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24 de maio de 2026

O Comeback do Comeback do Comeback

ORIGAMI!
Kesha


Completamente fora do radar, a Kesha lança o single que pode ser o primeiro de seu próximo álbum. E, felizmente, eu fiquei sabendo, pois ORIGAMI! é uma ótima canção.

Apesar de ser sonoramente diferente de Joyride, a canção mantém algumas das mesmas qualidades ao ser um explosivo, carismático e estilizado pedaço de exploração pop que a Kesha nos presenteia de tempos em tempos. Aqui temos uma refinada e “ball to the wall” mistura de eletropop, house e Hi-NRG que começa a 100 km/h e termina na mesma velocidade. E isso funciona devido à produção segura, que sabe muito bem construir um instrumental que se alinha perfeitamente com a estrutura e a vibe da canção, não deixando muito espaço para lacunas ou pontas soltas.

Preciso dizer que gostaria que o clímax da canção fosse estendido por mais algum tempo para fazê-la explodir ainda mais, mas, felizmente, isso não é um problema que chega realmente a atrapalhar o resultado final da canção. Além disso, ORIGAMI! tem uma composição tão “estúpida”, no bom sentido, em que a Kesha descreve o seu desejo sexual ao ligá-lo com vários aspectos da cultura japonesa, algo que ficaria brega na voz de outra artista, mas que aqui funciona perfeitamente, com pérolas como “Let's get experimental/ Turn me into your pretzel”.

Espero que esse começo promissor possa continuar no mesmo caminho até o lançamento do próximo álbum da Kesha e não seja apenas um fogo de palha bem-vindo.
nota: 8

3 de agosto de 2025

A Música da Era que Não é da Era

ATTENTION!
Kesha, Slayyyter & Rose Gray


É estranho que a melhor canção da nova fase da carreira da Kesha não faça exatamente parte da nova era da cantora. Pertencente à versão deluxe de . (Period), ATTENTION! é uma canção que merece o tratamento oficial de single, com toda a pompa e circunstância.

Uma eletrizante, dançante, explosiva, carismática e divertidíssima faixa de electro house/electropop que resgata, com louvor, não apenas os momentos do começo da carreira da cantora, mas também atualiza, de maneira inteligente e vibrante, essa sonoridade sob a influência da era BRAT. ATTENTION!, porém, não busca seguir tendências apenas por seguir; é fácil notar a influência da própria Kesha do “velho testamento” durante toda a construção da hipnótica batida.

Com uma letra precisa e cheia de momentos inspirados, a canção também se beneficia das presenças marcantes de Rose Gray e Slayyyter — sendo que esta última poderia ter ainda mais espaço. Apesar das participações iluminadas, o grande destaque e mola propulsora da canção é a força e o carisma de Kesha, que ilumina e dá toda a personalidade à faixa. Se todas as canções do álbum tivessem esse resultado, teria sido uma outra história para o trabalho.
nota: 8

25 de maio de 2025

Kesha Segura

BOY CRAZY.
Kesha


Continuando a sua jornada montanha-russa para o lançamento do seu novo álbum (Period), Kesha volta a agradar a grande maioria do público com o lançamento de BOY CRAZY. Uma pena, porém, que a canção seja a mais “bege” até o momento.

Amando ou odiando os singles anteriores, é necessário apontar que as canções tinham personalidades tão explosivas que era difícil passar impune após ouvi-las. Em "BOY CRAZY", porém, a canção tem um verniz quase sanitário que a impede de explodir de fato, mas que, felizmente, apresenta uma boa e inteligente produção que entrega uma divertida e estilizada mistura de electropop/synthpop. Gosto da crescente que a canção apresenta e, especialmente, do contraste da batida entre o verso e o refrão. Uma coisa curiosa que percebi é que a melodia no refrão lembra a batida de "Boys Don't Cry" da Anitta. Enfim, a canção também é beneficiada por uma performance segura e muito bem construída de Kesha, que consegue mostrar maturidade misturada com a personalidade da velha Ke$ha. Uma canção que não marca, mas diverte de verdade enquanto a gente a escuta.
nota: 7,5

13 de abril de 2025

Até Passa

YIPPEE-KI-YAY.
Kesha


Completamente livre das amarras que seguram por muito tempo, a Kesha prepara para lançar seu primeiro álbum de forma independente chamado Period. E o novo single é divisível YIPPEE-KI-YAY.

