26 de abril de 2026

Primeira Impressão

WOR$T GIRL IN AMERICA
Slayyyter



Já com meu lugar bem fixado no “trem” da Slayyyter há algum tempo, o lançamento de WOR$T GIRL IN AMERICA vem para ser a prova cabal de todo o potencial que a cantora vem mostrando claramente com os lançamentos dos singles. E, mesmo não tendo exatamente o resultado na mesma altura do hype, o álbum com certeza coloca a artista entre os nomes mais excitantes do atual cenário pop.

O grande trunfo da produção do álbum é entregar uma sonoridade que, teoricamente, não tem nada de novo, mas que, na prática, é construída de uma forma tão única que se torna um frescor de criatividade e inteligência sonora. Com uma seleta lista de nomes de produtores nada conhecidos do grande público, o álbum conta com essa visão totalmente distinta, que busca extrair a maior quantidade de possibilidades dos gêneros e subgêneros escolhidos para a base do álbum, de maneira que a Slayyyter possa realmente ter um ponto de vista completamente único, conseguindo, ao mesmo tempo, soar áspero, refinado, raivoso, divertido, grandioso, extravagante, excêntrico, denso, sombrio, ácido e, por várias vezes, genial. E essa coleção de adjetivos não é para qualquer trabalho, pois deixa bem exposto o quanto especial é WOR$T GIRL IN AMERICA.

De maneira bem direta, o álbum é uma fusão de electropop, electroclash, dance-pop, industrial e vários outros gêneros que são introduzidos em maior ou menor quantidade. Como já apontado, a produção não busca reinventar os gêneros de verdade e, por isso, o álbum tem uma sensação de estarmos mergulhando em águas conhecidas, mas, assim que a gente mergulha, há a realização de estar diante de uma surpresa atrás da outra. Nunca dá para prever nada que a gente vai encontrar durante toda a duração do álbum, já que a produção vai desenrolando o álbum como uma casa de espelhos de um parque de diversão, em que nada parece ser o que é, e o resultado não é nada que a gente esperaria, mesmo vendo com os próprios olhos. E é aqui que temos o grande problema de WOR$T GIRL IN AMERICA: quando a gente começa a esperar a grandiosidade do inesperado, parece que a gente não fica mais tão impressionado quando o resultado à sua frente não está à altura do que já aconteceu.

O álbum tem um ápice bem alto devido à presença de algumas canções-chave que elevam o trabalho de uma maneira tão intensa que, quando algumas faixas não chegam exatamente no mesmo patamar, cria um ruído importante no resultado final. Não é nada comprometedor a ponto de atrapalhar consideravelmente o resultado final do álbum. Todavia, esse problema se torna o calcanhar de Aquiles do álbum, ajudando a criar aquela sensação de que poderia ser ainda melhor. Entretanto, WOR$T GIRL IN AMERICA é um álbum, felizmente, recheado de momentos impecáveis e inspiradíssimos.

E tudo literalmente começa logo de cara, pois as duas canções que abrem o álbum são os ápices do trabalho. Tudo começa pela impressionante Dance... em que “a produção segue por um caminho electropop misturado com acid house, post-disco, dark pop e alternativo, com uma produção mais dramática, soturna e pegajosa. São elementos que a cantora já mostrou algumas vezes, mas, em DANCE..., são remodelados para dar camadas de personalidade à cantora, mostrando uma total e indiscutível versatilidade”. Logo em seguida surge a majestosa BEAT UP CHANEL$, ao ser “um electroclash com incorporação de electropop e pop rap, mas que pega essas noções e cria um delicioso e substancial caldo com explosões de sabores que a elevam a outro nível. A diferença rítmica do refrão que abre a canção, em comparação aos outros refrões ao longo da música, a pegada surpreendente e única de funk carioca no começo do segundo verso e o clímax, que dá uma guinada para terminar fortemente inspirado em hyperpop”.

Outro ponto que precisa ser bastante elogiado é a gigantesca presença da Slayyyter, que combina com uma voz interessante e uma versatilidade impressionante. A cantora consegue carregar muito bem qualquer rumo que a produção decide tomar, conseguindo impor sua personalidade de maneira que outras artistas no mesmo nicho parecem não ter a mesma capacidade. Ainda acredito que o uso de muitos efeitos vocais pode atrapalhar alguns momentos, mas, felizmente, a produção acerta muito bem ao usar esses efeitos para dar texturas que contribuem de verdade para a construção de cada canção. E uma que mais se beneficia disso é um dos momentos mais explosivos do álbum, em que Slayyyter entrega a sua melhor performance: na extraordinária e grandiosa $T. LOSER.

O álbum conta com outras faixas que merecem ser destacadas como grandes momentos, como CRANK, ao ser “uma sofisticada, borbulhante, barulhenta e potente faixa de industrial pop/electroclash/eletro hip hop que adiciona uma nova camada à construção sonora atual da cantora”; a raivosa batida de YES GODDD; a icônica composição de I'M ACTUALLY KINDA FAMOUS; a gostosinha e climática WHAT IS IT LIKE, TO BE LIKED?; e, por fim, OLD TECHNOLOGY, devido a ser “uma exploração refinada dos limites do pop, ao ser uma fusão de electropop com electroclash, com toques de rap pop, punk, industrial e hip hop”.

WOR$T GIRL IN AMERICA é o que a Slayyyter vinha prometendo desde o primeiro single, mesmo sendo um pouco menos impactante do que o esperado.



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