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2 de agosto de 2024

Uma Tema Para Caroline Polachek

Starburned and Unkissed
Caroline Polachek

É claro que a Caroline Polachek nunca teria uma canção que fosse tema de um filme que se encaixasse no padrão de canções temas, mas, sim, um tema para um filme de terror psicológico como é o caso do aclamado I Saw the TV Glow. E é por isso que temos em Starburned and Unkissed.

Ouvir a canção é fácil perceber de quem é a autoria, pois a produção de A. G. Cook consegue captar a essencial da Caroline Polachek. Estranha, interessante e completamente única, Starburned and Unkissed é uma mistura madura de indie rock, eletrônico e noise pop que instiga quem ouve devido a sua construção quebrada entre partes lentas e sonhadoras em contraste com partes ruidosas e grandiosas. Tenho que apontar que a canção erra ao terminar de forma abrupta, deixando uma sensação que faltou algo no resultado geral. Além disso, acredito que a composição só realmente funciona depois de ver o filme, pois existe um certo distanciamento com a escrita sozinha. Felizmente, a canção é elevada pela presença sensacional da Polachek. Em um mundo ideal, a canção estaria na corrida para ser indicado ao Oscar, mas só de existir já está de bom tamanho.
nota: 8


23 de junho de 2024

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

So Hot You're Hurting My Feelings
Caroline Polachek


Caroline Polachek se tornou um dos principais nomes do pop alternativo da atualidade, ainda mais depois do lançamento de Desire, I Want to Turn Into You. Voltando um pouco a fita, a cantora já tinha sido reconhecida pelo sei talento tem algum tempo e uma das canções que ajudou a começar esse caminho foi a interessante So Hot You're Hurting My Feelings.

Single do álbum Pang, a canção apresenta como sua maior qualidade o equilíbrio perfeito entre o pop comercial e o pop experimental, criando uma canção estranhamente cativante. Ao misturar com exatidão o lado leve do synthpop com a peso sonoro de art pop, a produção da própria cantora ao lado de Daniel Nigro transforma So Hot You're Hurting My Feelings no tipo de canção que primeiro gruda na cabeça como chiclete para depois a gente começar a entender a sua profundida artística. É inteligente sem ser pretenciosa e é despretensiosa o suficiente sem ser dispensável. A performance iluminada da artista é arremate ideal para expressar a complexidade da sua ideia sonora por trás, pois consegue expressar essa dualidade de maneira clara e sem nenhuma amarra. A parte lírica da canção é o seu ponto fraco, mas isso não quer dizer que seja um trabalho ruim. É interessante e tem uma um refrão realmente viciante, mas falta certa profundidade que a cantora já demonstrou em trabalhos posteriores. Apesar de não atingir o pico criativo que a cantora já mostrou, So Hot You're Hurting My Feelings é uma ótima porta para entrar no mundo da Caroline Polachek.
nota: 8

12 de fevereiro de 2024

Um Encontro Memorável

Butterfly Net
Caroline Polachek & Weyes Blood

Sabe quando a gente não espera mais nada e ainda assim é surpreendido por algo completamente inesperado e, ao mesmo tempo, que faz todo o sentido? Então, essa sensação é a que senti ao ouvir a nova versão de Butterfly Net da Caroline Polachek com a participação da Weyes Blood.

Melhor canção de Desire, I Want to Turn Into You, a canção ganha essa nova versão para o relançamento do álbum. E, queridos leitores, que momento espetacular é esse de poder ouvir essa nova versão. A canção não segue a cartilha de remixes/duetos devido a ter uma nova instrumentalização que incrementa dramaticidade e força para a já belíssima melodia original. Uma atmosfera angelical/etérea é pincelada por toda a canção sem fazer a mesma perder suas qualidades originais ao ser “épica e ter um tom intimo sem fazer nenhuma das suas facetas serem perdidas em nenhum grau”. Todavia, o grande trunfo dessa versão de Butterfly Ne é a presença magistral de Weyes Blood que combina a sua voz aveludada com o brilhantismo da performance de Polachek para criar mágica em forma de música. E é assim que deveria ser qualquer nova versão de uma canção. 
nota: 8,5

22 de novembro de 2023

O Padam Padam da Polachek

Dang
Caroline Polachek


Single da versão deluxe Desire, I Want to Turn Into You, Dang é uma prima excêntrica da Padam Padam da Kylie Minougue. E funciona devido a força desconcertante da Caroline Polachek.

Acredito que nas mãos de outra artista, a canção teria resultado em uma amontado sonoro sem a ousadia necessária para dar vida a sua urgente, estranha e descontruída batida electropop com pedaços de art pop, hyperpop e deconstructed club. Por exemplo, a repetição insistente de Dang durante toda a canção poderia fácil ser irritante, mas aqui é uma tática que dá estilo e personalidade para a canção. Além disso, o nome remete ao álbum da cantora de 2019 intitulado Pang, criando esse veiculo criativo. Todavia, o que amarra a canção é corajosa e explosiva performance de Polachek que faz realmente tudo funcionar. Não acredito que a Dang vai ter o sucesso de Padam Padam, mas merecia na mesma medida. 
nota: 8

12 de outubro de 2023

Glória! Caroline!

