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2 de setembro de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Hips Don't Lie (featuring Wyclef Jean)
Shakira


Em 2006, Shakira lançou como single a canção Hips Don't Lie, do relançamento de Oral Fixation, Vol. 2. A cantora já era um fenômeno mundial. Na América Latina, a mesma já tinha se consolidado como um nome de peso fazia algum tempo, e o mercado estadunidense e mundial já havia sido introduzido à artista devido ao sucesso de Laundry Service, em 2001. Todavia, o gigantesco sucesso da canção elevou a carreira da colombiana para um outro nível de sucesso estelar, fazendo a cantora se tornar figura carimbada entre as maiores de todos os tempos.

Originalmente, a canção era para marcar a reunião do The Fugees na época, que acabou não saindo do papel. Então, a canção foi “dada” para Shakira, pois a mesma estava cotada para ser parte do remix. E, sinceramente, não acho que, nas mãos de outra pessoa, a canção teria tanto sucesso, pois a canção é embebedada na personalidade da artista, assim como toda a sua estrutura criativa. Claro, a produção e a participação de Wyclef Jean, haitiano de nascimento, também contribuem bastante, mas é claro que existe um tempero extra que apenas a Shakira no ápice da sua criatividade poderia oferecer.

E, com a união de talentos, é criada uma excitante, única, vibrante, original, viciante e atemporal latin pop/dance-pop, que incorpora preciosamente elementos de cumbia e, principalmente, reggaeton, sendo uma das primeiras canções de sucesso mundial que explorou o gênero latino antes da sua popularização. Todavia, Hips Don't Lie não se limita a apenas um caminho, pois a produção cria um instrumental que consegue agregar todas as influências e usá-las da maneira mais inteligente possível, com camadas que dão uma força descomunal, já que a canção é uma das mais reconhecíveis dos anos 2000. Existem, porém, alguns detalhes negativos na canção que é preciso abordar.

Até entendo que seja devido à presença maior do Wyclef Jean, mas a canção parece mais ser um featuring do Wyclef Jean com Shakira do que o contrário, devido à presença do rapper, que é bem grande durante toda a duração. Apesar disso, é preciso apontar que o rapper entrega uma ótima performance, que encontra química com a presença marcante da cantora, que consegue colocar toda a sua personalidade de maneira plena. Tenho que apontar que tenho certo problema com a mixagem da voz da cantora em alguns momentos, mas sua força é tão grande que dá uma apagada nesses “tropeços”. Outra grande qualidade da canção é a sua composição cheia de clichês, mas extremamente eficiente, que gruda na nossa mente e sabe genialmente misturar inglês e espanhol.

Hips Don't Lie é o tipo de canção que poderia muito bem ter sido lançada devido à sua origem, mas é a peça fundamental na carreira de uma das maiores artistas latinas da história.
nota: 8,5

9 de agosto de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Dance for You
Beyoncé

Lançada como parte da versão deluxe de 4, Dance For You é uma das melhores canções dessa era, pois agrega todas as qualidades do álbum e adiciona mais uma camada de sensualidade. Uma pena, porém, que não seja tão lembrada dentro da discografia da cantora.

Com mais de seis minutos, a canção é um trabalho de uma riqueza sonora admirável devido à espetacular construção instrumental, que vai criando camadas para o desenrolar envolvente, magnético e de uma elegância cativante. Produzido pela cantora ao lado do The-Dream, Dance For You é uma mid-tempo R&B com toques de soul que consegue ter uma batida tradicional sem soar nada datada devido, principalmente, à inteligência com que tudo vai sendo explorado para nunca deixar a canção perder um pingo de interesse, mesmo devido à sua grande duração. É como uma montanha-russa que nunca para de descer, sempre mantendo a adrenalina no alto. O motivo para isso é a sua moldura sensual, sexual e deliciosamente safadinha da ótima composição.

A canção é uma clara declaração de amor em que a pessoa quer mostrar da maneira mais picante possível. E isso é feito de uma maneira explícita, mas totalmente refinada e que nunca chega nem perto do vulgar. É o famoso sexy sem ser vulgar. E, queridos leitores, Dance For You é o tipo de canção que “exala” sexo mesmo sem precisar da composição, pois a parte instrumental já faz o trabalho por si. Quando adiciona a letra, o resultado é ainda mais provocativo e instigante, que é contemplado por uma performance da Beyoncé simplesmente hipnotizante. A cantora parece preencher qualquer lacuna com sua voz, que nunca precisa de grandes modulações, mas, sim, apenas da presença magistral para dar toda a força emocional por trás do desejo expresso na canção.

Apesar de ser um trabalho escondido, Dance For You é uma das canções mais preciosas da carreira da Beyoncé.
nota: 9

6 de agosto de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Lush Life
Zara Larsson


Se a Zara Larsson só alcançou o atual status que desfruta depois de mais de dez anos de carreira, é preciso que a mesma tenha começado de algum lugar. E a canção que a fez despontar artisticamente e comercialmente foi o hit Lush Life.

