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24 de agosto de 2025

Doja Goes Pop!

Jealous Type
Doja Cat


O grande problema, ao menos para mim, da carreira da Doja Cat é a sua inconsistência de qualidade. Até agora, a rapper não entregou nenhuma nova era que fosse nivelada, tendo bons momentos e outros bem mais ou menos. Espero que o anuncio de Vie (quinto álbum da sua carreira) traga essa estabilidade, pois o seu começo é realmente em alta com Jealous Type.

Marcando o começo da sua parceria com o uber produtor Jack Antonoff – a canção tem a coprodução de Y2K – a rapper entregar uma cativante e resplandecente mistura de pop, disco, funk e synth-pop que é o veiculo perfeito para a rapper poder explorar seu lado mais comercial e, ao mesmo tempo, explorar novos ares. Eferecente do começo ao fim, Jealous Type se beneficia da atmosfera oitentista trazida pelo sample do tema da série Knight Rider, criando uma canção que beira a nostalgia barata, mas que é “salva” por uma produção inteligente.

Existe, porém, uma trava na canção que a impede de ser ainda melhor que é quando a canção chega na sua melhor parte que é o espetacular clímax que explorar mais vividamente o instrumental, a canção termina de maneira abrupta, deixando espaço para que pudesse ser ainda melhor explorada. Não que chega a atrapalhar de maneira substancial, mas dá uma quebrada no clima. Felizmente, Doja entrega a sua melhor performance até o momento ao mostrar com brilhantismo a sua versatilidade indo da cantora a rapper com a mesma força e brilhantismo. Espero que esse seja apenas o começo da grande era da Doja Cat.
nota: 7,5

6 de abril de 2025

O Efeito Doja

Just Us
Jack Harlow & Doja Cat


Tem alguns artistas que só as suas presenças são o suficiente para salvar uma canção do desastre total. É assim com a Doja Cat em Just Us do Jack Harlow.

Mesmo achando que com o material certo, o rapper pode até entregar uma boa performance que não é o caso desse desperdício de talento e de uma boa ideia. Começa pelo fato de que o verso da Doja é o que parece manter de pé essa pop rap/cloud rap, pois a sua performance injeta a personalidade que se adequa a proposta da canção. E até que o instrumental tem uma boa construção, mas não tem a menor profundidade para explorar as possibilidades que poderia ser a salvação da lavoura. E o grande problema Just Us é performance apática de Jack, especialmente nos primeiros versos que tudo parece se fundir em uma massa sem graça, gosto, textura ou cor. É uma perda do que poderia ser uma boa canção, mas que pelo menos a Doja Cat se sai quase totalmente ilesa.
nota: 5



9 de fevereiro de 2025

O Ano das Rosinhas

Born Again
LISA, RAYE & Doja Cat

Continuando a jornada para que o Blackpink tenha as melhores carreiras solos das suas integrantes, a Lisa lança a sua melhor canção com a deliciosa Born Again.

E esse resultado é preciso agradecer especialmente a britânica Raye. Não apenas a cantora faz uma participação substancial e sensacional na canção, mas, também, é coautora e coprodutora (ao lado de Andrew Wells). E isso é o que dá o toque precioso para a canção, pois é fácil observar a visão única, inteligente e refinada da Raye na construção dessa graciosa, chiclete, chic e inspirada nu-disco com infusões de dance-pop, pop rap e funk que cria uma batida atemporal e envolvente. Existe um odor de perfume caro que exala de Born Again que gruda na gente mesmo depois de ter escutado que é o toque de genialidade da produção. A composição é outro trabalho inteligente que sabe ficar muito bem na linha entre o polêmico ao usar metáforas religiosas para falar sobre desejo e a estética pop graciosa, especialmente no ótimo refrão. A canção poderia ser ainda melhor se tivesse alguns ajustes finos na participação das três artistas envolvidas. Lisa entrega uma performance inspirada e a divisão com a Raye é inteligente, mas essa último rouba a cena daquela que seria a estrela da canção. Além disso, Doja Cat poderia estar mais presente no resto da canção fora do seu estiloso, divertido e requintado verso em que a mesma transita entre a sua vertente cantora e a rapper. De qualquer forma, as três artistas dão liga no resultado final, criando em Born Again a primeira grande parceria de 2025.
nota: 8

29 de outubro de 2023

As Loucuras de Doja Cat

Paint The Town Red
Demons
Doja Cat

A Doja Cat é o que podemos chamar de artista coringa. Não apenas devido ao fato da mesma coringar de tempos em tempos, mas como o fato de ser sempre uma grande surpresa sobre o que vai lançar. E a mesma provou esse status com o lançamento de dois singles interessantes: Paint The Town Red e Demons.

