16 de julho de 2026

2 Por 1 - FLO

Therapy at the Club
Don’t Break Her Heart
FLO


Ainda me deixa muito frustrado que o FLO ainda não tenha alcançado o sucesso comercial que merece. Felizmente, o trio continua a provar o seu valor, como deixam claros os dois singles Therapy at the Club e Don’t Break Her Heart.

Ambas as canções são parte do segundo álbum da girl band, que vai ser lançado em agosto, e são trabalhos que realmente são dignos de serem descobertos por quem ainda não as conhece. Especialmente, o resultado de Don’t Break Her Heart é realmente muito interessante, pois, tematicamente e liricamente, é prima em primeiro grau da canção Girl, das Destiny’s Child. As duas canções falam sobre amizade feminina e a união contra um “boy lixo” que está fazendo mal a uma amiga.

E, sinceramente, as duas canções estão no mesmo nível, pois a produção aqui entrega um sólido, inspirado e envolvente R&B/pop soul com uma batida simples e, ao mesmo tempo, viciante. Além disso, a dinâmica entre as vozes das três integrantes é até mais interessante que o que ouvimos entre a Beyoncé, Michelle e a Kelly, pois todas ganham o mesmo destaque. Isso é o que faz de Therapy at the Club realmente funcionar como um bom filler, pois, sonoramente, a canção é apenas uma simpática e redondinha balada R&B. Nada de excitante, mas um trabalho muito bem construído e que deixa o talento comandar o caminho.

Espero que o FLO possa, em algum momento, quebrar algumas barreiras e, finalmente, colher os graúdos frutos que tanto merecem.
notas
Therapy at the Club: 7,5
Don’t Break Her Heart: 8



9 de julho de 2026

Toques

My Body Isn’t Ready
sombr


Sabe aquele amigo que precisa levar uns toques de tempos em tempos? Então, o sombr é esse tipo de pessoa, ainda mais lançando músicas como My Body Isn’t Ready.

Se eu fosse amigo dele, falaria que, sombr, a canção é até boazinha, especialmente devido a um sólido instrumental, mas, querido, a produção entrega uma balada pop rock/britpop quase tão genérica quanto remédio de farmácia popular. Não é nem de longe ruim, mas a melodia parece “fria” e “esquecível” para uma canção que poderia ser bem melhor. E parece que My Body Isn’t Ready veio direto de uma demo do Coldplay, quando a banda ainda fazia música boa, e nem mesmo assim a produção foi capaz de entregar algo melhor. Também iria dar o toque de que ele tem potencial vocal, mas algumas decisões da produção vocal parecem enterrá-lo em efeitos, deixando a sua performance “overproduced” e meio sem sentimento. Por fim, iria elogiar a boa composição, que mostra certo amadurecimento, mesmo que não tenha muito efeito no restante da canção, de fato.

Isso era o que falaria para o sombr se eu fosse amigo dele. Como não sou, fica apenas a resenha mesmo.
nota: 6,5

Então, É Isso?

Wink Wink
Charli XCX

Quando mais a Charli XCX mostra do novo álbum, mais forte fica a sensação de “é só isso mesmo?”. E essa é a perfeita definição de Wink Wink.

Consigo entender perfeitamente a ideia criativa que a produção tenta seguir, mas o resultado é completamente insonso e sem graça quando deveria ser potente e cheio de personalidade. E a sensação aumenta aqui devido à maneira como boa parte do instrumental é construída, tentando soar como algo descolado ao referenciar toda a vibe post-punk misturada com indie rock, mas que acaba soando como uma cópia sem inspiração e desmilinguida. Sinceramente, a produção de A. G. Cook e Keane é realmente decepcionante, pois até entrega, tecnicamente, uma canção sólida que não tem um pingo de força criativa. Wink Wink, porém, tem um bom momento no refrão, que é até legal, e a performance da Charli poderia ser mais interessante se estivesse em uma canção que desse algum estofo para não soar como uma tentativa vazia de ser uma roqueira de atitude. E é isso o que tem para hoje para o sucesso do Brat. Quem diria, né?
nota: 6

8 de julho de 2026

Pesadão

On Your Mind
FKA twigs & Lil Yachty


Primeiro single do terceiro álbum do projeto Eusexua, agora com o subtítulo BODY HIGH, On Your Mind é mais um momento inspirado da FKA twigs.

Apesar de não atingir um grande pico, o single é um trabalho tão único na sua construção que fica bem complicado não se deixar levar pela batida pesadona, elétrica e excêntrica. A produção entrega uma mistura áspera, mas que funciona bem, de jersey club com bubblegum bass, pop rap e dance-pop, que consegue combinar perfeitamente com toda a personalidade apresentada nas canções dos dois primeiros álbuns, entregando, também, uma visão nova da artista sobre o seu próprio material.

E é algo realmente inspirador de se perceber, pois mostra que essa trilogia é um trabalho realmente pensado de forma contínua e em evolução. Gosto especialmente da segunda metade da canção, já que é quando todas as peças se encaixam da melhor maneira, entregando um ótimo clímax final. A principal peça é a presença do Lil Yachty, que logo no seu primeiro verso, bem na abertura da canção, parece meio descolado, mas isso muda no segundo verso, que é introduzido de uma forma em que sua presença ajuda a elevar a canção ao se alinhar com a presença etérea e cativante da FKA twigs. Devido a isso, On Your Mind encontra todo o seu potencial, finalizando como um aperitivo realmente saboroso para o que está por vir.
nota: 8

Pronta Para o Remix

Speakerphone
Rebecca Black


Dona de uma das guinadas de carreira mais impressionantes da década, a Rebecca Black continua a demonstrar o seu talento com o lançamento da divertida Speakerphone. E olha que a canção é menos interessante do que a cantora já entregou.