Lançada em 2015 como primeiro single do seu segundo álbum (So Good), a canção é o tipo de trabalho ao qual a gente pode até não ter dado atenção na época, mas fica claro que estávamos diante de alguém com potencial. E o grande destaque aqui é a performance segura e carismática da Zara, que segura a canção não apenas bem, mas também adiciona toques de personalidade legítima que fazem a canção ganhar pontos no resultado final. Claro, ainda existe certa noção de estarmos diante de uma jovem que, na época, tinha apenas 17 anos e, por isso, ainda estava aprendendo a usar melhor o seu potencial.

Todavia, Lush Life é o tipo ideal de canção que dá para uma cantora ainda inexperiente a plataforma ideal para começar a explorar vocalmente, pois a canção entrega uma produção tão redondinha e confiável que é a base para artistas poderem brincar com as possibilidades. E é isso que Zara faz ao adicionar doses controladas da sua personalidade para entoar essa simpática, divertida, solar e viciante mistura de tropical pop e electropop.

Com uma letra bem escrita, ingênua, inofensiva e apenas acima da média, Zara faz de Lush Life a sua pedra fundamental na construção da sua carreira, que vai se tornando algo realmente memorável.
nota: 7,5

22 de fevereiro de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Work It Out
Beyoncé

Apesar de estar em algumas edições internacionais de Dangerously in Love, o primeiro single real da carreira solo da Beyoncé foi a canção Work It Out. Uma pena que, devido ao não sucesso comercial da faixa, ela tenha sido meio que deixada de lado dentro da discografia da cantora, mas precisa ser reconhecida como uma grande canção.

Produzida pelo The Neptunes, duo composto por Pharrell Williams e Chad Hugo, a canção foi usada como tema do filme Austin Powers in Goldmember, no qual Beyoncé tem um papel coadjuvante. Para emoldurar o filme, que se passa em uma versão estilizada dos anos 70, Work It Out capta perfeitamente essa vibe ao ser uma eletrizante, vintage e refinada mistura de funk, R&B e soul, que fica perfeitamente na linha entre a paródia e a reverência. E acredito que era essa a atmosfera que a produção desejava, devido ao estilo do filme. Com essa inteligência criativa, a canção se torna um trabalho especialmente marcante para quem a conhece. Todavia, o grande trunfo da faixa é a presença de Beyoncé.

Se Crazy in Love foi o momento decisivo para mostrar a força da artista, Work It Out foi o momento em que ela mostrou que poderia ter essa força. Primeira canção solo da carreira, a performance sensual, contundente e poderosa da cantora deixou bem claro que seu carisma e talento eram capazes de sustentar canções que exigem uma artista versátil e de alcance gigantesco. E é isso que ela deixa transparecer aqui, mesmo não sendo seu trabalho mais marcante. O ponto fraco da canção é a composição, que cumpre bem seu papel, mas não tem um apelo especial para amarrar as pontas soltas aqui e ali.

De qualquer forma, Work It Out é o começo perfeito, mas esquecido, da carreira solo de Beyoncé, que merece muito mais reconhecimento.
nota: 8

4 de janeiro de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Ain't It Funny
Ain't It Funny (Murder Remix) (feat. Ja Rule and Caddillac Tah)
Jennifer Lopez


No auge da sua popularidade comercial, Jennifer Lopez conseguiu alguns feitos notáveis que atualmente não parecem mais possíveis de acontecer. E um desses feitos foi o sucesso de Ain’t It Funny, mais precisamente de seu “remix”.

Na verdade, a grande surpresa, digamos assim, não é o sucesso de Ain’t It Funny (Murder Remix), mas sim o fato de que, apesar de se apresentar como um remix, trata-se, na realidade, de uma canção totalmente nova. Lançada como quarto e último single do segundo álbum da cantora (J.Lo), a versão original não teve bons resultados comerciais nos Estados Unidos, mas se saiu bem ao redor do mundo, alcançando um top 3 no Reino Unido. Sonoramente, Ain’t It Funny é uma mistura melhor do que o esperado de pop latino com toques de salsa e disco, contando com uma ótima instrumentalização. Dançante, sensual, comercial e realmente cheia de personalidade, a canção figura entre as melhores da carreira da cantora.

A música ganharia uma nova chance nas paradas quando o remix de outro single do mesmo álbum, I’m Real, atingiu o topo da Billboard ainda em 2001, levando a cantora a lançar o álbum de remixes J to tha L–O! The Remixes, tornando-se o primeiro trabalho do gênero a alcançar o primeiro lugar em vendas nas paradas. Como primeiro single oficial, foi lançada Ain’t It Funny (Murder Remix). Entretanto, a canção não tem, de fato, nada a ver com sua versão original, sobrando apenas o nome e seu uso no refrão. Na prática, trata-se de uma música nova em todos os sentidos, principalmente no aspecto sonoro e lírico.

