31 de maio de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Uma música apenas pode mudar toda a trajetória da carreira de uma artista. Pode ser a música de estreia do artista. Pode ser aquela em que o mesmo é apenas um convidado. Pode ser uma canção em que o mesmo é apenas creditado como compositor e/ou produtor. Existem, porém, algumas canções que surgem de uma maneira tão decisiva na carreira de um artista que literalmente toda a sua história é dependente desse trabalho. E é hoje isso que veremos ao descobrir melhor...


Filler by Ariana

hate that i made you love me
Ariana Grande

É fato que a Ariana Grande nunca entregou uma canção ruim de verdade, mas, nos últimos tempos, a qualidade de seus trabalhos ficou estagnada no apenas bom. E, novamente, é essa a sensação com hate that i made you love me.

Primeiro single de Petal, a canção é uma segura, sólida, bem produzida, elegante e comercial mistura de synth-pop com alt-pop e R&B, que basicamente vem sendo a base da sonoridade da artista. Bem construída pela produção da própria cantora ao lado dos fiéis parceiros Ilya e Max Martin, a canção não parece realmente empolgar com a sua batida contida demais e passa a sensação de que funcionaria melhor como apenas o recheio do álbum do que como um single, ainda mais o primeiro single.

Além disso, hate that i made you love me soa ainda mais contida e menor devido à performance contidíssima de Ariana, que entoa a canção de maneira calma, reflexiva e quase melancólica. E isso, sinceramente, não é problema nenhum, mas deixa uma lacuna quando a gente sabe bem que Ariana é capaz de muito, mas muito mais. O ponto alto da canção é a sua interessante composição, que poderia facilmente ter sido envolvida por uma produção mais excitante.

Apesar de ser uma boa canção, o single mostra que Ariana parece presa em sua própria cartilha, sem saber como encontrar um novo caminho sonoro.
nota: 7,5

A Evolução de Lola

From Down Here
Lola Young


É preciso entender que, ao contrário do que tentaram vender, a Lola Young não é uma artista simplesmente “pop” com toques artísticos. A jovem é entalhada na mesma madeira de nomes como Amy Winehouse e Adele, sendo uma artista genuína com possibilidade de se introduzir no mainstream. E é assim que vejo o seu mais novo e excepcional single: From Down Here.

Ampliando sua visão sonora, a canção é uma produção de James Blake ao lado de Dom Maker e Jameela Jamil, que dá à canção um verniz que mistura pop soul com indietrônica e alt-pop em uma embalagem surpreendente devido à química perfeita da persona de Lola com toda a vibe da canção. E é uma sinergia que realmente dá à canção uma vibe até simples, mas eficiente, que termina sendo uma continuação do que a artista vem fazendo, como também uma evolução surpreendente e muito bem-vinda. Toda a melancolia e o sentimento da batida servem para refletir o grande destaque da canção: a sua extraordinária composição.

Depois de ter tirado um tempo para cuidar da sua saúde mental, a composição de From Down Here é ainda mais visceral e emocional quando a gente percebe a força da crônica que Lola faz ao falar sobre como se sente deslocada do resto do mundo, especialmente no momento em que está amadurecendo e tentando deixar para trás as coisas ruins às quais vinha se apegando. É uma letra sincera, cortante, sensível e de uma verdade crua que deixa a gente realmente sensibilizado, especialmente se a gente já se sentiu ou se sente dessa maneira. Gosto especialmente dos versos que fecham a primeira estrofe, quando Lola canta: “Try a conversation, don't know where to start/But it's my favourite place, so why do I hate it here?”.

E, com uma performance de uma emoção sentimental, mas totalmente contida e contemplativa, Lola entrega uma canção que deveria ser outro imenso sucesso comercial, se conseguir achar as rachaduras do mainstream.
nota: 8,5


New Faces Apresenta: GIRLSET

Tweak
GIRLSET


Uma nova tendência é os reality shows musicais para formar girl/boy bands com inspiração direta no K-pop, como, por exemplo, o Katseye. Apesar de menos conhecida atualmente, a girl band GIRLSET (conhecida antes como Vcha) foi formada na mesma época pelo reality A2K. E, sendo sincero, apenas com a canção Tweak, o quarteto se mostra mais interessante que as suas contemporâneas.


A grande qualidade da canção é a sua influência, que é claramente vinda do R&B dos anos noventa, tanto que usa sample da canção Weak, do SWV, um dos expoentes do gênero na década. Com uma produção que mistura muito bem toques de trap, bubblegum pop e jersey club, o resultado da canção é delicioso, bem pensado, divertido e sensual na medida certa. É uma canção que, apesar de seguir certo padrão, dá ao GIRLSET toda uma personalidade realmente interessante e que meio que as coloca fora dos padrões para outros nomes com a mesma pegada.

O problema da canção é a sua segunda metade, que não chega a ser abaixo da média, mas está abaixo da primeira metade, que é realmente inspirada. As quatro integrantes apresentam personalidades distintas que são muito bem aproveitadas na canção, mostrando também ótima química. E, juntando-se a isso, está a certeira e carismática composição, que funciona sem problemas no meio do caminho entre o clichê, o nostálgico e o inteligente. Espero que o GIRLSET possa continuar nesse caminho e encontrar o caminho para o reconhecimento mainstream, pois, sinceramente, seria merecido.
nota: 7,5

Falta Ânimo

SS26
Charli xcx


O grande problema das canções novas da Charli XCX é a falta de ânimo que elas transmitem. E isso fica mais evidente em SS26.

