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29 de março de 2026

Enfim, Um Comeback?

Don't Make Me Love U
Lizzo


Depois de ensaiar um comeback que não deu certo artisticamente ou comercialmente, a Lizzo prepara um novo retorno com o lançamento de Don't Make Me Love U. E tenho que admitir que é bem mais promissor do que eu esperava.

Não acho que a fase de “flop” da cantora irá passar tão cedo, mas o single é realmente um trabalho ótimo, especialmente devido às decisões acertadas da produção. A maior delas é o uso inteligente e criativo de duas interpolações de canções lendárias: The Best, da Tina Turner, e Livin' on a Prayer, do Bon Jovi. As melodias dessas duas músicas ajudam a construir Don't Make Me Love U, dando claramente à faixa — que mistura dance-pop, synth-pop e pop soul — cara, coração e alma dos anos oitenta. E é uma influência que não parece forçada ou baseada em uma nostalgia barata, devido, principalmente, à inteligência da produção em não deixar a canção ser engolida pelos samples, mas, sim, em utilizá-los apenas como base para uma construção independente.

Isso fica claro quando a gente escuta pela primeira vez sem saber dessa escolha criativa, pois dá a sensação de ser apenas uma canção inspirada na estética oitentista, e não fortemente dependente dela. E, quando percebemos, tudo passa a fazer total sentido, criando uma dinâmica bem interessante. Outro grande ponto positivo é a performance sensacional da Lizzo, que entende perfeitamente o estilo da canção e entrega uma carga emocional poderosa, além de um desempenho vocal admirável.

O ponto fraco de Don't Make Me Love U é a composição formulaica sobre dar um ultimato em um relacionamento “ioiô”, mas isso não atrapalha o resultado final a ponto de tornar a canção menor do que realmente é.

Pode não ser a salvação da carreira da Lizzo, mas a faixa é uma amostra de que ela ainda tem muito a mostrar.
nota: 8

20 de abril de 2025

Ainda OK

Still Bad
Lizzo


Ainda tentando emplacar seu comeback, a Lizzo entrega em Still Bad nada interessante que possa a fazer a volta ao topo.

Uma boa canção que tem a marca da cantora, o single não tem, porém, o fator especial que a fez estourar alguns anos atrás como sucesso como em About Damn Time ou Truth Hurts. Quase como se fosse produzida no automático mediano, Still Bad é divertida dentro do que pretende entregar que é ser uma dance-pop/boogie/pop rock dançante e com uma mensagem positiva sobre se reerguer. Funciona bem, mas não anima a gente em comprar de foto o que a Lizzo está “vendendo”. O que funciona mesmo aqui é a performance ótima da Lizzo que demonstra seu poder vocal de maneira confiante e segura. Uma pena que a canção não esteja exatamente na mesma altura para que ao mesmo seja um comeback criativamente interessante.
nota: 7

9 de março de 2025

Volta Morna

Love in Real Life
Lizzo


Depois de um hiato de três e várias polêmicas envolvendo o seu nome, a Lizzo está de volta com o lançamento da mediana Love in Real Life.

Sempre com bons singles que estreiam a sua nova era, a cantora erra na execução do novo single, especialmente no seu inexistente clímax final. Essencialmente, Love in Real Life é uma canção bem produzida ao ser uma dançante mistura de pop rock, R&B e sybth funk, mostrando uma nova faceta da cantora. Todavia, a produção também comete erros na sua execução como, por exemplo, o seu termino abrupto e sem graça que deveria ser uma verdadeira explosão. Também não gosto muito das transições nada suaves entre a cadencia dos refrões com os versos. Além disso, a composição é apenas ok, faltando tempero e graça para a letra sobre voltar a “curtir a vida”. Um comeback morno para a Lizzo que não combina em nada com a sua persona.
nota: 6,5   


28 de fevereiro de 2023

A Boa Presença

Special (Remix)
SZA & Lizzo

Acredito que já tenham notado que tenho certos problemas com os famosos remixes que não são remixes. Entretanto, ás vezes existem alguns que furam a bolha como é o caso de Special da Lizzo.

