9 de agosto de 2026

Primeira Impressão

HALO
Tiffany Day




Sempre gosto de ser surpreendido positivamente quando o resultado é minha cara sendo quebrada por esperar algo ao ouvir um álbum e ter o resultado completamente diferente. Esse é o caso de HALO, da Tiffany Day.

A minha impressão era que o álbum seria uma colagem de canções hyperpop que parecessem mais como projetos de boas ideias do que realmente algo completo e com personalidade diferente. Todavia, o que o álbum entrega não é apenas a construção de uma sonoridade interessante que a produção entrega em canções com forma bem definida e construída, mas também uma artista que tem bastante coisa para falar e não tem medo de ser honesta e pessoal em uma sonoridade que não necessariamente cabe ser tão íntima, sendo parecido com o que a Charli XCX fez em Brat. Tenho que admitir que Tiffany parece bem mais “raw” ao falar sobre assuntos emocionais em composições que contrastam com a sua produção, e isso é um ponto muito auspicioso para uma artista que está apenas no segundo álbum.

E essa qualidade fica bem clara no melhor momento do álbum, que é a ótima e edificante mistura de hyperpop com electropop Same LA. A faixa é sobre se sentir deslocada das pessoas e, mesmo assim, tentar se enturmar com alguém que claramente não tem nada a ver com a sua personalidade, pois tem algum tipo de paixão ou admiração. Sincera, sensível e, também, divertida, a canção é um trabalho que exala criatividade lírica devido à forma como o tema é descrito, de maneira que é sentimental com um verniz de inteligência apurada. Gosto especialmente de como, nesses dois versos, a cantora é capaz de sumarizar a mensagem da canção: “I realized the other day/ We don't live in the same L.A.”. Isso, todavia, poderia ser jogado de lado se não tivesse uma produção competente à sua voz. Felizmente, HALO tem isso bastante, especialmente devido à mão da própria Tiffany.

Produzindo doze das treze canções ao lado de colaboradores, a artista entrega um álbum competente, carismático, seguro e que deixa traços do que possivelmente pode ser um futuro genial. A grande qualidade do álbum é saber misturar hyperpop com gêneros como, por exemplo, electropop, EDM, house, electroclash, dance-pop e outros de uma maneira natural que consegue terminar sendo refrescante, mesmo não sendo exatamente novidade. É um trabalho com personalidade real e palpável, mas que ainda precisa de amadurecimento, que, claramente, vai vir com o tempo. Em Start Over, por exemplo, a canção cria um trabalho classudo e corpulento em uma batida hyperpop com elementos bem introduzidos de house e EDM que não se sobrepõem, mas também não são usados de maneira a serem deixados de lado.

Momentos que precisam ser citados como destaque em HALO são a quase bate-cabelo em PRETTY4U, que “esconde” uma canção sincera sobre auto-image, a marcante abre-alas EVERYTHING I'VE EVER WANTED, que dá o tom perfeito para o resto do álbum e, por fim, a batida de NO LUCK, que sabe ser comercial na medida certa, que é também experimental.

HALO é um trabalho que deveria fazer a Tiffany Day entrar na lista de grandes promessas. Pelo menos na minha está com certeza.

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