O problema da canção é que ela não é tão “carnuda” sonoramente como poderia ser, deixando a impressão de que as suas lacunas poderiam facilmente ser preenchidas por um remix realmente inspirado que completasse o que parece faltar. E, sinceramente, eu consigo ver a presença da Kesha facilmente na segunda metade da canção. Entretanto, Speakerphone ainda é um trabalho bastante competente devido a uma produção madura, certeira e inteligente, que entrega uma rápida e rasteira mistura azeitada de electropop, club, hyperpop e dance-pop, com uma batida explosiva do começo ao fim. O toque especial é o uso da ótima Sugar Water Cyanide, da própria cantora, como sample, pois dá ainda mais noção de quão interessante é a atual fase da artista.

E isso é algo que a gente nunca poderia imaginar para o futuro da Rebecca lá nos tempos de Friday. Sinceramente, eu realmente fico feliz com a forma como as coisas deram certo para a cantora.
nota: 7,5

7 de julho de 2026

Um Regalo

MORNING DEW (DONK)
Beyoncé


Como um presente para os seus fãs devido à celebração dos seus 45 anos e, também, aos vinte anos do B'Day, a Beyoncé lançou a gostosinha MORNING DEW (DONK).

Gravada, na verdade, em 2013 e vazada em 2021, a canção ganha uma versão retrabalhada e oficial que mostra que até o que não é lançado pela cantora merece ver a luz do dia. Um contido, sensual, delicioso e gracioso R&B contemporâneo com toque de soul e pop, a canção tem uma batida realmente envolvente que vai grudando em quem ouve, de forma que a gente realmente fica viciado. Não é, porém, um trabalho que logo desperta a nossa atenção, especialmente para quem não gosta ou não entende o estilo da canção, que mergulha totalmente na sua ideia original. Tendo uma ideia sobre qual é a intenção sonora da canção, o prazer de escutar é realmente garantido.

E prazer é basicamente o tema central da canção, pois é claramente sobre sexo, especialmente o feito de manhã. O grande trunfo da letra é fazer com que o seu tema seja explorado sem meias palavras, mas sem nunca deixar o teor ficar vulgar ou brega, ao ter um pesado verniz de elegância que deixa tudo maduro e sexy. Tenho que admitir que não gosto tanto do refrão, e demorou um pouco para o uso repetido de “donk” fazer realmente sentido para mim. Felizmente, a performance sedosa da Beyoncé apara certas arestas, fazendo a canção terminar realmente à altura da sua presença.

MORNING DEW (DONK) encontra seu lugar até mesmo dentro da discografia da cantora, ao se fixar entre as mais refinadas canções “b-sides/demos” da sua carreira.
nota: 8

2 de julho de 2026

A Volta de Uma Outra Querida

Lost Boys
Phoebe Bridgers


Depois de um hiato de seis anos em sua carreira solo, a Phoebe Bridgers está de volta para lançar o seu terceiro álbum, intitulado Lost Weekend. Como primeira canção, foi lançada a confortável Lost Boys.

O single é o tipo de canção que a gente logo liga à artista, pois tem o seu DNA impregnado do começo ao fim. E o que poderia ser um problema, se essa qualidade refletisse a não evolução da artista, não tem o mesmo efeito devido à qualidade alta da canção. A sua melhor qualidade é a competente, cativante e cativante melodia que mistura bem indie pop/rock com folk rock em uma canção que consegue ser autoral e, ao mesmo tempo, ser de fácil apelo para os mais variados públicos. Gosto, principalmente, do seu clímax final, pois é onde a canção realmente alcança todo o seu potencial instrumental e fecha bem com um raro fade-in.

Liricamente, Bridgers e seus colaboradores acertam o tom nessa crônica sobre amadurecer e se sentir deslocado do resto do mundo, mesmo tendo, de partida, uma metáfora meio batida ao comparar a canção com a história de Peter Pan. A canção também apresenta outra inspirada performance da cantora, entregando perfeitamente o que se espera. E é exatamente isso que Lost Boys transmite ao ser mais um trabalho competente da Phoebe Bridgers.
nota: 8

Uma Surpresa

The Time of My Life
Benson Boone


Tem horas que a gente precisa deixar de lado qualquer orgulho e ser o mais verdadeiro possível. E um desses momentos é agora, pois preciso dizer com todas as letras: Benson Boone fez uma música realmente boa. A responsável por isso é a ótima The Time of My Life.

O grande trunfo da canção é saber usar o melhor atributo do cantor de maneira realmente inspirada: a sua voz. E, por isso, o cantor entrega a sua melhor performance ao ser devastadoramente triste e tocante, usando o seu timbre de maneira primorosa, ao começar de maneira contida e sentimental para ir crescendo até o final grandioso, que tira o melhor de todo o alcance da sua voz. Sinceramente, é um trabalho vocal realmente notável, mas isso poderia ser jogado fora se The Time of My Life não tivesse uma produção realmente boa.

Felizmente, esse é o caso. Sem mudar muito os rumos de Benson, a canção é uma power balada pop rock épica, mas que ganha contornos mais maduros e profundos devido à introdução bem pensada de soft rock e indie pop, que dão estofo. Todavia, o grande ponto forte da canção é o instrumental classudo e lindamente conduzido, que dá a base perfeita para a performance do cantor, criando uma união realmente bem acima da média em comparação às canções do mesmo. O ponto menos inspirado é a ainda clichê composição que, ao menos, cumpre muito bem seu papel, especialmente quando a voz do cantor concentra toda a força emocional.

