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4 de maio de 2025

Uma Segunda Chance Para: Havana

Havana (feat. Young Thug)
Camila Cabello

Não sou exatamente fã da carreira de Camila Cabello. Nada contra a cantora, mas durante sua trajetória, poucos trabalhos seus realmente tiveram um impacto positivo em mim. Com o passar dos anos, porém, um de seus trabalhos envelheceu melhor do que eu esperava. E essa canção é seu maior sucesso: Havana.

A música não é sensacional, mas, ao analisá-la mais de perto, revela-se uma mistura cativante, solar, sensual e grudenta de latin pop, hip hop, bolero, trap e R&B. Apesar de ser sonoramente rasa, Havana é extremamente divertida. O grande trunfo da faixa é sua interessante instrumentalização, que eleva todo o material graças à criatividade da produção, aproveitando bem todas as influências para criar uma cápsula pop perfeita.

A performance de Camila é outro ponto forte. Apesar de não ser exatamente a mais completa das cantoras, a então recém-saída do Fifth Harmony domina a canção com segurança, entregando uma performance sólida e bem conduzida. No entanto, Havana perde força devido à presença pouco inspirada do rapper Young Thug, cuja participação soa completamente deslocada e sem graça. Se Bad Bunny, que na época estava começando a despontar, tivesse participado, poderia ter feito uma diferença artística significativa. Outro problema é a composição mediana, que conta com um bom refrão, mas não justifica a presença de incríveis dez compositores, incluindo Pharrell Williams. No final das contas, Havana é melhor do que eu lembrava, e fico feliz em revisitá-la de tempos em tempos.
nota: 7

30 de maio de 2024

Melhor Que o Esperado

HE KNOWS
Camila Cabello & Lil Nas X


Tenho que admitir que não esperava nada do novo single da Camila Cabello, especialmente devido ao resultado desastroso de I LUV ITI. Então, eis a minha surpresa ao ouvir HE KNOWS que é um avanço imenso em relação a canção anterior. Isso não quer dizer, porém, que a parceria com o Lil Nas X seja realmente boa.

Acredito que a principalmente razão para a canção funcionar de alguma forma é que existe uma coesão sobre o que a produção quer fazer aqui sonoramente e não tendo texturas e nuances que parecem “colagens mal feitas e sem sentido”. Ainda falta uma cola para que tudo possa realmente seja aproveitado de uma maneira que faça HE KNOWS realmente ser uma canção completa, mas essa mistura de dance-pop com R&B, latin pop, uk garage e aforbeats é aproveitável com uma batida que consegue algum efeito de diversão quando bem lapidada. E isso acontece principalmente com o o começo do verso do Lil Nas X. Na verdade, gostaria de ter ouvido o rapper mais tempo, pois o mesmo dá personalidade para a canção enquanto a Camila entrega um trabalho meio sem força, mas solido da canção. Se tivesse uma produção que com menos truques nas mangas e mais foco, a canção poderia ser um trabalho louvável. Mesmo assim é melhor que a bomba atómica anterior.
nota: 6

31 de março de 2024

Divida de Jogo

I LUV IT (Ft. Playboi Carti)
Camila Cabello

Se existe alguma música que entra facilmente na categoria de “isso é dívida de jogo” é o single retorno da Camila Cabello na horrível I LUV IT.

Sinceramente, ouvir a canção é quase uma tortura devido a ser praticamente um amontoado de sons que deveria ter algum de conexão, mas parecem apenas colagens mal feitas e sem sentido. E isso é um espanto porque quem produz a canção é o El Guincho que tem no currículo apenas a produção de El Mal Querer e MOTOMAMI da Rosalía. Ao tentar ser um hyperpop/eletropop descontruído, a canção se perde em um oceano de mediocridade devastadora que nada consegue chegar perto de ser ao menos decente. A composição é simplesmente podre de tão genérica e irritante enquanto a presença da Camila parece ser feita por I.A. E quando o ponto alto da canção é a presença moribunda do rapper Playboi Carti é para ter certeza que não há salvação para essa bomba atômica.
nota: 3



8 de março de 2022

Meh Meh!

