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9 de julho de 2026

Então, É Isso?

Wink Wink
Charli XCX

Quando mais a Charli XCX mostra do novo álbum, mais forte fica a sensação de “é só isso mesmo?”. E essa é a perfeita definição de Wink Wink.

Consigo entender perfeitamente a ideia criativa que a produção tenta seguir, mas o resultado é completamente insonso e sem graça quando deveria ser potente e cheio de personalidade. E a sensação aumenta aqui devido à maneira como boa parte do instrumental é construída, tentando soar como algo descolado ao referenciar toda a vibe post-punk misturada com indie rock, mas que acaba soando como uma cópia sem inspiração e desmilinguida. Sinceramente, a produção de A. G. Cook e Keane é realmente decepcionante, pois até entrega, tecnicamente, uma canção sólida que não tem um pingo de força criativa. Wink Wink, porém, tem um bom momento no refrão, que é até legal, e a performance da Charli poderia ser mais interessante se estivesse em uma canção que desse algum estofo para não soar como uma tentativa vazia de ser uma roqueira de atitude. E é isso o que tem para hoje para o sucesso do Brat. Quem diria, né?
nota: 6

31 de maio de 2026

Falta Ânimo

SS26
Charli xcx


O grande problema das canções novas da Charli XCX é a falta de ânimo que elas transmitem. E isso fica mais evidente em SS26.

Bem melhor que Rock Music, a canção é mais um esboço de uma música realmente do que a concretização das ideias por trás dela. O motivo principal é que a produção parece totalmente presa a uma ideia do que seria a adição do rock à sonoridade da cantora, mas deixa a desejar ao não adicionar um fator de excitação verdadeira à produção. Dessa maneira, SS26 termina sendo uma boa, mas opaca, mistura de alt-pop com indie rock, electropop e alt-pop, que desperdiça seu potencial com um instrumental contido demais, que termina sendo quase sonolento.

E o pior é perder a oportunidade de dar à canção algo que pudesse estar na mesma altura da ótima performance da Charli, que decide tirar todos os efeitos vocais, deixando sua voz o mais natural possível em um trabalho diferente, que salva um pouco a canção. Uma pena, porém, que tudo à sua volta soe tão desanimado.
nota: 7

24 de maio de 2026

É Sério Isso?

Rock Music
Charli XCX


Posso estar enganado, mas acho que a Charli XCX está tirando onda com a cara do público. Só isso explica ela ter lançado Rock Music.

Com nem dois minutos de duração, a canção soa mais como uma demo do que realmente uma faixa finalizada devido a basicamente todos os seus elementos. E o pior é a sua produção, pois Charli não trabalha com nenhum produtor novato e, sim, com A. G. Cook e Finn Keane, que já trabalharam com a artista em vários grandes momentos, incluindo, claro, a era Brat. Então, era esperado algo que fosse no mínimo escutável, mas Rock Music é, sem dúvida nenhuma, a pior canção da carreira da artista.

Sem personalidade, irritante, chata, rasa e sem muitas das qualidades da artista, a canção, como dito, mais parece alguma demo inicial que foi vazada. Para uma faixa finalizada e lançada como single oficial do novo álbum, é totalmente decepcionante. O pior é que esse hyperpop com toques de pop rock e indie poderia funcionar perfeitamente com uma produção que não parecesse uma pastiche de si mesma, querendo desesperadamente soar cool e irônica, quando termina sendo apenas ruim e pretensiosa. Assim também é a composição, que parece querer brincar com a noção de ser uma rockstar atualmente, mas falha por falta de estilo, graça e inteligência. Apesar de segurar até bem os versos, Charli erra profundamente ao extrapolar os efeitos para entoar o refrão minimalista, que se torna a cereja pobre em cima do bolo.

Espero que isso seja apenas uma piada de mau gosto da Charli XCX e que a gente possa esquecer a existência dessa canção e começar, de fato, sua nova fase com algo que seja minimamente decente.
nota: 4

1 de fevereiro de 2026

Tema Filler

Wall of Sound
Charli xcx

Se a adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes parece que vai ser um dos filmes mais divisivos do ano, a soundtrack feita por Charli XCX parece que vai ser um dos álbuns mais interessantes do ano. E olha que Wall of Sound é a menos impactante até agora.

