James Blake
Sempre considero algo auspicioso quando um artista consegue adicionar novas camadas à sua sonoridade sem perder nada da essência. Esse é o caso da espetacular I Had A Dream She Took My Hand, de James Blake.
Segundo single do álbum Trying Times, a canção tem toda a atmosfera de um trabalho do artista, mas é moldada de uma forma que quebra expectativas. E a principal razão é a utilização do sample de It Was Only A Dream, da banda Thee Sinseers, que dá à canção uma base big band/jazz vintage que permeia toda a sua construção, mesclando-se e fundindo-se com a estrutura art pop/R&B alternativo da sonoridade de James. Com uma produção refinadíssima, I Had A Dream She Took My Hand se torna um trabalho elegante, tocante e inspiradíssimo, que vai se desenrolando em uma das canções mais magnéticas e emocionais da carreira de James Blake.
A canção, porém, perderia força se não tivesse aliado à sua produção outros elementos que a fizessem realmente se sobressair. E tudo está intimamente ligado à performance sensacional do cantor que, ao retirar certos efeitos vocais, deixa seu belíssimo timbre brilhar de forma mais natural em uma interpretação realmente impactante, desde o seu começo mais contido e delicado até o clímax mais complexo e poderoso. Além disso, a composição é simples, mas eficiente ao relatar, de maneira sensível, o ato de se apaixonar pela primeira vez: “I had a dream she took my hand / I feel higher than storms, lighter than sand”.
Somando-se a esse resultado o de Death of Love, fica claro que James Blake tem a possibilidade de entregar um dos álbuns do ano.
nota: 8,5

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