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5 de janeiro de 2025

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Cruel
St. Vincent

Dona de uma das carreiras mais aclamadas do indie pop/rock, a St. Vincent só “surgiu” para mim de fato nos últimos anos. E por isso que a artista tem uma imensa discografia que não foi explorada por mim aqui no blog. Um desse momentos é a sublime Cruel.

Lançada como single em 2011 retirado do álbum Strange Mercy, a canção é uma indie rock/art pop com doses irresistíveis de synth-pop que resulta em um trabalho estranho, edificante, classudo, deslumbrante e hipnótico. Sabe aquele tipo de canção que a gente não ter a menor ideia para onde vai e, ao mesmo tempo, consegue entender perfeitamente toda a sua atmosfera por trás? Não? Eu também não sabia até ouvir Cruel, pois a faixa é exatamente assim. Com uma construção cheia de camadas como, por exemplo, os versos cantados como se fosse uma cantiga de ninar, a canção vai se desenrolando de maneira tão inesperada que deixa a gente sem folego. Entretanto, quando a gente descobre que a composição é crônica sobre as dores de ser uma dona de casa tudo faz sentido de maneira esquisita e decisiva que chega a fazer a gente dar uma tonteada. Entregando uma performance deslumbrante e poderosa, St. Vincent encapsula toda a vibe da canção com uma luva feita sob encomenda. Cruel é uma canção que a gente pode até demorar para descobrir, mas depois que a conhece fica realmente impressionado. Assim como a própria St. Vincent.
nota: 8,5

23 de junho de 2024

Na Mosca

Flea
St. Vincent


Depois de um começo bom, mas um pouco abaixo do esperado para a divulgação do álbum All Born Screaming, com a canção Broken Man, a St. Vincent vai com tudo na poderosa Flea.

Com a bateria inspirada do Dave Grohl com base, a canção é um slowburn excepcional em que a cantora nos leva para uma viagem deliciosamente soturna, pesada e soulful devido a adição interessante de soul rock para a batida poderosa que mistura rock alternativo, art rock e industrial. Em um instrumental magistral, Flea é aquele tipo de canção que gruda na gente depois da gente ouvir sem se tornar enjoativa. Acredito que a sua maior qualidade é essa inquietante batida mistura com uma textura mais aveludada que dá para a canção um conjunto elegante de nuances. Conduzido pela sensacional e pungente performance da St. Vincent que sabe lindamente transitar pelos altos e baixos da produção, Flea é um acerto na mosca da St. Vincent. 
nota: 8,5


13 de março de 2024

Aquecendo os Motores

Broken Man
St. Vincent


Depois do esplendido resultado de Daddy's Home tenho que admitir que virei fã da St. Vincent. Por isso que tenho altas expectativas para o lançamento do seu próximo álbum All Born Screaming. E o começo é com o pé direito com o lançamento da ótima Broken Man.

Em uma nova mudança de sonoridade, a cantora entrega uma estilizada, densa e elétrica ao criar uma épica instrumentalização que mistura perfeitamente art rock e industrial rock, especialmente na sua explosiva parte final. É necessário que dizer que Broken Man é uma slow burn, pois vai conquistando quem escuta aos poucos devido a uma sensação de estranheza inicial. Todavia, isso é deixando de lado ao longo da canção devido a sua produção limpa e excitante. E isso é também valido para a incrível performance da St. Vincent que mostra uma energia radiante e uma facilidade em dominar cada momento como se fosse um passeio no parque. Devo admitir que apear de ótima, a composição de Broken Man não tem a mesma capacidade de envolvimento que o resto da canção, deixando uma certa lacuna ao seu final. Isso não impende, porém, de fazer St. Vincent entregar outra perola e aumentar o já alto hype.
nota: 8

29 de outubro de 2021

O Mundo Segundo St. Vincent

The Melting of the Sun
Down
St. Vincent


Se a sonoridade da St. Vincent já tinha uma forte sensação de que a cantora vivia em mundo apenas seu, Daddy's Home veio para comprovar de maneira cabal essa teoria. E isso fica bem claro com os sensacionais singles The Melting of the Sun e Down.

The Melting of the Sun é uma psicodélica mistura de rock e blues que se baseia em uma extraordinária guitarra e os vocais ásperos e sensuais de St. Vincent. Climática e elétrica, a canção emoldura com perfeição toda uma sonoridade vinda direto dos anos setenta sem parece estar copiando, mas, sim, prestando uma homenagem/recriação de maneira extremamente respeitosa e revigorante. Tematicamente, a canção é uma homenagem a mulheres que influenciaram a cantora e que de alguma forma resistiram aos seus “fins do mundo” ao longo da história com uma escrita de um refinamento espetacular. The Melting of the Sun é uma canção espetacular, mas Down dá um paço a mais.

Construída como uma funk, art rock com toques de psicodélico e synthpop, Down é organicamente uma explosão que consegue grudar na nossa cabeça como chiclete emaranhado no cabelo. O explosivo, soulful e empoderado arranjo é construído de forma a conseguir expressar toda uma raiva que a performance de St. Vincent apresenta do seu começo ao fim. E também pudera: Down narra a vingança emocional e física de uma mulher abusada/agredida contra o seu agressor. Sem meias palavras ou com medo de soar politicamente incorreta, a cantora se mantem contida em uma letra surpreendentemente direta, mas com um soco no estomago guardado na sua significação final. E assim embarcar no mundo de St. Vincent é uma aventura sem volta que realmente compensa a jornada.
notas
The Melting of the Sun: 8,5
Down: 9



4 de abril de 2021

Loucuras de Noite de Verão

Pay Your Way In Pain
St. Vincent


Ouvir o primeiro single do sexto álbum da St. Vincent (Daddy's Home) é como entrar em um caldeirão de referências em uma noite louca de verão. Em cerca de três minutos, Pay Your Way In Pain consegue mostrar mais referencias construídas com elegância e inteligência que muitos álbuns inteiros por aí.

Tente imaginar uma mistura de David Bowie nos anos setenta com o último álbum da Fiona Apple com toques de Kate Bush em uma neblina densa psicodélica que, apesar de uma descrição tão detalhada, ainda deixa faltando alguns detalhes importantes de Pay Your Way In Pain. Complexa e, ao mesmo tempo, não muito difícil de se assimilar, a canção é uma dose nostálgica de indie rock dos anos setenta com pinceladas fortes de funk e synth-pop que consegue ser estranha, deslocada e extremamente divertida. Produzida e escrita pela própria St. Vincent ao lado de Jack Antonoff, a canção tem uma composição esquisitamente humana que releva que a vida continua mesmo quando a gente está enfrentando os maiores problemas pessoais em uma mistura ácida e delicada de crônica sobre as dores do dia-a-dia. Em uma performance acachapante e completamente imprevisível, a cantora parece ser a cola que une qualquer ponta solta para fazer de Pay Your Way In Pain uma das canções na corrida para ser a melhor de 2021.
nota: 8,5