Do pop latino para o R&B/hip hop, Ain’t It Funny (Murder Remix) é uma canção um pouco presa ao seu tempo, já que é facilmente perceptível que sua sonoridade pertence a um período bastante específico que, devido a essas limitações, não carrega uma sensação de atemporalidade. Todavia, a música consegue ser nostálgica na medida certa, pois possui uma força estética poderosa graças à produção inteligente, que oferece a todos os envolvidos a plataforma perfeita para brilhar. Nunca conhecida como uma grande vocalista, J.Lo entrega uma performance segura e carismática, mesmo quando comparada ao que poderia ter sido com a então novata Ashanti, que, além de coescrever a canção, pode ser ouvida em várias partes como backing vocal. E a presença marcante de Ja Rule é um dos motivos pelos quais a música é, ao mesmo tempo, inesquecível e um fruto claro de sua época. Uma relíquia do passado que mostra que, querendo ou não, o legado de Jennifer Lopez é maior do que muitos tentam reduzir.
notas:
Ain't It Funny: 8
Ain't It Funny (Murder Remix):: 7,5

31 de agosto de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Pon de Replay
Rihanna


Completando vinte anos de carreira em um momento em que, apesar de completamente afastada da música, Rihanna ainda é um dos nomes mais importantes da música mundial sem nenhuma dúvida. Decido, então, voltar bem ao começo e relembrar o single que deu início a tudo: Pon de Replay.

Primeiro single do primeiro álbum (Music of the Sun) da carreira da Rihanna, a canção é o que se pode dizer de um começo promissor, mesmo estando bem longe do que a cantora iria entregar nos anos posteriores. A grande qualidade da canção é que, voltando na máquina do tempo, a produção entrega algo que não estava em alta naquele momento ao fazer uma fusão radiofônica e viciante de dancehall com dance pop, dando uma personalidade completamente única para a então iniciante. É divertida, é dançante, é envolvente e tem personalidade, mesmo que tenha alguns problemas na sua construção. E o maior deles é a sua repetição sonora, pois a batida criada para a canção segue uma linearidade que não necessariamente atinge um pico quando chega ao seu clímax. Felizmente, a construção da canção tem pegada suficiente para conseguir se manter durante sua duração de mais de quatro minutos. Ainda verde, Rihanna entrega uma boa performance, pois a canção deve ter sido feita especialmente na moldura das características da Riri, exaltando suas qualidades de maneira a tirar o máximo. Mesmo sendo uma boa canção que envelheceu bem, Pon de Replay não dá quase nenhuma pista do que seria o futuro da Rihanna.
nota: 7,5

22 de junho de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Mr. Brightside
The Killers


Apesar de ser fã do The Killers, nunca realmente mergulhei na discografia da banda nos anos iniciais. Então, resolvi resenhar o single que os fez estourar em um distante 2003: o clássico moderno Mr. Brightside.

Lançada como o primeiro single da banda do seu primeiro álbum (Hot Fuss), a canção foi um imenso sucesso comercial, especialmente para o gênero/estilo da banda, ficando no top dez da Billboard e da parada britânica, com uma vendagem total de cerca de 20 milhões de cópias. Esse sucesso ajudou a transformar a banda em um fenômeno mundial, consolidando, de certa maneira, a sonoridade da banda nessa época e como ela ficou gravada no consciente coletivo. Tenho que admitir que isso é bem fácil de notar aqui, mas também preciso admitir que a canção não envelheceu tão bem.

Mr. Brightside ainda é uma ótima canção, mas parece datada e presa a um período de tempo muito bem definido para a sonoridade da banda e da época. E isso tira certo brilho ao final, já que a despe da possibilidade de ser algo realmente atemporal. Felizmente, a canção, que foi produzida pela própria banda, mantém a sua qualidade de ser um trabalho refinado e grandioso ao ser uma estilizada pop rock/new wave, com pinceladas de post-punk, que se diferencia das bandas de sucesso comercial da mesma época ao ter uma sonoridade mais voltada para um público mais maduro.

Com um grande instrumental, produção criativa e uma melodia fantástica, a canção tem na sua composição outro elemento fundamental para o sucesso do The Killers, que é essa capacidade de criar algo realmente grudento/viciante, saído dos laboratórios do mais puro pop e, ao mesmo tempo, com profundidade temática e um estilo lírico próprio. Mesmo não sendo o melhor momento da sua carreira, os vocais de Brandon Flowers são decisivos para que Mr. Brightside funcione na sua totalidade devido à sua distinta e poderosa presença. Vinte anos passados do seu lançamento, a canção tem um lugar devido na história da música, mesmo que não seja o mais genial.
nota: 8

1 de junho de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Messy
Lola Young


Já disse algumas vezes aqui no blog que, infelizmente, nem sempre consigo “dar conta” dos principais lançamentos, mesmo tentando ao menos ser o mais abrangente e cuidadoso nas canções que decido resenhar. E é por isso que, de vez em quando, passa despercebida alguma canção que merecia a minha atenção. Esse é o caso de Messy, da Lola Young.

