nem de perto.
E assim, 2026 vai ficando com cara de 2006, da melhor maneira possível.
Evanescence
E o ano de 2026 continua a surpreender com a volta de alguns artistas não apenas ao cenário, mas, principalmente, entregando boas músicas. Esse é o caso perfeito do Evanescence com a surpreendente Who Will You Follow.
Apesar de não apresentar nada de novo na sonoridade da banda, a canção entrega o que é esperado de uma forma tão bem construída, refinada e madura que fica difícil não se deixar cativar. Uma poderosa e grandiosa mistura de nu-metal/rock alternativo/metal que sabe exatamente o que é, qual é o seu público e como entregar exatamente isso, sem mais nem menos. E, sinceramente, isso é algo bem raro de acontecer, pois nem sempre um artista com anos de estrada, como o Evanescence, é capaz de entregar dessa maneira.
Todavia, Who Will You Follow é o veículo perfeito para mostrar o quão impressionante é a presença de Amy Lee, pois a vocalista entrega uma performance poderosa em que não apenas não parece que se passaram mais de vinte anos desde o lançamento do debut da banda, mas também mostra um frescor delicioso no momento em que a gente percebe que não existe ninguém atualmente parecido com ela, nem de perto.
E assim, 2026 vai ficando com cara de 2006, da melhor maneira possível.
nota: 8
Demi Got It!
Low Rise Jeans
Demi Lovato
Demi Lovato
Se tem um projeto que merecia muito reconhecimento recentemente, é o álbum It's Not That Deep, da Demi Lovato. Uma pena que não seja o caso, pois a cantora continua entregando ótimos momentos, como é o caso de Low Rise Jeans.
Single da versão deluxe do álbum, a canção continua seguindo perfeitamente o caminho das faixas do projeto ao entregar nada revolucionário, mas, sim, algo bem construído e sincero: um dance-pop/electropop com toques de R&B que empolga exatamente pela sinceridade artística. Low Rise Jeans é, porém, a canção mais sensual do trabalho, ao ter uma batida mais densa e grudenta que combina perfeitamente com a composição, que navega muito bem por esse território. E, graças ao toque de MNEK, que assina como um dos autores, a canção tem um apelo pop refinado que torna difícil entender o motivo de não ter melhores resultados comerciais.
De qualquer forma, Demi pode se orgulhar de ter entregado uma das melhores eras da sua carreira.
nota: 8
19 de abril de 2026
The Queen, The Mother, The Madonna
I Feel So Free
Madonna
Madonna
Apesar de estar otimista e ansioso pelo lançamento de Confessions II, preciso admitir que estava cautelosamente otimista, pois, mesmo sendo a Madonna, os últimos lançamentos da cantora são, no mínimo, medianos em sua grande maioria. Então, eis que surge o lançamento de I Feel So Free para mudar a minha concepção, ao me deixar realmente excitado para o álbum, já que a canção é a melhor música da cantora em nada menos que vinte anos.
Na verdade, a canção não é apenas uma ótima canção, mas, sinceramente, já pode ser considerada digna de entrar no panteão das melhores da carreira da Rainha do pop. E isso é algo impressionante para uma artista que parecia estar no automático nos últimos trabalhos. Ao voltar a trabalhar com Stuart Prince, produtor do primeiro Confessions e responsável recentemente por trabalhos ao lado de Jessie Ware e Dua Lipa, a cantora não apenas se reconecta diretamente a uma sonoridade, mas também volta a ter química de verdade com um parceiro de criação. E isso é algo essencial para a construção de qualquer canção de uma artista tão única como a Madonna, e Stuart entende isso à perfeição. Por isso, I Feel So Free é uma verdadeira música com M maiúsculo.
Outra imensa qualidade da canção é o fato de que ela não é apenas uma continuidade da sonoridade do primeiro álbum, mas, sim, uma canção com identidade própria. Na verdade, a melhor definição é que I Feel So Free seria a prima direta de Hung Up/Sorry, mas que tem laços com outras influências. Parecidas, mas nada iguais. A canção, que não é um single oficial, traz uma fusão refinadíssima de deep house com progressive house e dance-pop, criando uma sonoridade esteticamente familiar, mas que vai se desenrolando em um trabalho energético, atmosférico, poderoso e impressionante. A produção consegue dar a gravidade e grandiosidade que uma música da Madonna precisa ter para carregar toda a sua força, lembrando de criar uma vibe que é puramente pop. E esse pop é em sua forma mais Madonna possível, com uma canção de mais de cinco minutos e com uma composição que basicamente é uma celebração da volta da artista, que logo no primeiro verso manda:
Sometimes I like to just hide in the shadows
Create a new persona
A different identity
I can be whoever I wanna be
Vocalmente, a canção é o melhor trabalho da cantora em anos, pois, além de deixar a sua voz o mais natural possível na parte cantada, os momentos em que ela declama os versos casam lindamente com a atmosfera da canção e são a base perfeita para o estouro sonoro do refrão e o ótimo clímax final.
