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4 de setembro de 2026

Uma Nova Mulher

Bass Persuades
Miley


Depois de entregar o melhor trabalho da carreira em Something Beautiful, a Miley (agora sem o Cyrus) está de volta para, possivelmente, reconquistar o território comercial perdido. E, como single do novo álbum, foi lançada a canção que dá nome ao trabalho: Bass Persuades.

Apesar de parecer meio que ter as mesmas bases sonoras do álbum anterior, o single é claramente uma versão mais radiofônica e vendável, ao ser um divertido e dançante electropop/electro house com um acabamento elegante e classudo. A produção deixa claro que essa é uma Miley pop, mas é um pop maduro e muito bem pensado. Talvez a produção não acerte ao não dar para a parte final algo mais grandioso, deixando o clímax final meio linear, sendo que poderia ser algo realmente épico. Isso não é um grande problema, pois a canção funciona de maneira bem azeitada e com o fator “chiclete” que vai grudando aos poucos.

Além da produção, o outro destaque é a composição interessante, que parece discutir o fato de a geração atual estar perdida devido ao consumo intenso das novas tecnologias, sem ter espaço para viver de verdade. Também parece apontar para certo crescimento do conservadorismo nessa geração. É uma boa letra que tem um refrão bem convincente que poderia, porém, ser um pouco mais lapidado em alguns momentos, especialmente no segundo verso. E, por fim, Bass Persuades também é a continuidade da demonstração de como a Miley evolui como cantora, ao entregar uma performance versátil e segurar perfeitamente a canção.

Espero que essa nova era da Miley possa reunir o que a mesma mostrou de melhor artisticamente com todo o seu potencial comercial. E isso seria realmente incrível.
nota: 8

19 de abril de 2026

Nostálgica

Younger You
Miley Cyrus


Comemorando vinte anos da série Hannah Montana, a Miley Cyrus lançou um especial para celebrar a marca do que a fez se tornar a estrela que é atualmente. E, como tema, divulgou a sentimental Younger You.

Apesar de eu não cair pela nostalgia do evento, pois nunca assisti à série, é preciso dizer que a canção ajuda a criar uma ótima atmosfera para entendermos o olhar para o passado da Miley. Uma balada country pop/indie folk, a canção é o tipo de música que funciona devido à sua sincera e tocante produção, que não tem a pretensão de ser mais do que realmente é.

E, nesse caso, é ser uma ponte entre a artista atual e aquela que ela era quando estava na série anos atrás. Isso é alcançado sem maiores problemas, especialmente devido à sua composição realmente emocionante, em que a versão mais nova conversa com a Miley do agora. É clichê e simples, mas muito bem escrita, já que parte de um lugar realmente verdadeiro. Tudo se fecha com uma performance inspirada e contida da cantora, que dá os arremates finais à canção. Uma música que exala uma nostalgia tão real que fica impossível não gostar.
nota: 7,5

16 de novembro de 2025

Um Oscar Para Miley - Parte 2

Dream As One
Miley Cyrus


Depois de falhar em conquistar uma indicação ao Oscar neste ano, Miley Cyrus está de volta à corrida com a boa, mas clichê, Dream As One.

Tema do filme Avatar: Fire and Ash, a canção é uma balada pop rock que tem cara de tema de filme arrasa-quarteirão, como é a franquia Avatar, com seus prós e contras. Mais comercial e vendável que Beautiful That Way, mas menos inspirada, a canção tem como grande qualidade a performance segura da cantora, que consegue imprimir personalidade por saber usar o seu timbre.

Outra boa qualidade que também ajuda Dream As One a ficar acima da média é uma estética que parece casar a atmosfera de The Climb com a sonoridade mais recente da cantora, dando certa personalidade. O que falta de personalidade é claramente a composição, escrita pela cantora ao lado de Mark Ronson e Andrew Wyatt, que encaixa perfeitamente todos os boxes desse tipo de canção sem adicionar nada interessante.