E quem sabe esse não seja o começo de uma nova história para Benson Boone?
nota: 8

30 de junho de 2026

A Volta de Uma Querida

On Wires
Carly Rae Jepsen


Depois de um hiato de três anos, a Carly Rae Jepsen está de volta para reclamar o seu devido posto como uma das mais aclamadas artistas pop da sua geração. E o começo dessa nova era é com a interessante On Wires.

Possivelmente uma das canções mais “diferentes” lançadas pela cantora, especialmente como primeiro single, o trabalho pode causar estranheza para aqueles que esperavam uma sonoridade pop mais direta e digestível. Todavia, passando por esse primeiro impacto, On Wires é uma madura, elegante, sensual e inteligente fusão de pop rock com neo-psychedelia que tem um dos instrumentais mais robustos da carreira da cantora, em que a gente não parece nunca saber aonde vai ser levado. E isso ajuda a canção a ganhar uma vibe de estarmos possivelmente vendo uma nova evolução da Carly ou, ao menos, uma experimentação em novos territórios.

Como explicado anteriormente, a canção pode demorar um pouquinho a ser captada quando a gente a escuta pela primeira vez. E isso reflete especialmente no refrão, que não parece ser tão eficiente como a gente deseja. Entretanto, depois de um tempo, a gente vai se acostumando com a proposta de On Wires e vai valorizando mais a mudança sonora do refrão, que cria um contraste bem-vindo com o resto da canção, principalmente na performance da Carly. Dona de uma voz sempre delicada e melódica, a cantora mostra perfeitamente que é capaz de se adequar a outros estilos com bastante facilidade, entregando uma performance poderosa dentro da sua personalidade. E isso é uma qualidade bem rara de se ver atualmente.

On Wires é outro acerto da Carly Rae Jepsen que vai abrindo espaço para o que deve ser outra era de sucesso artístico retumbante.
nota: 8

Salvação?

Watch It Burn
Katy Perry


Tentando desesperadamente sair do fundo do poço, a Katy Perry aposta em Watch It Burn. Artisticamente, a canção é melhor que todo o desastre que foi 143 multiplicado por 10. Comercialmente, o resultado é outro desastre.

Apesar de não ter nada de novo, a canção é uma decente e até legal fusão de pop rock com electropop que até chega a empolgar, se a gente não estiver esperando muito mais do que a canção realmente entrega. A produção não acrescenta nada de excitante na batida, mas entrega um sólido trabalho que dá para a Katy algo que a mesma pode trabalhar bem em uma performance realmente muito boa, que mostra força emocional para ir de encontro com a composição. Watch It Burn poderia realmente ser melhor se tivesse uma composição melhor trabalhada, pois, mesmo com uma temática interessante, a letra meio que passa despercebida devido à sua escrita genérica e ao refrão apenas mediano.

Não é a salvação da Katy Perry, mas é uma boia para ajudar a mesma a boiar por um tempo.
nota: 6,5

25 de junho de 2026

Um Ponto Positivo

ICONIC BY MISTAKE
LE SSERAFIM, ILLIT & KATSEYE


Existem canções que têm vários pontos positivos e existem canções que têm apenas um. ICONIC BY MISTAKE é o perfeito caso dessa segunda opção.

Parceria entre três girl groups de K-pop, sendo LE SSERAFIM, ILLIT e KATSEYE, a canção tem como sua melhor qualidade o fato de que praticamente todas as integrantes têm momentos de destaque, criando uma ótima dinâmica de vozes e estilos diferentes. Todavia, isso não é aproveitado em uma das canções mais enganosas possíveis, pois a gente espera que a batida pop rap/trap/alt pop/synth-pop vá crescendo depois de um começo até legal, mas isso não acontece porque a produção decidiu manter todo o instrumental o mais linear possível, sem ter momentos de mudanças rítmicas que deveriam levar a canção para um final realmente explosivo.

ICONIC BY MISTAKE, porém, é jogada às traças de fato devido à sua péssima, sem criatividade e pobre composição, que tenta ser “icônica”, mas acaba sendo um amontoado de vergonhas alheias.

Pelo menos, a canção tem algo de bom, pois, se não, seria só tragédia.
nota: 5,5

2 Por 1 - Kelela

point blank
linknb
Kelela

Novamente, a Kelela vai demonstrando, com o lançamento dos singles do seu próximo projeto, que vai ter em mãos um dos melhores álbuns do ano. E isso não tem discussão com o resultado de linknb e, especialmente, point blank.

Ambas as canções deixam bem claro que a vibe de New Avatar é adicionar uma carga pesada de rock e adjacentes à sonoridade da cantora, criando uma nova e excitante versão da sua já espetacular identidade sonora. Das duas canções, linknb é a menos inspirada, pois, infelizmente, com um pouco menos de dois minutos, não dá tempo suficiente para que a canção realmente ganhe toda a força que poderia ter.

Felizmente, a produção excepcional consegue entregar uma pequena pérola ao construir uma refinada mistura de neo-psychedelia com rock alternativo, salpicada de jersey club e trip hop em um instrumental poderoso, mesmo que bastante breve. Todavia, é em point blank que podemos ouvir toda a engenhosidade criativa da artista em ação.

Complexa, engenhosa, experimental, emocional e poderosa, a canção reúne todas essas qualidades e algumas outras ao explorar perfeitamente as possibilidades criadas pela fusão de gêneros como east coast club, UK bass, eletrônico e rock industrial. O instrumental é um trabalho impressionante, pois é completamente rico em nuances, camadas e quebras, que vão sendo intercaladas de maneira inteligente para terminarem em um amálgama impressionante e revigorante.

