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11 de setembro de 2026

Uma Segunda Chance Para: I Gotta Feeling

I Gotta Feeling
The Black Eyed Peas

Possivelmente, o gigantesco sucesso de I Gotta Feeling foi um dos últimos arrasa-quarteirões antes da ascensão definitiva do Spotify, lançado em 2008, um ano antes do lançamento da canção do The Black Eyed Peas. Devido a isso, a faixa entrou em um “bolsão” dentro da cultura pop reservado para poucas músicas. Todavia, depois de dezessete anos do lançamento, qual é o sentimento sobre sua qualidade? Valeu o hype ou é uma bomba datada?

Na minha visão, o resultado é meio 50/50, especialmente quando a gente olha em retrospectiva. Quando o grupo decidiu deixar meio de lado o hip hop para se aventurar no eletrônico/EDM/electropop, foi uma decisão arriscada, mas que valeu a pena devido ao sucesso do álbum The E.N.D.. Criativamente, o álbum recebeu uma enxurrada de críticas que variaram do mediano ao negativo, especialmente no quesito sonoridade. E acredito que esse seja o grande motivo para I Gotta Feeling ainda ser uma música divisiva, mesmo tendo qualidades bem interessantes.

A razão principal é que a produção de David Guetta e Frédéric Riesterer já era meio datada e clichê quando foi lançada, criando a sensação de que a faixa era uma cópia passada por um triturador de “popficação” para ficar ainda mais radiofônica e massificada. E isso dá à música um aspecto de farofa tão farofada que fica meio complicado encontrar uma identidade distinta. Entretanto, esse problema também gera sua melhor qualidade: o gigantesco fator “chiclete”.

Ouvir a canção pela primeira vez é algo que, sinceramente, deve ser um portal para qualquer pessoa “viciar” nela, para o bem ou para o mal. A batida é sonoramente nada complexa, mas foi cuidadosamente montada para ser grandiosa, grudenta e ter uma melodia de facílima assimilação desde a primeira vez. Quando toca a primeira nota, a gente já sabe qual música vai começar. E isso é algo que podemos chamar de atemporal, de certa maneira, o que meio que contradiz o cheiro de naftalina que a faixa também exala. Felizmente, existe um termo para isso: prazer culposo. E essa é a melhor definição para a música.

Liricamente, I Gotta Feeling apresenta a mesma dualidade ao ser uma obra sobre “curtir a vida” da maneira mais clichê e sem profundidade possível, mas também construída de uma forma que conseguimos decorar a letra na hora em que escutamos e nunca mais esquecer. O que realmente se sobressai é a presença de todos os integrantes do Black Eyed Peas, que entregam boas performances. Mas, sinceramente, é só quando Fergie aparece que tudo dá liga de verdade. E essa observação é ainda mais curiosa, pois faz a gente voltar a pensar por que a carreira solo dela não teve mais durabilidade, ainda mais quando associamos isso ao sucesso de The Dutchess.

I Gotta Feeling é uma máquina do tempo datada e nostálgica, que é até mais interessante do que a gente lembra. Só não pode pensar muito além da superfície para ainda se divertir com a canção.
nota: 7

21 de agosto de 2026

Uma Segunda Chance Para: Show das Poderosas

Show das Poderosas
Anitta

Com uma carreira cheia de altos, baixos e alguns baixíssimos, Anitta chega a seu momento ao finalmente se encontrar artisticamente. Por isso, resolvi voltar no tempo e dar uma segunda chance para a canção que deu início a tudo: Show das Poderosas.

Era quase impossível, em 2013, não ter ouvido em algum momento e, possivelmente, por diversas vezes, a canção que se tornou o hit daquele ano. Apesar de não ter sido a primeira da carreira, Show das Poderosas foi o que colocou Anitta no mapa do mainstream brasileiro e, passados treze anos, é preciso apontar que tudo faz muito sentido, pois, mesmo não sendo um trabalho genial, a canção tem suas qualidades que a destacam na multidão. A maior delas é a produção, que consegue misturar bem o funk com o pop, adicionando toques de dance-pop e dubstep. Na verdade, quando esse último gênero é introduzido durante o segundo verso, é que a canção realmente atinge seu ápice, devido à total e inesperada quebra de expectativa.

O problema maior da produção é o seu clímax final, especialmente nos momentos finais, em que a canção perde a força em uma conclusão totalmente anticlimática, que meio que dá uma esfriada na canção. Show das Poderosas é dona de uma composição rasa, mas viciante, que consegue dialogar com a atmosfera pop e funk, criando uma letra que meio que se torna atemporal. Não é nada genial, mas é perfeita para o tipo de proposta da canção. Anitta, ainda no começo de carreira, entrega uma presença sólida, mas morna e, principalmente, sem muita versatilidade, deixando as mudanças da própria música fazerem parte do trabalho. Todavia, não há como não afirmar que existe um carisma da mesma que meio que faz a gente ser cativado pela sua presença.