A grande qualidade da canção é a capacidade de criar algo flertando com o orquestral/clássico sem perder a essência eletrônica da artista, criando um amálgama muito bem estruturado. Isso é ouvido perfeitamente na poderosa instrumentalização que dá à canção uma atmosfera épica, cinematográfica e “brat”.

O problema de Wall of Sound, porém, é que a canção não chega de verdade à explosão que a sua base promete alcançar, deixando o gosto de ser uma faixa que funciona bem dentro do álbum, mas que, como single, deixa clara sua natureza filler. Outro problema é a sua composição, que não chega a fazer feio tematicamente, mas deixa espaços vazios em uma letra quase burocrática e com um refrão apenas ok.

De qualquer forma, a canção é um caminho muito auspicioso para que Charli XCX entregue mais uma era inspirada para a sua carreira.
nota: 7,5

16 de novembro de 2025

2 Por 1 - Charli xcx

House
Charli xcx & John Cale

Chains of Love
Charli xcx

Você estava sabendo que a Charli XCX lançou novo single? Na verdade, lançou dois singles para começar a divulgar o álbum Wuthering Heights, que será a trilha sonora da adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes. E, apesar do pouco interesse do grande público, as duas canções dão uma percepção extremamente auspiciosa para o novo trabalho da cantora.

Acredito que boa parte do não envolvimento do público geral se deve ao fato de que ambos os singles são uma partida bem grande do hyperpop de Brat, partindo para algo mais synthpop, art pop e experimental. E isso, sinceramente, é algo de um frescor imenso, pois dá ainda mais profundidade à carreira da cantora. Entre as duas, o grande destaque fica para a incrível House.


Totalmente diferente de tudo que a cantora já fez, a canção tem como ponto de brilhantismo a genial participação de John Cale, da lendária banda The Velvet Underground. Dono de uma voz forte, marcante e profunda, o artista narra, em forma de poema, um longo verso que tem relações com a obra literária sem inserir trechos do livro. E é revigorante a ideia e a execução, pois criam toda uma atmosfera densa e sombria que vai crescendo até chegar a um clímax poderoso, no qual Charli aparece apenas para ajudar na quebra de expectativa sonora. Essa quebra vem do fato de que, por boa parte de “House”, enquanto temos a presença de Cale, a canção se comporta como uma épica e climática dark ambient com elementos neoclássicos, para terminar com influências de industrial e toques de synthpop. É uma produção ousada e majestosa que não teria razão para ser um sucesso comercial, mas que me deixa extremamente feliz por existir.

Em Chains of Love, porém, acredito que o não sucesso é ainda mais enfático, pois a canção tem uma produção mais acessível e que facilmente poderia ser um viral — especialmente lembrando que a canção que fez a Charli XCX estourar foi “Boom Clap”. Uma refinada, madura, romântica e bem construída power balada synth-pop/alt-pop, ela consegue mostrar um pouco da áurea pop e estilizada que essa nova adaptação do livro de Emily Brontë parece querer seguir. E, sendo bem honesto, o resultado funciona perfeitamente, especialmente devido à ótima construção instrumental e à performance mais tradicional da cantora. Talvez, com uma composição mais marcante — mesmo sendo um trabalho acima da média —, pudesse ter criado um vínculo mais forte com o público. De qualquer forma, Charli XCX já tem em mãos um dos primeiros trabalhos mais aguardados de 2026, que tem chances de ser mais interessante que o filme em que se baseia.
notas
House: 8,5
Chains of Love: 8

13 de setembro de 2024

Natural

Talk talk featuring troye sivan
Charli xcx & Troye Sivan


Depois de todos os remixes com participações especiais, a Charli xcx lança a que mais parece natural ao voltar a trabalhar com o Troye Sivan na nova versão de Talk talk.

