25 de junho de 2026

Um Ponto Positivo

ICONIC BY MISTAKE
LE SSERAFIM, ILLIT & KATSEYE


Existem canções que têm vários pontos positivos e existem canções que têm apenas um. ICONIC BY MISTAKE é o perfeito caso dessa segunda opção.

Parceria entre três girl groups de K-pop, sendo LE SSERAFIM, ILLIT e KATSEYE, a canção tem como sua melhor qualidade o fato de que praticamente todas as integrantes têm momentos de destaque, criando uma ótima dinâmica de vozes e estilos diferentes. Todavia, isso não é aproveitado em uma das canções mais enganosas possíveis, pois a gente espera que a batida pop rap/trap/alt pop/synth-pop vá crescendo depois de um começo até legal, mas isso não acontece porque a produção decidiu manter todo o instrumental o mais linear possível, sem ter momentos de mudanças rítmicas que deveriam levar a canção para um final realmente explosivo.

ICONIC BY MISTAKE, porém, é jogada às traças de fato devido à sua péssima, sem criatividade e pobre composição, que tenta ser “icônica”, mas acaba sendo um amontoado de vergonhas alheias.

Pelo menos, a canção tem algo de bom, pois, se não, seria só tragédia.
nota: 5,5

2 Por 1 - Kelela

point blank
linknb
Kelela

Novamente, a Kelela vai demonstrando, com o lançamento dos singles do seu próximo projeto, que vai ter em mãos um dos melhores álbuns do ano. E isso não tem discussão com o resultado de linknb e, especialmente, point blank.

Ambas as canções deixam bem claro que a vibe de New Avatar é adicionar uma carga pesada de rock e adjacentes à sonoridade da cantora, criando uma nova e excitante versão da sua já espetacular identidade sonora. Das duas canções, linknb é a menos inspirada, pois, infelizmente, com um pouco menos de dois minutos, não dá tempo suficiente para que a canção realmente ganhe toda a força que poderia ter.

Felizmente, a produção excepcional consegue entregar uma pequena pérola ao construir uma refinada mistura de neo-psychedelia com rock alternativo, salpicada de jersey club e trip hop em um instrumental poderoso, mesmo que bastante breve. Todavia, é em point blank que podemos ouvir toda a engenhosidade criativa da artista em ação.

Complexa, engenhosa, experimental, emocional e poderosa, a canção reúne todas essas qualidades e algumas outras ao explorar perfeitamente as possibilidades criadas pela fusão de gêneros como east coast club, UK bass, eletrônico e rock industrial. O instrumental é um trabalho impressionante, pois é completamente rico em nuances, camadas e quebras, que vão sendo intercaladas de maneira inteligente para terminarem em um amálgama impressionante e revigorante.

Só que o que dá a point blank o toque de genialidade é a sua impressionante composição, que acerta com um soco no estômago ao ser uma crônica desconcertante sobre se sentir emocionalmente deixada de lado por quem se ama e, finalmente, começar a cobrar uma mudança. É um trabalho lírico emocional sem ser piegas, inteligente sem ser pretensioso e de um apuro estético cativante e magistral que combina com a canção. E, por fim, a performance tão própria da Kelela, que usa a sua doce voz, mas sempre tão urgente e versátil, para entoar toda a dor da composição ao mesmo tempo em que faz um contraponto à batida marcante da música, é algo que fecha a canção com chave de ouro.

Não que eu duvidasse da capacidade da artista, mas ainda fico surpreso que tamanho talento não atraia ainda mais público para apreciar tamanha qualidade artística.
notas
linknb: 8
point blank: 8,5

De Volta as Origens

My Guy
Sam Smith


É preciso admirar a coragem que Sam Smith teve ao seguir sua vida e carreira da maneira que mais agrada à sua pessoa, sem pensar no que as pessoas falam ou deixam de falar. Dito isso, é bom ouvir sua volta às origens com o sólido single My Guy.

Uma balada pop soul com toques deliciosos de gospel e R&B, a canção deixa exposto o melhor de Sam: a sua voz. Sedosa, melódica e marcante, a voz de Sam preenche os espaços até mesmo nessa contida e reflexiva performance. E isso já é algo que realmente vale a pena ouvir na canção. Apesar de estar longe dos seus melhores momentos, My Guy também destaca a maturidade da vida de Sam ao ser uma canção de amor sobre seu companheiro, o estilista Christian Cowan. Ao contrário dos amores não correspondidos e dos corações quebrados das letras do começo da carreira, Sam celebra o amor queer de maneira simples, sincera e tocante em uma composição certeira e redondinha. O problema da canção é não ter um clímax mais pungente e emocional, pois toda a canção vai levando a gente a acreditar em um final nessa pegada quando, na verdade, é um final contido e introspectivo.

De qualquer forma, a canção é uma volta de Sam às origens sem precisar se comprometer com quem é hoje.
nota: 7,5

Novos Caminhos, Mesmo Rumo

IS IT LOVE
Tyla


É possível notar a evolução da Tyla no quesito sonoro, e isso é auspicioso. Todavia, parece que, no quesito qualidade, a artista está sempre empacada no mesmo lugar, como fica claro em IS IT LOVE.

Single do seu próximo álbum (A*Pop), a canção adiciona uma dose interessante de pop rock e electropop à base consolidada da cantora, que mistura bem afrobeats. Devido a isso, a canção ganha nuances bem delimitadas que ajudam a dar dinamismo à sonoridade da Tyla sem perder, porém, a sua essência. O problema é que a própria produção não sabe pegar essa boa ideia e adicioná-la de uma maneira que a canção possa realmente ser elevada para outro patamar, pois o resultado de IS IT LOVE ainda fica bem no mesmo lugar que basicamente todas as canções da artista: boas, mas poderiam ser bem melhores. Nem a performance refinada e sensual da Tyla realmente faz diferença no resultado final, pois seus esforços não encontram reflexo no material que tem em mãos.

