26 de abril de 2026

Primeira Impressão

Vacancy
Ari Lennox




Uma das coisas que sempre digo aqui no blog é que o “arroz com feijão” bem feito na música é algo quase imbatível e, infelizmente, cada vez mais raro. E você pode estar se perguntando o que é esse “arroz com feijão”, pois é algo tão simples quanto o prato mais popular do Brasil: familiar, apetitoso, atemporal e feito à perfeição. E um ótimo caso disso é a apetitoso e familiar Vacancy, da cantora Ari Lennox.

Terceiro álbum da carreira da cantora, o trabalho é, sem rodeios, um exemplar exercício sonoro de R&B. Nada mais, nada menos do que isso, pois, se alguém que o escuta estiver esperando algo diferente, vai se decepcionar imensamente. E quem não gosta ou não está familiarizado também pode passar longe, pois a produção não busca nada de novo ou diferente para adicionar ou incrementar. Vacancy é o típico trabalho de R&B tradicional, direto, linear e bem produzido. E isso é algo muito auspicioso, já que é entregue exatamente o que é prometido, sendo exatamente um bom arroz com feijão.

Preciso apontar que o álbum poderia ser ainda melhor com uma produção que refinasse ainda mais o material em mãos, para algo ainda mais refinado e estilizado, mesmo sem sair um centímetro da escala sonora escolhida. Além disso, se fossem 11 faixas, ao invés de 15, o álbum seria mais conciso e com um fator alto de repetição completa, pois, com cinquenta minutos, fica mais difícil. Dito isso, a produção consegue criar toda a vibe necessária para que Vacancy seja um trabalho louvável, especialmente nas duas canções que o abrem, que se tornam os melhores momentos do álbum.

Começando com a supersexy e climática Mobbin in DC, que emenda com a cadenciada e envolvente Vacancy. Ambas as canções estão na mesma face da moeda, mas têm diferenças nítidas em influências que as fazem ganhar personalidades próprias e, ao mesmo tempo, dão o tom para o resto do álbum. Outro ponto importante, e que também é um dos motivos, é a presença marcante e decisiva da Ari Lennox, que entrega performances seguras, deliciosas e cativantes, transitando muito bem entre as mudanças atmosféricas das canções, junto com a sua voz sensual, aveludada e elegante. Gosto especialmente da delicadeza tocante da maneira como a cantora entoa Pretzel, pois a mesma consegue dar gravidade e seriedade para uma canção que faz analogia com comida para falar sobre sexo. E isso é algo bem difícil de fazer apenas devido à interpretação. Outras faixas de destaque ficam com a de influência soul vintage Under The Moon, a divertida e doce Twin Flame e, por fim, a dramática Horoscope.

Ao final de Vacancy, a gente pode não ter desfrutado de uma refeição complexa e diferente do que está acostumado, mas garanto que a Ari Lennox faz a gente ficar realmente saciado.


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