Single do seu segundo álbum, chamado This Wasn't Meant for You Anyway, a canção foi lançada em maio de 2024, mas foi ganhando destaque aos poucos devido a se tornar um viral no TikTok. E, ao contrário de canções que ganham esse status, Messy é uma canção com substância lírica e sonora. Caminhando no legado de cantoras britânicas que pavimentaram a história da música, a canção é uma refinada e sofisticada mistura de soul/pop soul, com uma estrutura muito bem pensada pela produção que ganha um belo e profundo verniz de indie rock, conferindo à canção novos contornos. Entretanto, o grande destaque do instrumental é a brilhante mudança de atmosfera entre os versos e o refrão, que reflete perfeitamente a diferença lírica e emocional das duas partes. E é aqui que Messy realmente se transforma em uma pérola rara e brilhante.

Messy é um trabalho de uma sinceridade desconcertante e de uma dor sentida, devido à impressionante capacidade da própria Lola, ao lado de Conor Dickinson, de criar uma crônica sobre um relacionamento tóxico causado pelos problemas mentais dos envolvidos. Muito longe de ser um trabalho de autopiedade barata, a letra conta, de maneira crua e nua, as incongruências entre as atitudes do companheiro de Lola em relação ao relacionamento, enquanto ela entende o seu lado na equação dos problemas, mas também deixa bem claro o seu sofrimento. E tudo isso é feito de maneira impressionante, pois mistura toda essa carga emocional com o humor ácido característico britânico, que chega a arder. E o grande momento é no sensacional refrão, especialmente na sua segunda metade:

And I'm too clever, and then I'm too fucking dumb
You hate it when I cry, unless it's that time of the month
And I'm too perfect 'til I show you that I'm not
A thousand people I could be for you, and you hate the fucking lot

E o pacote se fecha com a performance perfeita, ao saber lidar bem com as mudanças da canção, em especial o tom quase confidencial de algumas partes dos versos, e com a personalidade irresistível de Lola Young, devido ao seu timbre maduro, áspero e cativante. Mesmo perdendo o bonde inicial do sucesso de Messy, poder finalmente dar minhas flores para Lola Young é algo que realmente me deixa feliz.
nota: 8,5

30 de março de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Feather
Sabrina Carpenter


Ao contrário de outras contemporâneas, o sucesso da Sabrina Carpenter não é de “iniciante”, mas, sim, de uma “veterana” que finalmente encontrou o caminho certo. Todavia, a explosão da sua nova era teve uma previa um pouco antes com o destaque da canção Feather.

Lançada como single da versão deluxe de Emails I Can't Send (trabalho anterior a Short n' Sweet), a canção até então tinha sido o maior sucesso comercial da carreira da cantora ao alcançar o 21° na Billboard. Isso meio que pavimentou para as canções posteriores, mas também mostrou o caminho sonoro da cantora já que Feather tem as mesmas qualidades e defeitos dessas canções. Uma simpática, gostosinha e sem muito impacto criativo dance-pop/nu-disco que não é totalmente descartável devido ao seu fator charmoso, mas falta uma estrutura mais forte para a transformar em algo mais potente. Comercial, mas com toques “picantes” para ajudar a estabelecer a persona da Sabrina como a “doce/sexy girl next door”. E assim como outros trabalhos, a canção mostra claramente todo o carisma magnético da cantora em uma performance instigante e divertida. Agora quem sabe no futuro vai surgir uma nova Feather para mostrar o começo da evolução sonora da Sabrina Carpenter. 
nota: 7

5 de janeiro de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Cruel
St. Vincent

Dona de uma das carreiras mais aclamadas do indie pop/rock, a St. Vincent só “surgiu” para mim de fato nos últimos anos. E por isso que a artista tem uma imensa discografia que não foi explorada por mim aqui no blog. Um desse momentos é a sublime Cruel.

Lançada como single em 2011 retirado do álbum Strange Mercy, a canção é uma indie rock/art pop com doses irresistíveis de synth-pop que resulta em um trabalho estranho, edificante, classudo, deslumbrante e hipnótico. Sabe aquele tipo de canção que a gente não ter a menor ideia para onde vai e, ao mesmo tempo, consegue entender perfeitamente toda a sua atmosfera por trás? Não? Eu também não sabia até ouvir Cruel, pois a faixa é exatamente assim. Com uma construção cheia de camadas como, por exemplo, os versos cantados como se fosse uma cantiga de ninar, a canção vai se desenrolando de maneira tão inesperada que deixa a gente sem folego. Entretanto, quando a gente descobre que a composição é crônica sobre as dores de ser uma dona de casa tudo faz sentido de maneira esquisita e decisiva que chega a fazer a gente dar uma tonteada. Entregando uma performance deslumbrante e poderosa, St. Vincent encapsula toda a vibe da canção com uma luva feita sob encomenda. Cruel é uma canção que a gente pode até demorar para descobrir, mas depois que a conhece fica realmente impressionado. Assim como a própria St. Vincent.
nota: 8,5

22 de julho de 2024

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

I Write Sins Not Tragedies
Panic! at the Disco


Quando a banda Panic! at the Disco lançou I Write Sins Not Tragedies em 2006, que se tornou o seu maior sucesso e a música assinatura, eu tinha exatamente vinte anos de idade. E era basicamente parte do publico alvo da banda, mas o meu gosto musical nunca se associou com o estilo deles. Quase vinte anos depois, eu analiso a canção em um lugar mais aberto e amadurecimento. Devo admitir que, mesmo não sendo genial, a canção é bem divertida e bem melhor que a minha versão jovem achava.