Não apenas caminhar em novas estradas, mas, sim, encontrar novos destinos para realmente crescer artisticamente. E isso está faltando na carreira da Tyla.
nota: 7

23 de junho de 2026

Too Little

Too Easy
Tinashe


Sabe quando uma canção é pequena demais para a sua ideia? Então, esse é o caso perfeito de Too Easy, da Tinashe.

Com um pouco menos de dois minutos, a canção não sustenta a boa intenção devido a não ter tempo suficiente para se desenvolver de verdade, ficando apenas como uma quase preview do que era para ter sido. Aqui, a produção mistura bem electroclash com pop rap, deep house e R&B em uma batida frenética, grudenta e realmente interessante. É uma canção que facilmente poderia se tornar irritante, mas isso é contornado por uma produção madura que equilibra bem os elementos.

Todavia, como apontado antes, Too Easy não tem tempo para realmente levantar voo, pois, quando começa a decolar, já acaba. E isso deixa um gosto amargo em quem escuta, já que a canção tem cara de ser um musicão, mas acaba sendo apenas um bom abridor de apetite. E, mesmo com a boa performance de Tinashe, a canção termina sendo aquela que deveria ser bem mais do que realmente acaba sendo. Uma pena.
nota: 7

Filler Bom

Red Bottoms
ADÉLA


Um dos parâmetros para medir o potencial de uma estrela pop em ascensão é observar a qualidade das suas canções quando elas são o que se pode chamar de fillers. Um ótimo exemplo disso é Adéla com o single Red Bottoms.

A canção não tem cara de single, especialmente depois da explosiva KGB, mas o resultado final é realmente bem acima da média. Basicamente, a faixa é uma balada mid-tempo que incorpora elementos de indie pop e R&B à batida alt-pop/dark pop que a produção constrói de maneira bem delimitada e com personalidade. Não é exatamente nada impressionante, mas Red Bottoms tem um acabamento caprichado e que se apoia principalmente no carisma da cantora.

E isso se deve à sua estilosa, sentimental e contida performance, que ajuda o público a perceber que a cantora tem boas possibilidades vocais, demonstrando ser capaz de sustentar canções bem diferentes de maneira realmente natural e com personalidade. A composição também é outro ponto positivo, ao ser inteligente na comparação de alguém que se sente usada em um relacionamento com um sapato gasto, ganhando pontos pelas boas saídas líricas que compensam sua superficialidade emocional.

Com duas canções que mostram um potencial verdadeiramente promissor, Adéla vai trilhando um caminho que merece ser acompanhado de perto.
nota: 7,5

Algo Que Falta

des fleurs
Tove Lo & Stromae


Apesar de gostar muito da discografia da Tove Lo, o que ela tem mostrado até agora para a divulgação de Estrus vem deixando a desejar. E esse é o caso de des fleurs.


A canção é sonoramente interessante, especialmente devido à coprodução de Stromae, ao se tornar uma estilizada mistura de alt-pop, R&B e afrobeats. É uma batida madura, mas que também poderia ter sido bem mais aprofundada para elevar o resultado final, que fica muito preso no campo da ideia do que da realização. Apesar disso, o grande problema de des fleurs é a sua composição nos versos entoados por Tove Lo, que se mostram simples demais e sem o potencial emocional que ela já demonstrou tão bem em outros trabalhos. Felizmente, o verso do cantor belga é inspirado e, principalmente, a sua performance inspirada ajuda a dar certo carisma para a canção. Mesmo entoando uma letra fraca, Tove entrega uma performance segura que demonstra o quanto ela realmente tem a oferecer.

Uma pena que à canção falte algo realmente inspirado para se tornar uma música com a marca de qualidade característica de Tove Lo.
nota: 7

Club Elegância

Club To Your Arms
Rose Gray


Depois de um promissor debut, a Rose Gray está preparando seu segundo álbum e, como possível primeiro single, foi lançada a ótima Club To Your Arms.

E a canção já se torna a melhor da carreira da cantora até o momento. Uma surpreendente, madura, elegante, contagiosa e impressionante fusão de house com dance-pop que apresenta uma das melhores produções do panteão pop do ano. Capitaneada pelo desconhecido Zhone, a canção é um daqueles momentos que conseguem ser épicos, mas, ao mesmo tempo, estabelecer uma conexão pessoal com quem escuta. Tem toques radiofônicos e até clichês, especialmente na construção rítmica, mas que são subvertidos para se tornarem qualidades realmente louváveis devido à inteligência apurada colocada na produção e, principalmente, na elaboração do instrumental.

Além disso, a composição é outro ponto importante da canção, pois é da sua irônica, sensual, direta e icônica lírica que a canção ganha ainda mais substância para incorporar à sua já incrível batida. Gosto especialmente do cativante e emocional refrão, que capta perfeitamente toda a vibe da canção de maneira graciosa e eficiente. Club To Your Arms também parece ser o momento em que Rose se mostra ainda mais interessante como cantora, pois aqui ela entrega uma performance realmente impecável, na qual é capaz de mostrar grande versatilidade e começar a realmente delimitar a sua personalidade de maneira decisiva.