Em Show das Poderosas, Anitta deu o seu primeiro grande passo para se tornar a maior popstar brasileira da nossa geração, para o bem ou para o mal.
nota: 7,5

12 de agosto de 2026

Uma Segunda Chance Para: Roar

Roar
Katy Perry

Após quatorze anos de seu lançamento, Roar se tornou uma canção que deu para Katy Perry a continuidade da dominação na época das paradas, batendo de frente com Applause, da Gaga, e a vencendo comercialmente. Todavia, arriscadamente, a canção é facilmente notável como aquela que meio que deu a confirmação da limitação da sonoridade da Katy.

Lançada como primeiro single de Prism, sucessor do gigantesco sucesso de Teenage Dream, a canção é um trabalho perfeitamente aceitável que conta com alguns pontos bem positivos, mas não sai em nenhum momento do lugar-comum de um pop que hoje parece meio mofado, especialmente devido ao envolvimento daquele produtor caído em desgraça. O arranjo é grandioso e imponente para sustentar a base pop/pop rock pouco criativa, que sabe aonde quer chegar e não faz muito além do básico. Todavia, a canção tem um problema maior: a sua composição.

Clichê, meio infantil e beirando o pueril, a composição aqui é de um nível de autoajuda que atualmente poderia ser ouvida como tema de algum filme da Patrulha Canina. Todavia, preciso reconhecer que o resultado final funciona como um atestado de que, esteticamente, é um trabalho bem acertado. Até hoje lembro perfeitamente de cada verso da canção, sendo diferente, por exemplo, da canção da Gaga. Além disso, o refrão é realmente um momento que dá vida à canção devido à sua força de grudar nos nossos ouvidos com uma facilidade incrível e definitiva. O ponto alto da canção é a presença da Katy, que entrega aqui a sua melhor performance vocal dessa era e, provavelmente, de toda a sua carreira.

Mesmo sendo um marco do pop, Roar não é exatamente uma das canções mais memoráveis do pop. E, sinceramente, isso é até algo bom, já que a Katy tem canções melhores na discografia.
nota: 7

Uma Segunda Chance Para: Applause

Applause
Lady Gaga

Quatorze anos depois do seu lançamento como primeiro single do Artpop, a canção Applause ainda guarda uma pergunta: um trabalho à frente do seu tempo ou um tropeço pelo ego?

Primeira canção lançada pela cantora depois do arrasa-quarteirão do Born This Way, a nova era da Gaga era um dos acontecimentos mais esperados de 2013 e, por isso, o lançamento da canção foi um acontecimento, especialmente devido a ter sido lançada basicamente junto com Roar, da Katy Perry. E, com isso, a expectativa era algo gigantesco e, infelizmente, não foi correspondida para muitos na época, e isso também afetou a minha percepção sobre a canção que, longe de considerar ruim, considerei apenas “boa”. Olhando em retrospectiva, é preciso dizer que minha visão mudou bastante em relação a Applause.

Respondendo à questão colocada no começo: a canção é exatamente à frente do seu tempo e, muito menos, um tropeço. Talvez, a melhor definição que possa dar é uma canção menor entre os grandes momentos da carreira da Gaga. A grande qualidade da canção é a sua limpa, vigorosa, elétrica e disparadamente dançante produção, que entrega uma eletropop/dance-pop de uma força comercial reluzente e totalmente direta.

Contagiante e divertida, Applause tem uma melodia que gruda na gente logo nos primeiros acordes e vai criando ainda mais força ao longo da sua duração, que culmina em um clímax final grandioso na medida, sendo modelado por um refrão certeiro e redondinho. Outro ponto é a performance da Gaga que, mesmo não sendo uma das suas melhores, é um trabalho que dá energia, personalidade e dinamismo para a canção.

O problema aqui é a composição, pois, apesar de entender a mensagem de amor para os fãs e, também, as cutucadas nos críticos, o resultado fica em uma linha tênue entre o pretensioso, o cringe, o divertido e o inteligente, o que deixa tudo meio embaçado e facilmente termina como o que puxa a canção para baixo, salvando o bom refrão devido à sua simplicidade perfeita.