Tenho que admitir que, sinceramente, o resultado é um pouco abaixo do esperado, especialmente quando a gente coloca em comparação com as outras parcerias dos dois. Entretanto, Talk Talk mostra bem a química explosiva dos envolvidos em uma deliciosa future hous/dance-pop que é o que mais se aproxima de uma canção romântica na era Brat. Gosto em particular de como novamente a produção dá espaço de sobre para o convidado brilhar e não apenas sendo uma participação caça níquel. Na verdade, esse remix mais parece uma canção do Troye com participação da Charli que o contrário. O que não dá para desculpar é que a Dua Lipa dá a cara na canção como um voice over no começo e no fim e não como uma participação de verdade. Quem sabe na próxima?
nota: 7,5

10 de agosto de 2024

Uma Segunda Chance Para: Fancy

Fancy (feat. Charli XCX)
Iggy Azalea


Ao contrário de outros Uma Segunda Chance Para, a resenha dessa vez não será para revistar uma canção que inicialmente não achei tão boa e com o tempo a minha percepção mudou positivamente. Nesse caso, a minha opinião inicial já era boa e com tempo melhorou mais, mas que parte do publico não tem o mesmo apresso. E essa a hit Fancy da Iggy Azalea com a Charli XCX.

Acredito que a canção é a melhor definição do que seria pop/rap. E veja que coloquei o pop na frente, pois é essa essência da canção. Despretensiosa, exagerada, comercial, divertida e deliciosamente campy, Fancy é uma canção que não dá para levar a sério como sendo algo que tenta ser mais do que realmente é ou que mostra a presença de algo inovador. A grande qualidade aqui é ser esse grande vislumbre no que o pop em seu estado puro pode ser misturado com outros gêneros. Apesar de não ser uma rapper ótima, Iggy entrega o seu melhor momento ao carregar com força e estilo a canção, sabendo exatamente como dar o tempero dessa mescla entre o pop e rap. Todavia, o grande toque da canção é a presença de uma ainda semidesconhecida Charli XCX que consegue amarrar as pontas para entoar um sensacional refrão e uma ponte final marcante. Fancy é um marco que é amada por uns e odiada por outros. Para mim, a canção é memorável e merecia ser melhor apreciada.
nota: 8,5

2 de agosto de 2024

The Year of Brat

Guess featuring Billie Eilish
Charli XCX & Billie Eilish

Não é possível afirmar que o ano vai ser definitivamente marcado pela gloria da Charli XCX na sua era Brat. E com outra mostra da sua força, a cantora lançou outro remix com participação de um grande nome ao convidar a Billie Eilish para participar de Guess.

Parte da versão deluxe do álbum, a canção não seria exatamente a minha opção para um remix tão high profile como esse, mas, felizmente, o resultado é bem legal. E a presença da Billie que realmente faz valer essa nova versão, pois a sua performance emoldura a vibe da mesma no começo da carreira adicionando uma dose de maturidade deliciosa. O seu verso é sensacional, pois tem um toque ácido e divertido em que a mesma fala da sua sexualidade de maneira inteligente. Sonoramente, a canção é uma explosiva electro house rápida e rasteira que não chega a explodir como poderia, mas também passa longe de ser uma decepção ao ser realmente memorável. E assim a Charli XCX continua a sua dominância como fazia muito tempo que uma artista pop não alcançava. 
nota: 7,5

23 de junho de 2024

Charli Goes Pop!

360
Charli XCX


The girl, so confusing version with lorde
Charli xcx & Lorde


Ao que parece estamos no ano da Charli XCX devido ao sucesso de critica e repercussão de Brat. E duas canções do álbum ajudam a entender essa onda verde neon que tomou conta do mundo pop: o single 360 e o remix/nova versão de Girl, So Confusing.


Como dito na resenha do álbum, 360 “consegue equilibrar uma batida que fica bem no meio do caminho entre o pop comercial e o lado experimental”. E isso é a grande cartada para a canção. Uma mistura azeitada de hyperpop com bubblegum bass com electropop transforma a canção um banger poderoso que é aumentado seu potencial pela letra divertida e cheia de citações pop ótima. Sabe o que a Britney Spears tentou fazer na era Britney Jean? Então, 360 é basicamente o que deveria ter sido feito para a princesa do pop, terminando superior infinitamente que todo o álbum. Se 360 acerta plenamente na sonoridade, The girl, so confusing é o trunfo da boa composição.