Só que o que dá a point blank o toque de genialidade é a sua impressionante composição, que acerta com um soco no estômago ao ser uma crônica desconcertante sobre se sentir emocionalmente deixada de lado por quem se ama e, finalmente, começar a cobrar uma mudança. É um trabalho lírico emocional sem ser piegas, inteligente sem ser pretensioso e de um apuro estético cativante e magistral que combina com a canção. E, por fim, a performance tão própria da Kelela, que usa a sua doce voz, mas sempre tão urgente e versátil, para entoar toda a dor da composição ao mesmo tempo em que faz um contraponto à batida marcante da música, é algo que fecha a canção com chave de ouro.

Não que eu duvidasse da capacidade da artista, mas ainda fico surpreso que tamanho talento não atraia ainda mais público para apreciar tamanha qualidade artística.
notas
linknb: 8
point blank: 8,5

De Volta as Origens

My Guy
Sam Smith


É preciso admirar a coragem que Sam Smith teve ao seguir sua vida e carreira da maneira que mais agrada à sua pessoa, sem pensar no que as pessoas falam ou deixam de falar. Dito isso, é bom ouvir sua volta às origens com o sólido single My Guy.

Uma balada pop soul com toques deliciosos de gospel e R&B, a canção deixa exposto o melhor de Sam: a sua voz. Sedosa, melódica e marcante, a voz de Sam preenche os espaços até mesmo nessa contida e reflexiva performance. E isso já é algo que realmente vale a pena ouvir na canção. Apesar de estar longe dos seus melhores momentos, My Guy também destaca a maturidade da vida de Sam ao ser uma canção de amor sobre seu companheiro, o estilista Christian Cowan. Ao contrário dos amores não correspondidos e dos corações quebrados das letras do começo da carreira, Sam celebra o amor queer de maneira simples, sincera e tocante em uma composição certeira e redondinha. O problema da canção é não ter um clímax mais pungente e emocional, pois toda a canção vai levando a gente a acreditar em um final nessa pegada quando, na verdade, é um final contido e introspectivo.

De qualquer forma, a canção é uma volta de Sam às origens sem precisar se comprometer com quem é hoje.
nota: 7,5

Novos Caminhos, Mesmo Rumo

IS IT LOVE
Tyla


É possível notar a evolução da Tyla no quesito sonoro, e isso é auspicioso. Todavia, parece que, no quesito qualidade, a artista está sempre empacada no mesmo lugar, como fica claro em IS IT LOVE.

Single do seu próximo álbum (A*Pop), a canção adiciona uma dose interessante de pop rock e electropop à base consolidada da cantora, que mistura bem afrobeats. Devido a isso, a canção ganha nuances bem delimitadas que ajudam a dar dinamismo à sonoridade da Tyla sem perder, porém, a sua essência. O problema é que a própria produção não sabe pegar essa boa ideia e adicioná-la de uma maneira que a canção possa realmente ser elevada para outro patamar, pois o resultado de IS IT LOVE ainda fica bem no mesmo lugar que basicamente todas as canções da artista: boas, mas poderiam ser bem melhores. Nem a performance refinada e sensual da Tyla realmente faz diferença no resultado final, pois seus esforços não encontram reflexo no material que tem em mãos.

Não apenas caminhar em novas estradas, mas, sim, encontrar novos destinos para realmente crescer artisticamente. E isso está faltando na carreira da Tyla.
nota: 7

23 de junho de 2026

Too Little

Too Easy
Tinashe


Sabe quando uma canção é pequena demais para a sua ideia? Então, esse é o caso perfeito de Too Easy, da Tinashe.

Com um pouco menos de dois minutos, a canção não sustenta a boa intenção devido a não ter tempo suficiente para se desenvolver de verdade, ficando apenas como uma quase preview do que era para ter sido. Aqui, a produção mistura bem electroclash com pop rap, deep house e R&B em uma batida frenética, grudenta e realmente interessante. É uma canção que facilmente poderia se tornar irritante, mas isso é contornado por uma produção madura que equilibra bem os elementos.

Todavia, como apontado antes, Too Easy não tem tempo para realmente levantar voo, pois, quando começa a decolar, já acaba. E isso deixa um gosto amargo em quem escuta, já que a canção tem cara de ser um musicão, mas acaba sendo apenas um bom abridor de apetite. E, mesmo com a boa performance de Tinashe, a canção termina sendo aquela que deveria ser bem mais do que realmente acaba sendo. Uma pena.
nota: 7

Filler Bom

Red Bottoms
ADÉLA


Um dos parâmetros para medir o potencial de uma estrela pop em ascensão é observar a qualidade das suas canções quando elas são o que se pode chamar de fillers. Um ótimo exemplo disso é Adéla com o single Red Bottoms.

A canção não tem cara de single, especialmente depois da explosiva KGB, mas o resultado final é realmente bem acima da média. Basicamente, a faixa é uma balada mid-tempo que incorpora elementos de indie pop e R&B à batida alt-pop/dark pop que a produção constrói de maneira bem delimitada e com personalidade. Não é exatamente nada impressionante, mas Red Bottoms tem um acabamento caprichado e que se apoia principalmente no carisma da cantora.

E isso se deve à sua estilosa, sentimental e contida performance, que ajuda o público a perceber que a cantora tem boas possibilidades vocais, demonstrando ser capaz de sustentar canções bem diferentes de maneira realmente natural e com personalidade. A composição também é outro ponto positivo, ao ser inteligente na comparação de alguém que se sente usada em um relacionamento com um sapato gasto, ganhando pontos pelas boas saídas líricas que compensam sua superficialidade emocional.

Com duas canções que mostram um potencial verdadeiramente promissor, Adéla vai trilhando um caminho que merece ser acompanhado de perto.
nota: 7,5

Algo Que Falta

des fleurs
Tove Lo & Stromae


Apesar de gostar muito da discografia da Tove Lo, o que ela tem mostrado até agora para a divulgação de Estrus vem deixando a desejar. E esse é o caso de des fleurs.