Passados todos esses anos, Applause tem uma aura de cult classic que faz sentido para o que a canção se tornou: um trabalho que merece ser redescoberto, mesmo não sendo o ápice da Lady Gaga.
nota: 8

14 de junho de 2026

Uma Segunda Chance Para: On The Floor

On The Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez


Se você viveu 2011, em algum momento ouviu tocar On The Floor, da Jennifer Lopez, sem dúvida nenhuma. E, depois de mais de quinze anos de lançamento, ver que a música ainda tem capacidade de se tornar um viral não é surpresa nenhuma, pois a canção é realmente boa, especialmente devido à produção de RedOne.

Uma das melhores canções do produtor fora do trabalho com a GaGa, sua produção pega uma ideia até simples e vai com ela até o limite sem pedir desculpas ou olhar para trás. Pegando o sample de Lambada, da banda franco-brasileira Kaoma, que, por sua vez, era um cover de Llorando se fue, da banda peruana Los Kjarkas, RedOne envolve a canção com uma mistura de dance-pop, house, eletropop e latin pop que poderia ter dado muito errado, mas que é subvertida devido à grandiosidade do instrumental. E essa é a melhor qualidade da canção: sua atmosfera épica e espetaculosa.

A canção não pede licença desde o seu começo e apenas vai aumentando a velocidade para terminar em um final épico e completamente viciante. Todavia, para essas partes terem um efeito tão notável, é preciso haver momentos que as contrabalancem, e isso é dado pelo uso do sample bem nítido na primeira metade do refrão, que dá à canção o tempo necessário para a explosão que logo se aproxima. Essa sabedoria de usar esses momentos para construir o clima da canção é literalmente um toque de gênio de RedOne. On The Floor não teria toda essa força se não tivesse outros elementos que também dessem certo.

Felizmente, tudo dá certo. J.Lo entrega uma das melhores performances de sua carreira, em que o carisma da cantora é muito bem utilizado para dar ainda mais personalidade à música. Enquanto isso, o rapper Pitbull entrega dois versos sensacionais que acabam roubando a cena de verdade, principalmente devido ao fato de ele realmente ter entendido o tom da canção. A composição é, de longe, o ponto menos inspirado, ao ser uma ode aos festeiros de plantão, mas, graças a um trabalho lírico certeiro, o que temos aqui é uma letra direta, divertida, fácil e grudenta, que faz a gente querer cantar junto. A citação dos lugares para “se fazer festa”, incluindo o Brasil, é algo com que é quase impossível não cantar junto.

On The Floor é um trabalho surpreendente que envelhece muito melhor do que o esperado. E deveria ser bem mais lembrada por ser um dos maiores sucessos de todos os tempos.
nota: 8

24 de maio de 2026

Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

22 de março de 2026

Uma Segunda Chance Para: Beautiful Liar

Beautiful Liar
Beyoncé & Shakira


Para marcar o lançamento da versão Deluxe de B’Day, a Beyoncé resolveu lançar como single a canção Beautiful Liar, que marcou a sua primeira grande parceria feminina com a presença da Shakira. Na época, a canção não bateu tão forte em mim, mas, surpreendentemente, envelheceu melhor do que o esperado.

Não dá para negar que o encontro de duas forças é o grande atrativo da canção e que isso é feito da melhor maneira possível, ao dividir quase que por igual a participação de cada uma. Isso dá uma dinâmica incrível à faixa, que se apropria bem do carisma de ambas, sem que nenhuma perca espaço, criando uma boa química entre as duas. Existe, claro, certa fricção devido a personalidades tão marcantes, mas Beautiful Liar se beneficia disso ao gerar uma identidade realmente interessante. O problema aqui é a mixagem da voz da Shakira em algumas partes que, aliada ao seu sotaque, deixa meio difícil entender o que ela canta quando não se conhece a composição. Não é um problema imenso, mas é algo que afeta o resultado final.

Beautiful Liar é sustentada pela produção, que entrega uma eficiente mistura de latin pop, dance-pop e toques de música árabe, sendo ao mesmo tempo altamente comercial e também um tanto clichê. Apesar disso, o trabalho é refinado devido ao cuidado estético aplicado à canção, que consegue criar um instrumental seguro criativamente e com os toques necessários para ser icônico. E assim a composição caminha, mas aqui existe um toque que considero de genialidade ao ser basicamente o mesmo de The Boy Is Mine, da Brandy e Monica, vindo do ponto de vista de duas mulheres maduras que conseguem acertar as contas depois de descobrirem que estavam “saindo” com o mesmo homem.