Se fosse em outros anos, eu até poderia afirmar que Miley estava no caminho certo para uma indicação ao Oscar, mas em um ano tão concorrido ela deve ficar mais na categoria de azarão do que na de concorrente de verdade.
nota: 7,5

21 de setembro de 2025

O Flop Genial

Secrets
Miley Cyrus, Lindsey Buckingham & Mick Fleetwood

Continuando a sua melhor era, Miley Cyrus lança a versão deluxe de Something Beautiful com o single Secrets.

Com participação no instrumental de Lindsey Buckingham e Mick Fleetwood, lendários integrantes do Fleetwood Mac, a canção é um classudo, maduro, lindo e cativante soft rock com elementos vintage que nunca chegam a soar datados. É uma bela reverência ao gênero feito nos anos 70 e 80, especialmente pelo próprio Fleetwood Mac. Com um instrumental impecável, Secrets é o veículo perfeito para Miley, que entrega uma performance apaixonada e vigorosa, em que seu timbre distinto funciona como a cereja do bolo. Liricamente, a faixa segue a mesma linha das demais canções do álbum: simples e direta, mas com um cuidado emocional notável e de impacto claro. É uma pena que a melhor era de Miley também seja um flop, mas um fracasso com essa imensa qualidade é para poucos — e isso, sem dúvidas, é algo invejável.
nota: 8,5

25 de maio de 2025

Flop Glorioso

More to Lose
Miley Cyrus

Acho que já podemos afirmar que a nova era da Miley Cyrus será comercialmente um flop, mas artisticamente um triunfo. E isso fica ainda mais certo com o lançamento de More to Lose.

Single promocional de Something Beautiful, a canção é uma lindíssima, emocional e tocante balada indie pop/soft rock em que podemos ouvir com clareza o timbre da Miley quando a mesma encontra o veículo perfeito para refletir seu distinto timbre e todo o seu alcance vocal. A parte inicial da canção, quando a cantora entoa os primeiros versos, é algo realmente arrebatador, pois a maneira contida e melancólica que ela dá à sua performance é impressionante e marcante. Mesmo sem o mesmo impacto emocional, Miley carrega perfeitamente o clímax mais intenso da canção. Liricamente, More to Lose é uma madura crônica sobre o fim de um relacionamento, mas que ainda existem motivos para continuar, mesmo sabendo de todos os problemas. Não é uma letra que gruda na mente como, por exemplo, em Flowers, mas é um trabalho que mostra o quanto refinada se encontra a cantora. É um flop, sim, mas é um flop com pedigree.
nota: 8

13 de abril de 2025

3 Por 1 - Miley Cyrus

Prelude
Something Beautiful
End of the World
Miley Cyrus

Depois de uma era de imenso sucesso, mas de qualidade apenas mediana, a Miley Cyrus está de volta com o que parece ser a sua consagração artística definitiva.

Preparando para lançar o seu nome álbum intulado Something Beautiful, a cantora lançou dois singles promocionais e um single oficinal para apresentar o que dever ser a sonoridade da sua nova era. E, queridos leitores, a cantora deixou claro que está pronta para ser elevada a um outro nível artisticamente. Nessas três canções é possível notar que a cantora está na sua fase mais madura, experimental e refinada da sua discografia ao entregar três canções completamente diferentes uma da outra, mas que conversam perfeitamente entre si e tem uma ótima fluidez sonora. Começa com Prelude que é literalmente o preludio do álbum, mas apresenta uma estrutura muito bem definida que deixa claro a intenção sonora da Miley. A canção apresenta um instrumental intenso e grandioso que cria um clima intenso ao misturar eletrônico, art pop e experimental, sendo emoldurado pela cantora falando os versos como um poema. A canção poderia ser realmente excepcional se fosse maior, pois a sua curta duração a impende de ir mais profundo na sua excepcional construção. Entretanto, cumpre com louvor a função de ser a introdução da nova era da cantora. Então, surge a sensacional e excêntrica Something Beautiful que dá nome ao álbum.