Espero que a canção seja realmente o começo da consolidação da Rose Gray, pois, com esse resultado, estou pronto para a “dominação Rose”.
nota: 8,5

14 de junho de 2026

Primeira Impressão

Cruel World
Holly Humberstone


Primeira Impressão

Trying Times
James Blake


Primeira Impressão

Whatever's Clever!
Charlie Puth


Primeira Impressão - Outros Lançamentos

Midnight Sun: Girls Trip
Zara Larsson


Uma Segunda Chance Para: On The Floor

On The Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez


Se você viveu 2011, em algum momento ouviu tocar On The Floor, da Jennifer Lopez, sem dúvida nenhuma. E, depois de mais de quinze anos de lançamento, ver que a música ainda tem capacidade de se tornar um viral não é surpresa nenhuma, pois a canção é realmente boa, especialmente devido à produção de RedOne.

Uma das melhores canções do produtor fora do trabalho com a GaGa, sua produção pega uma ideia até simples e vai com ela até o limite sem pedir desculpas ou olhar para trás. Pegando o sample de Lambada, da banda franco-brasileira Kaoma, que, por sua vez, era um cover de Llorando se fue, da banda peruana Los Kjarkas, RedOne envolve a canção com uma mistura de dance-pop, house, eletropop e latin pop que poderia ter dado muito errado, mas que é subvertida devido à grandiosidade do instrumental. E essa é a melhor qualidade da canção: sua atmosfera épica e espetaculosa.

A canção não pede licença desde o seu começo e apenas vai aumentando a velocidade para terminar em um final épico e completamente viciante. Todavia, para essas partes terem um efeito tão notável, é preciso haver momentos que as contrabalancem, e isso é dado pelo uso do sample bem nítido na primeira metade do refrão, que dá à canção o tempo necessário para a explosão que logo se aproxima. Essa sabedoria de usar esses momentos para construir o clima da canção é literalmente um toque de gênio de RedOne. On The Floor não teria toda essa força se não tivesse outros elementos que também dessem certo.

Felizmente, tudo dá certo. J.Lo entrega uma das melhores performances de sua carreira, em que o carisma da cantora é muito bem utilizado para dar ainda mais personalidade à música. Enquanto isso, o rapper Pitbull entrega dois versos sensacionais que acabam roubando a cena de verdade, principalmente devido ao fato de ele realmente ter entendido o tom da canção. A composição é, de longe, o ponto menos inspirado, ao ser uma ode aos festeiros de plantão, mas, graças a um trabalho lírico certeiro, o que temos aqui é uma letra direta, divertida, fácil e grudenta, que faz a gente querer cantar junto. A citação dos lugares para “se fazer festa”, incluindo o Brasil, é algo com que é quase impossível não cantar junto.

On The Floor é um trabalho surpreendente que envelhece muito melhor do que o esperado. E deveria ser bem mais lembrada por ser um dos maiores sucessos de todos os tempos.
nota: 8

Uma Farofada Bem Servida

Sad Girls
Bebe Rexha & David Guetta

De tempos em tempos, acontece um momento meio que mágico na música: surge uma boa farofada eletrônica. Dessa vez, quem prepara o prato é Bebe Rexha com David Guetta na suculenta Sad Girls.

Single do álbum Dirty Blonde, a canção é uma farofada electropop/eletro-house que David já fez algumas vezes e repete a fórmula novamente. Felizmente, porém, a produção conta com outros nomes além do DJ francês, dando uma envernizada mais interessante à canção, que acaba sendo mais corpulenta e interessante do que tinha o direito de ser.

Entretanto, o que realmente a faz se destacar é a sensacional performance de Bebe, que domina a canção de uma maneira tão imponente que faz a faixa ganhar vida de verdade, especialmente porque dá para notar que ela adiciona emoção genuína à sua interpretação, lembrando a força da Sia em Titanium. Além disso, Sad Girls tem realmente uma boa composição, que consegue unir clichês a uma mensagem genuína, o que faz toda a diferença no final.

Resumidamente: consuma essa farofada com vontade, porque vale a pena.
nota: 7,5

Bons Hábitos

the feeling
Steve Lacy


Acredito que atualmente um dos poucos artistas relevantes que estão conseguindo carregar bem o neo-soul é o Steve Lacy. E o cantor está de volta com a interessante "The Feeling".

Single do seu próximo álbum, a canção é um inteligente, maduro e sedoso neo-soul com adições bem azeitadas de R&B alternativo e bedroom pop que funciona principalmente devido à construção de uma atmosfera densa, melancólica e bastante climática. Apesar de um pouco linear demais no instrumental, a canção realmente cria essa presença sonora envolvente que vai aos poucos sugando a gente para uma espécie de vórtice da canção.

No centro, porém, está a descolada, aveludada e sexy presença vocal de Lacy, que entoa a canção de uma forma tão própria que poderia não funcionar, mas o resultado é um triunfo em relação ao domínio dele sobre o seu instrumento vocal, mostrando perfeitamente como consegue se moldar para preencher as lacunas que possa ter devido à decisão da produção por um arranjo mais chapado. O único problema de "The Feeling" é o seu refrão, que deveria arrematar os versos que narram sobre a angústia de um amor não correspondido de maneira inteligente e com personalidade, mas termina sendo rasteiro e sem a força emocional de que a canção precisaria.

Mesmo com esse tropeço, a canção é um ótimo lembrete do talento de Steve Lacy.
nota: 8

Ainda Há Hype

Love Sensation
Madonna


A gente pode notar o hype de um álbum quando até mesmo a canção menos inspirada lançada como single ainda é uma canção realmente excitante. Esse é o caso de Love Sensation, da Madonna.

Terceira canção e segundo single lançado de Confessions II, a música é a menos inspirada até agora, mas, felizmente, o resultado final é ainda melhor que boa parte das canções lançadas pela cantora nos últimos trabalhos. Uma sólida e classuda dance-pop, emoldurada por eurohouse e nu-disco, Love Sensation vai aos poucos crescendo na percepção, especialmente devido ao envolvente refrão, que realmente é a cola de toda a canção.

