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11 de janeiro de 2026

Encontro Fosco

girl, get up.
Doechii & SZA


Você sabia que a Doechii e a SZA lançaram uma canção juntas recentemente? Não? Então, não se sinta excluído, pois o lançamento de girl, get up. meio que passou despercebido. E olha que é uma boa canção.

Uma elegante, madura e estilizada mistura de hip hop, R&B alternativo e toques de afrobeats, a canção tem um refinamento muito bem-vindo para a construção e evolução sonora da rapper. Todavia, o resultado final da produção é bem menos impactante esteticamente do que o esperado para que a canção pudesse virar um novo hit para as envolvidas. girl, get up é um trabalho competente, mas fica mais como um filler que ganhou a luz do dia. Mesmo assim, a performance contida, mas raivosa, da Doechii e a presença iluminada da SZA — ainda que pudesse ser maior — dão personalidade suficiente à canção. Além disso, a ótima composição, em que a rapper coloca alguns pingos nos is, mostra o quanto a lírica da artista é inteligente, às vésperas de lançar seu primeiro álbum. É um aperitivo muito bom, que dá vontade de sobra para saborear o que está por vir.
nota: 8

3 de março de 2024

OLD SZA LIVES!

Saturn
SZA

Recentemente falei como estava sentindo falta da “velha” SZA e eis que a cantora preenche essa lacuna com o lançamento da ótima Saturn.

Apesar de fazer parte do relançamento de SOS que vai se chamar de Lana, a canção tem muito mais haver com a sonoridade do começo da carreira da cantora. Ao resenhar Drew Barrymore em Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single apontei que a principal que a canção tinha um lado artístico bem pungente que costurava toda a sonoridade de Ctrl, o álbum debut da cantora. E isso se repete em Saturn. Apesar de não apresentar nada muito diferente, a produção entrega uma canção com profundidade emocional tocante, um instrumental rico e uma atmosfera que consegue equilibrar o lado comercial com precisão. Ainda é uma música comercial, mas tem essa energia magistral de estarmos ouvindo todo o potencial da SZA. E isso fica ainda melhor com a fantástica performance da artista que injeta ainda mais sentimento na ótima composição sobre passar por uma crise existencial sobre o seu lugar no mundo. Se a SZA continuar nessa mesma pegada pode estar entrando na sua fase de ápice criativo logo depois do estrondoso sucesso comercial. E isso seria genial.
nota: 8,5

7 de janeiro de 2024

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Drew Barrymore
SZA

Antes de se tornar uma hitmaker, a SZA despontou no cenário musical já como a nova estrela do R&B desde o começo. Todavia, a sonoridade da cantora tinha um lado bem diferente do atual em que a cantora apostava mais no experimental do que o comercial como prova a sensacional Drew Barrymore, um dos primeiros sucessos da sua carreira.

Quero deixar claro que gosto da atual sonoridade da cantora, mas como escrevi na resenha de SOS que “a produção deixa a desejar no instante que esse escopo todo falta uma carga de exploração das possibilidades que a sonoridade ouvida é capaz de chegar”. E é em Drew Barrymore que esse lado artístico da cantora se mostra de maneira plena. O grande trunfo da canção é a capacidade de criar uma batida encorpada, refinada, envolvente e classuda de R&B que é misturada com uma dose cavalar de grunge que dá para o resultado final um resultado estranhamente renovador que a transforma em algo genial e, ao mesmo tempo, tão familiar. Atualmente, as canções da SZA não têm esse vigor sonoro que a fez ser notada e isso é algo que realmente sinto falta. O que não dá para sentir falta é da maestria lírica que consegue descrever as inseguranças sobre a sua aparência em um relacionamento que parece não ter o peso para os envolvidos. Apesar de ter outros envolvidos, a composição deixa claro a força criativa da SZA que mostra essa sensibilidade até quando está em canções não tão inspiradas. O nome da canção é devido ao fato de a cantora ter se inspirado no personagem da Drew Barrymore em Nunca Fui Beijada. E o ponto mais interessante da canção é que existe um lado comercial, mesmo que seja bem contido em relação a esse fator. Espero que no futuro a SZA posso continuar a fazer esse sucesso imenso, mas também entregar canções tão inspiradas como essa perola.
nota: 9

12 de outubro de 2023

A Conquistadora

Snooze
SZA

É necessário louvar o fato que a SZA conseguiu transformar uma carreira que tinha um alcance mediano comercialmente para ser uma verdadeira dona de uma coleção de arrasa quarteirão um atrás do outro. E fazendo isso com qualidade alta como é o caso de Snooze.