Bam Bam (feat. Ed Sheeran)
Camila Cabello

Preparando para lançar o seu terceiro álbum (Familia), a Camila Cabello lança a sua melhor canção dessa nova era em Bam Bam. O problema é que a canção parece uma decisão completamente errada.

Seguindo o caminho de criar uma sonoridade latina para o álbum, Bam Bam é uma simpática e redondinha mistura de latin pop, salsa e reaggaeton que não é o suprassumo e muito menos uma bomba. O grande erro é a participação de Ed Sheeran. O britânico não combina em nada com a atmosfera da canção, deixando ainda mais claro a vontade de ser apenas uma canção para inglês ver, isto é, apenas para surfar na onda do sucesso desse tipo de canção. Além disso, Camila e Ed não tem nenhum tipo de química mais caliente que seria necessário para dar o tom de Bam Bam. Acredito sinceramente que o Maluma seria o par perfeito para tirar a canção de ser apenas meh!.
nota: 6

30 de julho de 2021

Desconexão

Don’t Go Yet
Camila Cabello


O que aconteceu com a carreira da Camila Cabello? Depois de um inicio promissor para um segundo álbum completamente esquecido, a cantora vem sofrendo de escolhas pessoais e artistas completamente equivocadas como é o caso de Don’t Go Yet.

O pior de Don’t Go Yet é o fato que a canção teria tudo para ser uma ótima canção, mas perde a chance devido a decisões completamente equivocadas. Parece haver uma desconexão entre composição e vocais com a batida latin pop/salsa pop. Ao sair do atual lugar comum da latin music, a produção acerta em uma divertida e mais tradicional batida que chega a realmente empolgar na sua parte final ao desaguar totalmente em uma batida latina. Entretanto, a pobre composição não chega realmente a acompanhar esse clímax e, principalmente, a performance de Camila é especialmente pobre. Em especial, no segundo verso a cantora parece estar entoando outra canção devido a mudança de ritmo realmente inexplicável. E para piorar a situação vem a primeira performance de Don’t Go Yet com a acusação que fizeram brown face em um dos dançarinos brancos para jogar a última pá de cal em cima das pretensões de voltar por cima da Camila Cabello.
nota: 5,5

11 de setembro de 2019

2 Por 1 - Camila Cabello

Liar
Shameless
Camila Cabello

Apesar de não ter acredito no começo da sua carreira solo, a Camila Cabello virou uma potência musical considerável que já contabiliza dois números um na Billboard, alguns milhões de cópias vendidas e alguns recordes de streamings e visualizações.  Agora, porém, chegou o momento mais complicado e decisivo da sua recente carreira: o segundo álbum. É nessa era que a cantora irá provar se é capaz de se manter relevante comercialmente e, principalmente, se mostrar amadurecida artisticamente. Os sinais que chegam dos dois primeiros single do álbum Romance, Liar e Shameless, não poderia ser mais contraditórios.

Começo pelos sinais negativos que estão em Shameless. Tentando mostrar que tem mais para oferecer que apenas canções pop como já tinha tentando na Never Be the Same, a cantora entrega uma confusa e estranha mistura de pop rock com eletrônico e toques de punk pop que mais parece alguma canção da Halsey. E, sejamos sinceros, soar como a Halsey não é exatamente uma coisa que ajuda nem a própria Halsey, imagina com a Camila Cabello que não tem a força vocal suficiente para segurar uma canção com tamanho estofo instrumental. Por isso, a performance da cantora soa estridente e, várias vezes, inadequada para o alcançar o nível que a canção precisa. O ponto positivo é a boma e madura composição, mas que se perde no meio de tanta equívocos. Felizmente, Liar se apresenta como um contraponto muito bem vindo. 