O principal problema são os versos iniciais, que ganham uma batida mais contida e não parecem fazer a gente se envolver com a canção logo de cara. Junta-se a isso a performance meio deslocada da Madonna nesses momentos, ajudando a criar um início meio trôpego da canção. Todavia, quando surge o ótimo refrão, as coisas vão se acomodando e fazendo mais sentido, ajudando a canção a terminar de maneira bem interessante e, principalmente, divertidíssima.

Poderia ser um single com uma pegada mais explosiva do começo ao fim? Sim, poderia facilmente. Mas, sinceramente, o resultado de Love Sensation não atrapalha em nada o hype para o que deve ser o melhor álbum da Madonna em duas décadas.
nota: 7,5

Um Oscar Para Taylor

I Knew It, I Knew You
Taylor Swift


Fato: Taylor Swift quer um Oscar para chamar de seu. E isso não tem problema, mas explica o fato de ela ser a dona do tema de Toy Story 5. Felizmente, I Knew It, I Knew You é uma boa canção que até me surpreendeu mais do que eu esperava.

Primeiramente, a canção é uma volta interessante ao country-pop da cantora, em uma produção um pouco segura demais, mas com um instrumental muito bem conduzido e uma vibe com uma boa mistura de elementos solares e melancólicos. Em segundo lugar, a canção realmente cresce liricamente no segundo verso, quando fica evidente a ligação direta com a história da personagem Jessie, algo que consegue captar de maneira bastante interessante. Gostaria, porém, que toda a canção tivesse essa mesma força emocional, pois o primeiro verso e o refrão ficam abaixo desse nível, com uma composição levemente genérica.

Todavia, I Knew It, I Knew You é a melhor canção da cantora em anos e deve, ao menos, ajudá-la a sonhar com a estatueta de ouro. Vencer? Aí a história vai ser bem diferente. Veremos.
nota: 7,5

Novos Ares

Handle
Ravyn Lenae


Depois de ter um verdadeiro sleeper hit com Love Me Not, a cantora Ravyn Lenae está de volta para lançar o seu mais novo trabalho, intitulado Blue Island. E a interessante Handle foi lançada como primeiro single.

A grande surpresa é que a cantora escolheu seguir um caminho mais pop rock/indie rock, com uma base pop soul que funciona de maneira azeitada em uma canção aveludada e com uma produção muito bem pensada. Acredito, porém, que a canção poderia ter uma parte final mais épica para combinar com a construção climática feita pela ótima primeira metade. Devido a isso, Handle perde certa força no final, fazendo a canção terminar de forma menor do que poderia em termos sonoros. Felizmente, a competente, elegante e versátil performance de Ravyn, somada a uma letra enxuta e certeira, ajuda a manter o nível de qualidade da canção bem acima da média. É uma canção muito simpática, que faz a gente ter certeza do potencial da artista.
nota: 7,5

Call Jade!

Beg For Me (Remix)
Lily Allen & JADE

Um sinal de que uma cantora é a nova “it girl pop” é o fato de ela começar a aparecer como convidada em músicas de outros artistas. E esse é o caso de Jade, que surge agora como convidada do remix de Beg For Me, da Lily Allen.

Apesar de não ser uma das melhores canções do álbum, a faixa funciona bem com a presença de Jade, pois a cantora dá uma nova camada de personalidade à música. Isso acontece porque a produção do remix dá à artista tempo suficiente para brilhar e adiciona um verniz que consegue se diferenciar da versão original ao incluir uma carga mais pesada de eletropop na batida alt-pop com toques de hip hop. Em si, a canção é uma boa mistura de elementos que mostram o lado mais experimental de Lily sem, porém, sair muito de seu campo sonoro. E, assim como todo o resto do álbum West End Girl, a letra de Beg For Me é uma crônica mordaz e ácida sobre o fim de seu casamento. Entretanto, se o remix não tivesse a presença de Jade, não teria nem razão de existir.
nota: 7,5

31 de maio de 2026

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Uma música apenas pode mudar toda a trajetória da carreira de uma artista. Pode ser a música de estreia do artista. Pode ser aquela em que o mesmo é apenas um convidado. Pode ser uma canção em que o mesmo é apenas creditado como compositor e/ou produtor. Existem, porém, algumas canções que surgem de uma maneira tão decisiva na carreira de um artista que literalmente toda a sua história é dependente desse trabalho. E é hoje isso que veremos ao descobrir melhor...


Filler by Ariana

hate that i made you love me
Ariana Grande

É fato que a Ariana Grande nunca entregou uma canção ruim de verdade, mas, nos últimos tempos, a qualidade de seus trabalhos ficou estagnada no apenas bom. E, novamente, é essa a sensação com hate that i made you love me.

Primeiro single de Petal, a canção é uma segura, sólida, bem produzida, elegante e comercial mistura de synth-pop com alt-pop e R&B, que basicamente vem sendo a base da sonoridade da artista. Bem construída pela produção da própria cantora ao lado dos fiéis parceiros Ilya e Max Martin, a canção não parece realmente empolgar com a sua batida contida demais e passa a sensação de que funcionaria melhor como apenas o recheio do álbum do que como um single, ainda mais o primeiro single.

Além disso, hate that i made you love me soa ainda mais contida e menor devido à performance contidíssima de Ariana, que entoa a canção de maneira calma, reflexiva e quase melancólica. E isso, sinceramente, não é problema nenhum, mas deixa uma lacuna quando a gente sabe bem que Ariana é capaz de muito, mas muito mais. O ponto alto da canção é a sua interessante composição, que poderia facilmente ter sido envolvida por uma produção mais excitante.