Sonoramente, a canção repete com classe a formula básica da sonoridade atual da cantora: uma refinada e comercial R&B com personalidade de sobra. Apesar de não ser exatamente original, Snooze é excitante e envolvente com a sua batida sexy e, ao mesmo tempo, melancólica. E acredito que um dos fatores para a cantora se destacar tanto é o fato das suas composições serão tão possíveis de relacionar, pois a mesma consegue expressar de maneira única sentimentos como estar tão apaixonada que faria qualquer coisa por quem se ama. Espero que a SZA posso mudar essa formula para não se tornar no futuro uma cópia de si mesma, mas por enquanto a mesma pode se vangloriar de ter encontrado a receita para o sucesso.
nota: 7,5

30 de abril de 2023

Pra Quê?

Kill Bill (remix) (feat. Doja Cat)
SZA

Depois de participar de alguns remixes que não são remixes, a SZA lança um para chamar de seu com o lançamento de Kill Bill com a participação da Doja Cat.

Vamos aos fatos: a canção é a mesma apenas com a adição do verso da Doja do começo. E você pergunta: pra quê? Artisticamente, não serve para nada, pois é literalmente é tudo igual a original, mesmo que o verso da Doja seja bom ao basicamente recontar a cena entre Vivica A. Fox e Uma Thurman no filme que dá nome a canção. O motivo é comercial, pois, apesar do sucesso da canção, Kill Bill bateu na trava para alcançar o numero um da Billboard. O lançamento desse remix pode ajudar a fazer SZA conquistar esse marco na sua carreira. E se isso acontecer é a razão única para existir esse remix.
nota
Original: 7,5
Remix: 7

28 de fevereiro de 2023

A Boa Presença

Special (Remix)
SZA & Lizzo

Acredito que já tenham notado que tenho certos problemas com os famosos remixes que não são remixes. Entretanto, ás vezes existem alguns que furam a bolha como é o caso de Special da Lizzo.

Uma das melhores canções do álbum homônimo, a canção tem na sua versão “remix” a participação da SZA que, surpreendente, resulta em algo que dá certa personalidade para a canção. Além de entoar um vero novo logo no começo da canção, a presença da cantora adiciona uma dose de personalidade diferente para a canção que a faz ganhar um toque refinado para Special. Sonoramente, a canção não muda muito ao ser uma sólida R&B sobre aceitação própria que é clichê, mas sincera. Special (Remix) não é exatamente especial, mas dá para ser melhor que o esperado.
nota: 7,5

15 de janeiro de 2023

Matadora

Kill Bill
SZA


Ao contrário da Beyoncé, a SZA aproveitou o sucesso orgânico de Kill Bill para fazer da canção um verdadeiro sucesso com lançamento de clipe e uma pesada promoção. E o mais interessante é que a canção é essencialmente uma canção da SZA.

Kill Bill, que faz referência direta ao filme de Quentin Tarantino, é uma carismática, inteligente e viciante R&B com toques de pop que não reinventa a roda, mas faz um arroz com feijão tão gostoso que fica difícil de resistir. A melhor qualidade vem da sua ácida, humorada, divertida e emocional composição que narra a fúria/ressentimento da narradora depois do fim de relacionamento que resta apenas matar o seu ex. Nada de novo sob o sol, mas a inteligência lírica de SZA entrega momentos inspirado como, por exemplo, “I'm so mature, I got me a therapist to tell me there's other men” ou “I might kill my ex, I still love him, though/Rather be in jail than alone”. E com isso, SZA se torna dona do primeiro grande sucesso de 2023.
nota: 7,5

4 de novembro de 2022

Vibes

Shirt
SZA


Prometendo fazer o seu comeback definitivamente faz algum tempo, a SZA parece que finalmente irá cumprir suas promessas com o lançamento de Shirt.