Com o passar dos anos, Beautiful Liar melhora ao permanecer na memória como uma surpresa inesperada. E também serve como lembrete de que duetos como esse estão cada vez mais raros.
nota: 8

4 de maio de 2025

Uma Segunda Chance Para: Havana

Havana (feat. Young Thug)
Camila Cabello

Não sou exatamente fã da carreira de Camila Cabello. Nada contra a cantora, mas durante sua trajetória, poucos trabalhos seus realmente tiveram um impacto positivo em mim. Com o passar dos anos, porém, um de seus trabalhos envelheceu melhor do que eu esperava. E essa canção é seu maior sucesso: Havana.

A música não é sensacional, mas, ao analisá-la mais de perto, revela-se uma mistura cativante, solar, sensual e grudenta de latin pop, hip hop, bolero, trap e R&B. Apesar de ser sonoramente rasa, Havana é extremamente divertida. O grande trunfo da faixa é sua interessante instrumentalização, que eleva todo o material graças à criatividade da produção, aproveitando bem todas as influências para criar uma cápsula pop perfeita.

A performance de Camila é outro ponto forte. Apesar de não ser exatamente a mais completa das cantoras, a então recém-saída do Fifth Harmony domina a canção com segurança, entregando uma performance sólida e bem conduzida. No entanto, Havana perde força devido à presença pouco inspirada do rapper Young Thug, cuja participação soa completamente deslocada e sem graça. Se Bad Bunny, que na época estava começando a despontar, tivesse participado, poderia ter feito uma diferença artística significativa. Outro problema é a composição mediana, que conta com um bom refrão, mas não justifica a presença de incríveis dez compositores, incluindo Pharrell Williams. No final das contas, Havana é melhor do que eu lembrava, e fico feliz em revisitá-la de tempos em tempos.
nota: 7

30 de março de 2025

Uma Segunda Chance Para: Just Dance

Just Dance
Lady Gaga


Com o retorno triunfal da GaGa em Mayhem decidi voltar no tempo cerca de dezessete anos atrás para reanalisar onde tudo começou: Just Dance.

Originalmente destinada para ser gravada pelo the Pussycat Dolls, a canção foi o primeiro grande trabalho da GaGa em um grande estúdio. Escrita em menos de dez minutos ao lado do produtor RedOne, Just Dance liricamente deixa isso bem claro, pois é uma rasa e até clichê crônica sobre se divertir e estar de ressaca, mas sem arrependimentos. Entretanto, a letra já mostra a capacidade da cantora de criar uma estética pop perfeita, sabendo adicionar personalidade de sobra e completamente única. Entretanto, o que faz da canção um estouro é a presença magnética e explosiva da artista. Mesmo no começo e ainda amadurecimento, GaGa domina Just Dance como uma diva pop desde o seu começo até o final com um carga de força tão impressionante que a já distinguia entre as demais, mesmo que naquele momento a cantora ainda parecia apenas uma “one hit wonder”.

Na versão original mandada para as rádios, a participação especial era do Akon, mas que a gravadora proibiou de lançar dessa maneira. Então, o cantor deu o ser verso para seu protegido na época Colby O'Donis. E essa decisão é o que deixa Just Dance até o hoje menos impactante que poderia ser, pois o cantor que não teve sua carreira elevada a nenhum outro patamar mesmo com o sucesso gigantesco da canção, não adiciona em nada na canção, fazendo a gente esquecer totalmente da sua presença. A gente acha que a canção é tão exclusivamente da GaGa que quando a escuta totalmente leva até um susto da presença de outra pessoa. Akon ainda é ouvido em algus momentos devido a suas partes de interpolação foram deixadas, mas essa é a canção da GaGa sem duvida nenhuma. Sonoramente, a canção é uma divertida e dançante electropop/synth-pop que faz o arroz com feijão perfeitamente, adicionando a pimenta necessária para se tornar um trabalho marcante e atemporal. E apesar da qualidade da canção e o seu sucesso, Just Dance foi apenas a ponta da ponta do iceberg para a carreira da GaGa.
nota: 8

9 de março de 2025

Uma Segunda Chance Para: Take Me to Church

Take Me to Church
Hozier


Nem sempre conseguimos absorver todo a força de uma canção sem perceber todos com cuidado todas suas características. Felizmente, o tempo é capaz de corrigir essa falta de percepção como é caso de Take Me to Church do Hozier.