Primeiro lugar na Billboard despois de viralizar, Paint The Town Red é uma cadenciada, original e viciante mistura de rap, R&B e pop que se mostra bem mais substancial devido a sua cuidadosa produção. Equilibrada entre o lado artístico e o comercial, a canção apresenta o uso sensacional e inteligentíssimo do sample da clássica Walk On By da Dionne Warwick que não se sobrepõe ao resto da canção e também não é usado à toa. Lançada como single promocional, Demons é uma verdadeira porrada sonora ao ser ruidosa e áspera trap/harcore hip hop que é o tipo de canção que gera amor ou ódio. Na minha opinião, a canção funciona devido ao fato de Doja levar tudo para outro nível com a sua explosiva performance e o impressionante clipe. Ambas canções apresentam ótimas letras em que a rapper vai fundo em dizer o que se passa na sua mente. Acredito que essa nova da Doja Cat seja o momento que a artista irá o seu total potencial para o bem ou para mal.
notas
Paint The Town Red: 7,5
Demons: 7,5



2 de julho de 2023

Nova Era

Attention
Doja Cat

Doja Cat é a artista que a o mundo fonográfico precisava tem algum tempo. Sem medo de ser controversa sem ainda ultrapassar barreiras sem voltas e, principalmente, entregando trabalhos com qualidade. Abrindo a divulgação do seu próximo álbum foi lançada a interessante Attention.

Longe de ter a cara de um single que poderia ser esperado, a canção é um acerto no instante que mostra a artista está na busca de ampliar seus horizontes sonoros ao flertar com o experimental. Uma mistura bem intencionada de hip hop, neo soul, trip hop e boom bab (subgênero do East Coast hip hop) em que a produção trabalha em criar toda uma densa atmosfera em invés de querer dar uma batida que seja apenas para hitar. E, apesar de não ser para todos os gostos, Attention funciona no instante que se mostra como esse amadurecimento da Doja sem perder, porém, o seu lado carismático. Isso é mostrado com a sua contida, mas agressiva e irônica performance que consegue expressar toda a raiva que a mesma coloca na sua ótima composição que é uma resposta aos seus críticos e o reforço da sua persona. Attention é um começo auspicioso e surpreendente para a nova era da Doja Cat.
nota: 7,5

17 de maio de 2022

O Poder Do Sample

Vegas
Doja Cat


Irei fazer uma afirmação forte, mas que acredito que seja realmente verdadeira: com o material certo nas mãos, a Doja Cat é insuperável. Uma pena que a artista tenha que passar por tanta coisa medíocre para entregar canções como a ótima Vegas.

Fazendo parte da trilha do filme Elvis sobre a estrela do rock, a canção tem a engenhosidade e inteligência de usar o sample de um dos sucessos do cantor para dar base para a canção em Hound Dog. Todavia, a versão aqui escutada fortemente é a versão original em forma de blues da cantora Big Mama Thornton. Ao tomar essa decisão, a produção resgata as verdadeiras origens do rock na música negra para criar um tem para um filme que espero mostre esse cenário. Com essa base poderosa, Vegas já ganha qualidade, mas também acerta devido a sua deliciosa batida R&B, blues e hip hop. O uso do sample poderia ser ainda mais explorado, mas isso não tira o brilho do resultado final e, especial, a sensacional performance de Doja. Divertida, despretensiosa, sexy e com personalidade bem definitiva, a rapper/cantora se mostra bem mais interessante quando a mesma tem em mãos uma canção tão boa quanto é Vegas.
nota: 8

15 de fevereiro de 2022

Uma Outra Face da Doja Cat

Celebrity Skin
Doja Cat


Apesar de realmente não ter gostado do seu último álbum devo admitir que a Doja Cat é uma artista realmente talentosa. E quando a mesma entrega um cover sólido como é caso de Celebrity Skin fica tudo ainda mais claro.