A canção começa como uma delicada e suave balada pop soul com toques de jazz para se transformar no seu refrão em uma espinhosa e barulhenta art/ progressive rock que quebra todas as expectativas, voltando novamente para a sonoridade “calma” do começo ao voltar para os novos versos e mudar de novo na parte final dos refrões. Essa total mudança quase um susto quando a gente escuta da primeira vez que a gente escuta e pode afastar algumas pessoas, mas depois da segunda vez é possível entender perfeitamente a ligação sonora entre sonoridades tão diferentes que faz a canção funcionar bem melhor que o esperado, criando um verdadeiro joia na carreira da Miley. Entretanto, também para entender o motivo das duas canções serem promocionais e deixar como oficial a ótima End of the World.

Melhor single da cantora desde Midnight Sky, a canção é uma deliciosa, graciosa, madura e iluminada soft rock/pop rock com pinceladas de dream pop e synth-pop que continuar a mostrar a seguir o caminho mais profundo das canções anteriores, mas tem uma camada radiofônica brilhante. Todavia, a canção tem essa qualidade de realmente parecer ter saído do mesmo tecido sonoro, criando essa fluidez entres as canções que mostram bem nítido o caminho da Miley nessa nova era. E o grande ponto de ebulição das canções é a presença magistral da cantora, entregando uma sequencia de performances incríveis, versáteis e que as colocam no topo da sua carreira até o momento. Mesmo com o desempenho mediano do lançamento do single oficial, a nova era da Miley é algo realmente que será memorável. E assim espero.
notas
Prelude: 7,5
Something Beautiful: 8,5
End of the World: 8

5 de janeiro de 2025

Um Oscar para Miley

Beautiful That Way
Andrew Wyatt & Miley Cyrus


Está aberta a temporada de premiações do cinema e esse ano parece que será um ano feminino, pois as categorias mais celebras e esperadas envolvem mulheres. E uma delas é para melhor canção que pode ter a Miley Cyrus como uma das favoritas com a canção Beautiful That Way.

Tema do filme The Last Showgirl que marca o renascimento da Pamela Anderson, a canção é co-escrita pela Miley ao lado do Andrew Wyatt (que assina a trilha sonora do filme) e cantora Lykke Li. E tenho que dizer que fiquei realmente impressionado com o resultado de Beautiful That Way, mesmo que tenha que admitir que ao ter apenas três versos e apenas dois minutos e vinte tira certa força do resultado final. Felizmente, a linda e tocante composição aliada com a sóbria e belíssima performance da Miley compensa bastante. Todavia, a canção tem o seu ponto alto na adulta produção ao entregar uma balada indie pop com toques de big band primorosa. Caso realmente seja a hora da Miley ganhar um Oscar não será nada injusto.
nota: 8

9 de junho de 2024

Quase Um Mega Hit

II MOST WANTED
Miley Cyrus & Beyoncé

Acho que nesse momento já estamos acostumados com o fato da Beyoncé ter um padrão de comportamento após o lançamento dos seus álbuns ao desperdiçar canções que poderiam ser imensos sucessos devido a não divulgação “correta” das mesmas. Esse é o caso de II Most Wanted.

Uma das canções que mais teve destaque depois do lançamento de Cowboy Carter, a parceria com a Miley Cyrus poderia ter sido facilmente uma mega sucesso se tivesse sido melhor divulgada. E apesar disso, a canção ganhou ótimo destaque apenas usando a curiosa parceria e a sua qualidade para conquistar um sexto lugar na Billboard. Parte do álbum que defino como “Beyoncé mostrando como se faz country comercial”, II Most Wanted é uma graciosa, carismática, romântica e bonita balada country pop com uma pegada que consegue ser sonoramente simples, mas com um instrumental gracioso. A letra também tem essa mesma qualidade de não precisar de ser complexo para encantar, incluído o viciante refrão. Entretanto, o grande mérito da canção é a química inusitada da Beyoncé com a Miley que funciona bem melhor que a gente poderia imaginar para uma canção que envolve artistas tão diferentes. E é interessante notar que apenar de “dona da canção”, a Beyoncé dá espaço grande para a Miley, fazendo da canção realmente uma colaboração entre as duas, indo bem longe de uma mania atual em que artistas convidam outros para serem quase backvocal de luxo. E é uma pena que II Most Wanted não pode ter sido um sucesso ainda maior que é, pois poderia facilmente um dos maiores de 2024.
nota: 8,5

3 de março de 2024

O Fator Miley

Doctor (Work It Out)
Pharrell Williams & Miley Cyrus


Doctor (Work It Out), um descarte do álbum Bangerz e lançada agora com single, poderia ser uma musica sensacional se não fosse o trabalho preguiçoso da produção Pharrell Williams. O que salva aqui é a presença magnética da Miley Cyrus.

