4 de novembro de 2026

Primeira Impressão

Sanctuary
Evanescence




Uma das bandas de rock mais importantes dos anos 2000, o Evanescence chega ao sétimo álbum da carreira, Sanctuary, mostrando que dá para não mexer em time vencedor e continuar entregando qualidade, além de provar que nem sempre há necessidade de inovar pela simples vontade de parecer moderno.

Para quem foi um adolescente gótico lá pelos anos de 2002 e hoje vai se aproximando dos quarenta anos, será fácil ouvir aqui os ecos diretos daquela época. O álbum é um trabalho de rock alternativo com gothic rock, hard rock e nu-metal, sonoridades que são a marca básica da banda. Isso poderia facilmente passar a sensação de que estamos ouvindo algo datado, mas, surpreendentemente, a espetacular construção sonora e a capacidade madura da produção ajudam a manter essa característica longe do resultado final, transformando-a em algo mais vintage, saudosista e também inspirado. E isso se deve à qualidade técnica realmente alta e à compreensão perfeita da persona do Evanescence.

Obviamente, o trabalho é mais voltado para aqueles que são fãs da banda independentemente do lançamento, mas nem por isso estamos diante de um trabalho desleixado, que mais parece ter sido feito para cumprir tabela e empurrado com a barriga. Todavia, Sanctuary deixa transparecer o cuidado da banda em manter sua sonoridade, de forma que o público possa reconhecer que se trata de um álbum do Evanescence, e também mostrar que, criativamente, ainda há bastante fogo para queimar. E esse fogo é “queimado” de uma maneira realmente inspiradora.

Isso nos leva ao ponto mais importante do álbum: a vocalista Amy Lee. Dona de uma das vozes femininas mais marcantes do rock, a cantora continua praticamente sem “concorrentes” ao ser a viga mestra de Sanctuary, entregando performances vigorosas, grandiosas, emocionais, atemporais e cativantes do começo ao fim do álbum, criando a tábua que sustenta e eleva todo o material de maneira considerável.

Em Who Will You Follow, uma “poderosa e grandiosa mistura de nu-metal/rock alternativo/metal” se torna o “veículo perfeito para mostrar o quão impressionante é a presença de Amy Lee, pois a vocalista entrega uma performance poderosa em que não apenas não parece que se passaram mais de vinte anos desde o lançamento do debut da banda, mas também mostra um frescor delicioso no momento em que a gente percebe que não existe ninguém atualmente parecido com ela, nem de perto”.

Outro momento que mostra a importância da cantora para a qualidade do álbum é Afterlife, pois claramente a “música não teria o mesmo impacto se não fosse pela substancial, bela, forte e grandiosa performance da vocalista, que injeta toda a personalidade da canção com sua voz ‘larger than life’ e, ao mesmo tempo, marcada por um timbre melancólico e sombrio”.

Outro ponto que também precisa ser citado é a qualidade lírica do álbum, que se mantém consistente ao longo de sua duração. Destaco o lado político e crítico das letras, como, por exemplo, na intensa About Us, sobre os efeitos da presidência de Trump, e em Self Destruct, sobre a passividade das pessoas diante desse caos. Outras faixas que merecem destaque são a ótima abertura, Beautiful Lie, e a atmosfera cinematográfica de Rapture.

Sanctuary é um trabalho nostálgico e que não tem nada de novo, mas, devido à capacidade do Evanescence, não termina com cheiro de naftalina e, sim, com aquela sensação gostosa de trabalho bem feito.

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