Lançado para o comercial da lanchonete americana Taco Bell, o cover do clássico da banda Hole mostra que Doja é uma camaleoa que consegue se adaptar as mais variados estilos e gêneros de maneira perfeito. Respeitando o original, a verão entrega um bem produzido pop/punk/rock que consegue ter personalidade suficiente sem se tornar uma pastiche. Obviamente, Doja não tem a força de uma Courtney Love, mas a sua performance é bastante segura, deixando aberto a possibilidade da cantora se aventurar por essas bandas sonoras. Quando tem um bom material nas mãos, Doja Cat mostra realmente o seu potencial.
nota: 7,5

5 de dezembro de 2021

A Salvação da Lavroura

Woman
Doja Cat

Dentro de todas as canções de Planet Her, Woman é de longe uma das melhores, mas isso não impede que a Doja Cat ainda esteja longe de entregar todo o seu potencial.

Uma agradável afrobeat que invoca o poder feminino, o single tem uma batida extremamente fácil de viciar mesmo passando longe da originalidade. Linear na sua primeira metade, Woman ganha vida com o verso em rapper de Doja entrega de maneira fluida e com personalidade. E é a presença da cantora que consegue realmente elevar poderia ser um tiro no pé. Uma pena que isso não acontece com as outras canções do álbum.
nota: 7

21 de abril de 2021

2 Por 1 - Doja Cat

Kiss Me More (feat. SZA)
Streets
Doja Cat

Ainda é complicado para mim analisar as canções da Doja Cat devido a todo o contexto que a cerca. Além das polêmicas que a artista está envolvida nos últimos anos, a carreira de Doja é assombrada pelo fantasma Dr. L#ke que é compositor/produtor de várias canções da artista como é o caso do sucesso Say So. Esse último problema é amenizado com a possibilidade da artista ainda ter que trabalhar com essa pessoa devido aos contratos assinados no começo da carreira. Isso não tira o peso incomode de ouvir Kiss Me More.

Com a participação da SZA, a canção é a aposta da cantora/rapper para ter o mesmo impacto do seu maior sucesso. Em partes, Kiss Me More alcança esse feito ao ser uma envolvente e carismática dance-pop/disco pop que tem personalidade suficiente para se destacar em relação a Say So. O problema, além de ter o dito cujo envolvido como já citado, é que o resultado final da canção parece envolvido em uma película sonolenta. A batida parece não empolgar no nível que poderia, mas, sim, fica entre o caminho entre o sensual/envolvente e o explosivo/dançante. Existe, sim, uma produção bastante redondinha e gostosinha que sabe adicionar nuances interessantes na canção. O que não é existe é um toque de mestre para fazer a canção brilhar inteiramente. Apesar de uma performance adocicada e bem colocada, SZA não consegue dar peso real para o resultado de Kiss Me More. Já Doja mostra carisma sem apresentar nada de novo em uma performance metade cantora, metade rapper. Quando Doja tem um material mais explosivo, porém, a mesmo é capaz de entregar algo como o sucesso viral de Streets.

Ainda parte do álbum Hot Pink, a canção ganhou destaque devido o seu sucesso no Tik Tok para depois ganhar destaque nas paradas e virar single. Sem a presença do inominável na produção ou composição, Streets é a prova da versatilidade de Doja Cat em uma canção sensual, densa e com uma personalidade bastante distinta de tudo que a mesma apresentou até agora. Uma mistura de R&B com hio hop que se assemelha com os trabalhos do The Weeknd, especialmente no seu começo de carreira, Streets mostra a maturidade sonora que Doja pode chegar quando deixa de lado saídas fáceis para construir uma identidade mais aprimorada. Densa e sombria, Streets se beneficia e muito da dualidade entre a cantora e a rapper de Doja que dá ainda mais corpo para a canção. É fato que Doja Cat é um talento, mas ainda precisa aparar o excesso de problemas que estão em volta da sua carreira.
notas
Kiss Me More: 7
Streets: 8



18 de outubro de 2020

Quem é Doja Cat?

Freak
Doja Cat

Até o momento, a Doja Cat já entregou disco, pop, rap. hip hop e R&B em canções completamente distintas entre si. Isso não é nenhum problema se a cantora mostrasse personalidade de verdade. E não é com Freak que teremos uma amostra verdadeira da real Doja Cat.

