7 de agosto de 2026

Mães

Love Sensation
Madonna & Kylie Minogue


Eis que chegou o dia que nunca imaginei de verdade que iria acontecer: o lançamento da parceria da Madonna com a Kylie Minogue. Duas das melhores e mais importantes de toda a história da música finalmente se uniram para entregar uma canção que realmente é à altura das suas presenças no remix de Love Sensation.

E a melhor coisa é notar que esse remix faz algo quase impossível de ser feito: melhorar a canção original. Um dos momentos menos inspirados de Confessions II, a canção ganha um grande upgrade devido à excepcional produção, que realmente mantém as qualidades da canção-base e adiciona uma carga imensa de novas texturas e camadas, criando um trabalho grandioso, riquíssimo, divertidíssimo e que consegue dar para a canção todo o peso que a parceria das artistas merece.

Devido à nova visão da canção, Love Sensation funciona não apenas como um excepcional e verdadeiro remix, mas, também, quase como uma nova canção devido às alterações realizadas, sendo quase como se fosse um remake da versão original.

No remix, os elementos do “dance-pop, emoldurado por eurohouse e nu-disco” foram refinados e adicionadas doses de diva/french house e electropop, que criam ainda mais corpo para a canção. Todavia, o toque de mestre é a presença da Kylie, que realmente tem todo o espaço para também reivindicar a canção como sua, adicionando a sua imensa personalidade artística do começo ao fim. Muito bem equilibrado entre as duas, Love Sensation também demonstra a química de duas artistas que chegam a um momento das suas carreiras em que não precisam mais provar nada, que são duas forças da música pop com todo o direito adquirido ao longo dos anos. Liricamente, a canção não tem novos versos, mas a mudança na estrutura e a adição de interludes dão vigor e frescor, especialmente devido ao fato de serem utilizados para dar equilíbrio entre as duas cantoras.

E assim, queridos leitores, a história é feita por aquelas que são a história. Simplesmente lendário.
nota: 9

6 de agosto de 2026

Celebração Merecida

MELHOR NOTÍCIA
Liniker

Acho que ainda muitas pessoas não têm noção da grandiosidade e da importância de a Liniker ser atualmente uma das maiores artistas brasileiras em atividade, vencendo Grammys e lotando shows em uma turnê aclamada. E isso é algo revolucionário, pois mostra que o talento sempre vence no final. Como forma de divulgar a Bye Bye Caju Tour e, acredito, também como forma de agradecimento, a cantora lançou a ótima MELHOR NOTÍCIA.

Assim como todo o Caju, a canção é a prova cabal da qualidade da sonoridade da artista, pois é um trabalho completo, refinado e com a sua marca indiscutível. Uma classuda e envolvente mistura de MPB, soul e psicodelia que vai sendo desenrolada sem pressa em uma construção instrumental substancial, elegante e cativante. A produção não tem medo de fazer uma canção de cinco minutos, já que tem a capacidade de manter o interesse de quem ouve preso do começo ao fim. MELHOR NOTÍCIA ainda conta com a presença sempre impecável da Liniker, que entoa a canção de uma maneira que parece não ter dificuldade alguma, mas é uma performance que apenas alguém com a sua capacidade vocal e emocional é capaz de sustentar tão bem.

E assim a gente sabe que ainda existe esperança no mundo quando vê o “bem” vencendo com o sucesso da Liniker.
nota: 8

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Lush Life
Zara Larsson


Se a Zara Larsson só alcançou o atual status que desfruta depois de mais de dez anos de carreira, é preciso que a mesma tenha começado de algum lugar. E a canção que a fez despontar artisticamente e comercialmente foi o hit Lush Life.

Lançada em 2015 como primeiro single do seu segundo álbum (So Good), a canção é o tipo de trabalho ao qual a gente pode até não ter dado atenção na época, mas fica claro que estávamos diante de alguém com potencial. E o grande destaque aqui é a performance segura e carismática da Zara, que segura a canção não apenas bem, mas também adiciona toques de personalidade legítima que fazem a canção ganhar pontos no resultado final. Claro, ainda existe certa noção de estarmos diante de uma jovem que, na época, tinha apenas 17 anos e, por isso, ainda estava aprendendo a usar melhor o seu potencial.

Todavia, Lush Life é o tipo ideal de canção que dá para uma cantora ainda inexperiente a plataforma ideal para começar a explorar vocalmente, pois a canção entrega uma produção tão redondinha e confiável que é a base para artistas poderem brincar com as possibilidades. E é isso que Zara faz ao adicionar doses controladas da sua personalidade para entoar essa simpática, divertida, solar e viciante mistura de tropical pop e electropop.

Com uma letra bem escrita, ingênua, inofensiva e apenas acima da média, Zara faz de Lush Life a sua pedra fundamental na construção da sua carreira, que vai se tornando algo realmente memorável.
nota: 7,5

Quem Ri Por Último

AH HA
Cardi B


Depois de tudo que aconteceu nos últimos tempos, é impossível não afirmar que, no final, quem venceu de verdade foi a Cardi B. Apesar de não estar no topo comercial da carreira, a rapper entrega em AH HA uma das suas melhores canções em muito tempo.

A grande qualidade da canção é a presença da rapper, que entrega uma das suas mais poderosas, classudas e excepcionais performances. Nada de muitas firulas, mas, sim, uma aula de como uma rapper encara uma canção de maneira centrada e direta, sem espaço para qualquer um questionar o seu flow. Além disso, AH HA se beneficia de uma produção segura, bem construída e madura de trap/hip hop, que entrega exatamente o que se propõe a fazer de maneira limpa e com personalidade. E a composição é a celebração merecida do sucesso da rapper, atirando para todos os lados de maneira ácida, divertida e com uma escrita estruturada.

E assim Cardi B ri por último. E merecidamente.
nota: 8

5 de agosto de 2026

O Poder do Refrão

After All
Carly Rae Jepsen


Existem algumas canções que são elevadas simplesmente pelo fato da genialidade de um dos seus componentes. Em After All, single da Carly Rae Jepsen, esse elemento é o espetacular refrão.

