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11 de setembro de 2026

Irmandade & Celebração

Joy. (featuring Absolutely and Amma)
RAYE


Não há como negar que um dos nomes de 2026 é Raye, devido aos frutos da aclamação e do sucesso de THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE. E acredito que nada mais justo do que lançar Joy como single, pois a canção é, basicamente, uma celebração.

A faixa é realmente uma celebração musical em vários sentidos. Primeiro, conta com a participação de suas duas irmãs, também cantoras, Absolutely e Amma, o que dá à produção todo um aspecto de irmandade, carinho e afeição que é a intenção base do trabalho. Além disso, as duas artistas não estão aqui apenas pela ligação fraternal, mas também por serem talentosas e promissoras, ajudando a elevar o resultado.

Todavia, o brilho principal vem claramente da performance solar, cativante e madura de Raye, que invoca todos os sentimentos que a produção quer transmitir nessa verdadeira celebração à vida e sobre entender que é preciso ser sempre otimista, mesmo sabendo que ela é feita de momentos de tempestade. Apesar de meio clichê, a composição de Joy é lindamente bem escrita e passa verdade em sua mensagem. A produção, por sua vez, cria uma sonoridade que capta todos esses sentimentos ao construir um inspirador, animado, contagiante e envolvente pop soul, dance-pop e gospel, que conquista desde os primeiros segundos.

Nada mais justo do que Raye poder celebrar tudo o que vem alcançando, pois a cantora merece — e muito mais, sem dúvidas.
nota: 8,5

22 de março de 2026

A Genial Raye

Click Clack Symphony. (featuring Hans Zimmer)
RAYE


Ficar aqui relembrando o quanto talentosa é a Raye é meio que chover no molhado, mas, queridos leitores, é algo que precisa ser feito devido ao merecimento da própria. E isso é resultado de uma canção tão espetacular como Click Clack Symphony.

Depois de dois singles impressionantes, a cantora lança o que já considero como uma das melhores canções do ano e, também, da carreira da britânica. E isso é algo impressionante para alguém que já tem uma lista de canções no mesmo calibre. Entretanto, a cantora novamente acha maneiras de nos surpreender de maneiras completamente inesperadas. E isso se repete em Click Clack Symphony, pois estamos diante de uma das mais complexas, profundas e impressionantes canções dos últimos tempos. Tentar determinar qual é exatamente o gênero da canção é uma tarefa complicadíssima, já que é entregue um dos crossovers mais impressionantes que já há ao unir pop, R&B, progressivo, soul, spoken word, rap, música clássica/orquestral e vários outros subgêneros para criar uma obra épica e inesquecível.


Uma obra que expande os limites da sonoridade da cantora, mas que conversa plenamente com a construção da discografia recente da artista. Completamente imprevisível e sempre com surpresas impecáveis, o single encontra um lugar perfeito e único entre o artístico e o comercial, apresentando momentos de pura engenhosidade criativa, ao mesmo tempo que entrega momentos que facilmente seriam ideais para virarem virais. E isso mostra o quanto a produção entende todos esses elementos de uma maneira única e genial. Quando a gente ouve o resultado final da canção, consegue entender perfeitamente o que passa na mente da Raye, que tem como parceiros de produção Mike Sabath, responsável por Escapism, e o maestro/compositor/condutor/produtor Hans Zimmer, considerado um dos maiores nomes de trilhas sonoras do cinema e que tem no currículo trabalhos como O Rei Leão e Duna, ambos vencedores do Oscar, e só para citar dois exemplos. É dessa completa quebra de expectativas e dessa mentalidade distinta que é possível ter uma canção como Click Clack Symphony.

