RAYE
Depois do sucesso mais do que merecido de WHERE IS MY HUSBAND!, Raye lança mais um single do seu próximo álbum (This Music May Contain Hope), intitulado Nightingale Lane. E o resultado prova por A + B que não há nenhuma outra artista atualmente no nível da britânica.
O oposto do single anterior, a nova música é uma balada épica que mistura com perfeição vários elementos que influenciam a sonoridade da artista, ao fundir jazz, pop e soul em um instrumental simplesmente espetacular e de cair o queixo. A construção direta, mas complexa, do arranjo demonstra não apenas todo o cuidado artístico de Raye, como também uma produção inspirada, madura e encantadora. As camadas que vão sendo desenroladas durante a execução da canção são impressionantes, especialmente devido à quantidade de texturas e nuances adicionadas, que poderiam facilmente fazer da faixa algo cheio apenas de boas intenções — e não um trabalho completamente realizado. Felizmente, Nightingale Lane passa muito longe disso e ainda entrega muito mais. Outro grande trunfo da canção é ser, liricamente, a cara-metade de WHERE IS MY HUSBAND!.
No single anterior, Raye brincava jocosamente sobre encontrar um amor para chamar de seu. Agora, o tom é mais dramático e, ao mesmo tempo, mais esperançoso, pois, ao relatar o primeiro amor da sua vida — que também foi sua maior decepção —, a cantora demonstra uma visão clara de que ainda acredita que viverá seu grande amor. E toda essa grandiosidade emocional é potencializada por uma composição excepcional, que nunca soa piegas, mas sempre explode em emoção sincera e genuína. Ainda há um senso estético apuradíssimo que expressa todos esses sentimentos de maneira igualmente refinada: “We never were quite right for each other, baby / But in the absence of passion in my life / I remember how alive love once was”. Complexo, mas direto e nada pretensioso.
E tudo isso é interpretado de maneira genial por Raye, que simplesmente entrega a melhor performance da sua carreira. Não é apenas uma performance grandiosa, mas, sim, definidora de carreira. Existe um toque da aspereza de Janis Joplin, misturado com a melancolia de Amy Winehouse, com nuances do poder vocal de Mariah Carey e inspiração nas grandes divas do jazz. Tudo isso, porém, está nas entrelinhas, pois Nightingale Lane é uma canção que escancara todo o talento de Raye em sua forma mais pura.
É assim que uma artista se torna uma lenda. Que vida, Raye!
nota: 9

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