Continuando a mostrar as suas origens latinas, Camila mostra que a música latina é muito mais ampla que o que é comum atualmente no maisntream. O single é uma divertida, bem produzida e cativante mistura de latin pop com ska e leves toques de flamenco que remetem diretamente para uma sonoridade popularizada nos anos noventa. Sexy na medida certa e com um refrão viciante, Liar é o tipo de canção que ajuda a Camila a demonstrar de verdade a sua evolução já que a faz de forma orgânica e despretensiosa. A composição poderia ser melhor? Sim, mas é o suficiente para dar a oportunidade da cantora de brilhar vocalmente, deixando o seu delicado timbre dominar a canção de forma natural. Agora é saber como a cantora irá pender para o lançamento do segundo álbum. Acredito que não tenha dúvidas de qual lado prefiro.
notas
Liar: 7
Shameless: 5,5

3 de julho de 2019

Na Segunda Chance

Señorita
Shawn Mendes & Camila Cabello

Persistir no erro é burrice, mas persistir e concertar o erro é uma dadiva dada para poucos. Depois de contribuírem na péssima I Know What You Did Last Summer em 2016, Shawn Mendes e a Camila Cabello acertam com o lançamento da surpreendente Señorita.

A primeira coisa que se pode notar claramente na canção é a nítida e quase tocável química entre os dois artistas. Sensual e, ao mesmo tempo, delicada, a parceria de Shawn e Camila é o que dá sustentação para a canção Señorita se tornar uma das candidatas a hit do verão americano. Claro, a produção ajuda bastante ao entregar uma cativante e envolvente latin pop que lembra levemente Maria, Maria, mas que encontra a sua personalidade nas mãos de seus interpretes. Com uma composição romântica/sensual leve e quase inofensiva, Señorita é um acerto inesperado, porém, muito bem vindo.
nota: 7,5

4 de junho de 2018

Havana Parte 2

Sangria Wine
Pharrell Williams x Camila Cabello

Já que a carreira da Camila Cabello começou bem, apesar de não achar que o primeiro álbum dela seja bom, é chegado o momento de pensar no mais difícil: a estabilização. Um passo importante e complicado em que a jovem já deu inicio de forma interessante com Sangria Wine ao lado do Pharrell Williams.

Sangria Wine é levemente melhor que Havana, principalmente devido a produção mais estilosa do Pharrell ao lado da própria Camila, mas não melhora essa sensação de ouvirmos uma boa ideia presa em uma realização clichê e repetitiva. A mistura de latin pop, salsa e R&B é bem interessante e tem algumas nuances até bacanas. O que não ajuda a canção é o fato da sonoridade parecer algo requentado, não tendo nada de novo exatamente para acrescentar. Além disso, a composição pseudo sexy é tão fraca e boba que apaga o brilho do seu ótimo nome, pois Sangria Wine deveria ser um nome de um verdadeiro prazer culposo. Outro ponto não tão bom é a falta de química entre Camila e Pharrell que não ajuda muito a canção, apesar da boa performance do rapper. Levemente melhor é realmente o resultado de Sangria Wine. 
nota: 6

11 de dezembro de 2017

Erro Estratégico

Never Be the Same
Camila Cabello

Quem diria que a Camila Cabello iria hitar na carreira solo? O surpreendente sucesso comercial de Havana vem ajudando a ex-Fifth Harmony a construir a sua história como cantora, mas isso pode ser ofuscado devido a escolha do seu próximo single a ruim Never Be the Same.

Assim como um monstro criado em laboratório, a carreira de Camila parece está sendo criada juntando parte completamente diferente uma das outras. Depois do latin pop do single oficial, Camila aposta em um indie pop/eletropop mid-tempo que, sinceramente, não faz sentido algum em nenhum aspecto. Claramente, Never Be the Same não é uma canção comercial como a anterior e nem tem aquela qualidade de possível sucesso alternativo já que o resultado final é abaixo da média devido a uma produção confusa e quase medíocre. Arranjo fraco, clichê e pouco inspirado, parecendo uma canção descartada pela Halsey ou coisa que valha. Composição sem graça e com um refrão pouco inspirado, Never Be the Same pode até melhorar na parte final, mas nada salva esse desastre. Até mesmo Camila mostrando versatilidade ajuda, pois as escolhas vocais são muito questionáveis. Errar com uma música com Never Be the Same pode ser aceitável, mas lançar como single depois de um sucesso é querer não mais fazer sucesso.
nota 4,5

7 de agosto de 2017

2 Por 1 - Camila Cabello

Havana (feat. Young Thug)
OMG (feat. Quavo)
Camila Cabello

Construindo a sua carreira solo, a Camila Cabello vai de pouquinho a pouquinho distanciando da sua imagem como integrante Fifth Harmony. Isso é um fator positivo. O que não está acontecendo de verdade é a cantora acertar nos seus lançamentos de forma completa. Vejamos os casos das duas canções lançadas recentemente.