Tenho que apontar que I Write Sins Not Tragedies é uma canção que ao ser olhada atualmente fica um pouco datada, pois é uma cria quase estática de um movimento bastante demarcado que foi o “emo” dos anos dois mil. E isso cria certo ruido, mas que é tirado de lado devido a impressionante produção de Matt Squire que transforma a canção em uma épica e showstopper mistura de post-punk, glam rock e pop punk. Épica e com uma estrutura ousada, a canção é uma pequena grande jornada que só teria esse resultado pelo ótimo instrumental. Entretanto, o grande trunfo da canção é a extraordinária performance do vocalista Brendon Urie que consegue captar toda a grandiosidade da produção com um display incrível de versatilidade e potencial. O que impede a canção de não ser sensacional é a pretenciosa composição que tenta ser mais inteligente e profunda do que realmente é, mesmo sendo esteticamente bem trabalhada. Escutar a canção tantos anos depois sem ter um apelo nostálgico ajuda a entender a sua qualidade e também ver o motivo para que um eu jovem não foi atraído para esse tipo de canção. E isso apenas a maturidade é capaz de dá. 
nota: 7,5



23 de junho de 2024

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

So Hot You're Hurting My Feelings
Caroline Polachek


Caroline Polachek se tornou um dos principais nomes do pop alternativo da atualidade, ainda mais depois do lançamento de Desire, I Want to Turn Into You. Voltando um pouco a fita, a cantora já tinha sido reconhecida pelo sei talento tem algum tempo e uma das canções que ajudou a começar esse caminho foi a interessante So Hot You're Hurting My Feelings.

Single do álbum Pang, a canção apresenta como sua maior qualidade o equilíbrio perfeito entre o pop comercial e o pop experimental, criando uma canção estranhamente cativante. Ao misturar com exatidão o lado leve do synthpop com a peso sonoro de art pop, a produção da própria cantora ao lado de Daniel Nigro transforma So Hot You're Hurting My Feelings no tipo de canção que primeiro gruda na cabeça como chiclete para depois a gente começar a entender a sua profundida artística. É inteligente sem ser pretenciosa e é despretensiosa o suficiente sem ser dispensável. A performance iluminada da artista é arremate ideal para expressar a complexidade da sua ideia sonora por trás, pois consegue expressar essa dualidade de maneira clara e sem nenhuma amarra. A parte lírica da canção é o seu ponto fraco, mas isso não quer dizer que seja um trabalho ruim. É interessante e tem uma um refrão realmente viciante, mas falta certa profundidade que a cantora já demonstrou em trabalhos posteriores. Apesar de não atingir o pico criativo que a cantora já mostrou, So Hot You're Hurting My Feelings é uma ótima porta para entrar no mundo da Caroline Polachek.
nota: 8

7 de janeiro de 2024

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Drew Barrymore
SZA

Antes de se tornar uma hitmaker, a SZA despontou no cenário musical já como a nova estrela do R&B desde o começo. Todavia, a sonoridade da cantora tinha um lado bem diferente do atual em que a cantora apostava mais no experimental do que o comercial como prova a sensacional Drew Barrymore, um dos primeiros sucessos da sua carreira.

Quero deixar claro que gosto da atual sonoridade da cantora, mas como escrevi na resenha de SOS que “a produção deixa a desejar no instante que esse escopo todo falta uma carga de exploração das possibilidades que a sonoridade ouvida é capaz de chegar”. E é em Drew Barrymore que esse lado artístico da cantora se mostra de maneira plena. O grande trunfo da canção é a capacidade de criar uma batida encorpada, refinada, envolvente e classuda de R&B que é misturada com uma dose cavalar de grunge que dá para o resultado final um resultado estranhamente renovador que a transforma em algo genial e, ao mesmo tempo, tão familiar. Atualmente, as canções da SZA não têm esse vigor sonoro que a fez ser notada e isso é algo que realmente sinto falta. O que não dá para sentir falta é da maestria lírica que consegue descrever as inseguranças sobre a sua aparência em um relacionamento que parece não ter o peso para os envolvidos. Apesar de ter outros envolvidos, a composição deixa claro a força criativa da SZA que mostra essa sensibilidade até quando está em canções não tão inspiradas. O nome da canção é devido ao fato de a cantora ter se inspirado no personagem da Drew Barrymore em Nunca Fui Beijada. E o ponto mais interessante da canção é que existe um lado comercial, mesmo que seja bem contido em relação a esse fator. Espero que no futuro a SZA posso continuar a fazer esse sucesso imenso, mas também entregar canções tão inspiradas como essa perola.
nota: 9