Segundo single de Day and Night, a canção é uma produção com o selo de qualidade da cantora, mas aqui mostrando um amadurecimento ainda mais refinado ao entregar uma chic sophisti-pop, cativante e com elementos bem explorados de disco, neo-psychedelia e pop soul. Experimental na medida certa, After All é um trabalho que, apenas por si, já seria um trabalho respeitável, mas, quando entra o refrão, tudo ganha uma nova dinâmica e qualidade.

O refrão quebra qualquer expectativa ao seguir por uma batida completamente diferente do resto da canção, acompanhando também a mudança vocal em que Carly o entoa usando em plenos pulmões o seu falsete, criando um contraste com o resto dos vocais doces, sedosos e contidos. O que poderia fazer de After All um experimento desajambrado termina sendo como a cola que une toda a canção de maneira graciosa e reverberante. Carly sempre entregou muito bons refrões, mas aqui entrega um dos momentos mais inspirados da sua carreira, com uma inteligência criativa aflorada.

Com uma composição elegante, sensual e classuda, Carly entrega uma das canções mais interessantes do ano devido, principalmente, ao toque de gênio do refrão.
nota: 8,5

Mãe & Filha

Talk To Me, Zara
Robyn & Zara Larsson


Existe um “meme” de que a Zara Larsson seria a filha/herdeira artística da Beyoncé. E, mesmo adorando a cantora, isso não seria algo menos preciso e verdadeiro. Todavia, eu posso ver a Zara como a “próxima” Robyn, e isso fica bem claro em Talk To Me, Zara.

Remix do single de Sexistential, a canção é o raro remix atual que realmente dá certo. E isso é devido à produção adicionar realmente mudanças que dão para a base original uma nova faceta sem perder a sua essência. Um equilíbrio bem administrado que, sinceramente, é quase um unicórnio perante tantos remixes que nem mereciam ver a luz do dia.

Quando resenhei o single, afirmei que Talk To Me é “uma refinadíssima e deliciosa synth-pop com toques de house e dance-pop que carrega perfeitamente a marca da personalidade da Robyn”. Conservando essa base, Talk To Me, Zara adiciona uma dose concentrada da sonoridade da Zara, dando bastante espaço para que a cantora também se apodere da canção. É um equilíbrio raro nesse tipo de canção, pois ambas as artistas têm espaço suficiente para brilharem e, também, criarem uma química real e deliciosa. Além disso, os versos da Zara são novos, criando ainda mais a sensação de uma parceria real e não apenas um caça-níquel para dar algum up comercial.

Com o resultado de Talk To Me, Zara, a visão é clara de que a Zara pode se inspirar ainda mais na carreira da Robyn, pois existe realmente uma ligação entre as duas.
nota: 8

4 de agosto de 2026

Fofo Até Demais

Less than a Lover
JENNIE


Dona de um dos melhores debuts solo das integrantes do Blackpink, a Jennie tem potencial para entregar canções melhores que a baladinha inofensiva Less than a Lover.

A canção é o tipo de música que é bonitinha, mas não faz peso algum e é completamente esquecível. Uma mistura simpática de bedroom pop com synth-pop e o que parecem ser toques de bossa nova, a produção cria uma canção que dá, ao menos, espaço para a cantora realmente deixar transparecer o seu talento vocal. Contida, delicada e com um timbre aconchegante, Jennie não tem muita dificuldade para carregar a canção, adicionando um pouco da sua personalidade genuína.

Less than a Lover é uma canção passável que poderia ter dado espaço para algo mais interessante na carreira da Jennie.
nota: 6,5

O Começo da Dominação

Ain't In LA
ADÉLA


Será que a Adéla realmente está a um passo da glória? E isso parece estar acontecendo com a repercussão extremamente positiva do desempenho de Ain't In LA.

Single do seu primeiro álbum, PRIMA, a canção não poderia ser melhor para começar a marcar a carreira da artista no mainstream, pois é um trabalho recheado de uma personalidade bem distinta. Uma “esquisita”, grudenta, sexy, marcante e envolvente mistura de alt-pop, trap e synth-pop, Ain't In LA tem uma produção que sabe lindamente equilibrar elementos que poderiam facilmente se tornar irritantes, como, por exemplo, a voz modificada entoando o verso de introdução, que se torna quase um interlude ao longo da canção. Isso cria uma canção madura, mas com um frescor autêntico que faz a gente querer entender quem é Adéla.

Gosto muito da presença da artista na canção, pois ela entrega uma performance segura e com personalidade bem delimitada, deixando claro que é uma artista com capacidade de segurar uma canção tão peculiar de maneira a extrair o seu melhor. A composição, porém, poderia ser mais refinada aqui e ali, mesmo sendo um bom trabalho que demonstra também uma capacidade de dialogar sobre assuntos íntimos ao mesmo tempo em que tenta ser esteticamente pop.

Adéla vai ascendendo de uma maneira que acredito que possamos estar diante da próxima estrela pop. Veremos.
nota: 8


Bad Girl

Sauna
Jessie Ware

Mesmo sem alcançar o mesmo impacto que os dois álbuns anteriores, a Jessie Ware entregou em Superbloom um dos melhores trabalhos do ano. E ainda nos presenteia com o lançamento de singles como a sensacional Sauna.

Uma das melhores faixas do álbum, a canção é uma cativante, atemporal e deliciosa italo-disco/funky disco/dance-pop que parece ter saído de uma sessão de gravação de Giorgio Moroder com Donna Summer, especialmente da que resultou no clássico Bad Girls. E isso é uma comparação celestial, pois estamos falando de uma das melhores canções da era disco.

Em Sauna, o grande mérito da produção é o primor da construção do instrumental, que demonstra um total domínio do material de inspiração devido ao resultado vintage, mas ainda soando moderno e encorpado. A composição é outro ponto altíssimo da canção, pois consegue fazer as mais deliciosas metáforas safadinhas sobre o desejo sexual, mantendo, porém, a elegância da Jessie intacta e graciosa. E a cantora entrega uma performance realmente inspirada, sexy e aveludada, em quase estado de graça.

Mesmo sem a repercussão que merece, Jessie Ware ainda continua no topo da sua força criativa.
nota: 8,5

3 de agosto de 2026

A História em Forma de Música

Danceteria
Madonna


Poucas canções já nascem com o peso da história já fazendo efeito na visão que as pessoas vão ter sobre elas. E apenas uma artista como a Madonna consegue fazer isso, como é o caso da já lendária Danceteria.