Uma das melhores canções do álbum homônimo, a canção tem na sua versão “remix” a participação da SZA que, surpreendente, resulta em algo que dá certa personalidade para a canção. Além de entoar um vero novo logo no começo da canção, a presença da cantora adiciona uma dose de personalidade diferente para a canção que a faz ganhar um toque refinado para Special. Sonoramente, a canção não muda muito ao ser uma sólida R&B sobre aceitação própria que é clichê, mas sincera. Special (Remix) não é exatamente especial, mas dá para ser melhor que o esperado.
nota: 7,5

14 de agosto de 2022

Do Males o Menor

2 Be Loved (Am I Ready)
Lizzo

O próximo single da Lizzo retirado do álbum Special é 2 Be Loved (Am I Ready) e não a polemica e divisível Grrrls. Felizmente, a escolha é uma boa ideia, mesmo não sendo a melhor.

Com grande potencial de virar viral, 2 Be Loved (Am I Ready) é uma dance-pop/pop rap com toques de funk e disco que cria uma batida leve, dançante, fácil de agradar gregos e troianos, mas não muito marcante. Existe uma falta de urgência na canção assim como quase em todo o álbum que deixa a canção sem o brilho extra que os outros trabalhos da cantora tinham, mas não apaga a luminosidade da presença carismática da Lizzo. E isso fica clara no clímax da canção em que 2 Be Loved (Am I Ready) alcançar um outro nível, especialmente devido a força luminosa da cantora e de um refrão irresistível. Acredito que encontrando o seu público, a canção poder ser o próximo sucesso da carreira da Lizzo.
nota: 7

19 de abril de 2022

De Volta aos Bons Tempos

About Damn Time
Lizzo

Elevada ao posto de diva ao explodir com os sucessos de Good as Hell e Truth Hurts e, também, a sua magnética personalidade e presença artista, a Lizzo está de volta para mostrar que não apenas um fogo de palha resistente. Depois do desempenho bom, mas abaixo do esperado, de Rumors ao lado da Cardi B, a cantora lança a divertida About Damn Time.

A canção não mostra um lado da cantora, mas, sim, continua a sua capacidade de entrega uma divertida, energética e empoderada pop/R&B em que a força da cantora é combustível necessário para fazer a canção funcionar. A sua performance é sensacional e continua a deixar claro a sua imensa versatilidade ao mesclar entre o cantar o rap de maneira fluida e dinâmica como poucas artistas conseguem no cenário pop. A produção também acerta ao adicionar o sample Hey DJ de The World's Famous Supreme Team, criando uma deliciosa atmosfera post-disco que perdeu um pouco o embalo da onda dos últimos tempos. Devo admitir que About Damn Time não avança artisticamente a carreira da Lizzo, mas é um trabalho irresistivelmente contagiante.
nota: 7,5

13 de agosto de 2021

Dona Lizzo Ao Ataque

Rumors
Lizzo & Cardi B

Depois de finalmente alcançar o sucesso merecido devido ao sucesso estrondoso de Good as Hell e Truth Hurts, a Lizzo faz o seu comeback com a divertida Rumors com a participação da Cardi B. E mesmo com alguns defeitos, a canção mostra o que a cantora sabe fazer de melhor: ser a Lizzo.

Rumors começa estranha sonoramente, pois parece que existe uma desconexão entre a presença da Lizzo com o instrumental. Todavia, quando a canção vai encorpando e acrescendo toques de funk, rock e hip hop, o resultado melhora drasticamente para chegar em um final explosivo e realmente inspirado. Entregando carisma e força, a cantora mostra novamente a sua versatilidade imensa e uma química ótima com a Cardi B. A rapper poderia sim ter uma maior participação, mas o seu verso é realmente bem acima da média. Refletindo sobre a sua recepção perante a mídia e parte do público, Lizzo continua de forma inteligente a estabelecer a sua imagem empoderada sem precisar se submeter aos padrões da sociedade. Não é um trabalho genial, mas ajuda a continuar a fazer da Lizzo uma das artistas mais excitantes dos últimos tempos.
nota: 7


12 de novembro de 2019

O Poder Do Show

Good as Hell
Lizzo

A Lizzo vem construindo uma carreira em que os seus maiores sucessos vem de canções com já alguns aniversários de lançamento. Depois de Truth Hurts de 2017, a vez agora é de Good as Hell, lançada em 2016, chegar ao topos das paradas. Ajuda pelo sucesso já alcançado pela canção anterior, Good as Hell teve o seu e grande boom inicial devido a explosiva apresentação da Lizzo no último MTV Awards, provando que apresentações ainda repercutem após a revolução dos streamings. E, claro, a canção também tem as suas qualidades.