16 de outubro de 2023

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Novacane
Frank Ocean


Frank Ocean se tornou um dos maiores nomes da música contemporânea se dando ao luxo de ficar em hiato por anos sem perder a sua relevância. Apesar de ter dado a devido atenção ao começo da sua carreira com o lançamento de Channel Orange em 2011, o verdadeiro princípio passou batido por mim. Então, resolvi analisar o primeiro e derradeiro momento que o artista se revelou para o público com o lançamento de Novacane.

Single da mixtape Nostalgia, Ultra laçada mesmo antes do seu álbum debut, a canção é uma excepcional introdução para o que estava diante da carreira ao conseguir capsular toda as qualidades básica do artista em apenas uma canção. Produzido excepcionalmente por Tricky Stewart, Novacane é uma vigorosa e elegante mistura de neo-soul, R&B, hip hop e alternativo que fica perfeitamente na linha entre o comercial e o artístico. Lindamente finalizado e com uma batida suculenta, a canção não é exatamente uma revolução sonora, mas é um trabalho de uma confiança madura e uma certeza estética grandiosa. O que faz a canção ser ótima é a presença de Frank Ocean. Primeiramente, a sua performance impressionante que parece ser despretensiosa demais como quase se o mesmo não tivesse querendo entoar a canção, mas que na verdade emoldura a composição de Novacane que tem como um dos plots de ficar entorpecido pelo uso da droga do título. Em segundo, a própria composição que, apesar de ter coautores, exala a personalidade de Ocean ao ser uma ácida, inteligente e pungente crônica sobre ser queer na indústria, sexo, drogas e o preço da fama. Queria de verdade ter descoberto a canção quando foi lançada, mas isso não tira do fato que Novacane foi a perfeita para a carreira extraordinária do Frank Ocean.
nota: 8,5

4 de junho de 2023

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Everything Is Embarrassing
Sky Ferreira


O segundo álbum da Sky Ferreira virou uma lenda urbana depois da cantora anunciar e sumir como se fosse uma aparição de um fantasma zombeteiro. Então, resolvi olhar para o passado para ver como a mesma se estabeleceu como uma promessa do pop alternativo lá em 2013 com o lançamento do single Everything Is Embarrassing.

Devo admitir que foi surpreendido pela canção, pois tinha uma visão diferente do que estaria por vim devido ao meu conhecimento das canções mais recentes da cantora. Everything Is Embarrassing é bem mais leve, pop e comercial que achava que iria encontrar. Isso não quer dizer nem de longe que a canção seja ruim. Na verdade, o single lançado em 2013 é deleite sonora que faz uma fusão perfeita entre synth-pop, pop rock, electropop e indie rock com uma dose suculenta de uma atmosfera dos anos 1980. Uma coisa interessante que aconteceu quando estava escutando Everything Is Embarrassing, especialmente no seu contagiante refrão, que existe uma semelhança melódica com a genial Losing You de 2012 da Solange. Quando foi ver a ficha técnica percebi que ambas canções tem coautoria de Dev Hynes, deixando aquela leve sensação de já ouvi isso ante um pouco mais forte. Isso tira certo brilho da canção, mas não impedi de notar o quanto interessante é a construção temática da canção sobre o quanto a gente tenta se agarrar em uma relação que talvez não seja para ser. É real, sentimental e lindamente bem estruturada que completamente a canção de maneira a dar um toque melancólico interessante. E o que realmente dá para Everything Is Embarrassing o seu lugar na multidão é a performance descolada e extremamente cool de Sky que mostra um pouco o motivo de ser tão cultuada. Agora é esperar que a lenda urbana do seu segundo álbum em algo momento se concretize de maneira a continuar a carreira promissora da Sky Ferreira.

16 de abril de 2023

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

If You Had My Love
Jennifer Lopez


Com a Jennifer Lopez presta a lançar o seu mais novo álbum depois de um hiato da música de quase nove anos resolvi voltar no tempo e olhar para a canção que fez a artista se tornar uma força do pop no começo dos anos dois mil: If You Had My Love.