Pelas reações que vi não foram das melhoras, mas, sinceramente, eu achei melhor do que esperava. Despretensiosa, divertida e na linha perfeita de ser um prazer culposo, a canção é uma mistura estranha, mas funcional, de pop rap, country rap, pop rap e electropop. A produção não sabe exatamente como fundir todos esses elementos, mas essa energia estática entre todos é que dá graça ao trabalho. Não é nem de longe tão carismática como JOYRIDE, mas YIPPEE-KI-YAY tem seu chama pela performance enérgica e deliciosa da Kesha, mesmo que ache que tenha certos exageros no uso de efeitos vocais aqui e ali. E a presença espirituosa e nostálgica do T-Pain na versão “remix” da canção funciona até bem e adicionar camadas interessantes para a canção. Entendo quem realmente não gostou da canção, mas apenas de ver a Kesha se divertindo tanto já vale a existência da canção.
nota: 7,5

6 de julho de 2024

O Retorno Final

JOYRIDE
Kesha

E finalmente a Kesha é livre. Depois de uma batalha de anos, a cantora finalmente está livre da sua antiga gravadora que ainda era ligada a certo produtor para lançar a sua carreira de maneira independente. E como primeira canção da sua nova era foi lançada a divertida Joyride.

Voltado com vontade para o seu começo, a canção é uma elétrica e estranha mistura de EDM, eletropop e polka (!!!) que funciona devido a produção fazer um trabalho polidíssimo ao saber unir as pontas de maneira a fazer sentido sem perder esse lado ousado. Tenho que dizer que a produção poderia ser ainda mais explosiva, pois o clímax de Joyride é um pouco chapado demais, mas isso é um pequeno tropeço para o resultado final. A canção é contemplada com uma composição que acerta o tom entre o humor, deboche e o fator icônico, mostrando que a cantora continua com a sua personalidade conseguindo mostrar amadurecimento. É um começo de era promissor, mas que é mais importante pelo fato de ser realmente uma nova vida artística para a Kesha.
nota: 8

6 de agosto de 2023

A Redenção Final

Only Love Can Save Us Now
Kesha


Finalmente livre da sua batalha pessoal que a quase destruiu, Kesha fecha essa fase com a melhor canção da sua carreira: espetacular Only Love Can Save Us Now.

Single de Gag Order, a canção tem uma das construções mais criativas, surpreendentes e ousadas criadas dos últimos tempos. O instrumental dos versos são puramente electropop com toques de industrial em uma batida forte e que quer claramente emoldurar os princípios da carreira da cantora. De repente, o refrão muda completamente de direção ao ser uma inspiradora, animada e poderosa mistura de gospel, country e soul. E, apesar de tamanha diferença, a fluidez entre as duas partes é tão bem costurada, fluida e excitante que tudo parece fazer sentido como se fosse algo fácil de se realizar. E isso não é, pois poderia facilmente criar um ruido tão grande que iria desandar. Entretanto, Only Love Can Save Us Now funciona devido a ótima produção e que essa mudança é motivada pela composição e a sua intenção. Nos versos, Kesha canta sobre seus problemas de forma direta, amarga e raivosa como se estive escrevendo um desabafo (o som de uma máquina de escrever é usada na base) para depois no refrão buscar a redenção em uma explosão em um quase louvor. E isso é fundido com a ótima performance de Kesha que consegue segurar perfeitamente as duas partes e ser a cola que as unem. Que esse marco de fim seja também o começo da nova fase para a vida da Kesha.
nota: 8,5

14 de maio de 2023

2 Por 1 - Kesha

Fine Line / Eat the Acid
Kesha

O quinto álbum da Kesha é provavelmente um dos mais importante da sua carreira: Gag Order é o último que a mesma precisa lançar para se ver livre do contrato com a gravadora do seu abusador. E a mesma parece que irá de maneira memorável como mostra os surpreendentes singles Fine Line e Eat the Acid.