Primeiramente, a canção tem uma das letras mais potentes e poderosas de uma música de sucesso comercial tão grande nos últimos vinte anos ao ser uma crônica devastadoras sobre a hipocrisia da igreja católica. E isso é feito de maneira genial no instante que a gente percebe que o Hozier usa de uma metáfora sobre ao comparar a igreja com uma pessoa que ele ama. Forte, honestas e de uma lírica rica e bela, Take Me to Church do Hozier é dona de um refrão esmagador, tematicamente e esteticamente falando. Todavia, é na ponte final que a canção encontra o seu maior ápice:

No masters or kings when the ritual begins
There is no sweeter innocence than our gentle sin
In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then, I am human, only then, I am clean

Felizmente, a canção tem em sua volta uma produção, comando por Rob Kirwan e Joe Fisher, excepcional que entrega uma elegante, grandiosa e soturna indie rock/rock soul com um instrumental impressionante e maduro. Entretanto, o que arremata de vez a canção é a performance descomunal que usa com perfeição o seu rouco e profundo timbre para criar toda a força da canção. Com o tempo foi possível perceber todos esses detalhes de Take Me to Church do Hozier, mostrando que o tempo é o senhor da razão.
nota: 8,5

10 de agosto de 2024

Uma Segunda Chance Para: Fancy

Fancy (feat. Charli XCX)
Iggy Azalea


Ao contrário de outros Uma Segunda Chance Para, a resenha dessa vez não será para revistar uma canção que inicialmente não achei tão boa e com o tempo a minha percepção mudou positivamente. Nesse caso, a minha opinião inicial já era boa e com tempo melhorou mais, mas que parte do publico não tem o mesmo apresso. E essa a hit Fancy da Iggy Azalea com a Charli XCX.

Acredito que a canção é a melhor definição do que seria pop/rap. E veja que coloquei o pop na frente, pois é essa essência da canção. Despretensiosa, exagerada, comercial, divertida e deliciosamente campy, Fancy é uma canção que não dá para levar a sério como sendo algo que tenta ser mais do que realmente é ou que mostra a presença de algo inovador. A grande qualidade aqui é ser esse grande vislumbre no que o pop em seu estado puro pode ser misturado com outros gêneros. Apesar de não ser uma rapper ótima, Iggy entrega o seu melhor momento ao carregar com força e estilo a canção, sabendo exatamente como dar o tempero dessa mescla entre o pop e rap. Todavia, o grande toque da canção é a presença de uma ainda semidesconhecida Charli XCX que consegue amarrar as pontas para entoar um sensacional refrão e uma ponte final marcante. Fancy é um marco que é amada por uns e odiada por outros. Para mim, a canção é memorável e merecia ser melhor apreciada.
nota: 8,5

25 de fevereiro de 2024

Uma Segunda Chance Para: Give Me All Your Luvin'

Give Me All Your Luvin'
Madonna

Bem longe do seu pico de criatividade, a Madonna vem colecionando trabalhos medianos ao longo dos últimos anos. Todavia, a gente ainda é possível encontrar bons momentos que dão a noção que a gente nunca pode contar como “fora do jogo” a Rainha do Pop. Um bom exemplo é a divertidíssima Give Me All Your Luvin'.

Lançada no começo de 2012, a canção abriu os trabalhos para o décimo trabalho da cantora intulado MDNA. O álbum em sim é um verdadeiro show igual de erros e acertos, terminando sendo um trabalho interessante que nunca chega a decolar. Entre os momentos de alta está Give Me All Your Luvin'. Alta, porém, com algumas ressalvas, pois a canção parece que ficou faltando algo. E isso é devido da canção ser muito segura para quem sempre se arriscou ao extremo como a Madonna sempre fez. Segura, sim, mas divertida quando a gente não espera muito do resultado final. Uma dance-pop/ bubblegum despretensiosa, fútil, leve, viciante e deliciosamente dispensável, o single conquista de verdade pelos toques inteligentes que vão sendo colocados ao longo da sua duração como, por exemplo, a progressão rítmica, o vibrante refrão, a citação a Lucky Star e a batida dubstep durante a partes das convidadas. E por falar nelas, a presença da M.I.A. e Nicki Minaj envelheceu igual a leite fora da geladeira devido a nossa percepção pessoal das duas artistas ao longo dos anos, mas em questão artística sempre achei falho suas participações já que não exploram direito seus talentos. A rapper ainda tem um bom momento, mas a britânica parece que foi cobrir cota sem adicionar nada de peso da sua personalidade. Mesmo não sendo o seu melhor, Madonna sempre vai ser a Madonna de alguma forma e isso é para poucos.
nota: 7,5

10 de dezembro de 2023

Uma Segunda Chance Para: when the party's over

when the party's over
Billie Eilish


Apesar de não ser a primeira canção lançada da carreira da Billie Eilish, when the party's over foi aquela que chamou a minha atenção pela primeira vez. Cinco anos do seu lançamento volto minha atenção para reanalisar a mesma e entender que, apesar de não ter envelhecido de maneira a melhorar a minha percepção, a canção é um claro mostrador do que estava por vim para a carreira da jovem artista.