Produzido pelo veterano Darkchild, a canção apresenta uma suculenta atmosfera da sonoridade feita para o R&B no começo dos anos dois ao ter uma batida cadenciada e bem demarcada com a base de percussão que dá para a canção uma vibe sensual e bastante envolvente. Muito bem construída, Shirt só faltou ter um clímax mais ressaltado para arrematar a canção de forma perfeita. O que preenche parte dessa lacuna é a performance espetacular da SZA que domina cada segundo da faixa, exalando sensualidade misturada com toques de raiva e melancolia que são perfeitas para a vibe que a canção passa. Não acredito que será um grande sucesso comercial, mas Shirt é muito bem vinda para a discografia da SZA.
nota: 8

9 de dezembro de 2021

As Vantagens do Viral

I Hate U
SZA


Tenho falado algumas vezes sobre o quanto prejudicial vem sendo essa onda de canções que viram virais e, por consequência, sucesso entre parte do público devido a transformar delimitar ainda mais quem e quem não faz sucesso comercial. Felizmente, existe um lado bom quando o resultado disso é lançamento de boas canções como é I Hate U da SZA.

Depois de disponibilizada pela cantora no SoundClound, a canção virou sucesso no TikTok e agora ganha um lançamento oficial. Devo admitir que I Hate U não é a melhor canção da cantora, mas ainda é exemplo claro da supremacia que a artista traz para o R&B. Deliciosamente cadenciada e com um refrão excepcional, a faixa funciona mesmo devido a presença marcante de SZA e as nuances vocais que a mesma usa durante toda canção. Outro ponto forte é a sempre desconcertante composição que fala sobre um relacionamento tóxico. Acredito que a canção poderia ter uma finalização melhor, especialmente na sua parte final para elevar o seu clímax, mas isso não impede de I Hate U ser uma das melhores canções virais do ano.
nota: 7,5

22 de outubro de 2021

O Remix Que Vale A Pena

fue mejor
Kali Uchis & SZA


Se a tendencia de fazer um remix de uma canção que não é um remix veio para ficar é melhor que o resultado seja acima da média como é o caso de fue mejor em que a Kali Uchis chamou a SZA para uma parceria bem azeitada.

A grande qualidade dessa versão é não mexer demais no já ótimo resultado final, mas também adicionar a personalidade da convidada de maneira natural e equilibrada. fue mejor é uma deliciosa, sensual e climática mistura de latin pop com R&B que consegue ter personalidade única distinta e ter essa qualidade comercial tão perfeita que chega a doer se a canção não virar um sleepy hit igual a Telepatía. Outra qualidade é a forma orgânica que as duas artistas combinam sem soar como um caça níquel barato. fue mejor continua a provar que a Kali Uchis é o tipo de artista que continua a crescer e que precisa de ainda mais reconhecimento.
nota: 8

12 de janeiro de 2021

Começando o Ano em Alta Versão 2021

Good Days
SZA


Durante dois anos (2018 e 2019) comecei o ano novo com uma grande canção que parecia que ia dar o tom dos próximos 365 dias. Ano passado, porém, comecei diferente com uma música que se transformou em uma das caras de 2020. Felizmente, 2021 voltará com as boas noticias devido ao lançamento da auspiciosa Good Days da SZA. 

Diferente da sensual Hit Different, Good Days tem uma delicadeza e serenidade na sua atmosfera que ajuda a dar a pegada ideal para transportar a ótima composição. Procurando paz de espirito e autoconhecimento, SZA revela que descobriu que parte dos seus problemas era o relacionamento tóxico que a impedia de ser feliz. Apesar de certa verborragia, a letra de Good Days é um trabalho complexo, inteligente e com uma personalidade poética que sabe tirar de um tema “banal” algo realmente edificante. Além disso, a produção é outro grande acerto, pois, sem sair longe do R&B contemporâneo que a fez a cantora estourar, consegue entregar uma instrumentalização forte, rica, inspirada e com estufo primoroso, especial na parte final que o arranjo toma conta com adição de nuances muito bem vindas. Se o ano de 2020 tiver essa mesma qualidade será realmente um bom ano. 
nota: 8

27 de setembro de 2020

Uma Onda Diferente

Hit Different (feat. Ty Dolla $ign)
SZA

Um dos nomes mais importantes da nova geração do R&B, SZA finalmente parece que está preparando o seu aguardado segundo álbum com o lançamento do single Hit Different. E mesmo que a canção não seja o seu melhor trabalho, o single é bom o suficiente para a cantora manter o hype bem alto.