Bem diferente que a cantora mostrou até o momento, ambas canções pendem pesadamente para o indie/experimental pop ao mostra uma nova faceta da sua sonoridade. Não deve ser apreciado por aqueles que esperavam o pop/electropop do começo da carreira ou o pop/rock de Rainbow e High Road. Entretanto, ao passar a surpresa é possível perceber uma Kesha realmente interessante, especialmente ao notarmos o quanto honesta, vulnerável e original a mesma está sendo nos singles. E Fine Line é o ápice dessa nova fase. Coproduzido pela lenda Rick Rubin, a canção é uma tocante art pop/lo-fi/indie rock que caminha entre o minimalista e o complexo de maneira a criar uma excepcional instrumentalização que vai aos poucos crescendo na nossa mente sem precisar de um grande arrombo sonoro. Boa parte dessa sensação é devido a sombria, madura e sentida performance da Kesha que consegue explorar sentimentos profundos e pesados de maneira a expressar toda a força da espetacular composição. Refletindo de maneira desconcertante sobre a sua vida pessoal e profissional nos últimos tempos com referencias a fatos que aconteceram com a mesma como, por exemplo, a citação direta com o seu hit expiação Praying no verso “God, some things never should be forgiven”, a cantora entrega o tipo de letra tão crua, honesta e sem firulas que falta para várias das suas contemporâneas. Em Eat the Acid, Kesha dá uma amenizada na parte lírica, mas procura compensar com uma produção mais ousada ao adicionar uma camada pesa de eletrônico e neo-psychedelia para criar uma batida sombria e quase hipnótica que cria uma atmosfera pesada, ácida e levemente perturbadora. Funciona devido a boa condução da produção e, principalmente, como o seu arranjo vai fluindo de maneira natural para o grande clímax final. Com esse começo, Kesha está pronta para fazer de um fim do ciclo o começo de uma nova e avassaladora era.
notas
Fine Line: 8
Eat the Acid: 8

17 de março de 2021

Positive Vibes Only

Stronger
Sam Feldt & Kesha

Devo admitir que não sou exatamente a pessoa mais positiva que existe no mundo. Então, de vez em quando, preciso de uma dose de positivismo puro e na veia para melhorar as minhas emoções. E é por isso que ouvir Stronger, pareceria do DJ Sam Feldt com a Kesha, é um bom remédio.

A grande qualidade da canção é a sua inspirada, revigorante e emocionante composição sobre superar as adversidades da vida de cabeça erguida. Claro, a letra ainda passa rente ao autoajuda clichê, mas isso é amaciado pela ótima performance da Kesha. Não apenas a parte técnica, mas, principalmente, a emoção genuína que a cantora coloca em cada vero, pois podemos sentir a verdade que a letra parece ter para a mesma. O refrão, porém, poderia ser menos repetitivo, mas isso não atrapalha de fato a mensagem final. Obviamente, sendo uma produção de um DJ contemporâneo, Stronger é uma modesta e linear EDM/dance-pop com um final anticlimático com uma qualidade técnica bem acima da média. Apesar dos problemas, Stronger é o tipo de canção que gente precisa ouvir para dar uma animadinha no nosso próprio estado de espirito.
nota: 7

1 de janeiro de 2020

Kesha Just Wanna Have Fun

My Own Dance
Kesha

Está cada mais claro que a nova fase da Kesha é para a cantora simplesmente se divertir como se fosse o seu primeiro álbum. E assim que soa a legal My Own Dance.

A canção é uma inusitada e divertida dance-pop com pop rock que consegue criar uma instrumentalização completamente sua. Não é nem de perto um trabalho parecido com o pop que a mesma entregava no começo da carreira, mas My Own Dance tem um charme único que combina com a personalidade da cantora. O problema da canção é a sua composição que, apesar do tema empoderado sobre não ter medo de ser quem é, apresenta um trabalho meio repetitivo e com pouco apelo pop. De qualquer forma, ouvir a cantora se divertido assim é algo gratificante. 
nota: 7

10 de novembro de 2019

A Segunda Vida da Kesha

Raising Hell (feat. Big Freedia)
Kesha

Depois da difícil jornada para a cura chegou a hora da Kesha finalmente pode curtir a sua vida e a carreira com o lançamento do primeiro single da seu próximo álbum, a divertida Raising Hell.

Raising Hell é uma volta ao lado dançante da cantora, mas, felizmente, está bem longe do electropop/dance-pop massificado que a mesma começou a carreira. Mais madura e com um identidade sonora bem trabalhada, Kesha entrega uma divertida, única e inspirada mistura de dance-pop com funk e, acreditem, gospel que poderia ser uma grande bagunça, mas, felizmente, encontra na cantora a sua perfeita interprete. Falando sobre viver a vida ao máximo, mas com uma composição inteligente e com passagens realmente engraçadas, Kesha mostra que está em um lugar bem melhor que a que a mesma se encontrou anos atrás, mostrando que existe vida após a tragédia. O problema da canção é que a mesma não usa de forma adequada a participação da lenda do rapper Big Freedia, deixando o mesmo quase como uma back vocal de luxo. E mesmo com esse erro grave, Raising Hell é um trabalho eficiente em ser o primeiro passo para a segunda vida da Kesha. E isso é algo louvável.
nota: 7,5

22 de julho de 2019

Estranhamente Estranho e Ótimo

Rich, White, Straight Men
Kesha

Todos têm aquela música que a maioria considera uma grande bomba, mas que, por algum motivo, a gente a acha maravilhosa. Em 2019, a minha canção que se enquadra nessa vaga é Rich, White, Straight Men da Kesha.

