2 de agosto de 2026

Primeira Impressão

Middle of Nowhere
Kacey Musgraves




Middle of Nowhere, sétimo álbum da carreira da Kacey Musgraves, continua a comprovar o motivo de a artista ser uma das mais importantes do country moderno. E olha que o trabalho ainda fica um pouco distante dos melhores trabalhos da carreira da cantora.

O álbum tem como principal marca a “volta” da artista a uma sonoridade bem mais country/country-pop, deixando um pouco de lado as experimentações e/ou influências de outros gêneros que marcaram a virada da carreira da artista. Isso não é ruim, pois Kacey não renega o que fez, mas, sim, volta a entregar o que fazia em um passado mais distante, que foram os primeiros trabalhos da sua carreira.

E o mais interessante é que a artista está trabalhando novamente com os mesmos produtores de todos os seus álbuns desde o vencedor do Grammy de Álbum do Ano com Golden Hour, trabalho que marcou a transição da carreira da mesma. Então, Middle of Nowhere vem da mente dos mesmos que souberam muito bem adicionar novas camadas para o country de Kacey e agora voltam a olhar de maneira mais centrada para o gênero.

O resultado não é uma explosão sonora, pois o álbum meio que fica preso a algumas amarras que não o deixam se aprofundar. Todavia, o álbum é sólido, refinado, carismático e bem conduzido, sabendo muito bem entregar uma sonoridade madura que faz Kacey voltar ao começo sem, porém, fazê-la soar datada ou perder a força artística que sempre construiu. E essa base é a ideal para outra qualidade da cantora: a sua escrita.

Assim como todos os grandes artistas do gênero, a maneira como Kacey escreve suas letras sempre deixa clara a sua capacidade de contar uma história de maneira bem direta e que tem a qualidade de se conectar diretamente com quem ouve. Aqui, a cantora faz reflexões sobre o seu pós-divórcio, solteirice, solidão e a compreensão de quem é no atual estágio da vida, criando letras honestas e simples que transitam bem entre a acidez, a melancolia, o humor e a honestidade, que chega a ser meio desconcertante de tempos em tempos. E isso acontece no melhor momento do álbum, a ótima Dry Spell, “devido à composição ácida, divertida, ousada e autodepreciativa ao narrar sobre a “seca” sexual da mesma. Nunca um assunto como esse poderia resultar em algo tão bem escrito e maduro se não tivesse alguém com o tino lírico da cantora, pois a maneira como a canção é escrita dá para perceber toda a sua personalidade exposta e explorada. E isso é algo revigorante, já que é usado para explorar sentimentos como solidão e autocuidado”.

Outros momentos de destaque do álbum são a crônica sobre continuar achando que o boy tóxico vai mudar em Back On The Wagon, a deliciosa batida de I Believe In Ghosts e, por fim, a empoderada Loneliest Girl, sobre entender as vantagens de estar sozinha.

Middle of Nowhere é um trabalho que coloca um novo tijolo na construção vigorosa da carreira da Kacey Musgraves. Não é o melhor, mas está no mesmo nível de qualidade que faz jus ao talento da artista.

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