Apesar de tecnicamente bem produzida e com uma batida bastante fácil de escutar, a faixa é quase um compilado de outras canções que o produtor já fez como a mesma pegada dance-pop/funk pop. Bem feito, mas nada de novo e, principalmente, nada realmente excitante. O que salva a canção e dá um up para a canção é a ótima performance da Miley que eleva o resultado final de maneira clara e brilhante de verdade. Poderia facilmente ser um dos seus melhores momentos da carreira da cantora, mas nem sua presença realmente salva Doctor (Work It Out) de ser apenas mediana.
nota: 6



17 de setembro de 2023

Na Média

Used To Be Young
Miley Cyrus


Single do relançamento digital de Endless Summer Vacation, Used To Be Young é uma das melhores canções dessa era da Miley. Isso quer dizer que a canção é apenas boa.

Uma baladinha pop rock bem feita que poderia ser bem melhor, pois Miley já entrou melhores inclusive. Entretanto, a canção se destaca devido a sua inspirada e madura composição que mostra as conclusões de uma adulta depois de uma separação complicada. Sem ficar dando voltar no próprio rabo e mostrando emoção genuína, Used To Be Young é contemplada com uma bela e emocional performance da Miley que vai crescendo com a canção em um clímax que arremata tudo muito bem. O problema é o fato que a produção não dê mais corpo para a canção emoldurar toda essa força emocional. Uma pena. 
nota: 7

13 de janeiro de 2023

Miley Light

Flowers
Miley Cyrus

Acredito que depois do ótimo resultado artístico de Plastic Hearts, a Miley Cyrus tenha finalmente se comprovado como uma força pop de respeito. E é por isso que o começo dos trabalhos do álbum Endless Summer Vacation com o lançamento de Flowers seja um pouco abaixo do esperado.

Primeiro single do álbum, a canção é uma simpática, redonda, bem escrita e divertida mistura de pop, R&B e pop rock que fica a desejar no quesito de memorável. Faltou aquele “boom” para dar para a canção o verniz necessário para sair do bom para o ótimo. Talvez linear demais e sem uma ponte marcante, Flowers é realmente boa devido a sua ótima composição que narra a descoberta do amor próprio da Miley em relação ao “amor” do boy lixo. Especialmente o cativante refrão que poderia até ser mais explosivo que ainda funcionaria perfeitamente. Miley entrega uma performance admirável, conseguindo adicionar toda carga emocional e sabendo usar o distinto timbre para embelezar a canção. Flowers não é o bang que esperava, mas é um começo auspicioso para a nova era da Miley.
nota: 7


20 de maio de 2021

Uma Balada de Respeito

Angels Like You
Miley Cyrus


A carreira da Miley Cyrus será dividida antes e depois de Plastic Hearts. Apesar de não ser o de maior sucesso comercial, o sétimo trabalho da cantora finalmente mostrou todo o seu potencial com resultado realmente auspicioso. Como terceiro single foi lançada a ótima Angels Like You, uma verdadeira aula de como fazer uma power balada pop.

