Jessie Ware
Apesar de ser figura carimbada aqui no blog ao longo dos anos e receber as merecidas aclamações, a história da Jessie Ware no blog tem um momento que precisa ser reparado: a resenha de Spotlight. Na época do lançamento, dei um ótimo 8 para a canção, mas isso foi injusto demais, já que a faixa merece muito mais devido a ser, sem nenhuma dúvida, uma das melhores dos dezoito anos do blog.
Lançada como primeiro single do já lendário What's Your Pleasure?, a canção foi a responsável por iniciar a nova fase da carreira da cantora ao seguir uma direção sonora mais pop/post-disco/eletrônica. Além disso, foi o ponto de mudança da percepção do público em relação à artista, levando-a para um novo e merecido patamar de reconhecimento do público e da crítica. Mesmo elogiando a canção, só tive noção da magnitude da produção assinada por James Ford ao longo dos anos, pois a faixa foi crescendo e crescendo de uma forma em que todo o brilhantismo só pudesse ser revelado, ao menos para mim, depois de um tempo e de uma certa distância das minhas primeiras impressões.
Épica, grandiosa e atemporal são as três principais e maiores qualidades da canção, mas elas não se limitam ao trabalho estupendo da sua construção. A inspiração é bem clara ao se apoiar em uma sonoridade disco dos anos setenta de nomes femininos como Diana Ross e Donna Summer, mas a produção adiciona doses cavalares e primorosas de soul, house, acid house, eletrônico e pop soul, criando uma batida esplendorosa, cativante, elegante e, principalmente, única. Sejamos sinceros: Spotlight é o tipo de canção que, até hoje em dia, é muito difícil de ouvir devido à sua maestria melódica e à sua personalidade sonora totalmente fora da curva. A canção tem mais de cinco minutos e meio de duração em uma produção lotada de texturas, camadas e nuances que vão sendo desenroladas ao longo de uma das mais exuberantes instrumentais do pop moderno. E tudo isso é sustentado pela genial performance da Jessie.
Até então, a cantora era conhecida pela sua voz sedosa, elegante e cativante, mas aqui tudo é elevado para outro patamar devido a como a sua voz casa magicamente com o estilo da canção, fazendo-a ganhar ainda mais força devido à sua presença acachapante. Na verdade, a performance de Jessie é a cola que une todos os elementos, pois, ao mesmo tempo, sua voz dá todo o apelo emocional que se conecta de maneira direta com a atmosfera sonora e também vai transitando belissimamente por todas as mudanças que a canção apresenta, sendo as texturas colocadas ao longo da sua duração outro ponto importantíssimo para o resultado final. Por exemplo, a canção começa de maneira contida e quase como uma balada, em que temos um instrumental mais “clássico” como base para a voz da Jessie, e é como se um portão de ouro e diamante se abrisse para o paraíso. E a magistral composição fecha a trindade de maneira brilhante ao falar sobre desejo e paixão da maneira mais sofisticada, fina, envolvente e de um senso pop perfeito.
Spotlight é uma das canções mais importantes da década, pois foi o estopim inicial para a onda disco/eletrônica que dominou boa parte do pop nos últimos anos. Além disso, é a canção que fez Jessie Ware se tornar uma força pop merecidamente reconhecida. Então, nada mais justo que a nota seja a mais perfeita possível.
nota: 10

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