2 de agosto de 2026

Primeira Impressão

DIRTY BLONDE
Bebe Rexha




Ao chegar ao quarto álbum da carreira, Bebe Rexha conquista liberdade artística para decidir os caminhos da sua carreira. E isso ajuda a cantora a entregar, disparado, o seu melhor trabalho.

DIRTY BLONDE não é exatamente um grande álbum de maneira geral, mas, sim, uma produção divertida, despretensiosa e com momentos realmente inspirados. O grande conceito sonoro do álbum é uma exploração da música eletrônica/pop, indo do EDM ao dance-pop, com camadas de electropop, synth-pop, house e country-pop. Isso cria uma sonoridade que a gente conhece da Bebe, mas com um cuidado criativo maior, o que ajuda a elevar alguns degraus em relação aos trabalhos anteriores da artista.

Não espere, porém, algo de uma riqueza sonora brilhante ou que se aprofunde esteticamente, pois o álbum tem uma estrutura e construção rápidas e rasteiras. Todavia, a grande qualidade da proposta é a sinceridade em querer criar algo realmente divertido e dar à Bebe um material que possa mostrar bem sua capacidade. E é isso que acontece no álbum, especialmente quando a produção acerta na mosca.

Sem nenhuma dúvida, o melhor momento de DIRTY BLONDE já aparece na sua abertura com a ótima Hysteria: “uma excitante e histérica mistura de pop rock com electro house que funciona perfeitamente ao ficar bem na beiradinha da farofa, encontrando o criativo e, também, o clichê. É um lugar difícil de construir uma canção como essa, mas a produção acerta bem ao fazer da experiência algo rápido e rasteiro, não deixando espaço para furos ou tropeços, já que poderia facilmente descambar para uma bomba atômica sonora”. Com esse abre-alas impactante, o álbum poderia continuar na mesma frequência, mas, infelizmente, faz alguns desvios com canções que, mesmo seguindo o briefing conceitual, não conseguem sair de alguns lugares-comuns sonoros. Isso cria “bolsões” sonoros que meio que puxam o álbum para baixo, em vez de manter o mesmo nível de qualidade. É preciso dizer que, mesmo quando o álbum tropeça, a produção, de maneira geral, entrega canções acima da média, que passam bem longe de serem momentos que explodem negativamente o álbum. E, de tempos em tempos, o álbum volta aos trilhos com uma canção realmente inspirada.

A próxima, na sequência, a segurar a qualidade no alto é a magnética New Religion: “um trabalho curioso por ser um ‘remake’ da canção Insomnia, da banda Faithless, sendo algo parecido com o que foi feito em Wild Thoughts. E a grande surpresa é que funciona muito melhor do que o imaginado. Pegando parte da construção da parte final da canção original, New Religion é uma excitante, elegante e eficiente progressive house com dance-pop e diva house que dá certo devido à produção competente e madura, que cria uma canção que funciona sabendo a gente ou não da sua origem. E, mais que isso, há o fato de a produção saber como usar os clichês do gênero de uma maneira inteligente, não duvidando da inteligência de quem escuta”.

Com essa liberdade, Bebe também é capaz de explorar melhor as composições, pois DIRTY BLONDE também explora temas liricamente mais íntimos como, por exemplo, sua autoimagem e relacionamentos tóxicos. Ainda são trabalhos que refletem limitações ao penderem mais para os clichês dos gêneros, precisando de uma melhor refinação e amadurecimento. Todavia, outro grande ponto positivo é que a cantora demonstra total segurança vocal, carregando com maestria todo o álbum sozinha, sem contar com nenhuma participação especial. E isso ajuda a deixar exposta toda a sua capacidade vocal, mesmo que ainda não esteja exatamente no nível máximo dela.

Outros momentos que precisam ser citados como destaques são a carismática Çike Çike, por ser “uma ousada, divertida e intrigante mistura de eurodance, tech house, electropop e deep house, que nunca desce aos porões dos gêneros escolhidos, mas também encontra inspiração genuína e surpreendente”, a segura e classuda One Day e, por fim, a realmente boa Sad Girls, em que, devido à “sensacional performance de Bebe, que domina a canção de uma maneira tão imponente que faz a faixa ganhar vida de verdade, especialmente porque dá para notar que ela adiciona emoção genuína à sua interpretação”.

DIRTY BLONDE não é um álbum perfeito, mas é perfeito para começar a nova fase da carreira de Bebe Rexha.


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