Bem melhor que Rock Music, a canção é mais um esboço de uma música realmente do que a concretização das ideias por trás dela. O motivo principal é que a produção parece totalmente presa a uma ideia do que seria a adição do rock à sonoridade da cantora, mas deixa a desejar ao não adicionar um fator de excitação verdadeira à produção. Dessa maneira, SS26 termina sendo uma boa, mas opaca, mistura de alt-pop com indie rock, electropop e alt-pop, que desperdiça seu potencial com um instrumental contido demais, que termina sendo quase sonolento.

E o pior é perder a oportunidade de dar à canção algo que pudesse estar na mesma altura da ótima performance da Charli, que decide tirar todos os efeitos vocais, deixando sua voz o mais natural possível em um trabalho diferente, que salva um pouco a canção. Uma pena, porém, que tudo à sua volta soe tão desanimado.
nota: 7

24 de maio de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

I AM...SASHA FIERCE
Beyoncé


Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Superbloom
Jessie Ware


Primeira Impressão

The Mountain
Gorillaz



Primeira Impressão

EQUILIBRIVM
Anitta



Em Busca da Redenção

Choka Choka
Anitta & Shakira


Durante muito tempo, mas muito tempo mesmo, a minha maior crítica à Anitta é o desperdício da oportunidade de fazer algo que fosse minimamente artístico com todo o potencial que a música brasileira possui, indo para algo parecido com o que a Rosalía faz. E, ao que parece, minhas “preces” foram escutadas, pois isso é o que parece ser o foco para o seu novo trabalho (Equilibrium) e há bons indícios disso na realmente interessante Choka Choka.

Apesar de ter alguns pontos de ressalva, a canção é, sem nenhuma dúvida, a melhor da carreira da Anitta. E isso não seria muito difícil, mas o feito é conquistado com louvor em uma canção que realmente faz uma mistura azeitada de vários gêneros brasileiros, como funk carioca, samba, dance-pop e tropical, criando uma faixa madura, comercial e com um toque artístico realmente refinado. Não é exatamente um trabalho que chegue perto de ser genial, mas Choka Choka é o resultado de uma produção criativa que finalmente parece entender o que a Anitta é capaz de entregar de verdade. Preciso apontar que, com pouco mais de dois minutos, a canção ainda soa curta demais para aproveitar todas as possibilidades sonoras que a música deixa expostas.

Além disso, a canção tem uma composição pouco inspirada, que meio que não permite que ela seja ainda melhor, mas, ainda assim, o trabalho tem carisma suficiente para não ser o peso morto da produção. A participação da Shakira não é tão bem aproveitada, especialmente devido ao tempo de duração da canção, mas é realmente revigorante ver sua presença ser tão divertida e imersa, com ela cantando em português. E o mais surpreendente é que a Anitta entrega uma performance muito boa aqui, segurando bem e adicionando personalidade à canção. Talvez os efeitos usados em sua voz não ajudem muito, mas Choka Choka funciona muito melhor do que eu poderia imaginar. Seria esse o começo da redenção artística da Anitta? Fica a pergunta para ser respondida nos próximos tempos.
nota: 7,5

O Céu de Olivia

the cure
Olivia Rodrigo


Apesar de sempre ter entrega boas canções, a Olivia Rodrigo chega ao seu ápice com o lançamento da sensacional the cure.

Segundo single do seu próximo álbum, a canção é sem nenhuma dúvida a mais madura da carreira da cantora devido, principalmente, de uma composição inspiradíssima, emocional e de uma escrita realmente potente e inteligente. E isso é algo que mostra o amadurecimento da cantora que, ao lado de Dan Nigro, escreve uma crônica ainda com indícios de ser os pensamentos de uma jovem em buscar de entender seus sentimentos, mas que, felizmente, está crescendo e tendo a capacidade de se aprofundar artisticamente. E isso é algo inestimável.

Em the cure, Olivia faz uma tocante crônica sobre tentar encontrar o amor próprio pela validação de quem se ama, mas começar a compreender que apenas a mesma consegue se “curar”. Sinceramente, é um trabalho que claramente encontra reflexos na vivencia da cantora, mas também é bem fácil de encontrar conexões com vários tipos de pessoas já que algo que pode acontecer com qualquer pessoa. Essa capacidade ampla de falar com outros públicos é outra qualidade da composição que é emoldurada por uma excelente produção que adiciona uma camada mais forte de indie rock para a base pop rock/alt pop que já é a marca da cantora. Devido a isso, a canção ganha uma urgência interessante sem perder, porém, o verniz radiofônico e da personalidade da cantora. Completa o pacote, a delicada, sentimental e sólida performance da Olivia que deixa claro a sua evolução continua como interprete principalmente.

E assim, a Olivia entrega o seu melhor momento da carreira até agora que, sinceramente, espero que continue a reverter no resultado final de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love.
nota: 8,5

New Faces Apresenta: Malcolm Todd

I Saw Your Face
Breathe
Malcolm Todd

Será que o cantor Malcolm Todd vai ocupar a vaga de próximo grande “white male popstar”, já que faz tempo que não surge um nome realmente forte nesse espaço? Se depender dos dois primeiros singles do seu segundo álbum, Do That Again, existe essa possibilidade real.

A grande qualidade aqui é a diferença entre os dois singles sonoramente, mas ambos deixam o cantor bem dentro desse escopo de “white male popstar” de uma maneira bem mais interessante do que se poderia esperar. De um lado, o lado mais comercial em Breathe e, do outro, o mais indie em I Saw Your Face. E, curiosamente, as duas canções podem funcionar melhor dependendo do estilo de quem escuta, pois, para mim, a primeira é o grande destaque ao invocar uma nostalgia da qual eu não sabia que estava sentindo falta, ao emoldurar quase perfeitamente o começo da carreira do Justin Timberlake.