Lançada em 1999, a canção foi o primeiro veículo para então atriz e dançaria no mundo da música depois do sucesso por seu papel do filme Selena sobre a história da cantora assassinada em 1995. Primeiro single On the 6, a canção é uma capsula do tempo que mostra bem a transição entre a década de noventa mais voltada para o R&B para o começo dos dois que foi voltada para o pop. Isso é refletido perfeitamente na sua cadenciada e sensual produção, mas que consegue ser dançante e ter esse apelo comercial do pop. O que é mais interesse é que mesmo passado quase vinte e cinco anos do lançamento If You Had My Love não envelheceu nada ao contrário de outras canções da cantora da época, mostrando o quanto sólido e refinado é a produção de Rodney Jerkins. Vocalmente, J.Lo nunca foi conhecida por ser uma grande cantora e aqui isso fica claro devido ao uso de backvocais para ajudar a mesma sustentar a canção, especialmente no refrão. O que acontece aqui é que a artista sempre teve um carisma natural que consegue até mesmo superar esse tipo de defeito na sua carreira. E o sucesso If You Had My Love foi a base da carreira da Jennifer Lopez que, gostando ou não, faz parte da história do pop.
nota: 8

28 de outubro de 2022

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

The Roof (Back in Time)
Mariah Carey

Acredito que parte do público esquece o quanto influente a Mariah Carey foi para a música pop não apenas em números, mas, também, artisticamente. A artista foi responsável por moldar toda a sonoridade pop/R&B dos anos noventa depois de ter mais liberdade criativa com o lançamento de Daydream de 1995. E isso foi consolidado com o seu trabalho seguinte Butterfly de 1997 que está completando vinte e cinco anos. Livre artisticamente e pessoalmente, Mariah foi capaz de explorar novos sons ao buscar influencias mais pesadas no hip hop/soul sem perder o seu apelo clássico de grande diva. Uma das melhores músicas dessa época é a excepcional The Roof (Back in Time).


Na época do seu lançamento, The Roof (Back in Time) não fez sucesso comercial e nem entrou para a parada oficial da Billboard, sendo ofuscada pelos sucessos de Honey e My All. Entretanto, a canção em perspectiva é um dos trabalhos que melhor envelheceram e que mostra perfeitamente a revolução que a Mariah fez na sua carreira e na música da época. Apesar de já tenha iniciado os seus experimentos com a mistura do pop/R&B com hip hop, a canção é dos momentos do mais intensos dessa jornada até então recente da cantora que mudaria os rumos do pop na década. A produção aposta em uma contida, mas marcante batida que transita perfeitamente entre a delicadeza de uma balada romântica e a força da batida hip hop sem que se perca as qualidades de nenhuma parte. Na verdade, a fusão é que eleva The Roof (Back in Time) para outro parâmetro devido a intrigada construção que faz de mais de cinco minutos não perder o interessante em nenhum momento. E, obviamente, a persona de Mariah tem uma diferença ao estar mais contida e sexy, mas ainda deixa o claro que ainda é a cantora com todos os seus rifes e mudanças vocais. E a composição da canção é provavelmente o trabalho mais apurado na questão lírica da cantora ao ser a perfeita tradução sentimental e fisicamente de um encontro passional entre duas pessoas com uma bagagem emocional complicada, mostrando toda o potencial da verborragia da escrita da Mariah com um senso estético ainda mais apurado que dosa romantismo, tristeza, sensualidade e melancólica. Mesmo sendo uma canção não tão conhecida pelo grande público, The Roof (Back in Time) é uma das canções que realmente a ajudar a mudar a cara da música para todas as gerações que vieram depois e merece esse reconhecimento.
nota: 8,5

14 de outubro de 2022

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Bixa Preta
Linn da Quebrada

Mesmo que agora será definida por parte do público como apenas uma ex-BBB, Linn da Quebrada é uma das artistas mais excitantes surgidas na última década. Voltando ao seu começo, a artista teve a capacidade de lançar como terceiro single da sua carreira a genial Bixa Preta.

Lançada de forma independente e antes do seu debut intitulado Pajubá, Bixa Preta é uma pérola do que o “pop” brasileiro pode ser nas mãos de alguém com a capacidade de Linn. Uma mistura espetacular, revigorante, elétrica, explosiva e carismática de funk, rap, dance e toque de hip hop que se mostra de um potencial tão magnifica e magistral que é atordoante lembrar que essa canção é uma então novata artista. E desde o começo a cantora mostrou ser uma das melhores compositoras surgidas no cenário pop/indie/queer ao entregar uma pungente, áspera e de um sentimento de expiação ao falar sobre as experiências de uma pessoa LGBTQIA+, preta e pobre na sociedade brasileira:

A minha pele preta
É meu manto de coragem
Impulsiona o movimento
Envaidece a viadagem
Vai, desce, desce, desce, desce
Desce a viadagem!

Se mostrando desde o começo dona de verborragia ilustre, real e que não é para todos os gostos, especialmente quando divaga, Linn da Quebrada consegue botar o dedo na ferida de forma sangrenta sem perder o estilo pop refinado. E a sua magnética performance fecha o pacote Bixa Preta de forma magistral. E assim começou a carreira de dona Lina Pereira dos Santos que ofusca toda sem piedade a carreira de quem “ganhou” certos realities quando o talento é colocado no lugar de destaque merecido.
nota: 8,5

23 de setembro de 2022

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Hurt
Christina Aguilera

Conhecida como a Voz da Geração, Christina Aguilera sempre foi “bem dada” para entoar grandes baladas como, por exemplo, I Turn to You, Beautiful, You Lost Me, entre outras. Todavia, existe uma em especial que é na minha opinião o ápice vocal da carreira da cantora: a devastadora Hurt.