Sonoramente, Angels Like You não vai muito longe de ser uma power balada pop, mas é na perfeita execução que a canção ganha pontos necessários para brilhar. Misturada com rock, a canção tem uma instrumentalização muito bem cuidada que adiciona uma dose cavalar de força, criando uma atmosfera perfeitamente emocional para dar base para a sua composição. De uma sinceridade desconsertando, Angels Like You é do ponto de vista do responsável por cause os problemas em um relacionamento ao mostrar Miley assumindo a culpa por ser a causadora da dor de seu interesse romântico. Outro ponto de destaque é o ótimo refrão, pois consegue criar um momento que gruda na cabeça sem perder a força emocional. Mesmo que a cantora possa ter já começado uma nova era ao mudar de gravadora espero que essa qualidade possa continuar intacta para os seus novos trabalhos.
nota: 8


13 de dezembro de 2020

A Reinvenção de Miley Cyrus

Midnight Sky (Edge Of Midnight) (feat. Stevie Nicks)
Miley Cyrus

Vivendo o seu melhor momento artístico com a sua reinvenção surpreendente, Miley Cyrus continua seu auspicioso caminho com o lançamento do remix de Midnight Sky: Midnight Sky (Edge Of Midnight) é uma ótima e nostálgica mash up com a clássica Edge of Seventeen da Stevie Nicks. 

Sem soar forçada, a versão/remix é, provavelmente, a canção desse tipo que melhor consegue se sustentar por ser um passo orgânico em relação a versão original. Primeiramente, Midnight Sky tem samples de Edge of Seventeen que causa uma aproximação natural entre as duas canções. Em segundo, a canção mantém perfeitamente o espirito das duas canções sem fazer o clássico dos anos oitenta dominar ou ser deixado de lado ao ser usado apenas como uma isca. Na verdade, Midnight Sky parece ser completada com a adição de partes sonoras e líricas da canção de Stevie. E em terceiro e, provavelmente, o mais importante: a lendária cantora de rock realmente participa da canção ao regravar partes de Edge of Seventeen e gravar passagens de Midnight Sky. O encontro funciona com se fosse a união de velhas amigas em uma canção que une passado e o presente como um passar de tocha respeitoso, fluído e que ambas saem com maiores que entraram. 
nota: 8

A Reinvenção da Miley Cyrus: Segunda Parte

Prisoner (feat. Dua Pipa)
Miley Cyrus

Parece que é realmente oficial que a nova era da Miley Cyrus irá marcar a sua ascensão artística de forma definitiva. Depois da sensacional Midnight Sky e o seu remix tão bom quanto, a cantora se juntou com a Dua Lipa para entregar a excitante Prisoner. 

Confirmando que a persona roqueira é que dá os rumos para o álbum Plastic Hearts, Prisoner é uma envolvente, inteligente e lindamente produzida rock com forte e precisas pinceladas de post-disco. Conseguindo unir de forma eficaz as duas interpretes sem soar forçada, a canção mostra que Miley parece ter realmente encontrado o seu verdadeiro lugar sonoramente. A canção, porém, merece elogios não apenas sonoramente, mas, também, no quesito de saber dar espaço igual para as duas estrelas brilharem sem tirar o foco de quem é a dona de fato. Além disso, Miley entrega novamente outra performance vocal poderosa e com personalidade de sobra enquanto Dua faz a sua parte com louvor ao contrastar a colega com sua intepretação mais aveludada e sensual. O único problema da canção é a falta de um clímax poderoso para ser a base perfeita para encerrar a canção de forma grandiosa. Sem esse detalhe, Prisoner soa um pouco linear na sua parte final, deixando um gostinho levemente amargo. Entretanto, esse detalhe não impede do single continuar com louvor a jornada de reinvenção da Miley Cyrus.
nota: 8

15 de agosto de 2020

A Música de Uma Carreira

Midnight Sky
Miley Cyrus

Não que seja uma surpresa para os parâmetros de 2020, mas ver Miley Cyrus entregar a sua canção de toda a carreira até o momento em Midnight Sky é algo realmente surpreendente. E a canção não é apenas boa para os parâmetros da Miley e, sim, um verdadeiro acerto em todos os sentidos.