Ainda é um pouco cedo para declarar que esse é o retorno à altura que a Madonna está planejando para si mesma. Todavia, se isso for uma prévia real do que está por vir, é certo que estaremos diante de outro marco da música.
nota: 9
O Tema Não Tema
First Light
Lana Del Rey
Lana Del Rey
E a Lana Del Rey que lançou um ótimo tema para o James Bond, mas não tem nem chance de se unir a Sam Smith, Adele e Billie Eilish, já que a canção é o tema do game do espião e não do próximo filme. Mesmo assim, First Light é um interessante trabalho que funciona até melhor do que seria esperado.
Sinceramente, eu nunca tinha pensado em como seria uma música da Lana ser tema de 007 e, se pensei, não achei que daria tão certo. E o grande acerto da canção é conseguir, de alguma forma, ter elementos de grandes canções-tema da franquia, ao mesmo tempo que carrega a personalidade da cantora impregnada do começo ao fim. Sendo bem realista, First Light é como se a cantora emoldurasse a sua versão de Shirley Bassey, que tem no currículo três clássicos do gênero. E isso é algo impressionante.
Navegando entre o clichê e o épico, a canção tem um instrumental que consegue expressar a grandiosidade cafona dos temas tradicionais do 007 com uma maestria impressionante, mergulhando fundo na referência nada sutil. Ao contrário de Skyfall, da Adele, por exemplo, a canção não busca exatamente ser algo ligado diretamente à artista ou ter um verniz moderno, mas, sim, ser um pastiche lindamente criado. Todavia, a canção brilha quando percebemos a personalidade da Lana, quando ela começa a entoar com os maneirismos de sempre, mas vai se transmutando em uma persona que se encaixa com o explosivo clímax final. Só que, até aqui, ainda é possível ouvirmos a velha Lana colocando sua personalidade. O ponto fraco da canção é a boa, mas restrita, composição, que talvez tenha sido feita de maneira mais tradicional que o resto da canção, sem adicionar o toque da cantora de forma realmente nítida.
De qualquer forma, First Light seria o Oscar da Lana Del Rey, mas fico feliz de apenas existir.
nota: 8,5
Roqueira
idea 1
Kelela
Kelela
A capacidade de compreender a sua própria sonoridade de uma maneira realmente plena é algo reservado para poucos. E esses poucos têm a capacidade de transmutar sua música sem perder a essência, como é o caso de “Idea 1”, da sempre sensacional Kelela.
Adicionando uma carga imensa e impressionante de rock alternativo e shoegaze à base de R&B alternativo, que é um dos nortes da sua carreira, a cantora é capaz de entregar uma canção poderosa, envolvente e densa. Com um instrumental intrigante e de uma maturidade visível, “Idea 1” é uma canção que vai se derramando em ondas nos nossos sentidos, desde os seus primeiros acordes contidos, até ir se encorpando e ganhando uma forma intrigante e majestosa, para finalmente terminar de maneira reflexiva.
E a presença imponente de Kelela é outro grande acerto, pois a cantora, dona de uma voz doce e aveludada, vai se adequando ao que a canção transmite, indo do sentimental até a grandiosidade com uma maestria louvável. É preciso dizer que, apesar de possuir uma boa e inspirada composição, a canção perde certa força por não ter aquele momento de genialidade pura. Mesmo com esse detalhe, Kelela não deixa de mostrar a infinitude de seu talento.
nota: 8,5
Uma Pras Gays!
RUNWAY
Lady Gaga & Doechii
Lady Gaga & Doechii
Nada mais “cunty” do que ter como um dos temas de O Diabo Veste Prada 2 a parceria da Lady Gaga com a Doechii na deliciosa Runway.
Longe de ser o tema cinematográfico da década, a canção cumpre tão bem seu papel que não deixa muito espaço para não acharmos que é perfeita para o que se propõe a fazer. Uma divertidíssima e superficial diva house fundida com hip hop, ballroom e rap, Runway é o tipo de canção que a gente meio que vicia logo de cara, por ter todos os elementos na proporção certa.
Batida carismática e muito bem construída, a presença “larger than life” da Gaga que, sinceramente, parece mais uma featuring, já que a Doechii tem maior presença na canção e, felizmente, entrega uma ótima performance; a composição rara, mas sensacionalmente clichê e deliciosamente icônica, que consegue, ao mesmo tempo, fazer claras alusões e referências a Bruno Mars (coprodutor e co-compositor da canção), a RuPaul, a Eddie Murphy (!!!) e, claro, ao filme.
