5 de abril de 2026

Primeira Impressão

luck… or something
Hilary Duff



Preciso dizer que nunca fui fã da Hilary Duff. Nunca ouvi ou, possivelmente, não lembro de nenhuma música da cantora. Conheço-a quase que por osmose devido ao seu sucesso, especialmente no começo dos anos dois mil. Então, ouvir Luck... or Something, seu sexto álbum lançado depois de um hiato de mais de dez anos, foi uma tarefa que não teve nada de nostálgico ou algo parecido que pudesse influenciar a minha visão. E, apesar de terminar sendo apenas mediano, o álbum realmente me surpreendeu.

A grande surpresa do álbum é a sua honestidade, pois é claramente possível ouvir reflexões de cunho bem pessoal e emocional da artista. E tenho que admitir que, sinceramente, não esperava a maneira honesta, verdadeira e, por vários momentos, desconcertante com que a Hilary fala sobre vários assuntos, especialmente os problemas com a sua irmã Haylie Duff. Essa maneira tão aberta dá ao álbum algo que muitas cantoras no auge do sucesso parecem não ter capacidade de alcançar, que é uma sinceridade despretensiosa ao mostrar feridas abertas sem tentar se vitimizar ou se tornar a pessoa mais sofrida do mundo.

E, possivelmente, a canção mais poderosa nesse quesito é a triste We Don't Talk, que é uma crônica sobre o seu relacionamento com a irmã mais velha. Não é uma composição extraordinária, mas é, sim, um trabalho despido de qualquer vontade de ser mais do que realmente é, ao ser um relato sobre a sua tristeza de não ter mais a irmã na sua vida: “People ask me how you're doin'/ I wanna say, "Amazing"/ But the truth is that I don't know”. Outro momento lírico realmente impressionante é na melancólica The Optimist, em que a cantora detalha as consequências emocionais na sua vida adulta devido ao seu relacionamento tumultuado com seu pai, especialmente nos anos de infância e adolescência (“I wish I could sleep on planes/ And that my father would really love me”). Apesar de ter isso a seu favor, Luck... or Something tem como principal e maior problema a sua produção massificada e sem ponto de vista.

Produzido por Matthew Koma, esposo da cantora, e Brian Phillips, o álbum é uma mistura de pop, synth-pop, alt pop e pop rock que fica claramente na sombra de artistas contemporâneos como, por exemplo, Taylor Swift, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter, mas que nunca encontra realmente a sua voz. Isso cria uma sonoridade requentada que até funciona aqui e ali, sem nunca realmente entregar algo que seja memorável. Dá até para se divertir, mas, logo que termina a canção, é quase como se a gente não tivesse escutado. O melhor momento do álbum é a prova cabal disso: Mature é um pop rock/alt pop agradável e radiofônico que parece que a gente já escutou várias vezes na voz de outras pessoas. O que realmente marca a canção é ter a melhor e mais refinada composição do álbum, ao ser um relato sobre homens mais velhos que têm relacionamentos com mulheres mais jovens. Vocalmente, Hilary é uma cantora limitada, mas “fofa” de se escutar, e a produção sabe bem como fazer as canções caberem na sua voz, possivelmente ajudando-as a não serem mais do que apenas medianas.

Outras boas canções ficam por conta da produção mais “Taylor” do álbum no single Roommates, a gostosinha Weather For Tennis e, por fim, a delicada Holiday Party.

Mesmo não entregando um trabalho realmente bom, Hilary Duff consegue fazer de um trabalho mediano algo mais interessante do que o esperado. E isso é algo louvável.


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