Como também apontado na resenha do álbum, Charli XCX se abre de maneira honesta e, por vezes, desconcertante nas suas composições no trabalho. E, mesmo não sendo a melhor, Girl, So Confusing é um dos momentos que vemos o lado intimo da cantora a mostra ao relatar sua relação de amizade com outra cantora em que relata suas inseguranças nesse relacionamento, sendo alguns criados por ela mesma e outros que foram impregnados por outros na sua mente. Honesta e de certa maneira tocante, a letra foi especulado sendo para a Lorde. E isso foi confirmado com o lançamento do remix com um verso da Lorde em que a mesma responde a Charli. Essa nova adição aprofunda a temática da canção devido ao ótimo verso da cantora nova zelandesa em que a mesma expõe o seu lado, mostrando que o peso de ser uma mulher na indústria é de certa maneira igual para as duas. Longe de ser uma diss track, a faixa é na verdade uma conversa entre duas amigas se entendendo de alguma forma sobre suas dores e que isso causa nas suas vidas e, claro, na amizade entre as duas. Sonoramente, The girl, so confusing não altera nada da original ao ser um ótimo electropop/hyperpop. E assim vai se formando a tempestade nível gigantesca da Charli XCX em 2024.
notas
360: 8
The girl, so confusing: 8

21 de abril de 2024

2 Por 1 - Charli XCX

Club classics
B2b
Charli XCX

O lançamento do single duplo da Charli XCX dá ainda detalhes sobre o que esperar do álbum Brat: clássica Charli ao dobro. Começo pela melhor das duas em Club Classics.
 
Acredito que o principal motivo da canção ser a melhor lançada até agora é o fato da mesma ser a mais completa sonoramente. Não que as outras não sejam, mas Club Classics é a que melhor transmite a sua ideia ao ser uma sinergética, cativante e nostálgica electro house que faz a gente vibrar e também sentir certa emoção. O motivo disso é a sua atmosfera que remete ao gênero de maneira tão pura e a sua composição que invoca exatamente isso ao mostrar a vontade da cantora em dançar os clássicos de quem faz esse tipo de canção. E a linha “I wanna dance to SOPHIE” faz a gente sentir uma dorzinha no coração genuína. Em B2b, a produção perde um pouco desse encanto, mas ainda entrega uma eletrizante batida que tem um leve toque melancólico por trás que a dá personalidade, mesmo sendo liricamente bem mediana. No final, as canções são dois momentos que provam o domínio da Charli XCX pelo que faz.
notas  
Club classics: 8
B2b: 7,5

31 de março de 2024

Um Remix Puro

The von dutch remix with addison rae and a.g. cook
Charli XCX


Desde que houve esse renascimento do remix como peça importante para a promoção de um single e/ou álbum que surgiu dois tipos: o remix que não remix e o remix verdadeiro. E é nessa segunda categoria que entre o remix The von Dutch da Charli XCX.

Produzido por A. G. Cook, a canção é na verdade uma reconstrução da canção original, pegando a base e criando quase uma nova canção. E isso funciona bem, pois estamos diante de um trabalho pensado para ser um remix de fato e, não, um caça níquel barato. O problema é que a canção perde certo brilho da original ao ser uma versão menos inspirada, sendo que Von Dutch, mesmo sendo uma “eletrizante e reverberante electropop/house/dance-pop”, já tinha seu problema ao ter “uma produção que é tão direta na sua construção que falta certa nuance para a fazer menos massificada”. Gosto, porém, da mudança que acontece depois de um minuto e meia em que o remix pisa no acelerador para criar um clímax mais trabalho. Apesar de não atrapalhar e adicionar certa personalidade, a presença da Addison Rae termina soado desnecessária já que poderia facilmente ser outra artista. De qualquer forma, o remix ganha pontos para fazer o seu único trabalho: ser um remix de verdade.
nota: 7



13 de março de 2024

O Farofão da Charli XCX

Von dutch
Charli XCX


Preparando para o lançamento de seu próximo álbum intulado Brat, a Charli XCX lançou a legal Von dutch. Longe de ser o seu melhor, a cantora ainda entrega uma farofa de qualidade.

Apesar de ter a cara da cantora, a cantora perde alguns pontos ao soar levemente genérica quando deveria elevar totalmente o material. Uma eletrizante e reverberante electropop/house/dance-pop, Von dutch tem uma produção que é tão direta na sua construção que falta certa nuance para a fazer menos massificada. Entretanto, a maneira como a canção é construída com uma certeza artística tão forte que o resultado é bem acima da média, especialmente quando Charli entra com seus vocais estilizados e uma presença radiante e empoderada. E isso serve para entoar a simples, mas eficiente e acida composição sobre os invejosos bastar. Não é o suprassumo, mas a canção ainda tem a marca de qualidade da Charli XCX.
nota: 7,5



25 de outubro de 2023

Um Encontro Meio Inusitado

In The City
Charli XCX & Sam Smith


Não é exatamente fácil achar que a parceria entre Charli XCX e Sam Smith é algo que nasceu para ser, mas In The City funciona direitinho.