E, mesmo perdendo a chance de ser genial, Runway cumpre com louvor sua proposta: uma música para as gays!
nota: 8
Oportunidade Perdida
SHE DID IT AGAIN
Tyla & Zara Larsson
Tyla & Zara Larsson
É meio triste ouvir uma canção que não alcança seu total potencial, pois é uma oportunidade perdida bem grande. E é esse o quadro que fica em SHE DID IT AGAIN, da Tyla com a Zara Larsson.
E o grande erro da canção é a sua produção, que entrega uma confortável batida afrobeats/R&B/pop que não está à altura do potencial das duas artistas. Na verdade, a canção, que poderia ser um dos melhores duetos femininos dos últimos tempos, acaba se tornando quase genérica demais para algo que deveria ser uma explosão sonora. A sensação aumenta quando a gente percebe que a composição é um trabalho muito bem pensado, com várias e ótimas citações pop como, por exemplo, Britney Spears e Sade.
E isso se deve, possivelmente, à presença da assinatura do talentoso MNEK na letra. Sinceramente, a canção funcionaria melhor se o artista também fosse o responsável pela produção, pois tenho certeza de que seu toque seria o que falta para SHE DID IT AGAIN. Mesmo sem uma química muito refinada, Tyla e Zara entregam boas performances, que dão certa personalidade à canção. Uma pena que não seja suficiente para salvá-la do lugar-comum.
nota: 6,5
Um Pouco Similar Demais
drop dead
Olivia Rodrigo
Olivia Rodrigo
Considero, de verdade, a Olivia Rodrigo como uma das melhores artistas da sua recente geração. Dito isso, o lançamento de drop dead, primeiro single do seu próximo álbum, veio com um tropeço bem nítido: a similaridade com Taylor Swift.
Novamente produzido por Dan Nigro, a canção tem algumas semelhanças bem proeminentes com as canções da Taylor, especialmente na sua primeira parte. E estou falando da parte sonora e vocal. Isso tira certa qualidade da canção, pois a Olivia sempre conseguiu imprimir algo que é realmente seu em seus trabalhos. Felizmente, drop dead é uma canção que, se é parecida com alguma outra, é uma canção realmente boa, pois o resultado final é realmente bem acima da média.
Como disse, a canção engrena de verdade a partir da sua metade, em que a produção adiciona novas texturas e aumenta a cadência da canção, criando um divertido, despretensioso e bem apurado synth-pop/pop rock que ajuda a aprofundar a sonoridade de Olivia. Devido ao que já foi citado, o aprofundamento é mais superficial, mas é uma amostra de que a jovem está em processo de amadurecimento estético de fato. A composição é o ponto alto do trabalho, pois é o que melhor dá personalidade à canção, já que deixa claro ser o trabalho de uma jovem de apenas 23 anos que começa a encontrar novos caminhos para se expressar. E, mesmo não sendo a sua performance mais interessante, a Olivia segura muito bem a canção do começo ao fim.
É um começo bom para a nova era da Olivia, mas que guarda alguma sensação de que pode ser a sua menos impactante artisticamente.
nota: 7,5
Lavagem de Dinheiro
PINKY UP
KATSEYE
KATSEYE
Sinceramente, eu estou começando a achar que tudo envolvendo o Katseye é lavagem de dinheiro à luz do dia, pois só isso explica o lançamento de uma canção ruim atrás da outra. Dessa vez, a bomba é PINKY UP.
O grande problema da canção é que a mesma tem uma batida que é completamente diferente da canção que as integrantes do girl group estão cantando. A produção escolhe seguir um caminho que mistura tecno/trance/dance-pop com uma batida irritante, exagerada e completamente rasa, enquanto existe uma melodia, especialmente vocal, que puxa mais para o bubblegum/dance-pop, criando algo disjuntado, medíocre e desconcertantemente sem sentido.
O pior é que PINKY UP funcionaria muito melhor se seguisse a vibe em que as integrantes estão, pois as jovens realmente entregam tudo em suas performances. Todavia, nada consegue salvar essa verdadeira bomba, já que é totalmente insalubre.
nota: 3
Nostálgica
Younger You
Miley Cyrus
Miley Cyrus
Comemorando vinte anos da série Hannah Montana, a Miley Cyrus lançou um especial para celebrar a marca do que a fez se tornar a estrela que é atualmente. E, como tema, divulgou a sentimental Younger You.
Apesar de eu não cair pela nostalgia do evento, pois nunca assisti à série, é preciso dizer que a canção ajuda a criar uma ótima atmosfera para entendermos o olhar para o passado da Miley. Uma balada country pop/indie folk, a canção é o tipo de música que funciona devido à sua sincera e tocante produção, que não tem a pretensão de ser mais do que realmente é.
