24 de agosto de 2026

Primeira Impressão

Do That Again
Malcolm Todd




Qual é a sonoridade do álbum Do That Again, do Malcolm Todd? Essa seria uma pergunta fácil se o próprio artista soubesse exatamente o que está fazendo, pois, apesar de alguns momentos inspirados, o álbum é um trabalho totalmente sem foco, o que atrapalha o resultado final.

A variedade sonora não seria problema e, sim, uma qualidade, se a produção conseguisse também fundir de uma maneira a juntar todas as pontas soltas e asperezas que o álbum apresenta. E isso, infelizmente, não é alcançado, gerando um álbum que é, ao mesmo tempo, indie pop/rock, R&B alternativo, alt-pop, bedroom pop e outros, que a gente nunca realmente consegue entender. A persona do Malcolm Todd de verdade. É nítido ver as ambições que o artista possui, especialmente quando temos os momentos que fogem da curva e conseguem acertar de maneira sem maiores problemas. Todavia, devido à falta de refinamento da produção, Do That Again finaliza sem realmente dizer para o que veio, ao atirar para vários lados sem nunca saber qual é o alvo. Além disso, a segunda metade do álbum vai se arrastando em uma coleção de faixas que puxam ainda mais o álbum para baixo.

O grande momento do álbum é quando todas as peças parecem funcionar e Malcolm mostra uma personalidade bem definida e surpreendente na ótima Breathe, ao ser “uma mistura sexy, dançante, envolvente e carismática de pop, R&B e alt-pop que emoldura o estilo de produção do Pharrell Williams. A canção passa longe de ser uma pastiche barata, mas tem um quê claro de “brincadeira” ao seguir por esse caminho, o que funciona melhor do que o esperado”. Outro momento inspirado é a baladinha R&B com toques bem-vindos de indie rock Obsessica.

Do lado mais indie do álbum, o destaque vai para I Saw Your Face, que “mostra uma outra faceta do artista ao ser uma sólida faixa de indie rock/pop que não reinventa a roda sonoramente, mas tem uma produção muito acertada, refinada e com personalidade”. E, por fim, outro bom momento é a pop rock/soul Difficult Love, que tem uma boa construção atmosférica e instrumental.

Do That Again é um álbum que poderia ser bem melhor se Malcolm Todd soubesse qual é a sua voz artística, que, possivelmente, apenas o tempo pode fazê-lo encontrar. Quem sabe?



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