Good as Hell é, assim como Truth Hurts, uma canção sobre empoderar a si próprio sem ter medo do que os outros irão falar. Dessa vez, porém, o foco é menos dramático e com uma pegada de "sorrir" para a vida, indo em direção ao famoso "hakuna matata". Divertida, dona de um refrão certeiro e rápida, Good as Hell também se diferencia pela produção mais R&B/soul com toques de pop, criando uma deliciosa batida que poderia ter mais nuances, mas, felizmente, é o exemplo perfeito que não é preciso recriar a roda para fazer uma boa canção. Além disso, Lizzo entrega uma performance maior que a própria canção e coloca cada segunda a sua personalidade ímpar. E a versão "remix" com a Ariana Grande é a mesma coisa que a versão original, mas com a presença de um verso da cantora com rabo de cavalo. Nada de mais. O destaque aqui é a canção original e a força da Lizzo. Espero que se a mesma continuar com a mesma pegada de sucesso, os seus próximos sucessos comercias sejam as canções que a mesma lançou esse ano.
nota: 7,5

15 de agosto de 2019

A Pequena Grande Revolução da Lizzo

Truth Hurts
Lizzo

Apesar já ter uma carreira com alguns anos de estrada, a Lizzo finalmente está acontecendo perante o mainstream com o lançamento do aclamado Cuz I Love You. E esse sucesso é mais representativo que pode parecer.

Muito mais que o fato de Truth Hurts ter lançado a canção e 2017 e apenas agora a mesma está fazendo sucesso é compreender que só da cantora está fazendo sucesso já algo revolucionário. Negra, fora dos padrões físicos e dona de empoderamento contagiante e sem medo de ser "barulhento", Lizzo provavelmente não tinha espaço dentro do mainstream a alguns anos atrás devido exatamente a essas características. A sua ascensão mostra que a indústria fonográfica e, claro, parte da sociedade está mudando ao poucos, abrindo espaço para todos aqueles que não tinham voz ativa possam conquistá-la. Imagina que importante deve ser para uma jovem menina negra fora dos padrões se ver representada na figura poderosa da Lizzo? Isso é algo que não tem preço. E acredito que Truth Hurts é um hino de empoderamento perfeito para essa revolução.

Truth Hurts é uma canção que, apesar de tratar de uma temática sobre relacionamento, é, na verdade, sobre a mulher se empoderar. Ao descrever como se livrou daquele encosto em forma de boy, Lizzo afirma e confirma que a melhor coisa para uma mulher não cair nessas ciladas é a mulher acreditar que ela é realmente bem mais interessante, poderosa, bonita e dona de si que os outros podem pensar. O melhor de Truth Hurts não tenta passar essa mensagem de forma clichê e repetitiva, mas de uma forma divertida, ácida e cheia de frases que deveriam virar mantras para a vida como, por exemplo, I just took a DNA test, turns out/ I'm 100% that bitch. A performance de Lizzo também é fantástica, misturando estilos e cheia de nuances que apenas agregam para a canção. O ponto fraco da canção é a sua produção que mistura hip hop com trap e pop de forma bem feita e até original, mas que demora a conseguir engrenar na cabeça de quem escuta. Não é, porém, um grande problema no final das contas, pois Truth Hurts é muito mais importante que qualquer pequena defeitinho técnico.
nota: 8

3 de junho de 2019

Um Encontro Part. 2

Tempo (feat. Missy Elliott)
Lizzo

Provando que 2019 será o melhor ano da sua carreira até o momento, a cantora/rapper Lizzo dá outra amostra deliciosa do seu álbum Cuz I Love You ao lançar Tempo, a sua colaboração com lendária Missy Elliott.