E, queridos leitores, isso é algo que me pegou de surpresa no momento em que percebi que a batida de Breathe poderia facilmente ter entrado no primeiro álbum do Justin e, sinceramente, isso é um elogio verdadeiro. Uma mistura sexy, dançante, envolvente e carismática de pop, R&B e alt-pop que emoldura o estilo de produção do Pharrell Williams. A canção passa longe de ser uma pastiche barata, mas tem um quê claro de “brincadeira” ao seguir por esse caminho, o que funciona melhor do que o esperado. Todavia, a grande qualidade da canção é que Malcolm tem um carisma próprio ao ser um “nerd” carismático / “boy next door” que se encaixa muito bem com a pegada da canção, principalmente por essa diferença entre o estilo da faixa e quem a interpreta.

Apesar de menos inspirada, I Saw Your Face mostra uma outra faceta do artista ao ser uma sólida faixa de indie rock/pop que não reinventa a roda sonoramente, mas tem uma produção muito acertada, refinada e com personalidade.


Com esses dois momentos interessantes e auspiciosos, Malcolm Todd tem todo o potencial para ser a próxima grande promessa da música.
notas
I Saw Your Face: 7,5
Breathe: 8

O Comeback do Comeback do Comeback

ORIGAMI!
Kesha


Completamente fora do radar, a Kesha lança o single que pode ser o primeiro de seu próximo álbum. E, felizmente, eu fiquei sabendo, pois ORIGAMI! é uma ótima canção.

Apesar de ser sonoramente diferente de Joyride, a canção mantém algumas das mesmas qualidades ao ser um explosivo, carismático e estilizado pedaço de exploração pop que a Kesha nos presenteia de tempos em tempos. Aqui temos uma refinada e “ball to the wall” mistura de eletropop, house e Hi-NRG que começa a 100 km/h e termina na mesma velocidade. E isso funciona devido à produção segura, que sabe muito bem construir um instrumental que se alinha perfeitamente com a estrutura e a vibe da canção, não deixando muito espaço para lacunas ou pontas soltas.

Preciso dizer que gostaria que o clímax da canção fosse estendido por mais algum tempo para fazê-la explodir ainda mais, mas, felizmente, isso não é um problema que chega realmente a atrapalhar o resultado final da canção. Além disso, ORIGAMI! tem uma composição tão “estúpida”, no bom sentido, em que a Kesha descreve o seu desejo sexual ao ligá-lo com vários aspectos da cultura japonesa, algo que ficaria brega na voz de outra artista, mas que aqui funciona perfeitamente, com pérolas como “Let's get experimental/ Turn me into your pretzel”.

Espero que esse começo promissor possa continuar no mesmo caminho até o lançamento do próximo álbum da Kesha e não seja apenas um fogo de palha bem-vindo.
nota: 8

Não Bateu

I'm your girl right?
Tove Lo


Tenho a Tove Lo em alta consideração devido à sua sempre ótima entrega durante a carreira até o momento. E é por isso que fico “triste” quando a sua nova canção, I'm your girl right?, não bate em mim como eu esperava.

Primeiro single do seu novo álbum (Estrus), a canção tem todas as qualidades da sonoridade da artista, mas parece faltar o último passo para realmente chegar ao mesmo nível dos seus trabalhos mais notórios. O motivo principal é a sua produção, que acerta o tom do eletropop diferenciado e estilizado da Tove Lo, mas parece carecer de força verdadeira para impulsionar a batida, terminando quase como uma canção com medo de mergulhar nas suas próprias influências. E é uma pena, pois I'm your girl right? tem uma batida interessante que poderia ser bem melhor explorada e aprofundada. Outro problema é que a composição não tem a mesma pegada emocional que os trabalhos da artista sempre mostram, mesmo sendo letras diretas e, de certa maneira, simples.

Felizmente, Tove Lo segura bem a canção, injetando toda a personalidade dela por meio da sua performance, mas I'm your girl right? ainda é um trabalho frustrante para o que ela já entregou. Pena.
nota: 7

Ainda Na Procura

Hit the Wall
Gracie Abrams


Apesar de ser um nome contemporâneo atual, eu particularmente perdi a conexão com a carreira da Gracie Abrams por sentir que algo ainda não bateu, mesmo ela sendo razoavelmente promissora. E olha que sua nova canção, Hit the Wall, é um bom trabalho.

Single que abre os trabalhos do álbum Daughter from Hell, a canção é uma segura, bem-feita e até interessante faixa midtempo de indie pop/alt pop que não foge em nada do escopo sonoro até agora apresentado pela artista. Todavia, existe um refinamento mais maduro que demonstra o amadurecimento da parceria com o produtor Aaron Dessner, ajudando a canção a parecer o começo da evolução da artista. Ainda não está exatamente em outro nível, mas Hit the Wall é um trabalho que dá vislumbres do que pode estar por vir.

O que se destaca na canção, porém, é sua ótima composição, que é o ponto que realmente dá a sensação de estarmos vendo uma artista em progresso. Elegante, inteligente, amadurecida e com um tino que demonstra personalidade genuína, a letra aqui é um trabalho que poderia facilmente ser mais apurado, mas que, sinceramente, funciona perfeitamente para uma jovem de vinte e seis anos em busca de si mesma em uma composição melancólica e emocional. Gosto particularmente de um verso que cita a cantora Joni Mitchell quando diz: “A Case Of You playing in the hallway / Hallucinations that I downplay”, o que dá maior sentido ao restante da composição de forma realmente inesperada.