Butterfly Net
Caroline Polachek


Com o lançamento de basicamente todas as faixas como single de Desire, I Want to Turn Into You, a Caroline Polachek presenteia o público com a divulgação da melhor canções do álbum: a sensacional Butterfly Net.

Sobre a canção escrevi na resenha do álbum que era “uma balada indie pop emocionante, a canção mostra todo o magistral potencial de Polachek ao entoar com uma elegância intocável uma lidíssima e triste composição que tem o seu momento sublime no refrão”. E, queridos leitores, Butterfly Net é um daqueles momentos que a gente precisa ouvir apenas uma vez para entender todo o hype e/ou talento em relação a um artista. Com uma força emocional esmagadora, a canção consegue ser épica e ter um tom intimo sem fazer nenhuma das suas facetas serem perdidas em nenhum grau. Delicadeza e aspereza. Calma e tumulto. Essas dualidades são encontradas de maneira a sem completarem em Butterfly Net embaladas pelas etérea e cadencia performance de Caroline. E isso é uma verdadeira glória.
nota: 8,5


12 de março de 2023

Coisa de Caroline

Blood & Butter
Caroline Polachek


Uma das características que mais admiro na Caroline Polachek é fato de todas as canções de Desire, I Want to Turn Into You terem a qualidade de serem trabalhos que apenas a artista parece ter a capacidade de entregar atualmente. Esse é o caso da ótima Blood & Butter.

Durante boa parte da canção, o single soa como uma redonda, melódica e até um pouco previsível art pop/syhth-pop para partir na sua parte final para uma surpreendente e inusitada mistura de folk com eletrônico. E essa transição é feita de uma organicidade que parece que quem escuta estava esperando uma transição assim, mas a verdade é que a produção Blood & Butter é tão elegante na sua construção rítmica que isso é introduzido de maneira lenta e que a gente nem sente. A performance de Caroline não apresenta nenhuma grande quebra de expectativa e, sim, um trabalho extremamente sólido e que deixa o lindo timbre da cantora brilhar em momentos preciosos. Isso é o que faz a artista um verdadeira deleite pop para ouvidos cansados.
nota: 8

24 de janeiro de 2023

O Renascimento do Remix

Welcome To My Island (George Daniel & Charli XCX Remix)
Caroline Polachek

Se o remix de Ovule já me surpreendeu, então o resultado do Welcome To My Island da Caroline Polachek é a de cair o queixo de maneira realmente positiva.

Single menos impactante da cantora do seu novo álbum, a canção recebe um tratamento de luxo pelas mãos do produtor George Daniel e da Charli XCX. Na verdade, esse remix é a definição total de reconstrução, pois o resultado final é basicamente uma canção da Charli com participação de Caroline Polachek. E, sinceramente, isso não é nenhum problema, pois o público é agraciado com uma eletrizante EDM/electropop que usa a base de Welcome To My Island para criar uma batida explosiva, viciante e completamente dentro do nicho do seria uma canção da Charli da melhor qualidade. O único problema aqui é que a presença da Caroline poderia ser maior, pois a produção usa basicamente o refrão cantado pela cantora para a canção, soando mais como uma sample do que um remix. Isso não atrapalha o resultado final, pois Welcome To My Island (George Daniel & Charli XCX Remix) é uma ótima canção que consegue o feito raro de ser melhor que a original para a felicidade da nação.
nota: 8


16 de dezembro de 2022

O Mundo De Caroline

Welcome To My Island
Caroline Polachek

“Alimentando” os seus fãs de grão em grão com os lançamentos de singles desde o meio de 2021, a Caroline Polachek finalmente confirmou o lançamento de se novo álbum intitulado Desire, I Want To Turn Into You para fevereiro próximo. E como maus um agrado lançou a interessante Welcome To My Island.

Não tão inspirada como as canções anteriores, mas ainda assim sendo uma canção bem acima da média, Welcome To My Island é uma estranha, inusitada e madura synth-pop com toques de eletrônico e pop rock que apenas uma artista tão única como Polachek poderia pensar em entregar. Com uma estrutura bem marcada e diferente, a canção mostra o quanto único é a visão da artista sobre o que é o seu pop e isso é maravilhoso. Apesar de completamente distinta, a canção tem um tropeço que para mim atrapalha o resultado final: o verso falado com uma camada de auto-tune pesado. Até entendo o motivo da escolha já que adiciona textura para a canção, mas comparada com o resto da canção que a cantora entrega uma performance sensacional sem esse efeito é fácil perceber que a decisão se perde no conceito. Felizmente, Welcome To My Island é mais um tijolo na construção de Caroline Polachek para um dos mais esperados álbuns dos últimos tempos.
nota: 7,5

1 de novembro de 2022

La Isla Bonita

Sunset
Caroline Polachek


Entre todas as divas pop “alternativas”, a Caroline Polachek é provavelmente a que menos temos ideia sobre os seus próximos lançamentos, deixando sempre um ar de mistério sobre o que a mesma pode entregar. A tríade dos seus últimos lançamento que começou com Bunny is a Rider passou por Billions e agora chega a ótima Sunset é prova cabal desse sentimento. E a nova canção é o seu melhor momento entre as três.