A canção é sonoramente interessante, especialmente devido à coprodução de Stromae, ao se tornar uma estilizada mistura de alt-pop, R&B e afrobeats. É uma batida madura, mas que também poderia ter sido bem mais aprofundada para elevar o resultado final, que fica muito preso no campo da ideia do que da realização. Apesar disso, o grande problema de des fleurs é a sua composição nos versos entoados por Tove Lo, que se mostram simples demais e sem o potencial emocional que ela já demonstrou tão bem em outros trabalhos. Felizmente, o verso do cantor belga é inspirado e, principalmente, a sua performance inspirada ajuda a dar certo carisma para a canção. Mesmo entoando uma letra fraca, Tove entrega uma performance segura que demonstra o quanto ela realmente tem a oferecer.

Uma pena que à canção falte algo realmente inspirado para se tornar uma música com a marca de qualidade característica de Tove Lo.
nota: 7

Club Elegância

Club To Your Arms
Rose Gray


Depois de um promissor debut, a Rose Gray está preparando seu segundo álbum e, como possível primeiro single, foi lançada a ótima Club To Your Arms.

E a canção já se torna a melhor da carreira da cantora até o momento. Uma surpreendente, madura, elegante, contagiosa e impressionante fusão de house com dance-pop que apresenta uma das melhores produções do panteão pop do ano. Capitaneada pelo desconhecido Zhone, a canção é um daqueles momentos que conseguem ser épicos, mas, ao mesmo tempo, estabelecer uma conexão pessoal com quem escuta. Tem toques radiofônicos e até clichês, especialmente na construção rítmica, mas que são subvertidos para se tornarem qualidades realmente louváveis devido à inteligência apurada colocada na produção e, principalmente, na elaboração do instrumental.

Além disso, a composição é outro ponto importante da canção, pois é da sua irônica, sensual, direta e icônica lírica que a canção ganha ainda mais substância para incorporar à sua já incrível batida. Gosto especialmente do cativante e emocional refrão, que capta perfeitamente toda a vibe da canção de maneira graciosa e eficiente. Club To Your Arms também parece ser o momento em que Rose se mostra ainda mais interessante como cantora, pois aqui ela entrega uma performance realmente impecável, na qual é capaz de mostrar grande versatilidade e começar a realmente delimitar a sua personalidade de maneira decisiva.

Espero que a canção seja realmente o começo da consolidação da Rose Gray, pois, com esse resultado, estou pronto para a “dominação Rose”.
nota: 8,5

14 de junho de 2026

Primeira Impressão

Cruel World
Holly Humberstone


Primeira Impressão

Trying Times
James Blake


Primeira Impressão

Whatever's Clever!
Charlie Puth


Primeira Impressão - Outros Lançamentos

Midnight Sun: Girls Trip
Zara Larsson


Uma Segunda Chance Para: On The Floor

On The Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez


Se você viveu 2011, em algum momento ouviu tocar On The Floor, da Jennifer Lopez, sem dúvida nenhuma. E, depois de mais de quinze anos de lançamento, ver que a música ainda tem capacidade de se tornar um viral não é surpresa nenhuma, pois a canção é realmente boa, especialmente devido à produção de RedOne.

Uma das melhores canções do produtor fora do trabalho com a GaGa, sua produção pega uma ideia até simples e vai com ela até o limite sem pedir desculpas ou olhar para trás. Pegando o sample de Lambada, da banda franco-brasileira Kaoma, que, por sua vez, era um cover de Llorando se fue, da banda peruana Los Kjarkas, RedOne envolve a canção com uma mistura de dance-pop, house, eletropop e latin pop que poderia ter dado muito errado, mas que é subvertida devido à grandiosidade do instrumental. E essa é a melhor qualidade da canção: sua atmosfera épica e espetaculosa.

A canção não pede licença desde o seu começo e apenas vai aumentando a velocidade para terminar em um final épico e completamente viciante. Todavia, para essas partes terem um efeito tão notável, é preciso haver momentos que as contrabalancem, e isso é dado pelo uso do sample bem nítido na primeira metade do refrão, que dá à canção o tempo necessário para a explosão que logo se aproxima. Essa sabedoria de usar esses momentos para construir o clima da canção é literalmente um toque de gênio de RedOne. On The Floor não teria toda essa força se não tivesse outros elementos que também dessem certo.

Felizmente, tudo dá certo. J.Lo entrega uma das melhores performances de sua carreira, em que o carisma da cantora é muito bem utilizado para dar ainda mais personalidade à música. Enquanto isso, o rapper Pitbull entrega dois versos sensacionais que acabam roubando a cena de verdade, principalmente devido ao fato de ele realmente ter entendido o tom da canção. A composição é, de longe, o ponto menos inspirado, ao ser uma ode aos festeiros de plantão, mas, graças a um trabalho lírico certeiro, o que temos aqui é uma letra direta, divertida, fácil e grudenta, que faz a gente querer cantar junto. A citação dos lugares para “se fazer festa”, incluindo o Brasil, é algo com que é quase impossível não cantar junto.

On The Floor é um trabalho surpreendente que envelhece muito melhor do que o esperado. E deveria ser bem mais lembrada por ser um dos maiores sucessos de todos os tempos.
nota: 8

Uma Farofada Bem Servida

Sad Girls
Bebe Rexha & David Guetta

De tempos em tempos, acontece um momento meio que mágico na música: surge uma boa farofada eletrônica. Dessa vez, quem prepara o prato é Bebe Rexha com David Guetta na suculenta Sad Girls.