Gracie ainda precisa realmente encontrar um caminho que seja algo que a destaque da multidão, pois, até agora, parece que a cantora fica apenas na periferia visual das atuais cantoras pop.
nota: 7,5

É Sério Isso?

Rock Music
Charli XCX


Posso estar enganado, mas acho que a Charli XCX está tirando onda com a cara do público. Só isso explica ela ter lançado Rock Music.

Com nem dois minutos de duração, a canção soa mais como uma demo do que realmente uma faixa finalizada devido a basicamente todos os seus elementos. E o pior é a sua produção, pois Charli não trabalha com nenhum produtor novato e, sim, com A. G. Cook e Finn Keane, que já trabalharam com a artista em vários grandes momentos, incluindo, claro, a era Brat. Então, era esperado algo que fosse no mínimo escutável, mas Rock Music é, sem dúvida nenhuma, a pior canção da carreira da artista.

Sem personalidade, irritante, chata, rasa e sem muitas das qualidades da artista, a canção, como dito, mais parece alguma demo inicial que foi vazada. Para uma faixa finalizada e lançada como single oficial do novo álbum, é totalmente decepcionante. O pior é que esse hyperpop com toques de pop rock e indie poderia funcionar perfeitamente com uma produção que não parecesse uma pastiche de si mesma, querendo desesperadamente soar cool e irônica, quando termina sendo apenas ruim e pretensiosa. Assim também é a composição, que parece querer brincar com a noção de ser uma rockstar atualmente, mas falha por falta de estilo, graça e inteligência. Apesar de segurar até bem os versos, Charli erra profundamente ao extrapolar os efeitos para entoar o refrão minimalista, que se torna a cereja pobre em cima do bolo.

Espero que isso seja apenas uma piada de mau gosto da Charli XCX e que a gente possa esquecer a existência dessa canção e começar, de fato, sua nova fase com algo que seja minimamente decente.
nota: 4

3 de maio de 2026

Primeira Impressão

THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.
RAYE



As Lições da Madonna

Bring Your Love
Madonna & Sabrina Carpenter


Nunca, mas nunca, duvide da Madonna, pois, basicamente, foi ela que ajudou a remodelar todas as regras sobre ter uma carreira no pop. Depois de divulgar I Feel Free para dar um gosto do retorno aos bons tempos, a cantora lança o single oficial de Confessions II com a divertidíssima Bring Your Love, com a participação de Sabrina Carpenter.

Bem menos intrigante que a canção anterior, o single é claramente mais pensado no fator comercial, ao ser um trabalho que se emoldura bem para o “radiofônico”. E isso é bem claro devido à presença da Sabrina e à produção mais palatável. Todavia, não espere que a canção seja um caça-níquel com potencial desperdiçado, pois é exatamente o contrário. Com produção da Madonna ao lado de Stuart Price, Bring Your Love é uma cativante, dançante, divertidíssima, deliciosa, gratificante e bem pensada mistura de dance-pop com house, que conversa com a atmosfera de I Feel Free, mas consegue criar essa vibe pura de canção pop para hitar nas paradas. Todavia, a grande e maior qualidade de Bring Your Love é mostrar a volta da grande qualidade da Madonna: o olhar para o passado e, ao mesmo tempo, o olhar para o que está “escondido” do mainstream.

O single se usa de duas canções para samples/interpolações que dão essa sensação de volta à old Madonna que faltava tanto nos últimos trabalhos. Do lado do sample, a produção busca em Good City, de 1988, da banda Inner City, a base para a canção. Do lado da interpolação, boa parte da atmosfera da canção vem de Doing It Too, de 2025, de Rochelle Jordan. Essa mistura de passado e presente, mas que se comunicam entre si, ajuda a dar para Bring Your Love uma personalidade completamente única, que faz jus a ser uma canção da Madonna em todos os termos. Além disso, chamar a Sabrina é outro acerto, pois a jovem é, assim como a Britney foi lá no começo dos anos 2000, a melhor representante contemporânea da essência da Rainha do Pop. E, mesmo não sendo uma união tão icônica, funciona perfeitamente e com potencial de ser um grande momento em 2026. Preciso apontar que a composição aqui poderia ser bem mais elaborada, mas, felizmente, faz bem o seu papel e tem um ótimo refrão.

Com Bring Your Love, Madonna continua a dar algumas lições para qualquer artista que precisa aprender a como ser uma verdadeira diva pop.
nota: 8,5

Kim XCX

Need For Speed
Kim Petras


A nova era da Kim Petras pode não ser exatamente um sucesso comercial, mas, sinceramente, está fazendo a cantora voltar às boas graças do seu público. E a mesma até faz uma volta ao passado com a ótima Need for Speed.

A canção é um trabalho que lembra, na verdade, a Charli XCX do velho testamento, especialmente a que a gente ouvia nas mixtapes. Não que seja um problema, pois o resultado final combina perfeitamente com a personalidade da Kim. Além disso, a produção é acertada e inteligente ao fazer a canção ser um electropop com toques de EDM, alt pop e bubblegum bass, que consegue equilibrar bem todas as vertentes em uma canção com personalidade suficiente para ser de fácil assimilação, com elementos mais alternativos e elementos mais puramente pop.