E é também devido à presença sobre-humana da performance descomunal da Raye. A cantora entrega, na mesma canção, versatilidade, alcance e força emocional que alguns artistas não têm a capacidade de entregar durante toda uma carreira. Isso é algo que a coloca em outro parâmetro, pois, quando a gente a vê ao vivo, entende que a versão de estúdio não esconde ou maquia nada que a mesma não seja capaz de fazer. Gigantesca, emocional, cativante e carismática, Raye carrega a canção de uma maneira que capta não apenas toda a grandiosidade da sua criação, mas, sim, está à altura de tamanho trabalho hercúleo. Liricamente, a canção é outro trabalho impressionante, pois mistura com exatidão profundidade temática e emocional com uma estética pop e de fácil digestão. A canção é uma história de quando a Raye estava na pior e foi ajudada a sair desse estado emocional com a ajuda das suas amigas, refletindo temas como solidão e empoderamento na contemporaneidade, com toques esperançosos e de autoajuda. Tudo isso é feito transitando entre o emocional, o divertido, o clichê e o profundo de uma forma que realmente faz a gente ficar hipnotizado pela maestria. Em especial, o refrão é o grande momento da canção, em que a cantora consegue misturar tudo de maneira perfeita:

Send the call out, send the call out
Calling all my baddest women, it's about to go down
Click-click-click clack symphony, I need that
Click-click-click clack symphony, I love the sound of it

Click Clack Symphony não prova, comprova ou reafirma o talento da Raye, pois isso é algo que a mesma já garantiu há algum tempo. A canção apenas é outro tijolo na construção de uma das melhores artistas do nosso tempo.
nota: 9

1 de março de 2026

A Balada de Um Coração Esperançoso

Nightingale Lane.
RAYE


Depois do sucesso mais do que merecido de WHERE IS MY HUSBAND!, Raye lança mais um single do seu próximo álbum (This Music May Contain Hope), intitulado Nightingale Lane. E o resultado prova por A + B que não há nenhuma outra artista atualmente no nível da britânica.

O oposto do single anterior, a nova música é uma balada épica que mistura com perfeição vários elementos que influenciam a sonoridade da artista, ao fundir jazz, pop e soul em um instrumental simplesmente espetacular e de cair o queixo. A construção direta, mas complexa, do arranjo demonstra não apenas todo o cuidado artístico de Raye, como também uma produção inspirada, madura e encantadora. As camadas que vão sendo desenroladas durante a execução da canção são impressionantes, especialmente devido à quantidade de texturas e nuances adicionadas, que poderiam facilmente fazer da faixa algo cheio apenas de boas intenções — e não um trabalho completamente realizado. Felizmente, Nightingale Lane passa muito longe disso e ainda entrega muito mais. Outro grande trunfo da canção é ser, liricamente, a cara-metade de WHERE IS MY HUSBAND!.

No single anterior, Raye brincava jocosamente sobre encontrar um amor para chamar de seu. Agora, o tom é mais dramático e, ao mesmo tempo, mais esperançoso, pois, ao relatar o primeiro amor da sua vida — que também foi sua maior decepção —, a cantora demonstra uma visão clara de que ainda acredita que viverá seu grande amor. E toda essa grandiosidade emocional é potencializada por uma composição excepcional, que nunca soa piegas, mas sempre explode em emoção sincera e genuína. Ainda há um senso estético apuradíssimo que expressa todos esses sentimentos de maneira igualmente refinada: “We never were quite right for each other, baby / But in the absence of passion in my life / I remember how alive love once was”. Complexo, mas direto e nada pretensioso.

E tudo isso é interpretado de maneira genial por Raye, que simplesmente entrega a melhor performance da sua carreira. Não é apenas uma performance grandiosa, mas, sim, definidora de carreira. Existe um toque da aspereza de Janis Joplin, misturado com a melancolia de Amy Winehouse, com nuances do poder vocal de Mariah Carey e inspiração nas grandes divas do jazz. Tudo isso, porém, está nas entrelinhas, pois Nightingale Lane é uma canção que escancara todo o talento de Raye em sua forma mais pura.

É assim que uma artista se torna uma lenda. Que vida, Raye!
nota: 9

21 de setembro de 2025

Triunfal

WHERE IS MY HUSBAND!
RAYE


É tão reconfortante ver gente de talento colhendo de verdade os frutos do seu trabalho. Um dos melhores casos disso é o da Raye que, depois de anos negada e impedida de mostrar seu potencial, tornou-se um caso de sucesso após o hit mundial Escapism.. Agora, a cantora está de volta com o seu segundo álbum e, como primeiro single, lança a sensacional Where Is My Husband!.