Acredito que o principal motivo para a canção não estourar em qualidade como vários trabalhos posteriores da artista é o fato da mesma não ter suas mãos na composição, deixando apenas para o seu irmão e produtor Finneas O'Connell os créditos. E devido a isso falta um toque pessoal para when the party's over que é dado pela inspirada e tocante mão da Billie. Isso não quer dizer que a composição aqui seja ruim, pois é um trabalho eficiente, simples e pungente. E, na verdade, menos impessoal que gostaria que fosse. Todavia, Finneas entrega uma produção inspiradíssima ao seu uma balada indie/ambient pop que dá resquícios perfeitos sobre o que iria se transformar a sonoridade da cantora sem ainda está madura. O ponto brilhante da canção é deixado para os vocais cristalinos e hipnóticos da Billie que não gostava plenamente quando escutei pela primeira vez, mas foi percebendo a sua complexidade interpretativa ao longo dos tempos e como o seu delicado timbre é usado para extrair sentimentos profundos de maneira sutil. Não é a melhor canção da Billie Eilish, mas, sim, um bom começo para a conhecer uma das artistas mais interessantes dos últimos tempos.
nota: 8

16 de outubro de 2023

Uma Segunda Chance Para: Somebody That I Used to Know

Somebody That I Used to Know
Gotye & Kimbra


Alguém sabe o que aconteceu com o Gotye? O australiano dominou as paradas em 2011 com o seu gigantesco sucesso Somebody That I Used to Know que venceu dois Grammys (Best Pop Duo/Group Performance e Record of the Year) e depois simplesmente sumiu. Nem podemos chamar o mesmo de um one hit wonder, pois o mesmo não lançou nada depois. Enquanto esse mistério não é solucionado iriei olhar para o passado para responder a questão: a canção mereceu todo o sucesso que teve?

A resposta é simples: sim. Escrita e produzida pelo próprio artista, a canção foi lançada como segundo single do álbum Making Mirrors e foi galgando aos poucos as paradas aos poucos ao longo dos meses. Quando você olha para o cenário das canções que foram sucesso naquele ano será notado que ter Somebody That I Used to Know como um dos maiores é algo impressionante. E não apenas pelo desempenho, mas também pela qualidade refinadíssima e pela sua peculiaridade sonora. A canção é uma art-pop/indie rock que tem uma estrutura que remete aos trabalhos conceituais/inovadores de nomes como Peter Gabriel e David Bowie, especialmente feito nos anos oitenta. Por isso, a canção é um recheado de experiencias sonoras que vão do seu instrumental quebrado, a sua estrutura quebrada e a suas estranhezas de texturas. E apesar disso, a produção tem um apelo comercial ao entregar uma carismática e grandioso refrão que gruda na cabeça desde a primeira que a gente ouve. Outro trufo da canção é a sua divisão entre a parte de Gotye com a da cantora Kimbra que remete a uma discussão entre duas pessoas em que o narrador conta a sua versão dos fatos para vim a outra pessoa para contradizer o que foi dito ao expor sua versão dos fatos. E a performances de ambos são ótimas ao ponto de quase fundirem com a estética da canção ao irem de calma e contemplativas para explosivas e raivosas. Somebody That I Used to Know é um dos hits da década passada que melhor envelheceram ao longo dos anos devido o fato de ser realmente uma grande canção.
nota: 8,5

14 de maio de 2023

Uma Segunda Chance Para: Motivation

Motivation
Normani

Preciso admitir que fui um pouco injusto com a Normani no lançamento do seu primeiro single solo. Entretanto, quase quatro anos após o lançamento de Motivation é necessário admitir que a canção é uma das melhores canções debut de uma ex-girl group desde Crazy in Love da Beyoncé.

Não é genial, mas a produção de Ilya Salmanzadeh entrega uma excitante mistura de pop, hip hop e R&B que deveria ter feito a carreira da Normani estourado na estratosfera. Divertida, despretensiosa, atemporal e completamente radiofônica, Motivation apresenta uma batida deliciosamente leve que não parece querer soar mais do que realmente é, mas também tem esse cuidado de construir uma base sólida com um instrumental bem amarrado. Essa vibe anos noventa/começo dos anos dois mil funciona tão bem artisticamente quando é tratado de maneira correta ao não soar como uma pastiche e, sim, uma remodelagem refinada como é o caso da canção. Todavia, a canção só funciona de verdade devido a efervescente, sexy e graciosa performance da Normani que domina a canção e mostra o motivo de ser a Beyoncé do Fifth Harmony em questão de talento e carisma. Uma pena que a carreira da cantora não teve até o momento o reconhecimento que merece, mas quem sabe o futuro não guarda uma grande surpresa. Milagres acontecem quando menos se espera.
nota: 8

2 de abril de 2023

Uma Segunda Chance Para: Wrecking Ball

Wrecking Ball
Miley Cyrus

A nova fase na carreira da Miley Cyrus é o resultado direito do que começo lá em 2013 com o lançamento de Wrecking Ball. Dez anos depois, a canção envelheceu até melhor que esperava, especialmente devido a presença da Miley.