A primeira coisa que é necessário ser falada é que Tempo poderia ser melhor, principalmente devido aos talentos envolvidos e, primordialmente, devido a canção lembrar trabalhos geniais da Missy como, por exemplo, Lose Control WTF (Where They From). Todavia, a canção entrega algo que já é sensacional ao ser uma mistura de hip hop, funk e dance-pop com uma batida eletrizante e de uma cadencia deliciosamente irresistível. Divertida, sensual e com certa esquisitice sonora que apenas dois nomes como as envolvidas poderia carregar, Tempo tem uma letra relativamente rasa, mas divertida, empoderada e espirituosa. Assim como a canção, as performances da Lizzo e da Missy poderiam ser melhores, mas o que é ouvido na canção já é algo que vale a pena a existência da canção.
nota: 7,5

26 de fevereiro de 2019

O Ano da Lizzo?

Cuz I Love You
Lizzo

Nem sempre um artista consegue conquistar o público logo nos primeiros anos de carreira, mesmo já tendo lançado singles e até álbuns. É preciso algum tempo para o público descobrir o talento não tão escondido, mas quando isso acontece é possível que o artista tenha um boom mais do que merecido que parece ser do nada. Esse pode ser o caso da cantora/rapper Lizzo para 2019.

Depois de lançar a deliciosa JuiceLizzo surpreende com o lançamento de Cuz I Love You, pois a canção é completamente diferente da anterior. E mais: o single quebra qualquer expectativa sobre o que a artista poderia entregar. Dando nome ao seu próximo álbum, Cuz I Love You é uma poderosíssima e espetacular mistura inusitada de doo-wop inspirado nos anos sessenta com adição de soul music e toques de indie rock que poderia muito bem resultar em uma bomba sonora. Entretanto, a produção da banda de rock X Ambassadors consegue dar sentido a essa loucura, criando uma canção impressionantemente ousada e com uma personalidade avassaladora. Apesar da temática romântica, Cuz I Love You é mais sobre se deixar amar ao abrir o coração sem ter medo de quebrar a cara. Bem composta, a canção não dá espaço para pieguismos sinceros, mas, sim, verdadeira desconcertante e uma lirica simples e direta. Só que a canção não teria o mesmo impacto se não tivesse a presença de Lizzo, pois a cantora entrega uma das performances vocais mais acachapantes dos últimos tempos. Poderosa do começo ao fim, versátil e com um alcance impressionante, a cantora eleva o que já era muito bom ao ser a poderosa cola que juntar qualquer ponta solta e, ao mesmo tempo, ser o toque de genialidade final que a canção precisava para fazer de Cuz I Love You um verdadeiro acontecimento nesse começo de 2019. E, quem sabe, ajudar a fazer de 2019 o ano da Lizzo.
nota: 8,5

6 de janeiro de 2019

Começando o Ano em Alta Versão 2019

Juice
Lizzo

Exatamente há um ano escrive na resenha de Finesse do Bruno Mars com a Cardi B o seguinte: "começando o 2018 nesse nível as expectativas vão crescendo a espera de um ano sensacional para a música". E, queridos leitores, posso repetir a mesma frase em 2019 depois de ouvir a ótima Juice da rapper Lizzo.

Nome que sempre quis trazer ao blog, mas que nunca consegui devido à várias circunstâncias, Lizzo pode até não ter o mesmo espaço no mainstream como a Cardi B ou Nicki Minaj, mas é tão interessante quanto qualquer nome atualmente nos topos das paradas. Na verdade, como demonstra Juice, a rapper merecia um sucesso arrebatador. O single é uma contagiante e empolgante dance R&B/soul/disco que faz você querer sair dançando como se não houvesse um amanhã. Despretensiosa, divertida e deliciosamente gostosa de ouvir, Juice é o tipo de canção que deve virar uma frequente na playlist de muitos nesse começo de ano. Além disso, a composição empoderada e, por vezes, hilária e a presença carismática e "larger than life" de Lizzo é outro imenso atrativo para Juice. Espero que esse começo seja realmente um aviso do bom ano a nossa frente no mundo da música e, não, uma grande fake news.
nota: 8