A canção é um trabalho que, atualmente, apenas a Raye parece capaz de fazer e ainda ser relevante comercialmente — e isso é algo extraordinário. Produzida pela cantora ao lado de Mike Sabath, a faixa é uma magnífica, explosiva, refinadíssima, graciosa, dançante e mágica mistura de pop soul, R&B, big band, jazz e neo-soul que resulta em uma das canções mais refinadas e brilhantes do ano. Nem de longe eu achava que a Raye seria capaz de entregar algo como Where Is My Husband!, mas, novamente, sua imensa capacidade artística é de cair o queixo devido ao quanto intrincada é a construção da canção e, ao mesmo tempo, por ser um trabalho que conquista desde a primeira escuta.

E uma música tão poderosa só poderia ter uma intérprete à altura da Raye para carregar com maestria genial toda a complexidade da faixa, que, ao misturar tantos estilos e gêneros, precisa de uma performance capaz de captar exatamente toda a aura da canção — que tem esse toque vintage sem soar datada e um toque moderno sem perder o senso de inspiração. E é isso que a Raye entrega aqui, pois, não apenas tecnicamente, a cantora apresenta uma performance de tirar o fôlego, tão poderosa, estilosa e graciosa.

A composição, que mistura um senso de humor tongue-in-cheek com uma crônica sincera sobre a procura do amor e com uma estética perfeita, colabora para a verdadeira impressão de que estamos diante de uma das melhores artistas contemporâneas. Tudo isso é ainda mais incrível ao notar que a Raye é uma artista independente, mostrando que ainda existe lugar para o talento puro.
nota: 9

22 de junho de 2025

Lembranças & Futuro

Suzanne
Mark Ronson & RAYE


Você já se perguntou que tipo de música um artista que já se foi estaria fazendo se ainda estivesse vivo? Em Suzanne, single de Mark Ronson ao lado de Raye, podemos ter uma breve e sentida noção do que poderia ser a carreira de Amy Winehouse.

Bem longe de ser uma cópia do período em que o produtor trabalhou com Amy, a canção parece ter essa “atmosfera” familiar que poderia ser o que a cantora de Rehab estaria fazendo, especialmente pela construção sonora. Trata-se de uma refinada e graciosa pop soul vintage, apesar de menos sombria. É estranho e, ao mesmo tempo, um presente para quem ainda sente falta de Amy.

Felizmente, a presença de Raye, mesmo que lembre a força de Amy, encontra um lugar só seu devido à maestria com que a britânica comanda a canção, especialmente nos versos, nos quais é possível perceber toda a sua capacidade de contadora de histórias. A canção poderia ser mais eficiente com um final mais editado e pungente, pois a parte final soa arrastada devido ao clímax prolongado, que poderia ter sido melhor compactado. De qualquer forma, é um bom encontro entre um passado e o futuro da música, que funciona de verdade, mesmo que ainda nos faça sentir certa tristeza pelo que não pode ser.
nota: 8

9 de fevereiro de 2025

O Ano das Rosinhas

Born Again
LISA, RAYE & Doja Cat

Continuando a jornada para que o Blackpink tenha as melhores carreiras solos das suas integrantes, a Lisa lança a sua melhor canção com a deliciosa Born Again.

E esse resultado é preciso agradecer especialmente a britânica Raye. Não apenas a cantora faz uma participação substancial e sensacional na canção, mas, também, é coautora e coprodutora (ao lado de Andrew Wells). E isso é o que dá o toque precioso para a canção, pois é fácil observar a visão única, inteligente e refinada da Raye na construção dessa graciosa, chiclete, chic e inspirada nu-disco com infusões de dance-pop, pop rap e funk que cria uma batida atemporal e envolvente. Existe um odor de perfume caro que exala de Born Again que gruda na gente mesmo depois de ter escutado que é o toque de genialidade da produção. A composição é outro trabalho inteligente que sabe ficar muito bem na linha entre o polêmico ao usar metáforas religiosas para falar sobre desejo e a estética pop graciosa, especialmente no ótimo refrão. A canção poderia ser ainda melhor se tivesse alguns ajustes finos na participação das três artistas envolvidas. Lisa entrega uma performance inspirada e a divisão com a Raye é inteligente, mas essa último rouba a cena daquela que seria a estrela da canção. Além disso, Doja Cat poderia estar mais presente no resto da canção fora do seu estiloso, divertido e requintado verso em que a mesma transita entre a sua vertente cantora e a rapper. De qualquer forma, as três artistas dão liga no resultado final, criando em Born Again a primeira grande parceria de 2025.
nota: 8