Need for Speed é, na verdade, quase a canção pop perfeita, mesmo não sendo genial. Rápida, mas não tão rápida a ponto de ser um trabalho inacabado. Divertida e dançante, mas que nunca parte para o clichê simplesmente por querer soar “pop”. E isso é algo bem raro atualmente, especialmente quando a gente percebe que a letra é tão bem pensada que consegue ser previsível, refinada e deliciosamente fútil, em que a cantora branda no ótimo refrão que “And I'm sorry if you fall for me 'cause my life moves so quickly/'Cause I got a lot of need for speed”. Nada mais pop do que isso. E, queridos leitores, isso é a melhor qualidade que a Kim pode entregar e, sinceramente, espero que a mesma continue nesse mesmo caminho.
nota: 8

New Faces Apresenta: JT

Numb
JT

Apesar de já ter aparecido aqui com participações em algumas músicas, a rapper JT ainda vai lançar o seu álbum de estreia após o fim do duo City Girls. E, pelo que a mesma já mostrou e pelo interessante resultado de Numb, é preciso ficar de olho no potencial que está por vir.

Ácida, pesada e densa, o single parece querer estabelecer a rapper com uma sonoridade que a diferencie de suas contemporâneas ao buscar influências no experimental hip hop, com pinceladas de pop rap e southern/hardcore hip hop. E, sinceramente, isso é uma grande lufada de frescor, especialmente devido à produção conseguir construir uma canção que realmente soa potente e diferenciada. Boa parte disso vem do concreto e maduro instrumental, que cria toda a atmosfera necessária para que a JT consiga entregar uma performance realmente sensacional.

Numb, na verdade, vive ou morre pela performance de qualquer pessoa que fosse a sua “dona”. Felizmente, JT entrega não apenas o que precisaria ser feito, mas, principalmente, imprime uma identidade áspera e distinta, com uma raiva controlada que dá toda a força emocional para a canção, sendo misturada com toques de ironia e um carisma interessante. E, apesar de ser uma canção com pouco mais de dois minutos e meio, a composição usa muito bem todos os momentos para encorpar tematicamente a faixa, mesmo que o refrão não funcione tão bem. E assim, a JT entra no radar de possíveis grandes nomes da música para um futuro próximo.
nota: 8

O Batidão Do Sucesso

Girl Like Me
PinkPantheress


Possivelmente, a mixtape Fancy That já pode ser considerada uma das mais bem-sucedidas de todos os tempos, pois está dando frutos incomparáveis para a sua “dona”, PinkPantheress. Agora é a vez da canção Girl Like Me ter os holofotes apontados para si ao ser escolhida como novo single.

Uma das faixas com base mais marcante do projeto, devido à sua forte influência de bass and drum, o single é divertido, cativante e facilmente viciante. Mesmo sendo um dos momentos menos interessantes da mixtape, Girl Like Me está facilmente dentro do mesmo reino de qualidade e potencial de todas as canções de sucesso da artista, pois possui plenamente toda a sua personalidade artística. A maneira enxuta como a produção constrói a batida, a contraposição entre o instrumental e a forma como PinkPantheress entoa a canção, o refrão na medida certa e, por fim, o trabalho instrumental refinado são os pontos fortes da artista e se mostram na medida na canção. É preciso apontar que a parte final da canção, que é totalmente instrumental, ajuda a elevá-la, pois dá ainda mais profundidade à sua batida.

E assim continuamos a ter a hitmaker PinkPantheress com um grande potencial.
nota: 7,5

26 de abril de 2026

Primeira Impressão

WOR$T GIRL IN AMERICA
Slayyyter



A Hora da Slayyyter

BROKE BITCH FREE$TYLE
Slayyyter


A fase atual da Slayyyter está tão boa que, mesmo tendo acabado de lançar o álbum, a cantora já anunciou o primeiro single da versão deluxe: a explosiva BROKE BITCH FREE$TYLE.

A canção claramente se encaixa no álbum, de maneira a continuar expandindo a sonoridade da cantora para lugares novos e excitantes. Na faixa, a produção aposta na construção de um industrial hip hop com electropop e pinceladas de rap e eletrônico, criando uma sonoridade extremamente estilizada devido à batida frenética. Felizmente, a produção sabe dosar muito bem as asperezas de BROKE BITCH FREE$TYLE, para não deixar a canção se tornar irritante devido à batida extremamente marcada por tambores. E Slayyyter conduz a faixa com uma performance tão gigantesca que a coloca em um patamar no qual apenas ela mesma conseguiria carregar uma canção com tamanha distinção criativa.

Não é exatamente uma canção para qualquer público, mas é facilmente apreciada por quem gostou de qualquer música recente da artista. E isso é uma qualidade para poucos.
nota: 8

Primeira Impressão

Vacancy
Ari Lennox



New Faces Apresenta: Adéla

KGB
ADÉLA

Existem males que vêm para bem. Primeira eliminada do reality que formou o Katseye, a eslovaca Adéla vem começando a ter uma carreira que tem grandes possibilidades de ser consideravelmente melhor que a do girl band. Depois de assinar um contrato com uma gravadora, a cantora vem se preparando para lançar seu debut e, como single, lançou a ótima KGB.

A canção é uma ótima apresentação e formulação da imagem da artista para o público mais mainstream que quer, claramente, ser envernizada com o toque “comercial” e, ao mesmo tempo, ter um toque realmente refrescante de uma nova artista. E esse toque vem de alguns lados, mas o principal é sobre a origem de Adéla, que gera uma ótima brincadeira na construção da exagerada, “tongue in cheek” e divertidíssima composição. KGB faz uma ácida e irônica associação sobre a construção/ascensão da artista como uma diva pop com o fato de ela ser igual a uma espiã da KGB, que foi o órgão da União Soviética associado aos espiões e à Guerra Fria. E o melhor é que a letra é escrita de maneira bem amarrada, sabendo dosar bem a bobagem com a estética pop e também servindo como uma introdução sobre qual é a persona da artista. Outro grande acerto é a sua acertada produção.