Havana é a, sem dúvida nenhuma, a mais original canção que a cantora já participou. Ao investir pesado no latin pop, Camila acerta em regatar as suas origens assim como a produção que usa como principal influência para a construção da canção ritmos como salsa e rumba. Até a coisa vai até bem, mas Havana falta o que precisaria ter de sobra: fogo. A canção é cadenciada demais, mid-tempo demais e não encontra o ponto ideal para aproveitar toda a sua ideal original. Talvez querendo criar uma vibe comercial, combinando com a presença deslocada do rapper Young Thug, a produção parece esquecer que Camila precisa de canções que geram impacto verdadeiro e, não, apenas seguir tendências para ver se cola a canção. Infelizmente, OMG ajuda a aprofundar essa percepção.

Aqui nem existe a parte latina para ajudar a criar alguma personalidade própria para Camila. Sim, essa pop/eletropop com pesada pitadas de trap music tem uma atmosfera bem diferente das canções de quando Camila era parte da girl group, mas OMG é construída em todos os clichês do gênero  e não deixa espaço para nenhuma ousadia. Pior ainda: Camila em nenhum momento aqui ou em Havana passa a impressão de ter vocais que possam falar "ei, eu sou Camila Cabello e essa é uma música minha!". Não que ela entregue performances ruins, mas parecem todas passadas pelo moedor de carne com tempero de auto-tune e sensualidade. Ainda há tempo de recuperar essas primeiras impressões geradas nessas primeiras canções, mas por enquanto a carreira de Camila Cabello está sendo muito barulho por nada. Ou melhor: quase nada.
Havana: 6
OMG: 5,5

29 de maio de 2017

SiaIsh

Crying In the Club
Camila Cabello

Ao lançar o seu primeiro single como artista solo, Camila Cabello, ex-Fifth Harmony, prova que até tem condições de ter uma carreira própria, mas ainda precisa descobrir uma coisa muito importante: quem é Camila Cabello?

Crying In the Club é uma boa pop/dance com ares de EDM que parece muito com o trabalho recente da Sia. Na verdade, parece tanto que a canção foi co-escrita pela própria Sia ao lado da própria cantora, Benny Blanco, Cashmere Cat e Happy Perez, sendo esses três últimos produtores da mesma. O problema de soar como alguma canção da Sia não é exatamente um problema, pois Crying In the Club é uma "imitação" até decente e ainda tem algo de Christina Aguilera em Genie In a Bottle que até pensei que fosse uso de um sample. O problema, na verdade, é que a Camila Cabello parece mais uma garota que gravou um cover no YouTube e, não, uma artista com uma gravadora e nomes de sucesso por trás. Felizmente, a cantora até segura bem a canção, apesar de não ter uma personalidade realmente destacável e a composição é bem feitinha, lembrando a temática da genial Dancing On My Own. Agora é esperar para descobrir se a Camila vai virar ela mesma ou outra cantora pop para emplacar a sua carreira solo.
nota: 6,5

26 de janeiro de 2016

Uma Confusão de Dueto

I Know What You Did Last Summer
Shawn Mendes & Camila Cabello

Com a ascensão do Shawn Mendes nos últimos messes, não é de se espantar que o seu debut álbum Handwritten tenha sido relançado. Como single foi lançada a mediana I Know What You Did Last Summer.

Depois de bons lançamentos como StitchesLife of the Party, I Know What You Did Last Summer vem para mostrar que Shawn ainda precisa de algumas lapidações. Apesar da boa intenção por trás da canção ao querer ser uma "conversa", a canção tem uma estrutura confusa para uma música ao intercalar de maneira estranha as partes de Shawn e da cantora Camila Cabello (integrante do Fifth Harmony). Qualquer força que a canção poderia ter se perder nessa escolha errada. Além disso, a produção faz apenas o básico em um pop mid-tempo com base de violão. Apesar da confusão, Shawn Mendes ainda está no lucro na sua carreira. 
nota: 5,5