21 de setembro de 2024

Mais Raye, Por Favor!

Moi
Central Cee & RAYE


Como você pode convidar um talento como o da Raye e não usar ela de maneira a explorar todo o seu potencial? Esse é caso de Moi do rapper Central Cee.

Participando um verso logo no começo da canção, a cantora é literalmente o ponto alto da canção ao elevar a canção para outro nível com a sua presença iluminada e marcante. E os versos em francês dão um toque especial para a sua presença. Depois disso, a cantora some completamente de Moi, deixando um gosto de quero mais fortíssimo. Mesmo que Central Cee entrega uma performance sólida, a canção careceu das texturas vocais que Raye poderia dar para o resto da construção dessa boa mistura de rap, pop e uk garage. Não é um trabalho sensacional por não saber se apoiar no seu maior trufo, deixando essa sensação que faltou algo que estava já diposição.
nota: 7

9 de junho de 2024

A Magistral Raye

Genesis
RAYE


Quando a Raye lançou My 21st Century Blues foi a confirmação definitiva que a cantora é um gênio que vinha sido escondido por gravadoras que não tinham a menor noção de como lidar com tamanho talento, tentando a encaixar em lugares comuns que não faziam jus a que ela pode fazer. Todavia, essa noção clara sobre o potencial da cantora ainda não preparar a gente para o que ela pode alcançar. E isso é o que pode ser notada na magnifica Genesis.

Sem informação da canção ser de um novo álbum, uma versão deluxe do álbum anterior ou apenas um single solto, Genesis não é apenas a melhor canção da cantora como também uma seríssima candidata ao posto de melhor do ano. E isso não consegue traduzir a genialidade que é vista na canção. Com produção de Rodney Jerkins, Shankar Ravindran e Tom Richards, Genesis é um trabalho que vem sendo construído ao longo de dois anos e, claramente, mostra que esse tempo serviu para lapidar essa grandiosidade épica da canção que com seus sete minutos de duração que vale a pena cada segundo. Divida em três partes, a canção é uma jornada sonora deslumbrante que começa com uma mistura sóbria e forte de spoken word com gospel e R&B para depois transitar para uma pungente e desconcertante R&B contemporâneo com hip hop para termina de maneira surpreende e grandiosa ao enveredar para o jazz com doses de big band.

Ouvidas separadas, cada parte de Genesis parece três canções completamente diferentes como foram lançadas no EP do single, mas quando estão juntas dentro da canção se toram uma “massa” extremamente coesa que realmente faz sentido de ser uma canção só devido a fluidez perfeita que a produção costura cada parte, fazendo tudo ter um sentido sonora que dá razão para a decisão de dividir a canção em três parte tão diferentes. Todavia, o que faz a canção ter essa razão de existir é a impressionante, poderosa, devastadora, intima, ácida, tocante, honesta e inteligentíssima composição em que Raye, ao lado de Marvin Hemmings, em que reflete sobre os problemas pessoais da cantora como, por exemplo, problemas mentais, a percepção da sua imagem, a pressão pela perfeição estética e como ela se relaciona ao ser um exemplo para jovens garotas e problemas da sociedade como racismo e as guerras que acontecem atualmente. Apesar dos temas pesados, a letra de Genesis nunca se torna um desfile das mazelas apenas para mostrar o lado reflexivo da cantora, pois, assim como outras canções da artista, a letra se mostra como um pedaço da percepção sincera que nunca se torna uma pregação ou/e piegas. E o toque de genialidade é quando começa a terceira parte da canção com sonoridade big band/jazz a letra toma um rumo esperançoso que é como se fosse a luz no final do túnel para o que é discutido no resto da canção. E toda essa carga grandiosa da canção é sustentada por uma performance simplesmente devastadora da Raye que destrincha cada momento com a mesma pulsão emocional e uma versatilidade inacreditável. Com Genesis, Raye prova novamente que talento precisa de liberdade para florescer na sua mais espetacular versão.
nota: 9,5