Apesar de ser uma boa canção, o single mostra que Ariana parece presa em sua própria cartilha, sem saber como encontrar um novo caminho sonoro.
nota: 7,5

A Evolução de Lola

From Down Here
Lola Young


É preciso entender que, ao contrário do que tentaram vender, a Lola Young não é uma artista simplesmente “pop” com toques artísticos. A jovem é entalhada na mesma madeira de nomes como Amy Winehouse e Adele, sendo uma artista genuína com possibilidade de se introduzir no mainstream. E é assim que vejo o seu mais novo e excepcional single: From Down Here.

Ampliando sua visão sonora, a canção é uma produção de James Blake ao lado de Dom Maker e Jameela Jamil, que dá à canção um verniz que mistura pop soul com indietrônica e alt-pop em uma embalagem surpreendente devido à química perfeita da persona de Lola com toda a vibe da canção. E é uma sinergia que realmente dá à canção uma vibe até simples, mas eficiente, que termina sendo uma continuação do que a artista vem fazendo, como também uma evolução surpreendente e muito bem-vinda. Toda a melancolia e o sentimento da batida servem para refletir o grande destaque da canção: a sua extraordinária composição.

Depois de ter tirado um tempo para cuidar da sua saúde mental, a composição de From Down Here é ainda mais visceral e emocional quando a gente percebe a força da crônica que Lola faz ao falar sobre como se sente deslocada do resto do mundo, especialmente no momento em que está amadurecendo e tentando deixar para trás as coisas ruins às quais vinha se apegando. É uma letra sincera, cortante, sensível e de uma verdade crua que deixa a gente realmente sensibilizado, especialmente se a gente já se sentiu ou se sente dessa maneira. Gosto especialmente dos versos que fecham a primeira estrofe, quando Lola canta: “Try a conversation, don't know where to start/But it's my favourite place, so why do I hate it here?”.

E, com uma performance de uma emoção sentimental, mas totalmente contida e contemplativa, Lola entrega uma canção que deveria ser outro imenso sucesso comercial, se conseguir achar as rachaduras do mainstream.
nota: 8,5


New Faces Apresenta: GIRLSET

Tweak
GIRLSET


Uma nova tendência é os reality shows musicais para formar girl/boy bands com inspiração direta no K-pop, como, por exemplo, o Katseye. Apesar de menos conhecida atualmente, a girl band GIRLSET (conhecida antes como Vcha) foi formada na mesma época pelo reality A2K. E, sendo sincero, apenas com a canção Tweak, o quarteto se mostra mais interessante que as suas contemporâneas.


A grande qualidade da canção é a sua influência, que é claramente vinda do R&B dos anos noventa, tanto que usa sample da canção Weak, do SWV, um dos expoentes do gênero na década. Com uma produção que mistura muito bem toques de trap, bubblegum pop e jersey club, o resultado da canção é delicioso, bem pensado, divertido e sensual na medida certa. É uma canção que, apesar de seguir certo padrão, dá ao GIRLSET toda uma personalidade realmente interessante e que meio que as coloca fora dos padrões para outros nomes com a mesma pegada.

O problema da canção é a sua segunda metade, que não chega a ser abaixo da média, mas está abaixo da primeira metade, que é realmente inspirada. As quatro integrantes apresentam personalidades distintas que são muito bem aproveitadas na canção, mostrando também ótima química. E, juntando-se a isso, está a certeira e carismática composição, que funciona sem problemas no meio do caminho entre o clichê, o nostálgico e o inteligente. Espero que o GIRLSET possa continuar nesse caminho e encontrar o caminho para o reconhecimento mainstream, pois, sinceramente, seria merecido.
nota: 7,5

Falta Ânimo

SS26
Charli xcx


O grande problema das canções novas da Charli XCX é a falta de ânimo que elas transmitem. E isso fica mais evidente em SS26.

Bem melhor que Rock Music, a canção é mais um esboço de uma música realmente do que a concretização das ideias por trás dela. O motivo principal é que a produção parece totalmente presa a uma ideia do que seria a adição do rock à sonoridade da cantora, mas deixa a desejar ao não adicionar um fator de excitação verdadeira à produção. Dessa maneira, SS26 termina sendo uma boa, mas opaca, mistura de alt-pop com indie rock, electropop e alt-pop, que desperdiça seu potencial com um instrumental contido demais, que termina sendo quase sonolento.

E o pior é perder a oportunidade de dar à canção algo que pudesse estar na mesma altura da ótima performance da Charli, que decide tirar todos os efeitos vocais, deixando sua voz o mais natural possível em um trabalho diferente, que salva um pouco a canção. Uma pena, porém, que tudo à sua volta soe tão desanimado.
nota: 7

24 de maio de 2026

Antes Tarde do Que Nunca

I AM...SASHA FIERCE
Beyoncé


Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

Primeira Impressão

Superbloom
Jessie Ware


Primeira Impressão

The Mountain
Gorillaz



Primeira Impressão

EQUILIBRIVM
Anitta



Em Busca da Redenção

Choka Choka
Anitta & Shakira


Durante muito tempo, mas muito tempo mesmo, a minha maior crítica à Anitta é o desperdício da oportunidade de fazer algo que fosse minimamente artístico com todo o potencial que a música brasileira possui, indo para algo parecido com o que a Rosalía faz. E, ao que parece, minhas “preces” foram escutadas, pois isso é o que parece ser o foco para o seu novo trabalho (Equilibrium) e há bons indícios disso na realmente interessante Choka Choka.