Na verdade, a canção funciona primordialmente devido a Miley. Não apenas devido a sua drástica mudança visual vista no clipe da canção, mas devido a sua interpretação forte e marcante. Ainda acho que existe certo exagero vocal que prevalente seria melhor pensado com atual versão de Miley. Todavia, a vulnerabilidade que a cantora coloca na interpretação da canção Wrecking Ball é realmente tocante e uma das razões para parte do publico começar a leva a sério a cantora. Sonoramente, a canção é uma boa, mas nada original power balada que realmente dá certo pela sinergia da performance da Miley com a explosão que é o refrão que emula o que seria uma bola de destruição explodindo contra uma parede. Outro ponto negativo é que, infelizmente, um dos produtores é aquele que não merece ser citado, deixando uma marca não tão atrativa na canção. De qualquer forma, Wrecking Ball será sempre lembrada como o ponto de transição da carreira da Miley Cyrus e isso é algo que precisa ser celebrado.
nota: 7

12 de março de 2023

Uma Segunda Chance Para: Tonight I'm Getting Over You

Tonight I'm Getting Over You
Carly Rae Jepsen


Algumas canções com o passar do tempo tem a capacidade de melhorar devido a vários fatores. Outras perdem certo brilho quando analisamos com uma visão revisitada. Existem um numero pequeno que anos depois se tornam verdadeiros clássicos e outras que se tornam bombas atômicas. Nessa primeira categoria está a genial Tonight I'm Getting Over You da Carly Rae Jepsen.

Lançada em 2013 como último single do álbum Kiss e ainda na esteira do sucesso de Call Me Maybe, a canção é uma verdadeira cartilha de como fazer uma canção pop realmente marcante, original e de um potencial imenso. Apesar de todos os elementos funcionarem lindamente é na excepcional produção que boa parte da qualidade da canção é depositada. Produzido por Max Martin e Lukas Hilbert, Tonight I'm Getting Over You é uma mistura refinadíssima mistura de electropop, house, europop e toques de synth-pop, mas que se torna especial devido a sua construção.

A mesma começa de maneira contida que quase indica uma canção mid-tempo e aos poucos vai crescendo para uma batida bem marcada e poderosa. Todavia, a produção não a deixa linear e que facilmente deixaria a canção enfadonha, mas, sim, vai continuando a construção do gigantesco clímax final de maneira continua e completamente envolvente. E quando chega esse clímax é como se fosse a queima de fogos na virada do ano na praia de Copacabana. Existia um grande perigo nessa decisão ao fazer Tonight I'm Getting Over You simplesmente um batidão sem sentido. Felizmente, existe um verniz espetacular que apesar da sua batida explosiva a transforma em uma canção de amor genuína. E isso se dá devido também a linda e de quebrar o coração composição sobre a necessidade de Carly de tirar da cabeça alguém que a faz sofrer devido a não se decidir sobre se estão vivendo um romance ou não. A delicada voz da cantora e a sua poderosa performance dá o contraste ideal para Tonight I'm Getting Over You alcançar esse equilíbrio entre a explosão da batida e melancolia da composição. Sinceramente, Tonight I'm Getting Over You vem envelhecendo tão bem aos meus olhos que já é considerada por mim como uma das melhores músicas pop de todos os tempos.
nota: 9,5

3 de fevereiro de 2023

Uma Segunda Chance Para: Work Bitch

Work Bitch
Britney Spears

Britney Spears nunca foi conhecida por ter grandes arrombos de criatividades que pudessem quebrar quaisquer expectativas. Existem alguns momentos aqui e ali que podem se encaixar nessa categoria, mas o único momento genuíno é um dos seus piores da carreira: a péssima Work Bitch.