Lançada como segundo single de Back to Basics em 2006, a canção é o momento de maior brilhantismo vocal da carreira de Aguilera. Obviamente, existem outros momentos de maior conhecimento pelo grande público, pois a canção foi apenas um sucesso moderado no seu lançamento. Entretanto, o que a cantora entrega aqui é algo realmente impecável em todos os sentidos. Uma power balada com um arranjo orquestrado e poderoso, Hurt mostra Aguilera não apenas alcançar as altíssimas notas em no grandioso clímax, mas, principalmente, mostrando um total controle. Não existe nenhum exagero em gritos que não fazem muito sentido, mas, sim, um domínio de cada nota para extrair a maior emoção possível. E emoção é o que não falta para Hurt. Escrita pela própria cantora ao lado da Linda Perry e, um então em início de carreira, Mark Ronson, a canção é um pedido de desculpas para uma pessoa que, infelizmente, não está mais presente para ouvir em que a cantora relata o seu remorso e culpa por ter feito e dito coisas que machucaram profundamente. O momento mais devastador da canção é quando a cantora entoa os seguintes versos “I'm sorry for blaming you/ For everything I just couldn't do/ And I've hurt myself”, pois é tão real para qualquer pessoa que sente o mesmo que realmente destrói a alma de ouvir essa passagem. É Aguilera no seu ápice e não tendo para mais ninguém. Bons tempos.
nota: 10

21 de julho de 2022

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Yucky Blucky Fruitcake
Doechii

Infelizmente, não consigo acompanhar tudo que é lançado devido a fato de literalmente ser apenas um. Muitos lançamentos que quero resenha de álbuns/singles precisam ser deixados de lado para dar tempo de me dedicar a outros mais importante. E, obviamente, existe um numero muito maior de trabalhos que nem tenho o conhecimento. Yucky Blucky Fruitcake entra nesse segundo caso, dando para a rapper Doechii o título de dona da melhor canção que nunca fiz uma resenha. E isso muda nessa resenha.

Yucky Blucky Fruitcake, lançada em 2020, é tipo de canção que te pega completamente de surpresa e te faz perder as palavras ao ser uma jornada que poucas canções conseguem. Tudo envolvendo a canção é simplesmente genial, indo da avassaladora produção até o uso inesperado do sample. Com mais de quatro minutos e meio, a música é uma aventura sonora recheada de texturas que conseguem criar uma riqueza para a batida hip hop/R&B impressionante, assombrosa e de uma complexidade inigualável, especialmente ao perceber que a canção é literalmente divida em duas. A primeira parte, a batida áspera, urgente, rápida e urgente do hip hop construído com base em uma mistura de bass drum e hip hop clássico. A segunda parte, a batida dá uma quinada para uma R&B com toques de alternativo, soul e rap refinado e contemplativo. Na teoria, as duas partes não necessariamente deveriam funcionar, mas a pratica em Yucky Blucky Fruitcake é bem diferente já que as duas partes se completam lindamente e de maneira fluida com uma transição como se fosse alguém trocando uma fita cassete. Acredito que a melhor maneira de explicar a canção é pensar a mesma como a filha bastarda da Nicki Minaj no começo da carreira com a sonoridade do Tyler, the Creator. Visões opostas, mas que se completam devido a um ponto principal: Doechii.

Jaylah Hickmon, conhecida previamente como Iamdoechii, a rapper de vinte e três anos é uma potência extraordinária e de um frescor poderoso. Apesar de ter certas semelhanças com a já citada Nicki, a rapper é uma força da natureza que consegue ser uma metralhadora verborrágica com um charme áspero, ácido, hilário e contagiante. E quando a canção moda de tom, a artista mostra uma versatilidade imensa ao saber se adaptar com a velocidade e atmosfera da canção sem perder, porém, a sua personalidade e originalidade. E isso é preciso para sustentar uma composição tão impressionante quanto a Yucky Blucky Fruitcake. Uma introdução a quem é Doechii como personalidade, pensamentos, medos, reflexões, memorias de infância, a canção é estruturada como para ser como uma aluna sendo apresentada a sua nova turma e tendo que fala sobre ela mesma para os novos colegas. Dona de uma lírica agressiva sem perder o tino estético refinado, a rapper entrega uma letra cheia de referencias pop que fazem sentindo dentro do contexto emocional da temática. O melhor momento é quando a rapper cita que escutava a canção do The Only Exception do Paramore e se utiliza da melodia da própria para ser uma das texturas adicionadas. O uso é rápido, surpreendente e inteligente, mostrando a genialidade da produção ao pensar em cada momento da canção. Yucky Blucky Fruitcake merece o reconhecimento tardio como uma das melhores canções da última década com todos os louvores possíveis que marca o começo de uma carreira extremamente promissora para a Doechii.
nota: 10