Apesar de ter alguns pontos de ressalva, a canção é, sem nenhuma dúvida, a melhor da carreira da Anitta. E isso não seria muito difícil, mas o feito é conquistado com louvor em uma canção que realmente faz uma mistura azeitada de vários gêneros brasileiros, como funk carioca, samba, dance-pop e tropical, criando uma faixa madura, comercial e com um toque artístico realmente refinado. Não é exatamente um trabalho que chegue perto de ser genial, mas Choka Choka é o resultado de uma produção criativa que finalmente parece entender o que a Anitta é capaz de entregar de verdade. Preciso apontar que, com pouco mais de dois minutos, a canção ainda soa curta demais para aproveitar todas as possibilidades sonoras que a música deixa expostas.

Além disso, a canção tem uma composição pouco inspirada, que meio que não permite que ela seja ainda melhor, mas, ainda assim, o trabalho tem carisma suficiente para não ser o peso morto da produção. A participação da Shakira não é tão bem aproveitada, especialmente devido ao tempo de duração da canção, mas é realmente revigorante ver sua presença ser tão divertida e imersa, com ela cantando em português. E o mais surpreendente é que a Anitta entrega uma performance muito boa aqui, segurando bem e adicionando personalidade à canção. Talvez os efeitos usados em sua voz não ajudem muito, mas Choka Choka funciona muito melhor do que eu poderia imaginar. Seria esse o começo da redenção artística da Anitta? Fica a pergunta para ser respondida nos próximos tempos.
nota: 7,5

O Céu de Olivia

the cure
Olivia Rodrigo


Apesar de sempre ter entrega boas canções, a Olivia Rodrigo chega ao seu ápice com o lançamento da sensacional the cure.

Segundo single do seu próximo álbum, a canção é sem nenhuma dúvida a mais madura da carreira da cantora devido, principalmente, de uma composição inspiradíssima, emocional e de uma escrita realmente potente e inteligente. E isso é algo que mostra o amadurecimento da cantora que, ao lado de Dan Nigro, escreve uma crônica ainda com indícios de ser os pensamentos de uma jovem em buscar de entender seus sentimentos, mas que, felizmente, está crescendo e tendo a capacidade de se aprofundar artisticamente. E isso é algo inestimável.

Em the cure, Olivia faz uma tocante crônica sobre tentar encontrar o amor próprio pela validação de quem se ama, mas começar a compreender que apenas a mesma consegue se “curar”. Sinceramente, é um trabalho que claramente encontra reflexos na vivencia da cantora, mas também é bem fácil de encontrar conexões com vários tipos de pessoas já que algo que pode acontecer com qualquer pessoa. Essa capacidade ampla de falar com outros públicos é outra qualidade da composição que é emoldurada por uma excelente produção que adiciona uma camada mais forte de indie rock para a base pop rock/alt pop que já é a marca da cantora. Devido a isso, a canção ganha uma urgência interessante sem perder, porém, o verniz radiofônico e da personalidade da cantora. Completa o pacote, a delicada, sentimental e sólida performance da Olivia que deixa claro a sua evolução continua como interprete principalmente.

E assim, a Olivia entrega o seu melhor momento da carreira até agora que, sinceramente, espero que continue a reverter no resultado final de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love.
nota: 8,5

New Faces Apresenta: Malcolm Todd

I Saw Your Face
Breathe
Malcolm Todd

Será que o cantor Malcolm Todd vai ocupar a vaga de próximo grande “white male popstar”, já que faz tempo que não surge um nome realmente forte nesse espaço? Se depender dos dois primeiros singles do seu segundo álbum, Do That Again, existe essa possibilidade real.

A grande qualidade aqui é a diferença entre os dois singles sonoramente, mas ambos deixam o cantor bem dentro desse escopo de “white male popstar” de uma maneira bem mais interessante do que se poderia esperar. De um lado, o lado mais comercial em Breathe e, do outro, o mais indie em I Saw Your Face. E, curiosamente, as duas canções podem funcionar melhor dependendo do estilo de quem escuta, pois, para mim, a primeira é o grande destaque ao invocar uma nostalgia da qual eu não sabia que estava sentindo falta, ao emoldurar quase perfeitamente o começo da carreira do Justin Timberlake.

E, queridos leitores, isso é algo que me pegou de surpresa no momento em que percebi que a batida de Breathe poderia facilmente ter entrado no primeiro álbum do Justin e, sinceramente, isso é um elogio verdadeiro. Uma mistura sexy, dançante, envolvente e carismática de pop, R&B e alt-pop que emoldura o estilo de produção do Pharrell Williams. A canção passa longe de ser uma pastiche barata, mas tem um quê claro de “brincadeira” ao seguir por esse caminho, o que funciona melhor do que o esperado. Todavia, a grande qualidade da canção é que Malcolm tem um carisma próprio ao ser um “nerd” carismático / “boy next door” que se encaixa muito bem com a pegada da canção, principalmente por essa diferença entre o estilo da faixa e quem a interpreta.

Apesar de menos inspirada, I Saw Your Face mostra uma outra faceta do artista ao ser uma sólida faixa de indie rock/pop que não reinventa a roda sonoramente, mas tem uma produção muito acertada, refinada e com personalidade.


Com esses dois momentos interessantes e auspiciosos, Malcolm Todd tem todo o potencial para ser a próxima grande promessa da música.
notas
I Saw Your Face: 7,5
Breathe: 8

O Comeback do Comeback do Comeback

ORIGAMI!
Kesha


Completamente fora do radar, a Kesha lança o single que pode ser o primeiro de seu próximo álbum. E, felizmente, eu fiquei sabendo, pois ORIGAMI! é uma ótima canção.