O grande trunfo da canção é a química e o contraste entre os envolvidos que dá para a canção personalidade que no final termina sendo extremamente necessária. In The City é bem produzida, mas termina sendo uma massificada e apenas passável mistura de electropop/house que a Charli já fez melhor dezenas de vezes. Enquanto isso, a composição não tem nada de especial que possa ajudar o resultado final, mas não faz feio devido a ainda ter alguma criatividade. In The City é bom encontro que poderia ser ótimo.
nota: 7


16 de julho de 2023

Barbie Electropop

Speed Drive
Charli XCX


E o evento do ano continua a lançar seus braços para o mundo da música que irá pautar o mundo pop nesse meio de ano. Agora é a vez da Charli XCX lançar sua música para a trilha de Barbie com a boa Speed Drive.

Novamente, assim como a parceria da Nicki Minaj e Ice Spice, a canção é rápida demais com nem dois minutos direito. Todavia, Charli consegue entregar mais nesse tempo do que a canção das rappers, especialmente devido ao ótimo uso do samples de canções icônicas: Mickey de Toni Basil e a versão da Robyn de Cobrastyle. E o uso no refrão da melodia da primeira canção é em especial inspirada. Speed Drive é essencialmente uma canção com o carimbo de qualidade da Charli XCX ao ser uma direta, elétrica e irresistível hyper-pop/eletropop que exala a personalidade da cantora e, ao mesmo tempo, consegue ter a áurea do filme. Poderia ser um banger maior? Sim, poderia facilmente com uma canção com maior trabalho. Entretanto, Speed Drive é perfeitamente o encontro entre o mundo da Barbie e o da Charli XCX.
nota: 7,5

30 de agosto de 2022

Um Novo Tema Para Charli XCX

Hot Girl 
Charli XCX


Apesar de esquecido devido a espetacular construção da carreira, o primeiro grande sucesso solo da Charli XCX foi a canção Boom Clap de 2014 para o filme A Culpa é das Estrelas. E é por isso que Hot Girl faz o total sentido.

Tema do filme Bodies Bodies Bodies, um slasher/mistério/comédia, é uma canção que parece saída de uma das mixtapes/EPs da Charli ao ser uma hyperpop/EDM estilizada e que apenas a cantora é capaz de fazer de maneira a ser ouvida por um público maior. O problema é que a canção soa mais como um bom filler do que uma canção solo, funcionando melhor dentro do contexto de um trabalho maior. Tirando isso de lado, Hot Girl é tão estilizada e provavelmente deve se encaixar com o clima geral do filme que torna a canção um trabalho que merece ser escutado, mesmo que seja para odiar.
nota: 7,5

21 de julho de 2022

Charli Saves Pop

Hot In It
Tiësto & Charli XCX


Charli XCX é o tipo de artista pop que consegue colocar a sua marca até em canções de outros artistas quando é convidada. Em Hot In It, a cantora eleva o trabalho do DJ Tiësto.

Em essência, a canção é uma redonda, clichê e comercial dance-pop/house que poderia ser bem mais do mesmo se não fosse a presença da Charli XCX. A cantora adiciona uma dose de personalidade realmente distinta para a canção que a quase transforma em uma perola pop. A sua presença efervescente dá uma cara para Hot In It como se a mesma fosse uma canção da própria em versão remix. Entretanto, a canção é tão rápida e rasteira que não há tempo para a gente se apegar realmente ao trabalho. E é por isso que a presença Charli XCX é que salva a canção de maneira primorosa.
nota: 7


8 de março de 2022

Ensaio Sobre o Pop

Baby
Charli XCX


Com o lançamento de Baby, quarto single do álbum Crash, a Charli XCX parece mostrar que irá fazer um ensaio sobre o pop ao entregar uma coleção de canções que transitam por subgêneros de sucesso do final dos anos oitenta e começo/meio dos noventa. E isso é algo realmente excitante.

