29 de setembro de 2026

2 Por 1 - Yseult

ONE MORE TIME
SUPERSTAR
Yseult

Completamente fora do radar de muitos, Yseult vem entregando o que considero uma das melhores sequências de singles de 2026. Depois de Now or Never e, especialmente, Freak, a cantora entrega duas novas e excepcionais canções: One More Time e Superstar.

As duas canções seguem literalmente o mesmo caminho ao serem recriações/homenagens/celebrações a sonoridades pop/R&B dos anos oitenta, sem soar em nenhum momento como datadas, cópias ou pastiches. E também a estrutura dos lançamentos é igual: uma canção dançante e uma no estilo balada. Com isso, o resultado é praticamente igual: as duas canções são ótimas, mas a de pegada dance se destaca mais. Estou falando, nesse caso, da genial Superstar.

A canção é simplesmente um diamante lapidado, ao ser uma excitante, contagiante, elegante e magistral reverência a um R&B dançante com toque de funk, pop rock e new jack swing que remete aos trabalhos da Janet Jackson, especialmente na era Rhythm Nation. Todavia, a produção não fica limitada a um artista só, ao expandir influências para nomes como Grace Jones, Michael Jackson e Chaka Khan, sendo citada nominalmente no refrão da canção. E, em nenhum momento, a canção soa como algo que não seja completamente original devido à inteligência da produção e à performance avassaladora da Yseult, mas o grande toque de gênio da canção é a sua composição.

O single é sobre se tornar uma estrela do pop, mas sabiamente prestar devidamente as homenagens e dar as flores para quem pavimentou o caminho. É uma letra que flerta com o piegas, mas sai desse lugar lindamente devido à criatividade e à forma limpa, direta e esperta de como a mesma foi construída. Além disso, as introduções temáticas feitas são o ponto de destaque, pois dão novas camadas para a canção. A primeira é o “interlúdio” de um discurso que mira a cultura Ballroom ao introduzir a cantora como a nova “mother”, como em um verdadeiro “ball”. E o segundo, e o toque de gênio, é o sample do “discurso” de uma das pioneiras do Ballroom, Crystal LaBeija, no clássico documentário The Queen, do final dos anos sessenta. É algo que acrescenta novas texturas e uma significação para a canção que não teria o mesmo impacto sem essa decisão.

Apesar de menos impactante, One More Time é um trabalho que continua a revelar a qualidade da construção sonora da atual fase da artista. Uma balada R&B/soul/pop soul que claramente se inspira em nomes como a já citada Chaka Khan, com também notórias semelhanças com Anita Baker e Patti LaBelle. Acredito que o que não faz a canção ser melhor é o fato de não se aprofundar liricamente e também terminar de uma forma um pouco abrupta, que deixa um gosto leve de inacabado. E, mesmo assim, a canção ainda é um trabalho com forma bem definida e que cumpre bem a sua intenção inicial.

Caso ainda não tenha escutado nenhuma das canções lançadas pela Yseult, sugiro que corra atrás do tempo perdido, pois estamos diante do que já é um trabalho com ares de ser um cult classic.
notas
ONE MORE TIME: 8
SUPERSTAR: 9

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