Ao contrário de quase tudo que o Katseye já entregou, a produção entrega em KGB uma batida marcada e com elementos bastante “over” na batida, mas, felizmente, sabem lindamente dosar para criar um equilíbrio bem delimitado com o lado mais digestível da canção. Dessa maneira, a canção se torna uma excêntrica, elétrica e explosiva mistura de eletropop, electro house e toques de ballroom e dance-pop, mas com um senso estético para agradar um grupo maior de ouvintes ao não ir com tudo nessas influências. Isso cria uma canção que poderia ser ainda mais disruptiva, mas que fica no meio do caminho. Felizmente, o trabalho nem precisa de maior input artístico para ser um verdadeiro bang. Vocalmente, Adéla apresenta espaço para crescer, mas aqui entrega uma performance sensacional que dá todo o tom da canção, com personalidade de sobra.

E assim, queridos leitores, fica a prova cabal de que nem sempre quem vence termina sendo o vencedor, pois Adéla parece ter um caminho glorioso pela frente.
nota: 8

Disco By Sabrina

House Tour
Sabrina Carpenter

Colhendo os imensos frutos do seu sucesso recente, a Sabrina Carpenter lança House Tour como single de Man's Best Friend. Uma pena que tenha sido só agora, pois a canção poderia ser um imenso sucesso de verdade.

Uma das melhores faixas do álbum, a canção é uma gostosinha e divertida synth-pop com toques deliciosos de synth-funk e dance-pop, que cria a batida mais interessante de todo o álbum. É rasa, mas é cativante. É vintage, mas é feita especialmente para o público atual. Não é nada inovadora, mas o fator “familiar” é realmente auspicioso. Talvez tenha faltado um toque de genialidade na produção para que a canção subisse alguns degraus e fosse ainda melhor, mas é feita de maneira tão redondinha que o resultado é bem aceitável. Além disso, a maneira despretensiosa, fofa e, ao mesmo tempo, sexy que Sabrina carrega House Tour é outro momento inspirado, e acredito que, entre todas as suas contemporâneas, a artista é a única que seria capaz de sustentar uma canção com composição tão sexualmente carregada.

Se tivesse sido lançada antes, House Tour teria chances de ser o outro “Expresso” da Sabrina.
nota: 7,5

Uma Para os Tiozões!

Who Will You Follow
Evanescence

E o ano de 2026 continua a surpreender com a volta de alguns artistas não apenas ao cenário, mas, principalmente, entregando boas músicas. Esse é o caso perfeito do Evanescence com a surpreendente Who Will You Follow.

Apesar de não apresentar nada de novo na sonoridade da banda, a canção entrega o que é esperado de uma forma tão bem construída, refinada e madura que fica difícil não se deixar cativar. Uma poderosa e grandiosa mistura de nu-metal/rock alternativo/metal que sabe exatamente o que é, qual é o seu público e como entregar exatamente isso, sem mais nem menos. E, sinceramente, isso é algo bem raro de acontecer, pois nem sempre um artista com anos de estrada, como o Evanescence, é capaz de entregar dessa maneira.

Todavia, Who Will You Follow é o veículo perfeito para mostrar o quão impressionante é a presença de Amy Lee, pois a vocalista entrega uma performance poderosa em que não apenas não parece que se passaram mais de vinte anos desde o lançamento do debut da banda, mas também mostra um frescor delicioso no momento em que a gente percebe que não existe ninguém atualmente parecido com ela, nem de perto.

E assim, 2026 vai ficando com cara de 2006, da melhor maneira possível.
nota: 8

Demi Got It!

Low Rise Jeans
Demi Lovato


Se tem um projeto que merecia muito reconhecimento recentemente, é o álbum It's Not That Deep, da Demi Lovato. Uma pena que não seja o caso, pois a cantora continua entregando ótimos momentos, como é o caso de Low Rise Jeans.

Single da versão deluxe do álbum, a canção continua seguindo perfeitamente o caminho das faixas do projeto ao entregar nada revolucionário, mas, sim, algo bem construído e sincero: um dance-pop/electropop com toques de R&B que empolga exatamente pela sinceridade artística. Low Rise Jeans é, porém, a canção mais sensual do trabalho, ao ter uma batida mais densa e grudenta que combina perfeitamente com a composição, que navega muito bem por esse território. E, graças ao toque de MNEK, que assina como um dos autores, a canção tem um apelo pop refinado que torna difícil entender o motivo de não ter melhores resultados comerciais.

De qualquer forma, Demi pode se orgulhar de ter entregado uma das melhores eras da sua carreira.
nota: 8

19 de abril de 2026

The Queen, The Mother, The Madonna

I Feel So Free
Madonna


Apesar de estar otimista e ansioso pelo lançamento de Confessions II, preciso admitir que estava cautelosamente otimista, pois, mesmo sendo a Madonna, os últimos lançamentos da cantora são, no mínimo, medianos em sua grande maioria. Então, eis que surge o lançamento de I Feel So Free para mudar a minha concepção, ao me deixar realmente excitado para o álbum, já que a canção é a melhor música da cantora em nada menos que vinte anos.

Na verdade, a canção não é apenas uma ótima canção, mas, sinceramente, já pode ser considerada digna de entrar no panteão das melhores da carreira da Rainha do pop. E isso é algo impressionante para uma artista que parecia estar no automático nos últimos trabalhos. Ao voltar a trabalhar com Stuart Prince, produtor do primeiro Confessions e responsável recentemente por trabalhos ao lado de Jessie Ware e Dua Lipa, a cantora não apenas se reconecta diretamente a uma sonoridade, mas também volta a ter química de verdade com um parceiro de criação. E isso é algo essencial para a construção de qualquer canção de uma artista tão única como a Madonna, e Stuart entende isso à perfeição. Por isso, I Feel So Free é uma verdadeira música com M maiúsculo.