5 de maio de 2024

Um Remix de Respeito

Escapism. (4am Remix)
RAYE


Venho falando sobre essa nova tendência sobre remixes que vem crescendo nos últimos tempos. Normalmente, o remix lançado nem pode ser chamado como tal e sempre são uma queda de qualidade em relação a canção original. Hoje, porém, irei falar sobre um remix que dá certo: Escapism. (4am Remix) da RAYE.

Na verdade, essa versão é quase uma nova canção baseada na canção original, pois a reconstrói totalmente. E a primeira grande qualidade é a essa quebra de expectativa ao encontramos uma reimaginação total de Escapism. que vai de uma hip hop/R&B com toques de eletrônico, blues e soul para uma power balada R&B/soul com toques de electro. A dramaticidade explosiva é trocada por uma instrumental sóbrio, cadenciado e com melancolia aumenta a um novo nível. Claro, o perda do impacto original da canção faz essa versão não tem tão potente, mas a maneira divina que a Raye carrega a canção adiciona doses cavalares de força. Na verdade, Escapism. (4am Remix) é a perfeita gravação para mostrar a capacidade que a cantora possui em todas as suas apresentações ao vivo. E isso é algo quase tão difícil como fazer um remix que realmente seja relevante como é o caso de Escapism. (4am Remix).
nota: 8

2 de novembro de 2023

Boa e Vazia

Prada (with Cassö and D-Block Europe)
RAYE

Um dos principais nomes de 2023, a britânica Raye emplacou outro sucesso comercial com a sua participação em Prada ao lado do DJ Cassö e do grupo de hip hop D-Block Europe. Ao contrário da profundidade de Escapism, Prada é bem menos inspirada e mais massificadas, mas ainda é divertida.

Curiosamente, a canção é na verdade um remix da original intitulada Ferrari Horses lançada em 2021 no álbum The Blue Print: Us vs. Them do D-Block Europe. De uma interessante e estilosa hip hop, a canção se transformou em uma redonda e previsível house/eurodance/hip hop que capta parte da qualidade original devido a manter o seu melhor elemento em destaque: a presença marcante da Raye. Nesse remix, a canção é mais da Raye convida D-Block Europe do que ao contrário, mas isso não é um grande problema porque funciona bem. Rápida e rasteira, Prada mantem em alta o nome da cantora que merece ainda sucesso. 
nota: 7



12 de março de 2023

Soco No Estômago

Ice Cream Man.
RAYE

Apesar de ter lançados canções com mensagens fortes até o momento, a Raye entrega a sua mais poderosa composição com a devastadora Ice Cream Man.

Single do genial My 21st Century Blues, a canção narra a história de quando a cantora foi assediada sexual por um produtor. A maneira direta, desconcertante e real como a cantora narra tudo o que aconteceu e como isso repetiu na sua vida encontra ressonância nas histórias de mulheres que já vivenciaram esse tipo de abuso. Entretanto, Ice Cream Man soa mais positiva que negativa, pois existe uma clara força liberatória e um brilho de esperança na maneira como Raye entoa cada verso, mostrando que a canção é um dos momentos de maior expiação do álbum. Sonoramente, a canção é um contida R&B/pop que não tem a mesma carga criativa de canções anteriores, mas a sua delicada construção contrasta de maneira intenção com a sua forte temática. E que bom que Raye pode libertar seus demônios internos em canções tão pungentes como Ice Cream Man, servindo de espelho para muitas mulheres que passaram pelo mesmo.
nota: 8,5