Lançada como primeiro single do fatídico Britney Jean de 2013, Work Bitch é uma tentativa de mostrar um lado da cantora ao fazer a mesma mergulhar em uma EDM extremamente datada, irritante e quase sem apelo que os melhores momentos da Britoca proporcionaram. Produzido pelo will.i.am ao lado de Sebastian Ingrosso e Otto Knows, a canção é o famoso amontoado de clichês que deveriam fazer algum sentido se não tivessem sido moldados da massa musical mais massificada possível. E o pior é que Work Bitch parece ser uma canção que poderia facilmente ser a guinada sonora na carreira da Britney. Exagerada pelo simples fato de ser, a canção esquece de usar o seu principal chamativo: a presença da Britney. Afogada por uma produção vocal estridente, a cantora poderia facilmente nunca ter cantado a canção e o que ouvimos ser um produto de uma inteligência artificial que não teria nenhuma grande diferença. A letra é, apesar dos pesares, divertida no instante que a gente não leva a sério. Existiam um rumor na época que a canção teria o sample de Supermodel (You Better Work) do RuPaul e que, sinceramente, faria até algum peso para o resultado final se tivesse sido usada de maneira correta. Feliz de não ter acontecido, pois Work Bitch não merece ter uma canção tão boa como base.
nota: 5


17 de janeiro de 2023

Uma Segunda Chance Para: Anaconda

Anaconda
Nicki Minaj


Com a volta da Nicki Minaj ao sucesso comercial com Super Freaky Girl que resenhei devido a presença de certo produtor envolvido resolvi voltar alguns uns e olhar novamente para a canção que colocou a rapper definitivamente no panteão das grandes estrelas pop: Anaconda. E para o bem ou para o mal, a canção é um dos momentos mais importantes da década passada.

Acredito que a canção seja a representação bastante fiel de toda a carreira da Nicki: ame-a ou odeia-a. Não existe meios termos ou opiniões medianas. Ou você gosta ou odeia com muita força. Lançada como segundo single do terceiro álbum da rapper The Pinkprint de 2014, Anaconda é uma explosiva, afrontosa, grudenta e comercial ao extremo mistura de hip hop, pop rap e toques de drum bass que cria algo tão distinto e excêntrico que fica bem no limiar entre o absurdamente viciante e gigantescamente irritante. E o uso do sample Baby Got Back do Sir Mix-a-Lot ajuda amentar essa sensação, pois a canção apresenta essas mesmas características. E tudo colide com a explicita e controversa composição que é simplesmente uma ode ao pênis grande. Cheias de referencias e boas sacadas, a letra de Anaconda é vulgar, divertida, estridente e deliciosamente cafona, mas que funciona no instante que está de acordo com a persona que a Nicki sempre impôs durante os primeiros anos de carreira. O que para mim não tem como não apontar sendo o grande motivo para a canção funcionar é a performance espetacular, magnética, versátil e com uma dose cavalar e lendária da Nicki Minaj. Não apenas Nicki adiciona tanta personalidade que Anaconda se torna o tipo de canção que nunca poderia funcionar sem a sua presença e todas as versões que possam existir são apenas parodias pálidas do que a mesma alcançou. Anaconda é, sim, um dos momentos mais importantes da recente história do pop, mesmo que seja para ser odiada.
nota: 7,5

11 de novembro de 2022

Uma Segunda Chance Para: Viva la Vida

Viva la Vida
Coldplay


Não é segredo para ninguém que acompanha o blog que o Coldplay passa bem longe de ser minha banda favorita. Entretanto, a banda comandada pelo Cris Martin entrou para esse hall nos últimos anos ao se transformar no fantasma do que eles foram no começo da carreira com lançamentos cada vez mais desinteressantes. Um dos últimos sopros de originalidade eficaz comercialmente que a banda teve data de 2008 quando foi lançada o arrasa quarteirão Viva la Vida.

Devo admitir que a canção “cresceu” em mim desde 2008, pois quando foi lançada não achei o resultado “grandes coisas”. E, apesar de não considerar a canção excelente, Viva la Vida se mostrar bem mais interessante que o esperado depois de mais de dez anos. Em primeiro e mais importante, o instrumental é algo espetacular devido a sua imponência e grandiosidade ao decidir por uma pegada puxado para a música clássica com o uso de orquestra completa, especialmente a seção de cordas é realmente marcante. E claramente a produção se beneficia disso ao entregar uma refinada mistura de baroque pop com pop rock que cria uma canção com uma contraditória sensação de ser ao mesmo tempo elitista devido a sua pretenciosa atmosfera e também ser comercialmente viável devido ao fácil reconhecimento de qual música estamos ouvindo desde a primeira nota. E essa qualidade é também transmitida pela pomposa, complexa e marcante composição que consegue entregar um dos refrões mais longos e viciantes da músicas pop dos últimos tempos. O quesito que posso elogiar sem achar nenhum “defeito” é a presença poderosa de Cris Martin que entrega uma das suas melhores atuações, mostrando energia e força do começo ao fim. Viva la Vida é, sim, uma boa canção após uma reflexão profunda, mas está longe de ser genial em qualquer mérito.
nota: 7,5