Single do álbum Dirty Blonde, a canção é uma farofada electropop/eletro-house que David já fez algumas vezes e repete a fórmula novamente. Felizmente, porém, a produção conta com outros nomes além do DJ francês, dando uma envernizada mais interessante à canção, que acaba sendo mais corpulenta e interessante do que tinha o direito de ser.

Entretanto, o que realmente a faz se destacar é a sensacional performance de Bebe, que domina a canção de uma maneira tão imponente que faz a faixa ganhar vida de verdade, especialmente porque dá para notar que ela adiciona emoção genuína à sua interpretação, lembrando a força da Sia em Titanium. Além disso, Sad Girls tem realmente uma boa composição, que consegue unir clichês a uma mensagem genuína, o que faz toda a diferença no final.

Resumidamente: consuma essa farofada com vontade, porque vale a pena.
nota: 7,5

Bons Hábitos

the feeling
Steve Lacy


Acredito que atualmente um dos poucos artistas relevantes que estão conseguindo carregar bem o neo-soul é o Steve Lacy. E o cantor está de volta com a interessante "The Feeling".

Single do seu próximo álbum, a canção é um inteligente, maduro e sedoso neo-soul com adições bem azeitadas de R&B alternativo e bedroom pop que funciona principalmente devido à construção de uma atmosfera densa, melancólica e bastante climática. Apesar de um pouco linear demais no instrumental, a canção realmente cria essa presença sonora envolvente que vai aos poucos sugando a gente para uma espécie de vórtice da canção.

No centro, porém, está a descolada, aveludada e sexy presença vocal de Lacy, que entoa a canção de uma forma tão própria que poderia não funcionar, mas o resultado é um triunfo em relação ao domínio dele sobre o seu instrumento vocal, mostrando perfeitamente como consegue se moldar para preencher as lacunas que possa ter devido à decisão da produção por um arranjo mais chapado. O único problema de "The Feeling" é o seu refrão, que deveria arrematar os versos que narram sobre a angústia de um amor não correspondido de maneira inteligente e com personalidade, mas termina sendo rasteiro e sem a força emocional de que a canção precisaria.

Mesmo com esse tropeço, a canção é um ótimo lembrete do talento de Steve Lacy.
nota: 8

Ainda Há Hype

Love Sensation
Madonna


A gente pode notar o hype de um álbum quando até mesmo a canção menos inspirada lançada como single ainda é uma canção realmente excitante. Esse é o caso de Love Sensation, da Madonna.

Terceira canção e segundo single lançado de Confessions II, a música é a menos inspirada até agora, mas, felizmente, o resultado final é ainda melhor que boa parte das canções lançadas pela cantora nos últimos trabalhos. Uma sólida e classuda dance-pop, emoldurada por eurohouse e nu-disco, Love Sensation vai aos poucos crescendo na percepção, especialmente devido ao envolvente refrão, que realmente é a cola de toda a canção.

O principal problema são os versos iniciais, que ganham uma batida mais contida e não parecem fazer a gente se envolver com a canção logo de cara. Junta-se a isso a performance meio deslocada da Madonna nesses momentos, ajudando a criar um início meio trôpego da canção. Todavia, quando surge o ótimo refrão, as coisas vão se acomodando e fazendo mais sentido, ajudando a canção a terminar de maneira bem interessante e, principalmente, divertidíssima.

Poderia ser um single com uma pegada mais explosiva do começo ao fim? Sim, poderia facilmente. Mas, sinceramente, o resultado de Love Sensation não atrapalha em nada o hype para o que deve ser o melhor álbum da Madonna em duas décadas.
nota: 7,5

Um Oscar Para Taylor

I Knew It, I Knew You
Taylor Swift


Fato: Taylor Swift quer um Oscar para chamar de seu. E isso não tem problema, mas explica o fato de ela ser a dona do tema de Toy Story 5. Felizmente, I Knew It, I Knew You é uma boa canção que até me surpreendeu mais do que eu esperava.

Primeiramente, a canção é uma volta interessante ao country-pop da cantora, em uma produção um pouco segura demais, mas com um instrumental muito bem conduzido e uma vibe com uma boa mistura de elementos solares e melancólicos. Em segundo lugar, a canção realmente cresce liricamente no segundo verso, quando fica evidente a ligação direta com a história da personagem Jessie, algo que consegue captar de maneira bastante interessante. Gostaria, porém, que toda a canção tivesse essa mesma força emocional, pois o primeiro verso e o refrão ficam abaixo desse nível, com uma composição levemente genérica.

Todavia, I Knew It, I Knew You é a melhor canção da cantora em anos e deve, ao menos, ajudá-la a sonhar com a estatueta de ouro. Vencer? Aí a história vai ser bem diferente. Veremos.
nota: 7,5

Novos Ares

Handle
Ravyn Lenae


Depois de ter um verdadeiro sleeper hit com Love Me Not, a cantora Ravyn Lenae está de volta para lançar o seu mais novo trabalho, intitulado Blue Island. E a interessante Handle foi lançada como primeiro single.

A grande surpresa é que a cantora escolheu seguir um caminho mais pop rock/indie rock, com uma base pop soul que funciona de maneira azeitada em uma canção aveludada e com uma produção muito bem pensada. Acredito, porém, que a canção poderia ter uma parte final mais épica para combinar com a construção climática feita pela ótima primeira metade. Devido a isso, Handle perde certa força no final, fazendo a canção terminar de forma menor do que poderia em termos sonoros. Felizmente, a competente, elegante e versátil performance de Ravyn, somada a uma letra enxuta e certeira, ajuda a manter o nível de qualidade da canção bem acima da média. É uma canção muito simpática, que faz a gente ter certeza do potencial da artista.
nota: 7,5

Call Jade!