E, nesse caso, é ser uma ponte entre a artista atual e aquela que ela era quando estava na série anos atrás. Isso é alcançado sem maiores problemas, especialmente devido à sua composição realmente emocionante, em que a versão mais nova conversa com a Miley do agora. É clichê e simples, mas muito bem escrita, já que parte de um lugar realmente verdadeiro. Tudo se fecha com uma performance inspirada e contida da cantora, que dá os arremates finais à canção. Uma música que exala uma nostalgia tão real que fica impossível não gostar.
nota: 7,5
5 de abril de 2026
Cadê a Justiça?
Leak It
FLO
FLO
Se houvesse justiça de verdade, o FLO seria o maior girl group da atualidade e isso não está nem para discussão. Em Leak It, o trio comprova por A + B ao entregar uma canção realmente louvável.
Enquanto outras artistas tentam fazer algo que seja divertido, dançante e icônico, o FLO entrega, em uma bandeja, exatamente o tipo de música que deveria virar um grande viral. Uma mistura azeitada e carismática de dance-pop, R&B, crank e electropop que deixa claro que é preciso mais do que uma estética chamativa para fazer esse tipo de canção funcionar, pois Leak It tem uma produção madura, criativa, divertida e que entende bem todos os elementos dessa mistura para que ela funcione perfeitamente. Todavia, o grande trunfo da canção está na sua ótima composição.
Conseguindo ser engraçada, enérgica, empoderada, sexy e bem-humorada, a composição consegue funcionar em vários níveis ao falar sobre se sentir tão “gostosa” que vai postar suas fotos, sem parecer forçada, cringe ou clichê. E isso é algo realmente louvável, especialmente quando entrega uma estética refinadíssima com um refrão realmente viciante e contagiante. E, por fim, a presença vocal das três integrantes, que ganham o mesmo destaque aqui, é algo que arremata a canção com chave de ouro.
E o sucesso deveria ser o destino do FLO se realmente fosse um mundo justo.
nota: 8
Vai Que é Tua, BeBe!
Hysteria
Bebe Rexha
Bebe Rexha
Acredito que a Bebe Rexha tenha em mãos o que pode ser um verdadeiro comeback como nos bons tempos. E, novamente, a cantora parece provar isso com o lançamento de Hysteria.
Segundo single oficial de Dirty Blonde, a canção é uma excitante e histérica mistura de pop rock com electro house que funciona perfeitamente ao ficar bem na beiradinha da farofa, encontrando o criativo e, também, o clichê. É um lugar difícil de construir uma canção como essa, mas a produção acerta bem ao fazer da experiência algo rápido e rasteiro, não deixando espaço para furos ou tropeços, já que poderia facilmente descambar para uma bomba atômica sonora.
O grande problema de Hysteria, porém, é a sua composição, adequada, mas completamente piegas e sem muita criatividade. Dentro do contexto da canção, a letra funciona devido à sua pegada direta e sem maiores enfeites. Todavia, o trabalho poderia ter um refinamento estético maior, com uma composição menos previsível e um pouco mais profunda. Dito isso, a canção se beneficia da presença marcante da performance da Bebe, que, mesmo não saindo muito de um lugar de conforto, consegue dar a personalidade ideal para a canção.
E assim a Bebe vai saindo do asilo da Khia de maneira com potencial de verdade.
nota: 8
Country Lojas de Departamento
Choosin' Texas
Ella Langley
Ella Langley
Sabe aquele tipo de canção que tem cara de tocar ao fundo em lojas de departamento? Então, pela primeira vez, ouço uma canção country que se encaixa perfeitamente nesse nicho, como é o caso de Choosin' Texas, da Ella Langley.
Conquistando o primeiro lugar na Billboard, a canção é uma simpática, inofensiva e meio que esquecível mistura de country/soft rock, que tem uma produção boa, mas nada que possa ser remotamente ligado a algo excitante. Quase automática no quesito criatividade, a produção se salva de verdade devido ao bom instrumental e à força da sua composição. Muito bem escrita, emocional e refinada, a letra de Choosin' Texas tem aquele tipo de carisma lírico que faz a canção funcionar ao narrar, com inteligência, que a narradora percebe que foi trocada por outra, usando uma metáfora sobre trocar de estados nos Estados Unidos. A canção finaliza com a doce e competente performance de Ella, que cumpre seu papel como uma boa vocalista country, sem, porém, adicionar nada de novo à mistura.
É exatamente como uma música de departamento: agradável, mas que a gente já esquece assim que sai da loja.
nota: 7
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