Apesar de ser sonoramente diferente de Joyride, a canção mantém algumas das mesmas qualidades ao ser um explosivo, carismático e estilizado pedaço de exploração pop que a Kesha nos presenteia de tempos em tempos. Aqui temos uma refinada e “ball to the wall” mistura de eletropop, house e Hi-NRG que começa a 100 km/h e termina na mesma velocidade. E isso funciona devido à produção segura, que sabe muito bem construir um instrumental que se alinha perfeitamente com a estrutura e a vibe da canção, não deixando muito espaço para lacunas ou pontas soltas.

Preciso dizer que gostaria que o clímax da canção fosse estendido por mais algum tempo para fazê-la explodir ainda mais, mas, felizmente, isso não é um problema que chega realmente a atrapalhar o resultado final da canção. Além disso, ORIGAMI! tem uma composição tão “estúpida”, no bom sentido, em que a Kesha descreve o seu desejo sexual ao ligá-lo com vários aspectos da cultura japonesa, algo que ficaria brega na voz de outra artista, mas que aqui funciona perfeitamente, com pérolas como “Let's get experimental/ Turn me into your pretzel”.

Espero que esse começo promissor possa continuar no mesmo caminho até o lançamento do próximo álbum da Kesha e não seja apenas um fogo de palha bem-vindo.
nota: 8

Não Bateu

I'm your girl right?
Tove Lo


Tenho a Tove Lo em alta consideração devido à sua sempre ótima entrega durante a carreira até o momento. E é por isso que fico “triste” quando a sua nova canção, I'm your girl right?, não bate em mim como eu esperava.

Primeiro single do seu novo álbum (Estrus), a canção tem todas as qualidades da sonoridade da artista, mas parece faltar o último passo para realmente chegar ao mesmo nível dos seus trabalhos mais notórios. O motivo principal é a sua produção, que acerta o tom do eletropop diferenciado e estilizado da Tove Lo, mas parece carecer de força verdadeira para impulsionar a batida, terminando quase como uma canção com medo de mergulhar nas suas próprias influências. E é uma pena, pois I'm your girl right? tem uma batida interessante que poderia ser bem melhor explorada e aprofundada. Outro problema é que a composição não tem a mesma pegada emocional que os trabalhos da artista sempre mostram, mesmo sendo letras diretas e, de certa maneira, simples.

Felizmente, Tove Lo segura bem a canção, injetando toda a personalidade dela por meio da sua performance, mas I'm your girl right? ainda é um trabalho frustrante para o que ela já entregou. Pena.
nota: 7

Ainda Na Procura

Hit the Wall
Gracie Abrams


Apesar de ser um nome contemporâneo atual, eu particularmente perdi a conexão com a carreira da Gracie Abrams por sentir que algo ainda não bateu, mesmo ela sendo razoavelmente promissora. E olha que sua nova canção, Hit the Wall, é um bom trabalho.

Single que abre os trabalhos do álbum Daughter from Hell, a canção é uma segura, bem-feita e até interessante faixa midtempo de indie pop/alt pop que não foge em nada do escopo sonoro até agora apresentado pela artista. Todavia, existe um refinamento mais maduro que demonstra o amadurecimento da parceria com o produtor Aaron Dessner, ajudando a canção a parecer o começo da evolução da artista. Ainda não está exatamente em outro nível, mas Hit the Wall é um trabalho que dá vislumbres do que pode estar por vir.

O que se destaca na canção, porém, é sua ótima composição, que é o ponto que realmente dá a sensação de estarmos vendo uma artista em progresso. Elegante, inteligente, amadurecida e com um tino que demonstra personalidade genuína, a letra aqui é um trabalho que poderia facilmente ser mais apurado, mas que, sinceramente, funciona perfeitamente para uma jovem de vinte e seis anos em busca de si mesma em uma composição melancólica e emocional. Gosto particularmente de um verso que cita a cantora Joni Mitchell quando diz: “A Case Of You playing in the hallway / Hallucinations that I downplay”, o que dá maior sentido ao restante da composição de forma realmente inesperada.

Gracie ainda precisa realmente encontrar um caminho que seja algo que a destaque da multidão, pois, até agora, parece que a cantora fica apenas na periferia visual das atuais cantoras pop.
nota: 7,5

É Sério Isso?

Rock Music
Charli XCX


Posso estar enganado, mas acho que a Charli XCX está tirando onda com a cara do público. Só isso explica ela ter lançado Rock Music.

Com nem dois minutos de duração, a canção soa mais como uma demo do que realmente uma faixa finalizada devido a basicamente todos os seus elementos. E o pior é a sua produção, pois Charli não trabalha com nenhum produtor novato e, sim, com A. G. Cook e Finn Keane, que já trabalharam com a artista em vários grandes momentos, incluindo, claro, a era Brat. Então, era esperado algo que fosse no mínimo escutável, mas Rock Music é, sem dúvida nenhuma, a pior canção da carreira da artista.

Sem personalidade, irritante, chata, rasa e sem muitas das qualidades da artista, a canção, como dito, mais parece alguma demo inicial que foi vazada. Para uma faixa finalizada e lançada como single oficial do novo álbum, é totalmente decepcionante. O pior é que esse hyperpop com toques de pop rock e indie poderia funcionar perfeitamente com uma produção que não parecesse uma pastiche de si mesma, querendo desesperadamente soar cool e irônica, quando termina sendo apenas ruim e pretensiosa. Assim também é a composição, que parece querer brincar com a noção de ser uma rockstar atualmente, mas falha por falta de estilo, graça e inteligência. Apesar de segurar até bem os versos, Charli erra profundamente ao extrapolar os efeitos para entoar o refrão minimalista, que se torna a cereja pobre em cima do bolo.