Depois de vazar a própria música para pressionar a gravadora, Kesha não alcançou um bom recebimento perante o público, pois Rich, White, Straight Men é uma canção completamente não mainstream. Na verdade, não existe nada exatamente parecido com o que a cantora faz no single e, sinceramente, eu entendo bem quem não tenha gostado. Na minha visão, a canção é achado precioso. A melhor definição que encontro para a canção como uma mistura esquisita de pop com punk que mais parece sendo parte de um musical indie feminista. Esquisita, um pouco fora do tom, cheia de gags sonoros e deliciosamente não comercial, Rich, White, Straight Men é um tapa direto na cara no patriarcado com direito a alfinetadas ao atual presidente dos Estados Unidos, assediadores e preconceituosos. Com um humor "alternativo" e uma performance igualmente esquisita da cantora, Rich, White, Straight Men realmente não é para todos. Quem consegue entender toda a sacada, porém, a canção é uma pérola de 2019.
nota: 8

5 de outubro de 2018

Um Tema Para Chamar de Seu

Here Comes The Change
Kesha

Recentemente vários cantores lançaram canções que servem como temas dos mais variados filmes. Um desses nomes é a da Kesha que dá voz a canção Here Comes The Change para o filme On the Basis of Sex.

O filme narra a história da juíza da suprema corte americana Ruth Bader Ginsburg e a sua luta ao longo das décadas pelos diretos das mulheres. Então, a canção não poderia ter um tema diferente do que acreditar que tempos melhores e mais juntos estão por vim. Esperançosa e positiva, Here Comes The Change poderia ter uma letra mais profunda esteticamente e que não se esbarra-se tanto em clichês do estilo, mas esses problemas são deixados de lado devida a performance radiante e poderosa de Kesha. Sonoramente, Here Comes The Change tem as mesmas características do álbum Rainbow ao ser uma madura e cativante balada folk pop. Se todo estiver caminhado como acredito que possa estar, o Oscar próximo será o que mais terá nomes pop de todos os tempos na categoria de Melhor Canção.
nota: 7,5

31 de janeiro de 2018

A Provável Vencedora do Oscar

This Is Me
Keala Settle/ Kesha

Durante um bom tempo canções indicadas e/ou vencedoras do Oscar faziam, normalmente, sucesso comercial. Então, essa constante mudou lá pelo ano de 2003 em que a maioria das canções passaram batidas nas paradas e perante o grande público. Todo voltou ao normal em 2012 com a vitória da Adele com Skyfall. Até o momento, a favorita desse ano é uma das canções que vem colhendo bons frutos nas paradas mundialmente: This Is Me que faz parte do musical O Rei do Show.

Mesmo antes do bom desempenho nas paradas, ajudando a aumentar o seu hype e, também, a vitória no Globo de Ouro, This Is Me já tinha todos os pré-requisitos que a Academia adora premiar: grande balada com mensagem poderosa saída de um musical. Além disso, a dupla por trás da canção, Benj Pasek & Justin Paul, venceram a categoria no ano passado com City of Stars do filme La La Land. Apesar de abusar de alguns clichês básicos, This Is Me é uma boa canção ao ser exatamente o que precisa ser no contexto do filme: grande balada com mensagem. Ao falar sobre aceitação própria, a canção se transforma em um hino atemporal, pois não é necessário saber em qual momento a canção toca em O Rei do Show já que a sua composição nos toca profundamente fora do contexto. Com um refrão forte, o grande trunfo da canção é a sua voz original: a cantora e atriz Keala Settle em performance de tirar o fôlego e com uma emoção avassaladora. O problema aqui é que o arranjo durante da metade para frente está mais alto que os vocais, deixando a canção um pouco tumultuada. O erro é corrigido pela versão "pop" entoada pela Kesha que prova novamente que é uma cantora de verdade. Apesar do favoritismo, This Is Me pode ser aquela canção que deveria ter vencido na noite da entrega do Oscar. Todavia, não será dificil de descobrir que a mesma será a que vamos lembrar no futuro entre as indicadas.
nota: 7,5