Apesar de caminhar em uma estrada já movimentada que é da nova onda da disco/post-disco, Miley adiciona em Midnight Sky uma dose generosa e suculenta de rock que claramente remete as divas dos anos setenta como Debbie Harry e, principalmente, Stevie Nicks. Dessa forma, Midnight Sky ganha não apenas personalidade diferenciada em relação ao que está sendo feito, mas, também, uma dose de ousadia que combina com a persona da Miley sem, porém, passar dos limites ou soar forçada. Midnight Sky soa incrivelmente orgânica, parecendo que a cantora sempre entregou esse nível de maturidade e sofisticação sonora. Outro fato de sucesso da canção é a ótima performance vocal de Miley. Sempre tive alguns problemas com o timbre da cantora e, primordialmente, como a cantora performance no limite entre o inteligente e o irritante. Dessa vez, porém, a presença de Miley é espetacular, sabendo impor as características do seu timbre nos momentos certos para realmente colocar a sua marca na canção. Além disso, Midnight Sky é uma empoderada expiação amorosa em que a artista parece colocar de forma honesta o seu ponto de vista em relação as noticias sobre os seus relacionamentos recentes. Espero que realmente a cantora siga esse caminho que parece estar se abrindo a sua frente. E que 2020 seja o ano das melhores surpresas do mundo pop.
nota: 8

15 de setembro de 2019

Don't Call Me Destiny

Don't Call Me Angel (Charlie's Angels)
Ariana Grande & Miley Cyrus & Lana Del Rey

O encontro de grandes divas para lançarem uma canção não é mais novidade nenhuma, mas ainda causa bastante burburinho quando feito de forma correta. A mais nova a realizar esse feito é a antecipada e inusitada parceria da Ariana Grande, Miley Cyrus e Lana Del Rey em Don't Call Me Angel (Charlie's Angels), tema do reboot de As Panteras. O problema é que a canção já tinha antes do nascimento uma grande barreira para vencer: a comparação com o tema musical mais famoso da franquia, o clássico moderno Independent Women das Destiny's Child.

Lançada em 2000, Independent Women foi o tema do primeiro filme de As Panteras com a formação com Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore e, também, a canção que consolidou o agora trio Destiny's Child como um dos maiores nomes da música do começa daquela década. Número um na Billboard e sucesso mundial, a canção foi a responsável por começar a criar a persona da Beyoncé perante ao grande público como uma verdadeira diva, pois a mesma é creditada como compositora e produtora da canção. Além disso, a canção é uma ótima, empoderada e marcante mistura de R&Be pop que marcou uma época. Então, Don't Call Me Angel (Charlie's Angels) já surge com essa dificuldade em tentar manter a mesma qualidade e importância que a sua "prima" temática. Em relação ao sucesso é ainda cedo para afirmar alguma coisa, mas em relação a qualidade já pode afirmar que a parceria com três dos nomes femininos mais importantes do pop atual está bem aquém do potencial artísticos das envolvidas, mesmo apresentando algumas coisas boas.

É necessário dizer que para uma canção que uni três artistas tão diferentes, Don't Call Me Angel (Charlie's Angels) é uma canção melhor que o esperado. Entretanto, o single está longe de sustentar tamanhos talentos devido a não saber como equilibrar cada personalidade. O grande problema da canção é que a mesma é, na verdade, uma canção da Ariana Grande que tem duas participações especiais e, por isso, a grande estrela aqui é a dona de Thank You, Next. E o estilo da canção até lembra a sonoridade da cantora, mas com uma aceleração da batida para criar um tem mais adequado para um filme de ação. A produção é até boa já que temos um dance pop bem feito, divertido e comercial que tem certa personalidade. Todavia, a canção não passa de ser apenas bem feito, deixando a desejar quem esperava algo impressionante e original. A maior prejudicada é a Miley Cyrus que faz o que pode com dois versos esquecíveis no meio dos refrões e estrofes cantados pela Ariana. E mesmo também sendo renega a uma estrofe com versos repetidos, Lana impõe o seu estilo e consegue roubar a cena em pouco tempo. Esse momento dá uma visualização do que a canção poderia ter sido se os estilos de cada fosse melhor trabalhados para criar uma canção realmente a altura dos talentos reunidos.
nota: 6,5

9 de setembro de 2019

Coisas da Vida

Slide Away
Miley Cyrus

Normalmente, uma canção reflete o estado de espírito/emocional de quem a escreve e, por isso, sempre é possível entender o que se passa na vida de um artista apenas ouvindo uma canção, criando uma conexão entre o que a gente está sentindo ou sentiu em algum momento. Existe uma linha fina, porém, que ajuda o público a separar o que é arte e o que é a vida do artista. E, claro, essa linha sempre está sendo atravessada, criando algum ruído que pode ou não ser bom. Felizmente, a Miley Cyrus cai na segunda posição com o lançamento da boa Slide Away.

