RAYE
Ficar aqui relembrando o quanto talentosa é a Raye é meio que chover no molhado, mas, queridos leitores, é algo que precisa ser feito devido ao merecimento da própria. E isso é resultado de uma canção tão espetacular como Click Clack Symphony.
Depois de dois singles impressionantes, a cantora lança o que já considero como uma das melhores canções do ano e, também, da carreira da britânica. E isso é algo impressionante para alguém que já tem uma lista de canções no mesmo calibre. Entretanto, a cantora novamente acha maneiras de nos surpreender de maneiras completamente inesperadas. E isso se repete em Click Clack Symphony, pois estamos diante de uma das mais complexas, profundas e impressionantes canções dos últimos tempos. Tentar determinar qual é exatamente o gênero da canção é uma tarefa complicadíssima, já que é entregue um dos crossovers mais impressionantes que já há ao unir pop, R&B, progressivo, soul, spoken word, rap, música clássica/orquestral e vários outros subgêneros para criar uma obra épica e inesquecível.
Uma obra que expande os limites da sonoridade da cantora, mas que conversa plenamente com a construção da discografia recente da artista. Completamente imprevisível e sempre com surpresas impecáveis, o single encontra um lugar perfeito e único entre o artístico e o comercial, apresentando momentos de pura engenhosidade criativa, ao mesmo tempo que entrega momentos que facilmente seriam ideais para virarem virais. E isso mostra o quanto a produção entende todos esses elementos de uma maneira única e genial. Quando a gente ouve o resultado final da canção, consegue entender perfeitamente o que passa na mente da Raye, que tem como parceiros de produção Mike Sabath, responsável por Escapism, e o maestro/compositor/condutor/produtor Hans Zimmer, considerado um dos maiores nomes de trilhas sonoras do cinema e que tem no currículo trabalhos como O Rei Leão e Duna, ambos vencedores do Oscar, e só para citar dois exemplos. É dessa completa quebra de expectativas e dessa mentalidade distinta que é possível ter uma canção como Click Clack Symphony.
E é também devido à presença sobre-humana da performance descomunal da Raye. A cantora entrega, na mesma canção, versatilidade, alcance e força emocional que alguns artistas não têm a capacidade de entregar durante toda uma carreira. Isso é algo que a coloca em outro parâmetro, pois, quando a gente a vê ao vivo, entende que a versão de estúdio não esconde ou maquia nada que a mesma não seja capaz de fazer. Gigantesca, emocional, cativante e carismática, Raye carrega a canção de uma maneira que capta não apenas toda a grandiosidade da sua criação, mas, sim, está à altura de tamanho trabalho hercúleo. Liricamente, a canção é outro trabalho impressionante, pois mistura com exatidão profundidade temática e emocional com uma estética pop e de fácil digestão. A canção é uma história de quando a Raye estava na pior e foi ajudada a sair desse estado emocional com a ajuda das suas amigas, refletindo temas como solidão e empoderamento na contemporaneidade, com toques esperançosos e de autoajuda. Tudo isso é feito transitando entre o emocional, o divertido, o clichê e o profundo de uma forma que realmente faz a gente ficar hipnotizado pela maestria. Em especial, o refrão é o grande momento da canção, em que a cantora consegue misturar tudo de maneira perfeita:
Send the call out, send the call out
Calling all my baddest women, it's about to go down
Click-click-click clack symphony, I need that
Click-click-click clack symphony, I love the sound of it
Click Clack Symphony não prova, comprova ou reafirma o talento da Raye, pois isso é algo que a mesma já garantiu há algum tempo. A canção apenas é outro tijolo na construção de uma das melhores artistas do nosso tempo.
nota: 9

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