Baby é uma hibrido criativo, distinto e levemente esquisito de dance pop com toques de new wave e electropop que parece ter saído exatamente deu um limbo entre a transição dos anos oitenta e noventa. Lindamente produzido, a canção acerta ao adiciona uma dose cavalar da personalidade excêntrica de Charli XCX que coloca nuances de eletrônico para deixar a canção relativamente moderna sem perder o seu toque nostálgico. A canção não deve agradar parte dos fãs, pois não é o tipo de entrega uma explosão logo de cara, especialmente devido a sua rápida duração. Outro destaque é para a performance carismática da cantora que consegue muito bem passar toda a vibe da canção. Baby é outro acerto para a Charli XCX, mas que deve funcionar melhor ainda dentro do contexto do álbum.
nota: 8

28 de janeiro de 2022

Titãs POP

Beg For You (feat. Rina Sawayama)
Charli XCX

Acredito que não exista melhor artista para fazer um dueto que a Charli XCX, pois a cantora sabe escolher seus convidados e, principalmente, sabe como utilizar todos da melhor maneira possível. Em Beg For You, a cantora chama a Rina Sawayama para outro momento de troca artística, mesmo que aqui poderia ter um resultado mais explosivo.

Obviamente, as duas artistas estão entre os melhores atos pop da atualidade e Beg For You é um veiculo perfeito para as duas no instante que resulta em algo que parece realmente um trabalho feito para usar as melhores qualidades de ambas. Sem pender para nenhum lado, a canção se utiliza da química das duas para criar uma canção fluida e deliciosamente excitante. O problema em Beg For You é que não a explosão que poderia esperar de um encontro entre dois pesos pesados, mas, sim, um slow burn pop que conquista pelos pequenos detalhes da produção. A batida electropop que emula o começo dos anos dois mil é deliciosamente nostálgica, especialmente devido ao uso do sample de Cry for You da cantora Petra Marklund de 2006. O ponto fraco do single é a composição que apesar de ser muito bem escrita fica devendo no quesito de virar chiclete na nossa cabeça. E mesmo não sendo genial, Beg For You é o trabalho perfeito para duas titãs do pop.
nota: 8


7 de novembro de 2021

Gone 2 - A Missão

New Shapes (feat. Christine and the Queens & Caroline Polachek)
Charli XCX

Quando vi que a Charli XCX iria lançar outra parceria com a Christine and the Queens depois de terem trabalhado juntos na genial Gone e ainda teria a participação de Caroline Polachek já criei uma expectativa altíssima. Felizmente, New Shapes entrega quase tudo que o que era esperado.

Menos impactante em relação a batida de Gone, New Shapes é uma deliciosa, sexy e dançante synthpop com os dois pés enfiados nos anos oitenta que poderia facilmente ser uma regravação/remix de uma canção da década. Isso não quer dizer quer o single seja datado e sem criativo, mas, pelo contrário, a produção acerta no ponto ao criar uma batida original que sabe unir muito bem as três artistas de maneira fluida em que nenhuma delas se sobressai. Acredito que o problema maior aqui seja a não total mistura das três cantoras durante toda a canção, deixando apenas para o momento final. Isso não impede, porém, New Shapes continue a mostrar a dominação pop de Charli XCX.
nota: 8

3 de setembro de 2021

Charli POP!

Good Ones
Charli XCX


Alcançando o posto de diva do electropop/experimental/indie pop, a Charli XCX sempre faz a gente esquecer o quanto boa a mesma pode ser quando entrega um pop honesto e direto. Esse é o caso de Good Ones.

Primeiro single do seu próximo álbum, a canção deixa de lado a batida mais alternativa para mostrar uma electropop tradicional e deliciosamente divertido. Acredito que a formula para que Charli consiga sair do lugar comum em relação a massa é adicionar suas referencias sonoras aqui e ali, criando uma batida encorpada, refinada e levemente sombria. E esse último toque é essencial para dar a base perfeita para a ótima composição sobre ter o famoso dedo podre para homem. O único erro de Good Ones é o seu refrão que deixa passar a oportunidade de explodir, preferindo uma saída estranha de repetição de oohs que dá uma leve quebrada de clímax. Entretanto, a canção ainda é um retrato da excelência pop de Charli XCX.
nota: 7,5