Uma verdadeira surpresa sonora, Sunset é uma estranha, excitante e envolvente dentro dos seus termos mistura de flamenco pop com art pop que conquista exatamente pelas suas inesperadas decisões sonoras. Coproduzido por Sega Bodega, a canção é a prima distante do que La Isla Bonita da Madonna com toda a atmosfera que trouxe a Rosalía, adicionado a personalidade de Caroline de forma a não dar espaço para quem ouve de não associar a canção como um trabalho da sua autoria. Lindamente instrumentalizada, Sunset é ainda beneficiado pelo espetacular vocal da cantora, especialmente quando adiciona uma vocalização impressionante na parte final. O único ponto menos inspirado é a composição que prefere ser mais minimalista ao invés de explorar com mais extensão toda a complexidade estética que é elaborado nos seus bem escritos versos. E se essas canções já lançadas forem indicativos do seu álbum, Caroline Polachek deve entregar um dos trabalhos mais eletrizantes dos últimos tempos. Veremos.
nota: 8

11 de fevereiro de 2022

Arte Pop & Outras Ideias

Billions
Caroline Polachek

É bastante complicado resenhar uma canção como Billions da Caroline Polachek. Apesar de ter a noção básica que a canção é um trabalho realmente inspirado e muito acima da média, o resultado final é tão complexo de se explicar o motivo da sua qualidade que deixa o trabalho para uma avaliação direta bem sinuosa.

Uma mistura completamente única de art pop, indie pop, trip pop e synthpop, Billions apresenta uma construção sonora extremamente distinta, intricada, rica, inesperada e de uma inteligência única. Texturas, sons, nuances e quebras de expectativas fazem parte da base do impressionante arranjo que consegue ser, ao mesmo tempo e de maneira impressionante, contido e grandioso em um equilíbrio impressionante. O toque de gênio final fica por conta dos vocais em coro da parte final, pois faz Billions ganhar uma força emocional ainda mais impressionante que a já sensacional performance de Caroline. O problema, porém, da canção é a sua boa, mas pouco convidativa composição que parece não consegue conectar de maneira direta com quem ouve. Obviamente, essa última observação é bem pessoal, pois devo admitir que Billions pode não ser considera a melhor canção de 2022 nas listas no final do ano. Entretanto, o trabalho será um dos mais únicos do ano e isso pode cobrar de mim em Dezembro.
nota: 8

6 de agosto de 2021

Estranho e Familiar 2

Bunny Is a Rider
Caroline Polachek

Sensação pop/indie dos últimos tempos, Caroline Polachek entrega em Bunny Is a Rider, single lançando recentemente, que para a construção de algo realmente divertido não precisa ser exatamente algo realmente novo, mas, sim, criativo.

Em questão sonora, Bunny Is a Rider é uma mistura azeitada de electropop, R&B e pop que lembra alguns como, por exemplo, MØ, Banks e Tove Lo. Entretanto, essas semelhanças ficam apenas na superfície, pois Caroline Polachek entrega uma canção com uma personalidade estranhamente interessante devido a adição de sons como a risada de uma criança e uma performance ousada. Especialmente esse segundo ponto é que dá para Bunny Is a Rider a força suficiente para se destacar. Parece que em alguns momentos os vocais não irão se encaixar na canção, outros soando perfeitamente alinhados e outros adicionando efeitos que parecem exageros, Polachek consegue encontrar o equilíbrio certo e adicionar uma dose cavalar de personalidade sem precisar necessariamente de entrega vocais arrebatadores. Não é um trabalho que mude o cenário pop, mas é interessante o suficiente para ganhar um merecido destaque.
nota: 7,5

7 de fevereiro de 2021

Uma Chuva de Covers

Breathless
Caroline Polachek

Assim como a onda da volta da disco e o “remix que não é remix”, outro movimento que ficou em cena nos últimos tempos foi o de regravação de canções consagradas. E normalmente as escolhas das canções vem sendo as mais curiosas possíveis. Esse é o caso de Breathless da Caroline Polachek.

Sucesso pop da banda The Corrs nos anos 2000, a versão de Caroline Polachek ganha um verniz pesado de indie pop/eletrônico que muda a canção o necessário para se distinguir do pop rock original, mas não chega a descaracterizar o resultado final. Devido a mudança sonora, a versão de Caroline ganha uma atmosfera mais melancólica e menos esperançosa e um instrumental mais requintado. A grande diferença, porém, é a performance angelical e instigante de Caroline que adiciona algumas camadas/nuances para o resultado final. Apesar de não integrar uma reinvenção que elevasse a versão original, Caroline Polachek entrega uma visão única e respeitosa que conquista verdadeiramente quem escuta.
nota: 7,5