Outra imensa qualidade da canção é o fato de que ela não é apenas uma continuidade da sonoridade do primeiro álbum, mas, sim, uma canção com identidade própria. Na verdade, a melhor definição é que I Feel So Free seria a prima direta de Hung Up/Sorry, mas que tem laços com outras influências. Parecidas, mas nada iguais. A canção, que não é um single oficial, traz uma fusão refinadíssima de deep house com progressive house e dance-pop, criando uma sonoridade esteticamente familiar, mas que vai se desenrolando em um trabalho energético, atmosférico, poderoso e impressionante. A produção consegue dar a gravidade e grandiosidade que uma música da Madonna precisa ter para carregar toda a sua força, lembrando de criar uma vibe que é puramente pop. E esse pop é em sua forma mais Madonna possível, com uma canção de mais de cinco minutos e com uma composição que basicamente é uma celebração da volta da artista, que logo no primeiro verso manda:

Sometimes I like to just hide in the shadows
Create a new persona
A different identity
I can be whoever I wanna be

Vocalmente, a canção é o melhor trabalho da cantora em anos, pois, além de deixar a sua voz o mais natural possível na parte cantada, os momentos em que ela declama os versos casam lindamente com a atmosfera da canção e são a base perfeita para o estouro sonoro do refrão e o ótimo clímax final.

Ainda é um pouco cedo para declarar que esse é o retorno à altura que a Madonna está planejando para si mesma. Todavia, se isso for uma prévia real do que está por vir, é certo que estaremos diante de outro marco da música.
nota: 9

O Tema Não Tema

First Light
Lana Del Rey


E a Lana Del Rey que lançou um ótimo tema para o James Bond, mas não tem nem chance de se unir a Sam Smith, Adele e Billie Eilish, já que a canção é o tema do game do espião e não do próximo filme. Mesmo assim, First Light é um interessante trabalho que funciona até melhor do que seria esperado.

Sinceramente, eu nunca tinha pensado em como seria uma música da Lana ser tema de 007 e, se pensei, não achei que daria tão certo. E o grande acerto da canção é conseguir, de alguma forma, ter elementos de grandes canções-tema da franquia, ao mesmo tempo que carrega a personalidade da cantora impregnada do começo ao fim. Sendo bem realista, First Light é como se a cantora emoldurasse a sua versão de Shirley Bassey, que tem no currículo três clássicos do gênero. E isso é algo impressionante.

Navegando entre o clichê e o épico, a canção tem um instrumental que consegue expressar a grandiosidade cafona dos temas tradicionais do 007 com uma maestria impressionante, mergulhando fundo na referência nada sutil. Ao contrário de Skyfall, da Adele, por exemplo, a canção não busca exatamente ser algo ligado diretamente à artista ou ter um verniz moderno, mas, sim, ser um pastiche lindamente criado. Todavia, a canção brilha quando percebemos a personalidade da Lana, quando ela começa a entoar com os maneirismos de sempre, mas vai se transmutando em uma persona que se encaixa com o explosivo clímax final. Só que, até aqui, ainda é possível ouvirmos a velha Lana colocando sua personalidade. O ponto fraco da canção é a boa, mas restrita, composição, que talvez tenha sido feita de maneira mais tradicional que o resto da canção, sem adicionar o toque da cantora de forma realmente nítida.

De qualquer forma, First Light seria o Oscar da Lana Del Rey, mas fico feliz de apenas existir.
nota: 8,5

Roqueira

idea 1
Kelela


A capacidade de compreender a sua própria sonoridade de uma maneira realmente plena é algo reservado para poucos. E esses poucos têm a capacidade de transmutar sua música sem perder a essência, como é o caso de “Idea 1”, da sempre sensacional Kelela.

Adicionando uma carga imensa e impressionante de rock alternativo e shoegaze à base de R&B alternativo, que é um dos nortes da sua carreira, a cantora é capaz de entregar uma canção poderosa, envolvente e densa. Com um instrumental intrigante e de uma maturidade visível, “Idea 1” é uma canção que vai se derramando em ondas nos nossos sentidos, desde os seus primeiros acordes contidos, até ir se encorpando e ganhando uma forma intrigante e majestosa, para finalmente terminar de maneira reflexiva.

E a presença imponente de Kelela é outro grande acerto, pois a cantora, dona de uma voz doce e aveludada, vai se adequando ao que a canção transmite, indo do sentimental até a grandiosidade com uma maestria louvável. É preciso dizer que, apesar de possuir uma boa e inspirada composição, a canção perde certa força por não ter aquele momento de genialidade pura. Mesmo com esse detalhe, Kelela não deixa de mostrar a infinitude de seu talento.
nota: 8,5

Uma Pras Gays!

RUNWAY
Lady Gaga & Doechii


Nada mais “cunty” do que ter como um dos temas de O Diabo Veste Prada 2 a parceria da Lady Gaga com a Doechii na deliciosa Runway.

Longe de ser o tema cinematográfico da década, a canção cumpre tão bem seu papel que não deixa muito espaço para não acharmos que é perfeita para o que se propõe a fazer. Uma divertidíssima e superficial diva house fundida com hip hop, ballroom e rap, Runway é o tipo de canção que a gente meio que vicia logo de cara, por ter todos os elementos na proporção certa.