Espero que isso seja apenas uma piada de mau gosto da Charli XCX e que a gente possa esquecer a existência dessa canção e começar, de fato, sua nova fase com algo que seja minimamente decente.
nota: 4

3 de maio de 2026

Primeira Impressão

THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.
RAYE



As Lições da Madonna

Bring Your Love
Madonna & Sabrina Carpenter


Nunca, mas nunca, duvide da Madonna, pois, basicamente, foi ela que ajudou a remodelar todas as regras sobre ter uma carreira no pop. Depois de divulgar I Feel Free para dar um gosto do retorno aos bons tempos, a cantora lança o single oficial de Confessions II com a divertidíssima Bring Your Love, com a participação de Sabrina Carpenter.

Bem menos intrigante que a canção anterior, o single é claramente mais pensado no fator comercial, ao ser um trabalho que se emoldura bem para o “radiofônico”. E isso é bem claro devido à presença da Sabrina e à produção mais palatável. Todavia, não espere que a canção seja um caça-níquel com potencial desperdiçado, pois é exatamente o contrário. Com produção da Madonna ao lado de Stuart Price, Bring Your Love é uma cativante, dançante, divertidíssima, deliciosa, gratificante e bem pensada mistura de dance-pop com house, que conversa com a atmosfera de I Feel Free, mas consegue criar essa vibe pura de canção pop para hitar nas paradas. Todavia, a grande e maior qualidade de Bring Your Love é mostrar a volta da grande qualidade da Madonna: o olhar para o passado e, ao mesmo tempo, o olhar para o que está “escondido” do mainstream.

O single se usa de duas canções para samples/interpolações que dão essa sensação de volta à old Madonna que faltava tanto nos últimos trabalhos. Do lado do sample, a produção busca em Good City, de 1988, da banda Inner City, a base para a canção. Do lado da interpolação, boa parte da atmosfera da canção vem de Doing It Too, de 2025, de Rochelle Jordan. Essa mistura de passado e presente, mas que se comunicam entre si, ajuda a dar para Bring Your Love uma personalidade completamente única, que faz jus a ser uma canção da Madonna em todos os termos. Além disso, chamar a Sabrina é outro acerto, pois a jovem é, assim como a Britney foi lá no começo dos anos 2000, a melhor representante contemporânea da essência da Rainha do Pop. E, mesmo não sendo uma união tão icônica, funciona perfeitamente e com potencial de ser um grande momento em 2026. Preciso apontar que a composição aqui poderia ser bem mais elaborada, mas, felizmente, faz bem o seu papel e tem um ótimo refrão.

Com Bring Your Love, Madonna continua a dar algumas lições para qualquer artista que precisa aprender a como ser uma verdadeira diva pop.
nota: 8,5

Kim XCX

Need For Speed
Kim Petras


A nova era da Kim Petras pode não ser exatamente um sucesso comercial, mas, sinceramente, está fazendo a cantora voltar às boas graças do seu público. E a mesma até faz uma volta ao passado com a ótima Need for Speed.

A canção é um trabalho que lembra, na verdade, a Charli XCX do velho testamento, especialmente a que a gente ouvia nas mixtapes. Não que seja um problema, pois o resultado final combina perfeitamente com a personalidade da Kim. Além disso, a produção é acertada e inteligente ao fazer a canção ser um electropop com toques de EDM, alt pop e bubblegum bass, que consegue equilibrar bem todas as vertentes em uma canção com personalidade suficiente para ser de fácil assimilação, com elementos mais alternativos e elementos mais puramente pop.

Need for Speed é, na verdade, quase a canção pop perfeita, mesmo não sendo genial. Rápida, mas não tão rápida a ponto de ser um trabalho inacabado. Divertida e dançante, mas que nunca parte para o clichê simplesmente por querer soar “pop”. E isso é algo bem raro atualmente, especialmente quando a gente percebe que a letra é tão bem pensada que consegue ser previsível, refinada e deliciosamente fútil, em que a cantora branda no ótimo refrão que “And I'm sorry if you fall for me 'cause my life moves so quickly/'Cause I got a lot of need for speed”. Nada mais pop do que isso. E, queridos leitores, isso é a melhor qualidade que a Kim pode entregar e, sinceramente, espero que a mesma continue nesse mesmo caminho.
nota: 8

New Faces Apresenta: JT

Numb
JT

Apesar de já ter aparecido aqui com participações em algumas músicas, a rapper JT ainda vai lançar o seu álbum de estreia após o fim do duo City Girls. E, pelo que a mesma já mostrou e pelo interessante resultado de Numb, é preciso ficar de olho no potencial que está por vir.

Ácida, pesada e densa, o single parece querer estabelecer a rapper com uma sonoridade que a diferencie de suas contemporâneas ao buscar influências no experimental hip hop, com pinceladas de pop rap e southern/hardcore hip hop. E, sinceramente, isso é uma grande lufada de frescor, especialmente devido à produção conseguir construir uma canção que realmente soa potente e diferenciada. Boa parte disso vem do concreto e maduro instrumental, que cria toda a atmosfera necessária para que a JT consiga entregar uma performance realmente sensacional.

Numb, na verdade, vive ou morre pela performance de qualquer pessoa que fosse a sua “dona”. Felizmente, JT entrega não apenas o que precisaria ser feito, mas, principalmente, imprime uma identidade áspera e distinta, com uma raiva controlada que dá toda a força emocional para a canção, sendo misturada com toques de ironia e um carisma interessante. E, apesar de ser uma canção com pouco mais de dois minutos e meio, a composição usa muito bem todos os momentos para encorpar tematicamente a faixa, mesmo que o refrão não funcione tão bem. E assim, a JT entra no radar de possíveis grandes nomes da música para um futuro próximo.
nota: 8