Freak é uma inusitada doo-wop/R&B/rap que funciona até melhor que o esperado devido a surpreendente e a bem usada sample de Put Your Head on My Shoulder do Paul Anka de 1959. A produção também acerta ao saber dosar bem todos os elementos de forma inteligente. Um pouco longa, a canção poderia ser bem melhor se tivesse a personalidade de Doja bem melhor lapidada. Entregando uma performance que transita entre a sua persona cantora e a sua persona rapper, a artista ainda soa verde para sustentar uma canção tão “grandiosa” sonoramente. A composição sobre sexo tem seus momentos, mesmo que não tenha a força necessária para virar hit como Say So. Vamos esperar se a artista possa responder no futuro: quem é Doja Cat? 
nota: 7

10 de maio de 2020

Guerra dos Remixes

Say So (feat. Nicki Minaj)
Doja Cat

Savage (Remix) [feat. Beyoncé]
Megan Thee Stallion

E no meio do caos eis que surge uma guerra. Felizmente, essa guerra é inofensiva, pois é sobre quem lançou o melhor remix recentemente. De um lado temos Megan Thee Stallion ao lado da Beyoncé em Savage. Do outro lado marca a presença de Doja Cat com a Nicki Minaj em Say So. E a pergunta: quem venceu?

Canção que está fazendo Doja Cat se tornar a próxima grande promessa, Say So pode até ser uma canção envolta em problemas, mas é um trabalho inspirado e um dos sucessos de 2020. A sua versão remix é, infelizmente, uma grande decepção. O principal problema é que a presença de Nicki Minaj é completamente aleatória, desnecessária e que não acrescenta em nada o resultado final. Pior: surgido do nada, o verso da rapper quebra o clímax ao mudar a batida para algo minimalista e sem graça. A música continua quase intacta após a aparição de Minaj, ajudando a canção não desandar mais ainda. O mais triste é que o verso da rapper é sozinho um bom momento que foi completamente desperdiçado. Saindo-se bem melhor está Megan Thee Stallion.

Canção de maior sucesso da rapper, Savage ganha uma versão remix com intuito de reverter todos os lucros para ajudar as vitimas do corana vírus na cidade de Houston, cidade onde as duas artistas nasceram. O resultado sonoramente não pode nem ser chamado de remix, pois está mais para um reconstrução e criação de uma nova canção. E o principal acerto é a presença magistral da Beyoncé. Exercitado o seu lado rapper, a cantora está completamente confortável nesse papel entregando uma performance inspiradíssima e com uma personalidade radiante, sexy e madura. Além disso, Bey não faz apenas uma rápida aparição, mas, sim, verdadeira participação. Na verdade, essa versão de Savage parece mais como Beyoncé feat. Megan Thee Stallion do que ao contrário, mesmo que a dona de verdade tenha seus momentos de brilhar. Todavia, os versos icônicos que Queen B entrega já entram para a categoria de momentos íconicos de 2020. Sonoramente, Savage pega o melhor da versão original, adiciona nuances e entrega uma viciante e substancial trap pop. Acredito que está bem claro quem vence essa disputa, não é?
notas
Say So: 6,5
Savage: 8

19 de março de 2020

Uma Situação Complexa

Say So
Doja Cat

Fiquei muito em dúvida em se deveria fazer a resenha de Say So da nova promessa da música estadunidense Doja Cat devido a, infelizmente, fatores externos. Um relacionado a própria música e outro relacionado a artista.

Primeiramente, Doja Cat usou expressões homofóbicas no Twitter e mesmo depois de ser "chamada a atenção" continuou a defender a sua atitude minimizando-a. Só depois de uma grande repercussão negativa que a mesma realmente se desculpou. Em segundo e, para mim, o mais importante, Say So foi co-escrita e produzida por Lukasz Gottwald que é, na verdade, o Dr. Luke usando um novo nome artístico (TYSON TRAX). E para quem sabe sobre o histórico pessoal do produtor não é algo para ser esquecido. Depois de pensar muito decide resenhar a canção, pois, ao que parece, Say So parece ser o próximo grande sleeper hit do ano e, apesar dos problemas, a canção por si é um trabalho realmente muito bom.

Comprovando o que já tinha notado, Say So é fortemente influenciado pela nova onda do pop: a disco. Dessa vez, porém, não é apenas influência, mas, sim, a base quase toda da canção que adiciona pop e rap para dar uma liga mais atual. E devo admitir que a produção consegue criar uma batida excelente, carismática e comercial sem deixar de lado sua personalidade. A grande estrela da canção, porém, é a presença Doja Cat que consegue equilibrar muito bem o lado cantora com a rapper, lembrando uma versão mais delicada da Nicki Minaj. O único problema técnico que tenho com a canção é a sua composição que entrega um refrão bom, mas um pouco longo para um hit pop, e os versos cantados e em rap que parecem não se falarem tematicamente. Uma pena, porém, que ao menos para mim Say So vai ficar marcada por motivos que fogem da sua qualidade.
nota: 7,5