8 de janeiro de 2023

A Glória de Raye

Escapism (feat.070 Shake)
RAYE

Depois de entregar dois canções simplesmente sensacionais com Hard Out Here e Black Mascara, a Raye vem agora chutando a porta com o lançamento da viral: Escapism 

Com a liberdade de ser uma artista independente, Raye é capaz de entregar canções que rompem barreiras ao não ter amarras, pois estamos diante de uma visão única e distinta sobre o que a mesma deseja para a sua sonoridade. E isso atinge o ápice em Escapism. As nuances, texturas, quebras de expectativas e toques de genialidade que são adicionados na produção é algo revigorante, refrescante, eletrizante e impressionante, transformando esse hip hop/R&B com toques de eletrônico, blues e soul em verdadeiro evento de cerca de quatro minutos e meio. Na verdade, a canção é basicamente melhor que toda a carreira de várias contemporâneas de Raye em todos os sentidos. Complexa e com um toque comercial vertiginoso, Escapism é quase um hip hop opera sobre o uso do sexo e de relacionamentos passageiros para criar um muro no nosso emocional para que se possa sentir nada. Genialmente bem escrita e com senso estético preciso, a canção tem a sua cereja em cima com a performance que remete a uma força da natureza em plena ebulição. E, felizmente, o imenso talento da cantora é recompensado com o sucesso comercial de Escapism que alcançou o topo da parada britânica. Melhor primeira notícia de 2023.
nota: 9

23 de setembro de 2022

Renasce uma Artista

Black Mascara
RAYE


A independência artística da britânica Raye deve ser a provavelmente a melhor coisa que aconteceu para a carreira da cantora, pois está sendo responsável por mostrar de fato todo o seu potencial. Depois da genial Hard Out Here, a cantora lança a ótima Black Mascara.

A canção mostra o que a Raye pode fazer dentro do pop ao ter a liberdade necessária para explorar ideias que não são vistas exatamente como comerciais por gravadora. A produção em Black Mascara entrega uma progressiva e original mistura de EDM, electropop e dance-pop com um verniz sombrio que consegue criar uma atmosfera única ao mesmo tempo que passeia por vales conhecidos dos todos das paradas. Uma reconstrução do que a cantora fazia sob o selo da sua antiga gravadora, Black Mascara dá espaço para a artista explorar assuntos de forma mais profundo ao entregar uma excepcional crônica sobre o fim do relacionamento tóxico e como irá se reerguer com uma estrutura ousada e inspirada. A performance poderosa de Raye que sabe como usar a sua dose e melódica voz para carregar com destreza canções mais densas, adicionando versatilidade ao entregar dois versos que mistura a sua forma de cantar como rap. Black Mascara falha, porém, ao não ter um ponto de explosão final para criar o perfeito clímax, mas isso não chega atrapalhar seriamente o resultado final. Livre de amarras, Raye parece preparar o que pode ser um dos melhores álbuns dos últimos tempos. E com merecimento.
nota: 8

19 de julho de 2022

Um Ponto Fora da Curva

Hard Out Here
RAYE

Tenho apontado faz algum tempo que a britânica Raye é uma cantora realmente com potencial altíssimo, mas não esperava que a mesma poderia entregar uma canção tão avassaladora como é caso de Hard Out Here.

Conhecida mais pelo seu lado pop, Raye entrega uma espetacular mistura de hip hop, rap, uk bass e R&B com um instrumental de uma riqueza e criatividade impressionante. Poucas canções recentemente conseguem ter uma produção tão distinta como a de Hard Out Here que apresenta uma reapresentação de uma artista que parecia destinada a um estilo de sonoridade, mas que é feito uma guinada de 180° para um som realmente maduro, provocante e encorpado. Entretanto, a canção não tem apenas na sua produção uma quebra de expectativa desse nível, pois Raye também se mostra uma artista com mais potencial ainda ao entregar uma performance áspera, poderosa e de uma versatilidade gigantesca ao encontrar um equilíbrio entre cantar e o rap primoroso e com uma identidade única. O perfeito pacote se completa com a poderosa e profunda composição que é basicamente uma reintrodução da cantora ao expressar seus sentimos sobre o tratamento que a indústria fonográfica e a sociedade vem fazendo a mesma passar durante a sua vida toda. Hard Out Here pode ser até uma exceção, mas espero que seja a nova era da Raye na sua transformação para glória.
nota: 8,5

