15 de setembro de 2026

Primeira Impressão

Age of the Exhibitionist
Rebecca Black


Não há como duvidar que a Rebecca Black se tornou uma artista completa e realmente excitante, mesmo que tenha ainda certa resistência por parte da “mídia” em não parecer levá-la a sério como merece. Felizmente, a artista vem ganhando o respeito por parte do público que a (re)descobre, e a mesma faz por merecer ao entregar em Age of the Exhibitionist exatamente o trabalho perfeito para comprovar o seu talento.

Segundo álbum da carreira de Black, o álbum é, sem nenhuma dúvida, o projeto mais maduro da sua carreira, em que a cantora demonstra sua evolução artística claramente, em que os caminhos trilhados são diretamente consequência da jornada que foi construída ao longo dos anos. E isso é algo impressionante, pois, ao contrário de outras contemporâneas, Black é uma artista independente que não tem o apoio financeiro, criativo e logístico de uma grande gravadora para a produção do álbum e o cuidado com a sua carreira. Mesmo assim, Age of the Exhibitionist é um trabalho técnico primoroso em todos os sentidos, desde a sua mixagem até mesmo o lançamento dos clipes. E, claro, o álbum também triunfa criativamente ao buscar as influências certas e, principalmente, criar um trabalho com personalidade talhada com maestria.

Quando estava ouvindo o trabalho, tive uma epifania: o álbum é o The Fame Monster da Rebecca Black. Explico: os trabalhos são uma versão aprimorada, excêntrica e estilizada do que as duas artistas apresentaram anteriormente devido à aprimoração/aprofundamento de uma sonoridade eletropop/dance-pop em que são injetados novos elementos como house, EDM, hyperpop e outros gêneros. Claro, guardando as devidas diferenças criativas (o trabalho da Gaga foi um EP/deluxe, por exemplo) e de qualidade, os dois trabalhos navegam em águas parecidas, especialmente devido a como ambas são pensadas e construídas. E isso deve ser creditado à produção, que conta principalmente com o nome Nightfeelings, mas também Oscar Scheller, Marcus Andersson, entre outros. Nunca, porém, Age of the Exhibitionist quer “copiar” ninguém, mas, sim, a produção busca e encontra a personalidade que case perfeitamente com a persona da Rebecca.

Um dos exemplos sobre essas qualidades do álbum é a presença da ótima Hot Wet Delirious, ao ser “sexy, áspera e grudenta electropop que incorpora elementos de club music, R&B e dance-pop; a canção apresenta uma das mais interessantes construções instrumentais da carreira da artista devido às quebras de expectativas que vão sendo adicionadas ao longo da sua duração. E a melhor de todas é a que diferencia a batida do pré-refrão em relação ao refrão, pois dá toda uma textura diferenciada para a canção, que a faz ter ainda mais profundidade estética e sonora”. Todavia, a canção não é exatamente o “peak” de Age of the Exhibitionist.

Miss Delicious é estranha, hilária, sexual, despretensiosa, suculenta, cativante e inteligente mistura de hyperpop com club, experimental, dance-pop e EDM. Sinceramente, a canção é tão refrescante que não consigo ver ninguém atualmente sendo capaz de entregar exatamente o mesmo nível de excentricidade pop em uma canção tão deliciosa. Talvez a Kim Petras, mas a produção aqui adiciona camadas e texturas que deixam a canção muito distinta e com uma persona ideal para a Rebecca. E assim também foram as canções que The Fame Monster fez na sua época de lançamento. Sonoramente, porém, a canção que mais se aproxima é a batida incrível e convidativa de Corsetry, que bebe na mesma fonte do eletrônico/dance-pop de, por exemplo, Monster e Dancing in the Dark.

É preciso apontar outro ponto importante para o resultado positivo do álbum: a presença da Rebecca. Não que a cantora tenha a melhor voz do mercado ou coisa parecida, mas é evidente que a mesma evolui muitíssimo desde os tempos de Friday e entrega aqui uma coleção dinâmica, carismática e potente de performances que seguram todas as canções, sem, de maneira alguma, irem do eficiente para o sensacional.

E um dos melhores momentos é na canção que meio que diretamente faz alusão à Gaga em Michael. em que a mesma “entrega uma performance vocal edificante, em que mostra sensualidade e um toque de humor enquanto seu timbre vai emoldurando graciosamente toda a canção”. Outro momento inspiradíssimo do trabalho que precisa ser citado é a envolvente eletropop/dubstep/techno Metamorphia, especialmente devido às texturas que a produção cria para o espetacular instrumental.

Age of the Exhibitionist é um dos trabalhos mais divertidos e sinceros de 2026, ajudando a solidificar a Rebecca Black como uma verdadeira força pop. E que precisa ser mais reconhecida como tal urgentemente.



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