Arlo Parks
Nos últimos tempos, surgiu uma espécie de “tendência” que é artistas incursarem em sonoridades para dar a sua visão sobre as mesmas. Por exemplo, a visão da Beyoncé sobre o country ou da Charli XCX sobre o rock. Como dá para notar com esses exemplos, os resultados podem ser variados, mas são sempre interessantes. Em Ambiguous Desire, a britânica Arlo Parks dá a sua visão sobre a música eletrônica. E, mesmo não sendo genial, o trabalho é mais do que apenas interessante.
Terceiro álbum da carreira da artista, o trabalho dá essa guinada ao introduzir mais fortemente elementos de música eletrônica e alguns subgêneros como, por exemplo, 2-step e UK garage para incrementar a sonoridade alt-pop/R&B contemporâneo/bedroom pop da artista. Não é exatamente uma mudança drástica, pois esses novos elementos conversam muito bem com o que a Arlo já tinha entregado nos dois álbuns anteriores. Todavia, existem, sim, novas texturas e nuances que são ouvidas bem facilmente no álbum, criando um amálgama vistoso de como introduzir uma nova visão à sua sonoridade e conseguir criar algo que realmente seja o resultado dessa fusão. E o responsável por isso é o produtor Baird Acheson que, apesar de algumas colaborações, é o principal responsável por todas as faixas.
A sua mão pode não se aprofundar como poderia e deveria, pois acho que Ambiguous Desire peca ao não explorar de maneira mais experimental todos os elementos, novos ou velhos, que são dispostos no álbum, deixando o resultado conservador para algo que poderia ser ousado. Todavia, não tem como não negar que o mesmo conhece bem a persona sonora da Arlo e consegue misturar muito bem tudo em um álbum coeso, fluido, luminoso e simpático do começo ao fim. E um dos melhores momentos do álbum representa muito bem essa sensação em 2SIDED: "a canção representa uma mudança bem interessante em relação ao que eu lembrava da cantora, ao partir para uma competente construção de alt-pop com influências de drum and bass e house. Não é nada revolucionário, mas funciona de maneira tão azeitada que nos envolve completamente".
Ambiguous Desire é também outra plataforma muito boa para que Arlo possa continuar a evoluir a sua sempre cativante lírica, que consegue abordar temas complexos de uma forma leve, mas sempre com sentimentos honestos, construções gramaticais inspiradas e nada complexas e, portanto, nada pretensiosas. Em Get Go, a composição mostra "uma criatividade genuína que combina simplicidade cativante com uma emoção direta e tocante. Na canção, Arlo narra as dores de curar um coração partido ao reencontrar uma ex e tentar manter algum tipo de amizade. Com uma honestidade delicada, mas pungente, ela consegue expressar sentimentos complexos sem recorrer a grandes floreios líricos". Outro momento de destaque no álbum é a etérea, cadenciada e delicada Heaven.
Ambiguous Desire é uma visão contida, mas que é feita com esmero e deixa bem ressaltado o talento da Arlo Parks.


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