Leigh-Anne
É difícil o começo da carreira solo de um artista que fez parte de uma girl/boy band, pois nem todos podem ser uma Beyoncé. Existe, porém, sempre uma luz no final do túnel quando o resultado é tão sincero e interessante como é o caso de My Ego Told Me To, da Leigh-Anne.
Álbum de estreia de sua carreira solo, o trabalho não tem a mesma força que o de sua companheira Jade, mas possui uma linha de pensamento criativo que consegue empolgar, especialmente quando todas as peças parecem estar no lugar correto. A grande qualidade é que ele tem uma personalidade distinta no momento em que entendemos o conceito do álbum: um mergulho nas influências da cantora de maneira corajosa e sem muitas desculpas. E essas referências vêm dos gêneros e ritmos de suas raízes, passando pelo afrobeat, o reggae, o amapiano e o dancehall, sendo emoldurados por doses de R&B e, claro, pop. Não é um exercício sonoro com grande profundidade, mas, sinceramente, é revigorante ver a produção construir um trabalho tão pessoal que dá a Leigh-Anne um veículo ideal para começar de fato sua carreira solo de uma forma tão auspiciosa.
Tenho que apontar, porém, que o maior problema de My Ego Told Me To é não “chutar o pau da barraca”, ao não seguir um caminho mais experimental para realmente explorar todo o potencial dessa base sonora, que é rica, intricada e capaz de gerar coisas impressionantes. Aqui fica, infelizmente, uma experiência agradável, mas que dá a sensação de estarmos nadando em uma piscina infantil quando queríamos mergulhar no fundo de uma piscina olímpica. E temos uma amostra muito interessante do que o álbum realmente poderia ter sido logo nas duas primeiras canções, pois, além de serem as melhores do trabalho, apresentam as explorações sonoras mais interessantes.
E começa pela mistura de reggae com música eletrônica da excitante Look Into My Eyes, que sabe muito bem dosar as duas influências para entregar um abre-alas divertidíssimo. Logo depois, o álbum traz a dançante e cativante Dead and Gone, que acaba sendo a fusão ideal de dancehall com pop/dance-pop e deixa a gente com gosto de quero mais. Apesar de não estar no mesmo nível, o restante de My Ego Told Me To é agradável de escutar, especialmente devido à entrega sempre competente e iluminada de Leigh-Anne, que não apenas adiciona a personalidade ideal às canções, mas também mostra sua força vocal ao apresentar uma versatilidade sutil, eficiente e graciosa.
Outros momentos que precisam ser citados são a deliciosa Been a Minute, que é a melhor canção que a Tyla nunca lançou; a balada Goodbye Goodmorning, que parece uma prima distante de California King Bed, da Rihanna; e, por fim, a divertidíssima Free.
My Ego Told Me To é um álbum que poderia ser bem mais interessante, mas, felizmente, Leigh-Anne tem em mãos um trabalho com fortes vislumbres de estar no caminho certo. Assim espero, de verdade.


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