Melhor canção de Confessions II e da carreira da artista, especialmente da sua fase madura, o single é um daqueles momentos em que as pessoas que talvez não entendam a importância da artista podem ter essa visão em apenas uma única música. Nomeada devido à boate que a cantora frequentava no começo da carreira e que é basicamente o local onde a mesma ganhou as suas bases artísticas e, também, de vida, Danceteria narra uma noite comum no local em que a artista vai encontrando nomes que fizeram e/ou fazem parte da sua vida e carreira.

É basicamente um quem é quem da cena criativa pop/eletrônica da época, que também é a base de parte significativa da música e das artes em geral. O grande toque de mestre é a maneira divertida, graciosa e fluida como a letra é construída, pois é como se fosse quase uma conversa em que a Madonna apenas narra, com um “interlude” do refrão, criando uma estrutura espetacular e fluida que encapsula a intenção lírica e, claro, a produção de uma vez só. E é aqui que está o melhor momento vocal da Madonna, pois a maneira como entoa os versos em uma mistura de fala e rap funciona genialmente, sendo contrabalanceada pela parte cantada em um refrão extraordinário. Sonoramente, Danceteria é uma irresistível e viciante diva house com dance-pop, nu-disco e french house que arremata tudo como um laço dourado cravejado de brilhantes.

E, queridos leitores, isso é história de verdade vinda de quem continua a fazer história.
nota: 9

A Balada da Slayyyter

brand new chanel$
Slayyyter


Parece que a Slayyyter vem ocupando o posto que antes era da Charli XCX ao ser a nova “diva do pop/indie eletrônico fora do mainstream”. Depois do sucesso de crítica de Worst Girl in America, a cantora já prepara o seu sucessor/trabalho-irmão intitulado Worst Man in America. Como primeiro single foi lançada a sensacional brand new chanel$.

Apesar de manter a mesma personalidade, a canção apresenta uma mudança perceptível na direção da sonoridade da artista ao seguir uma estrutura mais tradicional e menos experimental para a mistura de electropop/dance-pop com elementos de french house e EDM. E, sinceramente, isso é realmente muito interessante, pois o resultado é algo maduro, poderoso e inesperado que, ao mesmo tempo, casa muito bem com o que a gente espera da Slayyyter. É como se fosse a outra face de uma mesma moeda, mas que vale exatamente o mesmo, e é um valor bem alto.

Com um instrumental sensacional, o grande toque de mestre da produção é o sample da canção Beat Up Chanels, que dá a cola ideal para selar o recente passado da artista com esse atual presente. Outro grande destaque da canção é a sensacional presença da Slayyyter, que deixa de lado efeitos vocais estilizados e entrega uma performance mais natural, deixando a gente perceber de fato a extensão da sua voz e seu poder, mantendo, claro, a sua personalidade bem intacta. A canção também funciona quase como uma balada na visão da artista, pois a pungente e honesta composição de brand new chanel$ fala abertamente dos seus sentimentos quando descobriu uma traição do ex-namorado um dia antes de lançar o álbum anterior.

Mais um grande momento da carreira da Slayyyter, que parece estar apenas começando.
nota: 8,5

19 de julho de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

começando a chegar em um ponto da minha vida em que as minhas referências diretas sobre música vão se tornando “vintages”, para não dizer algo menos positivo. De qualquer forma, canções que são parte do meu fundamento musical não são tão conhecidas pelas novas gerações. E, se você faz parte dessa geração e lê esse blog, quero apresentar uma dessas canções. Hoje irei apresentar a você uma das canções mais inspiradoras que já ouvi com...


Queen Black

Hot Wet Delirious
Rebecca Black


Depois de um leve tropeço com a boa, mas falha, Speakerphone, a Rebecca Black volta a entregar qualidade com a ótima Hot Wet Delirious.

Uma sexy, áspera e grudenta electropop que incorpora elementos de club music, R&B e dance-pop, a canção apresenta uma das mais interessantes construções instrumentais da carreira da artista devido às quebras de expectativas que vão sendo adicionadas ao longo da sua duração. E a melhor de todas é a que diferencia a batida do pré-refrão em relação ao refrão, pois dá toda uma textura diferenciada para a canção, que a faz ter ainda mais profundidade estética e sonora. Além disso, Hot Wet Delirious conta muito com a presença madura da Rebecca, pois a cantora entrega uma performance realmente caprichada e potente que combina perfeitamente com a produção.

E quem diria que a Rebecca Black seria uma das artistas pop mais consistentes da atualidade?
nota: 8

Altos e Baixos

Black Prada Dress
Ellie Goulding


A carreira da Ellie Goulding é marcada por altos e baixos que são basicamente na mesma intensidade. Quando a cantora acerta, entrega momentos inspirados, como é o caso de Black Prada Dress.

Primeiro single de seu próximo álbum (I Know Too Much), a canção é uma power balada alt-pop misturada interessantemente com jersey club, que funciona de maneira azeitada devido, principalmente, à excepcional e substancial instrumentalização dada para a canção. Classuda, forte e marcante, a batida da canção não chega a ser a famosa “para chorar na pista de dança”, mas consegue entregar esse sentimento de maneira grandiosa e bem conduzida.

O grande destaque de Black Prada Dress, porém, é sua emocional, triste e honesta composição sobre estar em um relacionamento tóxico, em que a outra pessoa faz de tudo para deixar a outra pequena e desimportante. É uma letra refinada, mas que guarda um lado cru e honesto que é realmente tocante e que faz a gente lembrar o quanto é boa a lírica da Ellie. E a performance da artista encerra os acertos de maneira competente, mesmo que o seu clímax final pudesse ser ainda mais espetaculoso.

Espero que o resto das canções do novo álbum sejam outros momentos altos, pois a Ellie Goulding tem talento suficiente para esse feito.
nota: 8

New Faces Apresenta: Meg Stalter

Prettiest Girl in America
Meg Stalter

E se eu falar que uma das mais divertidas canções pop deste ano vem de uma atriz/comediante, você acreditaria? Então, é melhor começar a crer, pois é isso que acontece com Prettiest Girl in America, da Meg Stalter.