Hit Different é uma sensual, cadenciada e envolvente R&B que entrega nada de novo sob o Sol, mas é feita de maneira graciosa e com nuances que fazem toda a diferença. Produzido pelo The Neptunes, a canção já começa diferente ao colocar o rapper Ty Dolla $ign para entoar o refrão, revertendo os costumeiros papeis. E isso faz diferença no resultado final ao dar para a canção personalidade extra. A batida é muito bem pensada e que conquista pelas pequenas surpresas aqui e ali que ajudam a dar corpo ao trabalho. O grande diferencial de Hit Different, porém, é a presença marcante, sexy e encorpada de SZA que entrega tudo o que era preciso e mais para segurar uma canção com essa produção. Poderia ser um trabalho ainda melhor, mas, felizmente, o talento de SZA é sempre um motivo para elogia-la. 
nota: 7,5

15 de março de 2020

Fofinho

The Other Side
SZA & Justin Timberlake

Para quem não se lembra, um dos maiores sucesso da carreira do Justin Timberlake foi o hit Can't Stop the Feeling. Além do imenso sucesso e ser número um em diversos países, a canção ainda rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção devido a ser tema da animação Trolls. Quatro anos mais tarde, JT volta para apresentar o novo tema do filme com a fofa The Other Side. Dessa vez, o cantor divide o holofote com a ótima SZA.

Na verdade, a canção soa mais como com SZA featuring o Justin Timberlake do que um dueto de verdade. E isso não é nenhum problema, pois ajuda a colocar mais holofotes bem brilhantes sobre o talento que ainda precisa ser melhor descoberto da cantora por parte do público. E The Other Side é um bom veículo já que mostra um lado mais pop e comercial da cantora, mesmo que a sua performance soe um pouco deslocada. Não ajuda muito a presença tímida de Justin que não faz muito para dar liga com a sua parceria. O bom da canção é a sua produção que cria um inofensivo, dançante e redondinho dance-pop com toques de R&B que combina bem com intenção de ser um possível hit comercial para adultos e, claro, para fazer crianças se balançarem nas salas de cinema. E, ás vezes, é isso que a gente precisa para criar uma boa canção pop.
nota: 7

15 de janeiro de 2018

Uma Trilha para Lamar

All The Stars
Kendrick Lamar & SZA

Existe uma singularidade em relação a trilhas sonoras de grandes filmes em Hollywood que, apesar de um pouco raro, normalmente resulta em bons resultados quando se escolhe apenas um artista para tomar conta da produção sozinho da produção. Não estou falando das trilhas incidentais, mesmo que tenha alguns exemplos de artistas "pop" trabalhando nessa área, mas, sim, da trilha com músicas, digamos, "cantadas" assim como foi o caso do Bee Gees em Os Embalos de Sábado a Noite. O mais novo a entrar nesse hall é o rapper Kendrick Lamar que irar cuidar da trilha do filme Pantera Negra, ajudando a dar ainda mais visibilidade para o primeiro filme de super-herói negro do cinema. Como primeiro single desse projeto foi lançada a boa All The Stars, parceria coma cantora SZA.

Vamos primeiramente ao lado negativo de All The Stars: unindo duas forças do atual cenário musical, principalmente Lamar, a canção é uma tem uma conservadora produção, bem longe das "aventuras" sonoras e a originalidade dos trabalhos dos dois artistas. O resultado final ao ser comparado com as músicas que ambos já entregaram é um pouco decepcionante, mas, felizmente, All The Stars ainda é bem melhor que a média. Misturando hip hop com R&B e um pouquinho de pop, o single tem uma batida forte e demarcada, a canção acerta no tom sensual e na atmosfera radiofônica. A composição é boa, apesar de não entender muito como essa temática romântica pode encontrar ressonância dentro do filme. Com pouco tempo aparecendo devido a ter apenas um verso, Kendrick é colocando um pouco de lado devido a presença iluminada dos vocais de SZA. De qualquer forma, a presença sempre forte de Lamar é um convite para ter a noção que essa trilha será algo para aguardar com esperança.
nota: 7,5

12 de outubro de 2017

Um Giro R&B Feminino

Deadwood
Toni Braxton

The Weekend
SZA

The Line
RAYE

Incapable
Keyshia Cole


Depois de dar uma olhada em como anda o country chegou a vez de falarmos de outro importante gênero que está deixado meio de lado: o R&B. Especialmente irei falar sobre aquele feito pelas mulheres que, principalmente, na década de noventa era algo gigantesco. Agora, o gênero foi renegado a um nicho bem longe do mainstream comercial. Felizmente, ainda existem ótimos artistas que carregam a bandeira dignamente como é o caso da veterana Toni Braxton.