Beg For Me (Remix)
Lily Allen & JADE

Um sinal de que uma cantora é a nova “it girl pop” é o fato de ela começar a aparecer como convidada em músicas de outros artistas. E esse é o caso de Jade, que surge agora como convidada do remix de Beg For Me, da Lily Allen.

Apesar de não ser uma das melhores canções do álbum, a faixa funciona bem com a presença de Jade, pois a cantora dá uma nova camada de personalidade à música. Isso acontece porque a produção do remix dá à artista tempo suficiente para brilhar e adiciona um verniz que consegue se diferenciar da versão original ao incluir uma carga mais pesada de eletropop na batida alt-pop com toques de hip hop. Em si, a canção é uma boa mistura de elementos que mostram o lado mais experimental de Lily sem, porém, sair muito de seu campo sonoro. E, assim como todo o resto do álbum West End Girl, a letra de Beg For Me é uma crônica mordaz e ácida sobre o fim de seu casamento. Entretanto, se o remix não tivesse a presença de Jade, não teria nem razão de existir.
nota: 7,5

31 de maio de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Uma música apenas pode mudar toda a trajetória da carreira de uma artista. Pode ser a música de estreia do artista. Pode ser aquela em que o mesmo é apenas um convidado. Pode ser uma canção em que o mesmo é apenas creditado como compositor e/ou produtor. Existem, porém, algumas canções que surgem de uma maneira tão decisiva na carreira de um artista que literalmente toda a sua história é dependente desse trabalho. E é hoje isso que veremos ao descobrir melhor...


Filler by Ariana

hate that i made you love me
Ariana Grande

É fato que a Ariana Grande nunca entregou uma canção ruim de verdade, mas, nos últimos tempos, a qualidade de seus trabalhos ficou estagnada no apenas bom. E, novamente, é essa a sensação com hate that i made you love me.

Primeiro single de Petal, a canção é uma segura, sólida, bem produzida, elegante e comercial mistura de synth-pop com alt-pop e R&B, que basicamente vem sendo a base da sonoridade da artista. Bem construída pela produção da própria cantora ao lado dos fiéis parceiros Ilya e Max Martin, a canção não parece realmente empolgar com a sua batida contida demais e passa a sensação de que funcionaria melhor como apenas o recheio do álbum do que como um single, ainda mais o primeiro single.

Além disso, hate that i made you love me soa ainda mais contida e menor devido à performance contidíssima de Ariana, que entoa a canção de maneira calma, reflexiva e quase melancólica. E isso, sinceramente, não é problema nenhum, mas deixa uma lacuna quando a gente sabe bem que Ariana é capaz de muito, mas muito mais. O ponto alto da canção é a sua interessante composição, que poderia facilmente ter sido envolvida por uma produção mais excitante.

Apesar de ser uma boa canção, o single mostra que Ariana parece presa em sua própria cartilha, sem saber como encontrar um novo caminho sonoro.
nota: 7,5

A Evolução de Lola

From Down Here
Lola Young


É preciso entender que, ao contrário do que tentaram vender, a Lola Young não é uma artista simplesmente “pop” com toques artísticos. A jovem é entalhada na mesma madeira de nomes como Amy Winehouse e Adele, sendo uma artista genuína com possibilidade de se introduzir no mainstream. E é assim que vejo o seu mais novo e excepcional single: From Down Here.

Ampliando sua visão sonora, a canção é uma produção de James Blake ao lado de Dom Maker e Jameela Jamil, que dá à canção um verniz que mistura pop soul com indietrônica e alt-pop em uma embalagem surpreendente devido à química perfeita da persona de Lola com toda a vibe da canção. E é uma sinergia que realmente dá à canção uma vibe até simples, mas eficiente, que termina sendo uma continuação do que a artista vem fazendo, como também uma evolução surpreendente e muito bem-vinda. Toda a melancolia e o sentimento da batida servem para refletir o grande destaque da canção: a sua extraordinária composição.

Depois de ter tirado um tempo para cuidar da sua saúde mental, a composição de From Down Here é ainda mais visceral e emocional quando a gente percebe a força da crônica que Lola faz ao falar sobre como se sente deslocada do resto do mundo, especialmente no momento em que está amadurecendo e tentando deixar para trás as coisas ruins às quais vinha se apegando. É uma letra sincera, cortante, sensível e de uma verdade crua que deixa a gente realmente sensibilizado, especialmente se a gente já se sentiu ou se sente dessa maneira. Gosto especialmente dos versos que fecham a primeira estrofe, quando Lola canta: “Try a conversation, don't know where to start/But it's my favourite place, so why do I hate it here?”.

E, com uma performance de uma emoção sentimental, mas totalmente contida e contemplativa, Lola entrega uma canção que deveria ser outro imenso sucesso comercial, se conseguir achar as rachaduras do mainstream.
nota: 8,5


New Faces Apresenta: GIRLSET

Tweak
GIRLSET


Uma nova tendência é os reality shows musicais para formar girl/boy bands com inspiração direta no K-pop, como, por exemplo, o Katseye. Apesar de menos conhecida atualmente, a girl band GIRLSET (conhecida antes como Vcha) foi formada na mesma época pelo reality A2K. E, sendo sincero, apenas com a canção Tweak, o quarteto se mostra mais interessante que as suas contemporâneas.


A grande qualidade da canção é a sua influência, que é claramente vinda do R&B dos anos noventa, tanto que usa sample da canção Weak, do SWV, um dos expoentes do gênero na década. Com uma produção que mistura muito bem toques de trap, bubblegum pop e jersey club, o resultado da canção é delicioso, bem pensado, divertido e sensual na medida certa. É uma canção que, apesar de seguir certo padrão, dá ao GIRLSET toda uma personalidade realmente interessante e que meio que as coloca fora dos padrões para outros nomes com a mesma pegada.