Conhecida pelo papel de Kayla na genial Hacks, a atriz começa a sua carreira como cantora com uma canção que fica lindamente entre a galhofa, o cafona, a seriedade e a sinceridade sonora. De um lado, está a divertidíssima composição sobre as dores de “ser a garota mais bonita da América”, que flerta pesadamente com a paródia misturada com o cinismo, mas que funciona perfeitamente devido ao cuidado estético apurado, que alcança o efeito desejado de maneira honesta e, claro, hilária.

Do outro lado, a produção entrega uma competente electrocash misturada com hyperpop, que parece tirar sarro dos gêneros e seus clichês e, ao mesmo tempo, consegue ser um trabalho que respeita e se inspira diretamente em nomes como Charli XCX e Kesha. E isso, sinceramente, é algo realmente raro de alcançar, pois, acima de tudo, Prettiest Girl in America termina sendo uma ótima canção. Além disso, a personalidade da Meg transborda na canção em uma performance realmente sólida, engraçadíssima e que mostra que isso é algo realmente sério da sua parte.

Meg Stalter é a próxima popstar que nem a gente sabia que precisava ouvir.
nota: 8

Sensações

Voyager
PJ Harvey


De tempos em tempos, surge uma canção que vem dos lugares menos esperados para se tornar um dos grandes momentos do ano em que é lançada. Dessa vez, é a canção Voyager, da lendária PJ Harvey.

Escrita e produzida para fazer parte do show do físico, professor, apresentador e músico Brian Cox, a canção é composta do ponto de vista da sonda Voyager 2, que foi lançada ao espaço em 1977 pela NASA para explorar a nossa galáxia. Com esse “material” em mãos, PJ entrega uma espetacular e transcendental canção que consegue captar com perfeição a sensação que temos ao pensar sobre o espaço e suas possibilidades, ao ser uma mistura de mistério, contemplação, admiração, vazio, deslumbre e medo. E isso, em uma canção de apenas quatro minutos, é algo realmente extraordinário.

Para captar tamanha riqueza de sensações e, dependendo de quem escuta, até outras, a produção de Voyager faz uma mistura genial de ambient pop com alt pop/rock que consegue captar perfeitamente toda essa atmosfera sideral de forma admirável, pois consegue caminhar entre o artístico e o clichê de maneira triunfal. A composição, construída por apenas poucas palavras, sem versos complexos, mas que transmitem genialmente toda a essência pretendida, é algo realmente poderoso e mostra toda a capacidade da PJ Harvey. E, por fim, a mesma entrega uma performance que se derrete e forma uma amálgama única com toda a atmosfera da canção.

E, desa maneira, temos uma das melhores canções do ano.
nota: 8,5

Chazinho Bom

O CHÁ
Gloria Groove


Como comemoração dos dez anos de carreira, a Glória Groove lançou a simpática O CHÁ.

Longe de ser uma grande canção, o single é um trabalho redondinho e divertido devido à boa produção e à presença marcante da drag. Uma pop reggae bem conduzida, O CHÁ é o tipo de canção que poderia ficar melhor dentro de um projeto do que sendo um single, mas a canção é competente o suficiente devido à sua instrumentalização competente. Entretanto, a canção fica de pé por causa da força da Glória, que exala personalidade do começo ao fim, especialmente elevando o bom refrão. Poderia ser uma canção com um resultado melhor? Sim, mas é um trabalho que não faz feio como parabéns pelos dez anos de carreira da Glória.
nota: 7,5

Melhor

Crash Out
Tinashe


Depois de uma leve decepção com Too Easy, a Tinashe volta aos bons trilhos com o lançamento da boa Crash Out.

A grande diferença entre as duas canções é que o novo lançamento realmente tem cara de uma música “completa”, devido a ter tempo suficiente para se desenvolver sonoramente. Com isso, o single é uma competente e divertida mistura de R&B com pop rap e uk bass que funciona devido à sempre alta qualidade de produção da artista e, principalmente, devido à sua habilidade de segurar com perfeição esse tipo de canção, dando a ela uma carga imensa de personalidade. Todavia, Crash Out parece menos explosiva que as melhores canções da Tinashe, e isso deixa o resultado levemente esquecível. Mas, sinceramente, a canção é uma prova cabal de que a Tinashe é um talento nato e sempre competente.
nota: 7,5

A Volta de Um Querido

Plans
Brandon Flowers


Depois de um hiato de onze anos na carreira solo, Brandon Flowers está de volta para lançar seu terceiro álbum, intitulado Thrasher. E, como primeiro single, foi lançada a boa Plans.

Diferente da sonoridade do último álbum, o ótimo The Desired Effect, que seguia um caminho mais pop rock/eletropop, o single é um sólido country rock/alt-country que funciona bem melhor do que poderia ser esperado devido a uma produção eficiente, que entrega uma canção nada inovadora, mas, sim, respeitosa e classuda. E o grande ponto alto é que a produção sabe misturar bem o gênero com a personalidade de Brandon, criando uma canção que não parece estar deslocada demais do que o artista já entregou na sua carreira de maneira geral.

Entretanto, o grande destaque de Plans é a sempre ótima presença de Brandon, que entrega uma performance que capta a atmosfera da canção sem perder, porém, toda a sua força vocal distinta. Na verdade, sempre achei o vocalista do The Killers perfeito para segurar canções que contam uma história devido ao seu timbre melancólico e atemporal. Isso se reflete bem na composição, que conta, de maneira contida, mas bonita, sobre a sensação de que a vida nem sempre segue o caminho que a gente planeja.

Mesmo mudando drasticamente de sonoridade, o começo da nova era do Brandon Flowers tem um nível de qualidade que realmente me faz começar a ter um bom hype para o que está por vir.
nota: 8

16 de julho de 2026

2 Por 1 - FLO

Therapy at the Club
Don’t Break Her Heart
FLO


Ainda me deixa muito frustrado que o FLO ainda não tenha alcançado o sucesso comercial que merece. Felizmente, o trio continua a provar o seu valor, como deixam claros os dois singles Therapy at the Club e Don’t Break Her Heart.

