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11 de julho de 2024

As Crônicas de Guerra de Lamar

Like That
Future, Metro Boomin & Kendrick Lamar


euphoria
meet the grahams
Not Like Us
Kendrick Lamar

Se você não estiver vivendo debaixo de uma rocha ou simplesmente não ligar para isso de acontecimento é fácil apostar que você ficou sabendo da guerra entre o Kendrick Lamar e o Drake. Quero dizer que esse post não vai explicar nada sobre o que aconteceu, pois é mais fácil fazer uma pesquisar do que resumir toda essa treta. Esse é post é para afirmar que o Lamar venceu de maneira incontestável ao não apenas fazer simples diss tracks, mas, sim, músicas simplesmente geniais uma atrás da outra. Antes de entrar no prato principal é preciso analisar o aperitivo que começou esse banquete para o rapper em Like That.

A canção é menos inspirada que as canções que estavam por vim, pois não é uma canção do Lamar e, sim, do projeto rapper Future com o produtor Metro Boomin em que Lamar é “apenas” um convidado. E, queridos leitores, Lamar com apenas um verso foi capaz de criar uma verdadeira guerra. Por isso mesmo, o rapper é a grande atração da canção com uma performance poderosa e tão marcante que faz a canção ganhar pontos valiosos. Liricamente, a canção realmente ganha vida com o verso do Lamar e o viciante refrão, pois o resto é basicamente mais do mesmo para o padrão de rapper como o Future. E olha que a sua performance em Like That é até bem aceitável. Outro ponto forte da canção é a produção do Metro Boomin que dá substancia para a batida sombria e bem amarrada, mesmo terminando a faixa meio que numa vibe anticlimática. Analisando agora, a canção se torna quase como o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando para a guerra entre o Lamar e o Drake.

Então, entre as respostas do Drake em forma das suas diss traks que incluiu o J.Cole (Lamar também mandou indiretas para o rapper na canção inicial), Lamar começou a lançar suas canções com suas respostas. E longo no começo, o rapper já começou com que considero já o enterro da carreira do Drake: euphoria. Ao ouvir pela primeira vez a canção a minha boca a letra a espetacular e devastadora composição em que Lamar simplesmente eviscera Drake. Não é de longe apenas indiretas ácidas e, sim, uma crônica diretíssima sobre todo o que o Lamar pensa sobre o seu “adversário”. Todavia, o imenso trunfo de euforia é a genialidade em que o rapper escreve toda a grandiosa letra em que passa longe de ser apenas uma coleção de ataques em formas de versos, mas, sim, uma composição com estrutura temática impressionante, uma escolha lírica inteligentíssima e uma genial construção rítmica e de rimas que deixa bem claro o tamanho da capacidade do Lamar. E quando a gente pensou que era apenas isso, pois já era algo devastador, o rapper continua o seu ataque pesadíssimo com outro momento genial: meet the grahams.

Novamente, a construção da composição é simplesmente de uma genialidade ímpar, mas aqui o que chama a atenção é a produção da canção. Seria quase impossível acreditar que um artista poderia ter escrito e produzido uma canção como essa em apenas alguns dias, mas sendo do Lamar isso é facilmente acreditar devido ao imenso talento do rapper. Só que tudo isso é elevado a outro nível pela impressionante produção de The Alchemist que dá para a canção uma vibe totalmente diferente da canção anterior e, principalmente, do que a gente espera de diss track. Aqui é construída uma climática e sombria batida jazz rap misturada com hip hop que é de uma força criativa avassaladora devido a sua quebra de expectativa devastadora. Curiosamente, a melodia de meet the grahams é de uma beleza estética que contrasta com brutalidade da composição que Lamar “conversa” com toda a família do Drake que, por fim, contrasta com a performance contida e passiva agressiva do rapper. Entre as duas canções foi lançada apenas no Instagram 6:16 in LA com produção de Sounwave e Jack Antonoff (!!!). Não irei analisar aqui, pois não foi lançada oficialmente. Para colocar os pregos no caixa do Drake de maneira final, Lamar lançou a extraordinária Not Like Us.

Obviamente, todas as canções lançadas pelo Lamar e, também, o Drake tiveram imenso impacto comercial, mas o estouro de Not Like Us é algo impressionante e que vem para consagrar o rapper não apenas como vencedor da guerra como também solidificar ainda mais o seu status de melhor artista da atualidade. E isso vem do fato da canção ser tão comercial e, ao mesmo tempo, representar bem o lado artístico apurado do Lamar. Acredito que provavelmente a base da canção já estava pronta. Na verdade, todas as canções já estavam sonoramente encaminhadas de alguma maneira. Entretanto, é extremamente louvável e impressionante como as canções foram finalizadas e Not Like Us tem um verniz tão incrível e memorável ao criar uma jornada sonora rica, texturizada, impactante e viciante. Entretanto, o grande trunfo da canção é a performance larger-than-life do Lamar que faz realmente a canção funcionar devido a sua habilidade magnifica e quase sobre-humana. Se não bastasse o imenso sucesso de critica e publico da canção (a mesma alcançou o primeiro lugar da Billboard), a canção ganhou um sensacional clipe que finaliza com chave de ouro e diamantes. E assim o Kendrick Lamar se mostra um gênio inigualável que é quase impossível de ir contra o seu poder.
notas
Like That: 7,5
euphoria: 9,5
meet the grahams: 9
Not Like Us: 9

1 de fevereiro de 2020

Promoção

Life Is Good
Future & Drake

Existem músicas boas. Existem músicas medianas. Existem músicas ruins. E existem músicas como Life Is Good, parceria do Future com o Drake, que apenas podemos classificar como a coisa mais estranha dos últimos tempos.

O que torna a canção estranha é que a sua produção fundiu duas canções em uma só para poder fazer da mesma uma parceria. A parte inicial do Drake e parte do Future parecem duas músicas completamente diferente entre si com cada uma com instrumentalizações e batidas próprias. Esse recurso não é raro de acontecer em canções e, muitas das vezes, resulta em algo muito bom. O problema é que as partes aqui não têm ao menos conexão, deixando tudo aleatório e sem sentido. Além disso, a produção dá para ambas a parte uma batida genérica e que fica no lugar de conforto do atual hip hop/rap comercial, mesmo a parte do Drake sendo relativamente melhor. Life Is Good termina como uma promoção dois por um que você está levando um desinfetante e um saco de batata frita. Nada a ver com nada.
nota: 5,5

21 de agosto de 2017

Previsibilidade

You da Baddest (feat. Nicki Minaj)
Future

Tirando algumas exceções, o hip hop/rap americano se tornou uma coisa que nunca foi desde a sua criação há quarenta e quatro anos atrás: previsível. Vejamos o exemplo de You da Baddest do Future com a Nicki Minaj.

A canção tem a participação de dois nomes de talento, qualidade técnica impecável e possibilidades quase infinitas do quesito criatividade, mas, infelizmente, não coloca nada disso para fora. A produção segue o estilo hip hop mais comercial que tem como principal característica uma batida cadenciada e redondinha que serve perfeitamente para vender, mas parece que sai da mesma fábrica que umas dezenas de canções como essa. Sem nenhum pingo de novidade, You da Baddest fica a mercê exclusivo do talento de Future e presença sempre carismática de Nicki, mas nem isso ajuda a canção a ganhar pontos extras. É necessário que o gênero se reinvente o mais rápido possível para não perder ainda mais espaço para outros gêneros.
nota: 6