1 de abril de 2022

Conforto

Waterfall
Disclosure & RAYE

Seguir no seu lugar de conforto nem sempre pode ser o que um artista precisa para continuar a entregar música de qualidade. Esse é o caminho do duo Disclosure ao entregar a boa Waterfall com participação da cantora RAYE.

Conhecidos pelo hit Latch, o duo faz de Waterfall uma simpática, eficiente e reconfortante eletropop/dance-pop que não mostra nada de novo, mas é na familiaridade que o resultado positivo aparece. Com um instrumental sólido e muito bem cuidado, Waterfall se apresenta como uma canção de produção inteligente que sabe valorizar os detalhes para criar algo realmente envolvente. O ponto de elevação da canção é a presença radiante de RAYE em uma performance natural e dinâmica que consegue se casar com a proposta da canção sem perder a sua presença. E é isso tipo de segurança que dá para artistas longevidade.
nota: 7,5


9 de julho de 2021

Falta o Momento

Call On Me
RAYE

Recentemente, a britânica Raye revelou a sua frustração de ter o seu primeiro álbum adiando por anos pela sua gravadora que parece não achar que a cantora não esteja pronta, mesmo tendo vários hits na terra da Rainha. E é por isso que a cantora ainda parece estar presa a canções como Call On Me.

Longe de ser uma bomba, Call On Me parece podar o potencial da cantora ao ser mais uma electropop/EDM comercial sem maiores trunfos. Sem dar o suporte ideal para a cantora brilhar, Raye consegue elevar e muito o resultado devido a sua espetacular performance que se sobressai no instante que começo o single. Com uma voz limpada e poderosa, a cantora adiciona uma carga imensa de personalidade que se tivesse um material melhor poderia brilhar ainda mais. Espero que a Raye encontre o seu caminho artístico para poder ser realmente a estrela que o seu talento deixa mostrar.
nota: 6,5

31 de agosto de 2020

Natalie is The New Jolene

Natalie Don't
RAYE

De tempos em tempos aparece uma canção que surge meio que do nada e se torna uma verdadeira surpresa gratificante. Recentemente, o mais novo caso é Natalie Don't da britânica RAYE.

Sumida aqui do blog tem um bom tempo, RAYE parece que agora está solidificando a sua carreira e preparando para lançar o seu primeiro álbum. Como possível primeiro single foi lançada essa pequena joia chamada Natalie Don't que consegue unir em apenas uma canção a tendência do momento e uma homenagem ao passado que é completamente diferente da sua estética. Explicando: Natalie Don't é uma dance-pop/disco com toques de R&B que remete diretamente a lendária Jolene, canção country da atemporal Dolly Parton. Essa mistura estranha funciona melhor que o esperado em uma faixa deliciosamente envolvente. A produção não aposta em algo explosivo, mas acerta da batida quase mid-tempo envolvida em uma dramaticidade bem orquestrada. Vintage na medida certa, Natalie Don't é dona de letra sensacional ao contar a história de uma mulher que pede a outra para não "tirar" o seu homem dela. Não é apenas o mesmo tema de Jolene modernizada, mas a letra faz uma referência direta a canção de Dolly. Inesperadamente inspirada, a canção é até o momentos uma das melhores canções de 2020 que você não deve conhecer.
nota: 8

12 de outubro de 2017

Um Giro R&B Feminino

Deadwood
Toni Braxton

The Weekend
SZA

The Line
RAYE

Incapable
Keyshia Cole


Depois de dar uma olhada em como anda o country chegou a vez de falarmos de outro importante gênero que está deixado meio de lado: o R&B. Especialmente irei falar sobre aquele feito pelas mulheres que, principalmente, na década de noventa era algo gigantesco. Agora, o gênero foi renegado a um nicho bem longe do mainstream comercial. Felizmente, ainda existem ótimos artistas que carregam a bandeira dignamente como é o caso da veterana Toni Braxton.