Ambas as canções são parte do segundo álbum da girl band, que vai ser lançado em agosto, e são trabalhos que realmente são dignos de serem descobertos por quem ainda não as conhece. Especialmente, o resultado de Don’t Break Her Heart é realmente muito interessante, pois, tematicamente e liricamente, é prima em primeiro grau da canção Girl, das Destiny’s Child. As duas canções falam sobre amizade feminina e a união contra um “boy lixo” que está fazendo mal a uma amiga.

E, sinceramente, as duas canções estão no mesmo nível, pois a produção aqui entrega um sólido, inspirado e envolvente R&B/pop soul com uma batida simples e, ao mesmo tempo, viciante. Além disso, a dinâmica entre as vozes das três integrantes é até mais interessante que o que ouvimos entre a Beyoncé, Michelle e a Kelly, pois todas ganham o mesmo destaque. Isso é o que faz de Therapy at the Club realmente funcionar como um bom filler, pois, sonoramente, a canção é apenas uma simpática e redondinha balada R&B. Nada de excitante, mas um trabalho muito bem construído e que deixa o talento comandar o caminho.

Espero que o FLO possa, em algum momento, quebrar algumas barreiras e, finalmente, colher os graúdos frutos que tanto merecem.
notas
Therapy at the Club: 7,5
Don’t Break Her Heart: 8



9 de julho de 2026

Toques

My Body Isn’t Ready
sombr


Sabe aquele amigo que precisa levar uns toques de tempos em tempos? Então, o sombr é esse tipo de pessoa, ainda mais lançando músicas como My Body Isn’t Ready.

Se eu fosse amigo dele, falaria que, sombr, a canção é até boazinha, especialmente devido a um sólido instrumental, mas, querido, a produção entrega uma balada pop rock/britpop quase tão genérica quanto remédio de farmácia popular. Não é nem de longe ruim, mas a melodia parece “fria” e “esquecível” para uma canção que poderia ser bem melhor. E parece que My Body Isn’t Ready veio direto de uma demo do Coldplay, quando a banda ainda fazia música boa, e nem mesmo assim a produção foi capaz de entregar algo melhor. Também iria dar o toque de que ele tem potencial vocal, mas algumas decisões da produção vocal parecem enterrá-lo em efeitos, deixando a sua performance “overproduced” e meio sem sentimento. Por fim, iria elogiar a boa composição, que mostra certo amadurecimento, mesmo que não tenha muito efeito no restante da canção, de fato.

Isso era o que falaria para o sombr se eu fosse amigo dele. Como não sou, fica apenas a resenha mesmo.
nota: 6,5

Então, É Isso?

Wink Wink
Charli XCX

Quando mais a Charli XCX mostra do novo álbum, mais forte fica a sensação de “é só isso mesmo?”. E essa é a perfeita definição de Wink Wink.

Consigo entender perfeitamente a ideia criativa que a produção tenta seguir, mas o resultado é completamente insonso e sem graça quando deveria ser potente e cheio de personalidade. E a sensação aumenta aqui devido à maneira como boa parte do instrumental é construída, tentando soar como algo descolado ao referenciar toda a vibe post-punk misturada com indie rock, mas que acaba soando como uma cópia sem inspiração e desmilinguida. Sinceramente, a produção de A. G. Cook e Keane é realmente decepcionante, pois até entrega, tecnicamente, uma canção sólida que não tem um pingo de força criativa. Wink Wink, porém, tem um bom momento no refrão, que é até legal, e a performance da Charli poderia ser mais interessante se estivesse em uma canção que desse algum estofo para não soar como uma tentativa vazia de ser uma roqueira de atitude. E é isso o que tem para hoje para o sucesso do Brat. Quem diria, né?
nota: 6

8 de julho de 2026

Pesadão

On Your Mind
FKA twigs & Lil Yachty


Primeiro single do terceiro álbum do projeto Eusexua, agora com o subtítulo BODY HIGH, On Your Mind é mais um momento inspirado da FKA twigs.

Apesar de não atingir um grande pico, o single é um trabalho tão único na sua construção que fica bem complicado não se deixar levar pela batida pesadona, elétrica e excêntrica. A produção entrega uma mistura áspera, mas que funciona bem, de jersey club com bubblegum bass, pop rap e dance-pop, que consegue combinar perfeitamente com toda a personalidade apresentada nas canções dos dois primeiros álbuns, entregando, também, uma visão nova da artista sobre o seu próprio material.

E é algo realmente inspirador de se perceber, pois mostra que essa trilogia é um trabalho realmente pensado de forma contínua e em evolução. Gosto especialmente da segunda metade da canção, já que é quando todas as peças se encaixam da melhor maneira, entregando um ótimo clímax final. A principal peça é a presença do Lil Yachty, que logo no seu primeiro verso, bem na abertura da canção, parece meio descolado, mas isso muda no segundo verso, que é introduzido de uma forma em que sua presença ajuda a elevar a canção ao se alinhar com a presença etérea e cativante da FKA twigs. Devido a isso, On Your Mind encontra todo o seu potencial, finalizando como um aperitivo realmente saboroso para o que está por vir.
nota: 8

Pronta Para o Remix

Speakerphone
Rebecca Black


Dona de uma das guinadas de carreira mais impressionantes da década, a Rebecca Black continua a demonstrar o seu talento com o lançamento da divertida Speakerphone. E olha que a canção é menos interessante do que a cantora já entregou.

O problema da canção é que ela não é tão “carnuda” sonoramente como poderia ser, deixando a impressão de que as suas lacunas poderiam facilmente ser preenchidas por um remix realmente inspirado que completasse o que parece faltar. E, sinceramente, eu consigo ver a presença da Kesha facilmente na segunda metade da canção. Entretanto, Speakerphone ainda é um trabalho bastante competente devido a uma produção madura, certeira e inteligente, que entrega uma rápida e rasteira mistura azeitada de electropop, club, hyperpop e dance-pop, com uma batida explosiva do começo ao fim. O toque especial é o uso da ótima Sugar Water Cyanide, da própria cantora, como sample, pois dá ainda mais noção de quão interessante é a atual fase da artista.