Batida carismática e muito bem construída, a presença “larger than life” da Gaga que, sinceramente, parece mais uma featuring, já que a Doechii tem maior presença na canção e, felizmente, entrega uma ótima performance; a composição rara, mas sensacionalmente clichê e deliciosamente icônica, que consegue, ao mesmo tempo, fazer claras alusões e referências a Bruno Mars (coprodutor e co-compositor da canção), a RuPaul, a Eddie Murphy (!!!) e, claro, ao filme.

E, mesmo perdendo a chance de ser genial,  Runway cumpre com louvor sua proposta: uma música para as gays!
nota: 8

Oportunidade Perdida

SHE DID IT AGAIN
Tyla & Zara Larsson


É meio triste ouvir uma canção que não alcança seu total potencial, pois é uma oportunidade perdida bem grande. E é esse o quadro que fica em SHE DID IT AGAIN, da Tyla com a Zara Larsson.

E o grande erro da canção é a sua produção, que entrega uma confortável batida afrobeats/R&B/pop que não está à altura do potencial das duas artistas. Na verdade, a canção, que poderia ser um dos melhores duetos femininos dos últimos tempos, acaba se tornando quase genérica demais para algo que deveria ser uma explosão sonora. A sensação aumenta quando a gente percebe que a composição é um trabalho muito bem pensado, com várias e ótimas citações pop como, por exemplo, Britney Spears e Sade.

E isso se deve, possivelmente, à presença da assinatura do talentoso MNEK na letra. Sinceramente, a canção funcionaria melhor se o artista também fosse o responsável pela produção, pois tenho certeza de que seu toque seria o que falta para SHE DID IT AGAIN. Mesmo sem uma química muito refinada, Tyla e Zara entregam boas performances, que dão certa personalidade à canção. Uma pena que não seja suficiente para salvá-la do lugar-comum.
nota: 6,5

Um Pouco Similar Demais

drop dead
Olivia Rodrigo


Considero, de verdade, a Olivia Rodrigo como uma das melhores artistas da sua recente geração. Dito isso, o lançamento de drop dead, primeiro single do seu próximo álbum, veio com um tropeço bem nítido: a similaridade com Taylor Swift.

Novamente produzido por Dan Nigro, a canção tem algumas semelhanças bem proeminentes com as canções da Taylor, especialmente na sua primeira parte. E estou falando da parte sonora e vocal. Isso tira certa qualidade da canção, pois a Olivia sempre conseguiu imprimir algo que é realmente seu em seus trabalhos. Felizmente, drop dead é uma canção que, se é parecida com alguma outra, é uma canção realmente boa, pois o resultado final é realmente bem acima da média.

Como disse, a canção engrena de verdade a partir da sua metade, em que a produção adiciona novas texturas e aumenta a cadência da canção, criando um divertido, despretensioso e bem apurado synth-pop/pop rock que ajuda a aprofundar a sonoridade de Olivia. Devido ao que já foi citado, o aprofundamento é mais superficial, mas é uma amostra de que a jovem está em processo de amadurecimento estético de fato. A composição é o ponto alto do trabalho, pois é o que melhor dá personalidade à canção, já que deixa claro ser o trabalho de uma jovem de apenas 23 anos que começa a encontrar novos caminhos para se expressar. E, mesmo não sendo a sua performance mais interessante, a Olivia segura muito bem a canção do começo ao fim.

É um começo bom para a nova era da Olivia, mas que guarda alguma sensação de que pode ser a sua menos impactante artisticamente.
nota: 7,5

Lavagem de Dinheiro

PINKY UP
KATSEYE


Sinceramente, eu estou começando a achar que tudo envolvendo o Katseye é lavagem de dinheiro à luz do dia, pois só isso explica o lançamento de uma canção ruim atrás da outra. Dessa vez, a bomba é PINKY UP.

O grande problema da canção é que a mesma tem uma batida que é completamente diferente da canção que as integrantes do girl group estão cantando. A produção escolhe seguir um caminho que mistura tecno/trance/dance-pop com uma batida irritante, exagerada e completamente rasa, enquanto existe uma melodia, especialmente vocal, que puxa mais para o bubblegum/dance-pop, criando algo disjuntado, medíocre e desconcertantemente sem sentido.

O pior é que PINKY UP funcionaria muito melhor se seguisse a vibe em que as integrantes estão, pois as jovens realmente entregam tudo em suas performances. Todavia, nada consegue salvar essa verdadeira bomba, já que é totalmente insalubre.
nota: 3

Nostálgica

Younger You
Miley Cyrus


Comemorando vinte anos da série Hannah Montana, a Miley Cyrus lançou um especial para celebrar a marca do que a fez se tornar a estrela que é atualmente. E, como tema, divulgou a sentimental Younger You.

Apesar de eu não cair pela nostalgia do evento, pois nunca assisti à série, é preciso dizer que a canção ajuda a criar uma ótima atmosfera para entendermos o olhar para o passado da Miley. Uma balada country pop/indie folk, a canção é o tipo de música que funciona devido à sua sincera e tocante produção, que não tem a pretensão de ser mais do que realmente é.

E, nesse caso, é ser uma ponte entre a artista atual e aquela que ela era quando estava na série anos atrás. Isso é alcançado sem maiores problemas, especialmente devido à sua composição realmente emocionante, em que a versão mais nova conversa com a Miley do agora. É clichê e simples, mas muito bem escrita, já que parte de um lugar realmente verdadeiro. Tudo se fecha com uma performance inspirada e contida da cantora, que dá os arremates finais à canção. Uma música que exala uma nostalgia tão real que fica impossível não gostar.
nota: 7,5