Conhecida pelo mega sucesso de Un-Break My Heart, Toni Braxton ainda está na ativa mesmo que não tenha o mesmo sucesso que na década de '90. Depois de dar a volta por cima ao enfrentar problemas de saúde e financeiros, a cantora irá lançar o seu nono álbum que tem como primeiro single a boa Deadwood.

Longe da grandiosidade do seu maior sucesso ou mesmo da maior parte das canções na sua discografia, Deadwood é uma sólida e redondinha faixa que tem uma pegada bem violão e voz. O arranjo mostra uma Toni bem mais simples e contida, longe de qualquer exagero sonoro. A batida que a produção pode até careta, mas é bem feita e combina bem com a pegada geral da faixa. Com uma composição falando sobre dar a volta por cima depois de uma grande desilusão amorosa, Toni ainda é dona de um voz completamente sua e um timbre distinto e carismático que dá para qualquer canção uma vibe sexy e aveludada. Sem correr grande riscos, mas sabendo como usar toda a sua experiência, Toni ainda é uma força a ser reconhecida como tal. Assim como é a novata SZA

Considerada com um dos melhores nomes surgidos nos últimos tempos, SZA ajuda o grande público a entender qual é a desse novo R&B, mas sem perder a sua vertente comercial. Como terceiro single do seu álbum de estreia foi lançada a ótima The Weekend.

A canção que é a melhor do álbum é uma pequena e brilhante amostra do que a cantora é capaz de fazer. The Weekend fala sobre uma situação complicada: a narradora ama um cara que também ama outra garota e, então, a mesma precisa aceitar a situação para poder ficar com o cara. Não é expresso, mas a canção fala sobre como ama a garota que é "a outra". Normalmente, canções assim falam sobre traição no lugar de fala de quem é traído e, não, de quem é a outra parte da equação. Ousada e com uma construção impecável que exala toda a atmosfera cool de SZA, mostrando o quanto inteligente é a cantora ao criar a suas composições. Além disso, a cantora entrega uma performance tão descolada e carismática que ajuda a canção a ter mais personalidade com a sua batida sensual, delicada e cadenciada. Apesar de ter mais destaque nos Estados Unidos, não é só desse lado do Atlântico que existem boas cantoras de R&B novatas. 

RAYE é uma britânica que recentemente ficou em terceiro lugar na prestigiada lista Sound of... da BBC e tem todas as chances de ser a próxima artista a estourar lá na terra da Rainha. Entretanto, a cantora ainda precisa de ganhar um verniz mais refinado como prova a canção The Line.

Com uma batida com uma pegada mais pop que R&B, The Line poderia ser um trabalho comercialmente perfeito, mas que erra em uma construção de batidas confusa. A canção tem várias ideias sonoras interessantes e que poderiam fazer a diferença nessa canção dançante. Só que a produção não consegue dar a liga para todas essas batidas e, pior, não dá o brilho necessário para que a canção se destaque como deveria. Não é o caso de The Line ser ruim, mas de não ser tão boa quanto a sua ideia. Felizmente, RAYE é uma cantora interessante e segura bem a canção no final das contas. Algo que a veterana Keyshia Cole não tem nenhum problema em fazer.

Incapable, single do seu próximo álbum, é a prova cabal que mesmo com as mudanças ao longo dos anos, o bom e velho R&B bem feito é algo louvável. Sem grandes arrombos sonoros, Keyshia Cole entrega uma refinada, tradicional e bem produzida balada R&B sobre finalmente terminar um relacionamento turbulento, mesmo que isso a faça sofrer. Interpretando de maneira corretíssima por Keyshia, Incapable é o tipo de canção que poderia fazer sucesso uns quinze anos atrás. Isso, felizmente, não tira o brilho da mesma e, também, de um gênero que continua vivo e forte em várias formas diferentes. 




notas
Deadwood: 7,5
The Weekend: 8
The Line: 6,5
Incapable: 7,5