E isso é algo que a gente nunca poderia imaginar para o futuro da Rebecca lá nos tempos de Friday. Sinceramente, eu realmente fico feliz com a forma como as coisas deram certo para a cantora.
nota: 7,5

7 de julho de 2026

Um Regalo

MORNING DEW (DONK)
Beyoncé


Como um presente para os seus fãs devido à celebração dos seus 45 anos e, também, aos vinte anos do B'Day, a Beyoncé lançou a gostosinha MORNING DEW (DONK).

Gravada, na verdade, em 2013 e vazada em 2021, a canção ganha uma versão retrabalhada e oficial que mostra que até o que não é lançado pela cantora merece ver a luz do dia. Um contido, sensual, delicioso e gracioso R&B contemporâneo com toque de soul e pop, a canção tem uma batida realmente envolvente que vai grudando em quem ouve, de forma que a gente realmente fica viciado. Não é, porém, um trabalho que logo desperta a nossa atenção, especialmente para quem não gosta ou não entende o estilo da canção, que mergulha totalmente na sua ideia original. Tendo uma ideia sobre qual é a intenção sonora da canção, o prazer de escutar é realmente garantido.

E prazer é basicamente o tema central da canção, pois é claramente sobre sexo, especialmente o feito de manhã. O grande trunfo da letra é fazer com que o seu tema seja explorado sem meias palavras, mas sem nunca deixar o teor ficar vulgar ou brega, ao ter um pesado verniz de elegância que deixa tudo maduro e sexy. Tenho que admitir que não gosto tanto do refrão, e demorou um pouco para o uso repetido de “donk” fazer realmente sentido para mim. Felizmente, a performance sedosa da Beyoncé apara certas arestas, fazendo a canção terminar realmente à altura da sua presença.

MORNING DEW (DONK) encontra seu lugar até mesmo dentro da discografia da cantora, ao se fixar entre as mais refinadas canções “b-sides/demos” da sua carreira.
nota: 8

2 de julho de 2026

A Volta de Uma Outra Querida

Lost Boys
Phoebe Bridgers


Depois de um hiato de seis anos em sua carreira solo, a Phoebe Bridgers está de volta para lançar o seu terceiro álbum, intitulado Lost Weekend. Como primeira canção, foi lançada a confortável Lost Boys.

O single é o tipo de canção que a gente logo liga à artista, pois tem o seu DNA impregnado do começo ao fim. E o que poderia ser um problema, se essa qualidade refletisse a não evolução da artista, não tem o mesmo efeito devido à qualidade alta da canção. A sua melhor qualidade é a competente, cativante e cativante melodia que mistura bem indie pop/rock com folk rock em uma canção que consegue ser autoral e, ao mesmo tempo, ser de fácil apelo para os mais variados públicos. Gosto, principalmente, do seu clímax final, pois é onde a canção realmente alcança todo o seu potencial instrumental e fecha bem com um raro fade-in.

Liricamente, Bridgers e seus colaboradores acertam o tom nessa crônica sobre amadurecer e se sentir deslocado do resto do mundo, mesmo tendo, de partida, uma metáfora meio batida ao comparar a canção com a história de Peter Pan. A canção também apresenta outra inspirada performance da cantora, entregando perfeitamente o que se espera. E é exatamente isso que Lost Boys transmite ao ser mais um trabalho competente da Phoebe Bridgers.
nota: 8

Uma Surpresa

The Time of My Life
Benson Boone


Tem horas que a gente precisa deixar de lado qualquer orgulho e ser o mais verdadeiro possível. E um desses momentos é agora, pois preciso dizer com todas as letras: Benson Boone fez uma música realmente boa. A responsável por isso é a ótima The Time of My Life.

O grande trunfo da canção é saber usar o melhor atributo do cantor de maneira realmente inspirada: a sua voz. E, por isso, o cantor entrega a sua melhor performance ao ser devastadoramente triste e tocante, usando o seu timbre de maneira primorosa, ao começar de maneira contida e sentimental para ir crescendo até o final grandioso, que tira o melhor de todo o alcance da sua voz. Sinceramente, é um trabalho vocal realmente notável, mas isso poderia ser jogado fora se The Time of My Life não tivesse uma produção realmente boa.

Felizmente, esse é o caso. Sem mudar muito os rumos de Benson, a canção é uma power balada pop rock épica, mas que ganha contornos mais maduros e profundos devido à introdução bem pensada de soft rock e indie pop, que dão estofo. Todavia, o grande ponto forte da canção é o instrumental classudo e lindamente conduzido, que dá a base perfeita para a performance do cantor, criando uma união realmente bem acima da média em comparação às canções do mesmo. O ponto menos inspirado é a ainda clichê composição que, ao menos, cumpre muito bem seu papel, especialmente quando a voz do cantor concentra toda a força emocional.

E quem sabe esse não seja o começo de uma nova história para Benson Boone?
nota: 8

30 de junho de 2026

A Volta de Uma Querida

On Wires
Carly Rae Jepsen


Depois de um hiato de três anos, a Carly Rae Jepsen está de volta para reclamar o seu devido posto como uma das mais aclamadas artistas pop da sua geração. E o começo dessa nova era é com a interessante On Wires.

Possivelmente uma das canções mais “diferentes” lançadas pela cantora, especialmente como primeiro single, o trabalho pode causar estranheza para aqueles que esperavam uma sonoridade pop mais direta e digestível. Todavia, passando por esse primeiro impacto, On Wires é uma madura, elegante, sensual e inteligente fusão de pop rock com neo-psychedelia que tem um dos instrumentais mais robustos da carreira da cantora, em que a gente não parece nunca saber aonde vai ser levado. E isso ajuda a canção a ganhar uma vibe de estarmos possivelmente vendo uma nova evolução da Carly ou, ao menos, uma experimentação em novos territórios.

Como explicado anteriormente, a canção pode demorar um pouquinho a ser captada quando a gente a escuta pela primeira vez. E isso reflete especialmente no refrão, que não parece ser tão eficiente como a gente deseja. Entretanto, depois de um tempo, a gente vai se acostumando com a proposta de On Wires e vai valorizando mais a mudança sonora do refrão, que cria um contraste bem-vindo com o resto da canção, principalmente na performance da Carly. Dona de uma voz sempre delicada e melódica, a cantora mostra perfeitamente que é capaz de se adequar a outros estilos com bastante facilidade, entregando uma performance poderosa dentro da sua personalidade. E isso é uma qualidade bem rara de se ver atualmente.