O problema da canção é a sua segunda metade, que não chega a ser abaixo da média, mas está abaixo da primeira metade, que é realmente inspirada. As quatro integrantes apresentam personalidades distintas que são muito bem aproveitadas na canção, mostrando também ótima química. E, juntando-se a isso, está a certeira e carismática composição, que funciona sem problemas no meio do caminho entre o clichê, o nostálgico e o inteligente. Espero que o GIRLSET possa continuar nesse caminho e encontrar o caminho para o reconhecimento mainstream, pois, sinceramente, seria merecido.
nota: 7,5

Falta Ânimo

SS26
Charli xcx


O grande problema das canções novas da Charli XCX é a falta de ânimo que elas transmitem. E isso fica mais evidente em SS26.

Bem melhor que Rock Music, a canção é mais um esboço de uma música realmente do que a concretização das ideias por trás dela. O motivo principal é que a produção parece totalmente presa a uma ideia do que seria a adição do rock à sonoridade da cantora, mas deixa a desejar ao não adicionar um fator de excitação verdadeira à produção. Dessa maneira, SS26 termina sendo uma boa, mas opaca, mistura de alt-pop com indie rock, electropop e alt-pop, que desperdiça seu potencial com um instrumental contido demais, que termina sendo quase sonolento.

E o pior é perder a oportunidade de dar à canção algo que pudesse estar na mesma altura da ótima performance da Charli, que decide tirar todos os efeitos vocais, deixando sua voz o mais natural possível em um trabalho diferente, que salva um pouco a canção. Uma pena, porém, que tudo à sua volta soe tão desanimado.
nota: 7

24 de maio de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

I AM...SASHA FIERCE
Beyoncé


Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Superbloom
Jessie Ware


Primeira Impressão

The Mountain
Gorillaz



Primeira Impressão

EQUILIBRIVM
Anitta



Em Busca da Redenção

Choka Choka
Anitta & Shakira


Durante muito tempo, mas muito tempo mesmo, a minha maior crítica à Anitta é o desperdício da oportunidade de fazer algo que fosse minimamente artístico com todo o potencial que a música brasileira possui, indo para algo parecido com o que a Rosalía faz. E, ao que parece, minhas “preces” foram escutadas, pois isso é o que parece ser o foco para o seu novo trabalho (Equilibrium) e há bons indícios disso na realmente interessante Choka Choka.

Apesar de ter alguns pontos de ressalva, a canção é, sem nenhuma dúvida, a melhor da carreira da Anitta. E isso não seria muito difícil, mas o feito é conquistado com louvor em uma canção que realmente faz uma mistura azeitada de vários gêneros brasileiros, como funk carioca, samba, dance-pop e tropical, criando uma faixa madura, comercial e com um toque artístico realmente refinado. Não é exatamente um trabalho que chegue perto de ser genial, mas Choka Choka é o resultado de uma produção criativa que finalmente parece entender o que a Anitta é capaz de entregar de verdade. Preciso apontar que, com pouco mais de dois minutos, a canção ainda soa curta demais para aproveitar todas as possibilidades sonoras que a música deixa expostas.

Além disso, a canção tem uma composição pouco inspirada, que meio que não permite que ela seja ainda melhor, mas, ainda assim, o trabalho tem carisma suficiente para não ser o peso morto da produção. A participação da Shakira não é tão bem aproveitada, especialmente devido ao tempo de duração da canção, mas é realmente revigorante ver sua presença ser tão divertida e imersa, com ela cantando em português. E o mais surpreendente é que a Anitta entrega uma performance muito boa aqui, segurando bem e adicionando personalidade à canção. Talvez os efeitos usados em sua voz não ajudem muito, mas Choka Choka funciona muito melhor do que eu poderia imaginar. Seria esse o começo da redenção artística da Anitta? Fica a pergunta para ser respondida nos próximos tempos.
nota: 7,5

O Céu de Olivia

the cure
Olivia Rodrigo


Apesar de sempre ter entrega boas canções, a Olivia Rodrigo chega ao seu ápice com o lançamento da sensacional the cure.

Segundo single do seu próximo álbum, a canção é sem nenhuma dúvida a mais madura da carreira da cantora devido, principalmente, de uma composição inspiradíssima, emocional e de uma escrita realmente potente e inteligente. E isso é algo que mostra o amadurecimento da cantora que, ao lado de Dan Nigro, escreve uma crônica ainda com indícios de ser os pensamentos de uma jovem em buscar de entender seus sentimentos, mas que, felizmente, está crescendo e tendo a capacidade de se aprofundar artisticamente. E isso é algo inestimável.

Em the cure, Olivia faz uma tocante crônica sobre tentar encontrar o amor próprio pela validação de quem se ama, mas começar a compreender que apenas a mesma consegue se “curar”. Sinceramente, é um trabalho que claramente encontra reflexos na vivencia da cantora, mas também é bem fácil de encontrar conexões com vários tipos de pessoas já que algo que pode acontecer com qualquer pessoa. Essa capacidade ampla de falar com outros públicos é outra qualidade da composição que é emoldurada por uma excelente produção que adiciona uma camada mais forte de indie rock para a base pop rock/alt pop que já é a marca da cantora. Devido a isso, a canção ganha uma urgência interessante sem perder, porém, o verniz radiofônico e da personalidade da cantora. Completa o pacote, a delicada, sentimental e sólida performance da Olivia que deixa claro a sua evolução continua como interprete principalmente.

E assim, a Olivia entrega o seu melhor momento da carreira até agora que, sinceramente, espero que continue a reverter no resultado final de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love.
nota: 8,5