Conhecida pelo mega sucesso de Un-Break My Heart, Toni Braxton ainda está na ativa mesmo que não tenha o mesmo sucesso que na década de '90. Depois de dar a volta por cima ao enfrentar problemas de saúde e financeiros, a cantora irá lançar o seu nono álbum que tem como primeiro single a boa Deadwood.

Longe da grandiosidade do seu maior sucesso ou mesmo da maior parte das canções na sua discografia, Deadwood é uma sólida e redondinha faixa que tem uma pegada bem violão e voz. O arranjo mostra uma Toni bem mais simples e contida, longe de qualquer exagero sonoro. A batida que a produção pode até careta, mas é bem feita e combina bem com a pegada geral da faixa. Com uma composição falando sobre dar a volta por cima depois de uma grande desilusão amorosa, Toni ainda é dona de um voz completamente sua e um timbre distinto e carismático que dá para qualquer canção uma vibe sexy e aveludada. Sem correr grande riscos, mas sabendo como usar toda a sua experiência, Toni ainda é uma força a ser reconhecida como tal. Assim como é a novata SZA

Considerada com um dos melhores nomes surgidos nos últimos tempos, SZA ajuda o grande público a entender qual é a desse novo R&B, mas sem perder a sua vertente comercial. Como terceiro single do seu álbum de estreia foi lançada a ótima The Weekend.

A canção que é a melhor do álbum é uma pequena e brilhante amostra do que a cantora é capaz de fazer. The Weekend fala sobre uma situação complicada: a narradora ama um cara que também ama outra garota e, então, a mesma precisa aceitar a situação para poder ficar com o cara. Não é expresso, mas a canção fala sobre como ama a garota que é "a outra". Normalmente, canções assim falam sobre traição no lugar de fala de quem é traído e, não, de quem é a outra parte da equação. Ousada e com uma construção impecável que exala toda a atmosfera cool de SZA, mostrando o quanto inteligente é a cantora ao criar a suas composições. Além disso, a cantora entrega uma performance tão descolada e carismática que ajuda a canção a ter mais personalidade com a sua batida sensual, delicada e cadenciada. Apesar de ter mais destaque nos Estados Unidos, não é só desse lado do Atlântico que existem boas cantoras de R&B novatas. 

RAYE é uma britânica que recentemente ficou em terceiro lugar na prestigiada lista Sound of... da BBC e tem todas as chances de ser a próxima artista a estourar lá na terra da Rainha. Entretanto, a cantora ainda precisa de ganhar um verniz mais refinado como prova a canção The Line.

Com uma batida com uma pegada mais pop que R&B, The Line poderia ser um trabalho comercialmente perfeito, mas que erra em uma construção de batidas confusa. A canção tem várias ideias sonoras interessantes e que poderiam fazer a diferença nessa canção dançante. Só que a produção não consegue dar a liga para todas essas batidas e, pior, não dá o brilho necessário para que a canção se destaque como deveria. Não é o caso de The Line ser ruim, mas de não ser tão boa quanto a sua ideia. Felizmente, RAYE é uma cantora interessante e segura bem a canção no final das contas. Algo que a veterana Keyshia Cole não tem nenhum problema em fazer.

Incapable, single do seu próximo álbum, é a prova cabal que mesmo com as mudanças ao longo dos anos, o bom e velho R&B bem feito é algo louvável. Sem grandes arrombos sonoros, Keyshia Cole entrega uma refinada, tradicional e bem produzida balada R&B sobre finalmente terminar um relacionamento turbulento, mesmo que isso a faça sofrer. Interpretando de maneira corretíssima por Keyshia, Incapable é o tipo de canção que poderia fazer sucesso uns quinze anos atrás. Isso, felizmente, não tira o brilho da mesma e, também, de um gênero que continua vivo e forte em várias formas diferentes. 




notas
Deadwood: 7,5
The Weekend: 8
The Line: 6,5
Incapable: 7,5