On Wires é outro acerto da Carly Rae Jepsen que vai abrindo espaço para o que deve ser outra era de sucesso artístico retumbante.
nota: 8

Salvação?

Watch It Burn
Katy Perry


Tentando desesperadamente sair do fundo do poço, a Katy Perry aposta em Watch It Burn. Artisticamente, a canção é melhor que todo o desastre que foi 143 multiplicado por 10. Comercialmente, o resultado é outro desastre.

Apesar de não ter nada de novo, a canção é uma decente e até legal fusão de pop rock com electropop que até chega a empolgar, se a gente não estiver esperando muito mais do que a canção realmente entrega. A produção não acrescenta nada de excitante na batida, mas entrega um sólido trabalho que dá para a Katy algo que a mesma pode trabalhar bem em uma performance realmente muito boa, que mostra força emocional para ir de encontro com a composição. Watch It Burn poderia realmente ser melhor se tivesse uma composição melhor trabalhada, pois, mesmo com uma temática interessante, a letra meio que passa despercebida devido à sua escrita genérica e ao refrão apenas mediano.

Não é a salvação da Katy Perry, mas é uma boia para ajudar a mesma a boiar por um tempo.
nota: 6,5

25 de junho de 2026

Um Ponto Positivo

ICONIC BY MISTAKE
LE SSERAFIM, ILLIT & KATSEYE


Existem canções que têm vários pontos positivos e existem canções que têm apenas um. ICONIC BY MISTAKE é o perfeito caso dessa segunda opção.

Parceria entre três girl groups de K-pop, sendo LE SSERAFIM, ILLIT e KATSEYE, a canção tem como sua melhor qualidade o fato de que praticamente todas as integrantes têm momentos de destaque, criando uma ótima dinâmica de vozes e estilos diferentes. Todavia, isso não é aproveitado em uma das canções mais enganosas possíveis, pois a gente espera que a batida pop rap/trap/alt pop/synth-pop vá crescendo depois de um começo até legal, mas isso não acontece porque a produção decidiu manter todo o instrumental o mais linear possível, sem ter momentos de mudanças rítmicas que deveriam levar a canção para um final realmente explosivo.

ICONIC BY MISTAKE, porém, é jogada às traças de fato devido à sua péssima, sem criatividade e pobre composição, que tenta ser “icônica”, mas acaba sendo um amontoado de vergonhas alheias.

Pelo menos, a canção tem algo de bom, pois, se não, seria só tragédia.
nota: 5,5

2 Por 1 - Kelela

point blank
linknb
Kelela

Novamente, a Kelela vai demonstrando, com o lançamento dos singles do seu próximo projeto, que vai ter em mãos um dos melhores álbuns do ano. E isso não tem discussão com o resultado de linknb e, especialmente, point blank.

Ambas as canções deixam bem claro que a vibe de New Avatar é adicionar uma carga pesada de rock e adjacentes à sonoridade da cantora, criando uma nova e excitante versão da sua já espetacular identidade sonora. Das duas canções, linknb é a menos inspirada, pois, infelizmente, com um pouco menos de dois minutos, não dá tempo suficiente para que a canção realmente ganhe toda a força que poderia ter.

Felizmente, a produção excepcional consegue entregar uma pequena pérola ao construir uma refinada mistura de neo-psychedelia com rock alternativo, salpicada de jersey club e trip hop em um instrumental poderoso, mesmo que bastante breve. Todavia, é em point blank que podemos ouvir toda a engenhosidade criativa da artista em ação.

Complexa, engenhosa, experimental, emocional e poderosa, a canção reúne todas essas qualidades e algumas outras ao explorar perfeitamente as possibilidades criadas pela fusão de gêneros como east coast club, UK bass, eletrônico e rock industrial. O instrumental é um trabalho impressionante, pois é completamente rico em nuances, camadas e quebras, que vão sendo intercaladas de maneira inteligente para terminarem em um amálgama impressionante e revigorante.

Só que o que dá a point blank o toque de genialidade é a sua impressionante composição, que acerta com um soco no estômago ao ser uma crônica desconcertante sobre se sentir emocionalmente deixada de lado por quem se ama e, finalmente, começar a cobrar uma mudança. É um trabalho lírico emocional sem ser piegas, inteligente sem ser pretensioso e de um apuro estético cativante e magistral que combina com a canção. E, por fim, a performance tão própria da Kelela, que usa a sua doce voz, mas sempre tão urgente e versátil, para entoar toda a dor da composição ao mesmo tempo em que faz um contraponto à batida marcante da música, é algo que fecha a canção com chave de ouro.

Não que eu duvidasse da capacidade da artista, mas ainda fico surpreso que tamanho talento não atraia ainda mais público para apreciar tamanha qualidade artística.
notas
linknb: 8
point blank: 8,5

De Volta as Origens

My Guy
Sam Smith


É preciso admirar a coragem que Sam Smith teve ao seguir sua vida e carreira da maneira que mais agrada à sua pessoa, sem pensar no que as pessoas falam ou deixam de falar. Dito isso, é bom ouvir sua volta às origens com o sólido single My Guy.

Uma balada pop soul com toques deliciosos de gospel e R&B, a canção deixa exposto o melhor de Sam: a sua voz. Sedosa, melódica e marcante, a voz de Sam preenche os espaços até mesmo nessa contida e reflexiva performance. E isso já é algo que realmente vale a pena ouvir na canção. Apesar de estar longe dos seus melhores momentos, My Guy também destaca a maturidade da vida de Sam ao ser uma canção de amor sobre seu companheiro, o estilista Christian Cowan. Ao contrário dos amores não correspondidos e dos corações quebrados das letras do começo da carreira, Sam celebra o amor queer de maneira simples, sincera e tocante em uma composição certeira e redondinha. O problema da canção é não ter um clímax mais pungente e emocional, pois toda a canção vai levando a gente a acreditar em um final nessa pegada quando, na verdade, é um final contido e introspectivo.