Diferente da sonoridade básica apresentada no EP SHE IS COMINGSlide Away é uma bem estruturada mistura de dream pop com indie pop/rock que cria uma canção com personalidade, mesmo que não apresente nada realmente excitante em sua formação. A melhor parte da canção é conseguir balancear bem o lado comercial com o lado mais artístico em um batida bem trabalhada. A boa performance da cantora sem abusar de exageros e deixando o seu peculiar timbre brilhar ajuda a dar a uma das melhores letras que a cantora já tenha entoado: Slide Away é claramente sobre os problemas que a mesma enfrentava no seu casamento com o ator Liam Hemsworth que, antes do lançamento da canção, foi anunciado o seu término. Madura, melancólica e com um leve toque de esperança, a canção ajuda a dar uma nova esperança para o lançamento do próximo álbum da cantora se o resto das canções continuarem nessa mesma toada emocional/criativo.
nota: 7

30 de agosto de 2017

Indie Miley

Younger Now
Miley Cyrus

Ao "renascer em Cristo" na sua nova fase depois de ter despirocado geral, Miley Cyrus parece que irá entrar em um momento que, artisticamente, pode ser o seu melhor até agora. Depois da boa Malibu, agora é a vez da interessante Younger Now.

Com uma sonoridade que vai um pouco mais fundo no lado indie pop/rock de Miley, Younger Now é uma canção que poderia estar no catálogo de qualquer cantora de indie pop nos últimos anos. Lindamente instrumentalizada e com uma atmosfera "sonhadora" que combina perfeitamente com a mensagem que a cantora passa ao falar de maneira simples e contundente sobre o seu processo de descobrir quem é realmente a Miley Cyrus. Sinceramente, fazia um bom tempo que cantoras pop não eram tão desconcertante sinceras como a Miley e, também, a Kesha. Isso é um verdadeiro sopro de ar fresquíssimo em tempos tão difíceis. O que ainda a cantora ainda não acertou foi a sua maneira de cantora, pois o seu timbre pode soar irritante quando nas notas mais altas. Ainda assim, Younger Now é trabalho eficiente em apresentar melhor a nova Miley Cyrus.
nota: 7,5

13 de maio de 2017

Uma Virada de Mesa ou Um Tiro no Escuro Bem Dado

Malibu
Miley Cyrus

Depois de ser estrela da Disney por anos, sair da Disney, fazer a transição para diva pop adulta e, depois, "despirocar" de vez, Miley Cyrus agora entra em uma nova fase da carreira: a centrada e fofa cantora de indie pop. O primeiro resultado disso é a interessante Malibu.

Indo totalmente contra a sonoridade de Bangerz, Malibu é uma redondinha e, até certo ponto, criativa mistura de indie pop com pop rock e algumas pitadas de dance pop para criar o verniz comercial que a canção precisa para ter chance de fazer sucesso. Bem diferente dos trabalhos que a cantora estava entregando, pois Malibu, mesmo não sendo algo realmente memorável, mostra que a cantora não está tentando parecer desesperadamente "cool" e "prafrentex" (como diria minha mãe) e, sim, Miley soa aqui como uma cantora moderna e adulta. Além disso, a composição sobre o seu atual noivo é descolada, fofa e, principalmente, sincera, ajudando a criar essa atmosfera de uma nova cantora está surgindo. Todavia, essa seria uma tentativa de mudança que, de alguma forma, deu certo e não irá acontecer novamente ou é realmente o começo de uma nova era para uma cantora que ainda precisa provar o seu talento? Veremos nas cenas dos próximos capítulos.
nota: 7