De qualquer forma, a canção é uma volta de Sam às origens sem precisar se comprometer com quem é hoje.
nota: 7,5

Novos Caminhos, Mesmo Rumo

IS IT LOVE
Tyla


É possível notar a evolução da Tyla no quesito sonoro, e isso é auspicioso. Todavia, parece que, no quesito qualidade, a artista está sempre empacada no mesmo lugar, como fica claro em IS IT LOVE.

Single do seu próximo álbum (A*Pop), a canção adiciona uma dose interessante de pop rock e electropop à base consolidada da cantora, que mistura bem afrobeats. Devido a isso, a canção ganha nuances bem delimitadas que ajudam a dar dinamismo à sonoridade da Tyla sem perder, porém, a sua essência. O problema é que a própria produção não sabe pegar essa boa ideia e adicioná-la de uma maneira que a canção possa realmente ser elevada para outro patamar, pois o resultado de IS IT LOVE ainda fica bem no mesmo lugar que basicamente todas as canções da artista: boas, mas poderiam ser bem melhores. Nem a performance refinada e sensual da Tyla realmente faz diferença no resultado final, pois seus esforços não encontram reflexo no material que tem em mãos.

Não apenas caminhar em novas estradas, mas, sim, encontrar novos destinos para realmente crescer artisticamente. E isso está faltando na carreira da Tyla.
nota: 7

23 de junho de 2026

Too Little

Too Easy
Tinashe


Sabe quando uma canção é pequena demais para a sua ideia? Então, esse é o caso perfeito de Too Easy, da Tinashe.

Com um pouco menos de dois minutos, a canção não sustenta a boa intenção devido a não ter tempo suficiente para se desenvolver de verdade, ficando apenas como uma quase preview do que era para ter sido. Aqui, a produção mistura bem electroclash com pop rap, deep house e R&B em uma batida frenética, grudenta e realmente interessante. É uma canção que facilmente poderia se tornar irritante, mas isso é contornado por uma produção madura que equilibra bem os elementos.

Todavia, como apontado antes, Too Easy não tem tempo para realmente levantar voo, pois, quando começa a decolar, já acaba. E isso deixa um gosto amargo em quem escuta, já que a canção tem cara de ser um musicão, mas acaba sendo apenas um bom abridor de apetite. E, mesmo com a boa performance de Tinashe, a canção termina sendo aquela que deveria ser bem mais do que realmente acaba sendo. Uma pena.
nota: 7

Filler Bom

Red Bottoms
ADÉLA


Um dos parâmetros para medir o potencial de uma estrela pop em ascensão é observar a qualidade das suas canções quando elas são o que se pode chamar de fillers. Um ótimo exemplo disso é Adéla com o single Red Bottoms.

A canção não tem cara de single, especialmente depois da explosiva KGB, mas o resultado final é realmente bem acima da média. Basicamente, a faixa é uma balada mid-tempo que incorpora elementos de indie pop e R&B à batida alt-pop/dark pop que a produção constrói de maneira bem delimitada e com personalidade. Não é exatamente nada impressionante, mas Red Bottoms tem um acabamento caprichado e que se apoia principalmente no carisma da cantora.

E isso se deve à sua estilosa, sentimental e contida performance, que ajuda o público a perceber que a cantora tem boas possibilidades vocais, demonstrando ser capaz de sustentar canções bem diferentes de maneira realmente natural e com personalidade. A composição também é outro ponto positivo, ao ser inteligente na comparação de alguém que se sente usada em um relacionamento com um sapato gasto, ganhando pontos pelas boas saídas líricas que compensam sua superficialidade emocional.

Com duas canções que mostram um potencial verdadeiramente promissor, Adéla vai trilhando um caminho que merece ser acompanhado de perto.
nota: 7,5

Algo Que Falta

des fleurs
Tove Lo & Stromae


Apesar de gostar muito da discografia da Tove Lo, o que ela tem mostrado até agora para a divulgação de Estrus vem deixando a desejar. E esse é o caso de des fleurs.


A canção é sonoramente interessante, especialmente devido à coprodução de Stromae, ao se tornar uma estilizada mistura de alt-pop, R&B e afrobeats. É uma batida madura, mas que também poderia ter sido bem mais aprofundada para elevar o resultado final, que fica muito preso no campo da ideia do que da realização. Apesar disso, o grande problema de des fleurs é a sua composição nos versos entoados por Tove Lo, que se mostram simples demais e sem o potencial emocional que ela já demonstrou tão bem em outros trabalhos. Felizmente, o verso do cantor belga é inspirado e, principalmente, a sua performance inspirada ajuda a dar certo carisma para a canção. Mesmo entoando uma letra fraca, Tove entrega uma performance segura que demonstra o quanto ela realmente tem a oferecer.

Uma pena que à canção falte algo realmente inspirado para se tornar uma música com a marca de qualidade característica de Tove Lo.
nota: 7

Club Elegância

Club To Your Arms
Rose Gray


Depois de um promissor debut, a Rose Gray está preparando seu segundo álbum e, como possível primeiro single, foi lançada a ótima Club To Your Arms.

E a canção já se torna a melhor da carreira da cantora até o momento. Uma surpreendente, madura, elegante, contagiosa e impressionante fusão de house com dance-pop que apresenta uma das melhores produções do panteão pop do ano. Capitaneada pelo desconhecido Zhone, a canção é um daqueles momentos que conseguem ser épicos, mas, ao mesmo tempo, estabelecer uma conexão pessoal com quem escuta. Tem toques radiofônicos e até clichês, especialmente na construção rítmica, mas que são subvertidos para se tornarem qualidades realmente louváveis devido à inteligência apurada colocada na produção e, principalmente, na elaboração do instrumental.

Além disso, a composição é outro ponto importante da canção, pois é da sua irônica, sensual, direta e icônica lírica que a canção ganha ainda mais substância para incorporar à sua já incrível batida. Gosto especialmente do cativante e emocional refrão, que capta perfeitamente toda a vibe da canção de maneira graciosa e eficiente. Club To Your Arms também parece ser o momento em que Rose se mostra ainda mais interessante como cantora, pois aqui ela entrega uma performance realmente impecável, na qual é capaz de mostrar grande versatilidade e começar a realmente delimitar a sua personalidade de maneira decisiva.

Espero que a canção seja realmente o começo da consolidação da Rose Gray, pois, com esse resultado, estou pronto para a “dominação Rose”.
nota: 8,5