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22 de junho de 2025

Lembranças & Futuro

Suzanne
Mark Ronson & RAYE


Você já se perguntou que tipo de música um artista que já se foi estaria fazendo se ainda estivesse vivo? Em Suzanne, single de Mark Ronson ao lado de Raye, podemos ter uma breve e sentida noção do que poderia ser a carreira de Amy Winehouse.

Bem longe de ser uma cópia do período em que o produtor trabalhou com Amy, a canção parece ter essa “atmosfera” familiar que poderia ser o que a cantora de Rehab estaria fazendo, especialmente pela construção sonora. Trata-se de uma refinada e graciosa pop soul vintage, apesar de menos sombria. É estranho e, ao mesmo tempo, um presente para quem ainda sente falta de Amy.

Felizmente, a presença de Raye, mesmo que lembre a força de Amy, encontra um lugar só seu devido à maestria com que a britânica comanda a canção, especialmente nos versos, nos quais é possível perceber toda a sua capacidade de contadora de histórias. A canção poderia ser mais eficiente com um final mais editado e pungente, pois a parte final soa arrastada devido ao clímax prolongado, que poderia ter sido melhor compactado. De qualquer forma, é um bom encontro entre um passado e o futuro da música, que funciona de verdade, mesmo que ainda nos faça sentir certa tristeza pelo que não pode ser.
nota: 8

15 de maio de 2019

O Buzz Pela Culatra

Late Night Feelings (feat. Lykke Li)
Mark Ronson

Um dos responsáveis pelo mega sucesso de Shallow, o produtor Mark Ronson poderia estar se aproveitando do buzz comercial da canção. Infelizmente, isso não parece estar ajudando o seu mais novo e ótimo lançamento, a surpreendente Late Night Feelings.

Sucessora da também ótima Nothing Breaks Like a Heart, a canção que dá nome ao novo álbum do produtor mostra confirma que o mesmo irá buscar em uma dezena de sonoridades mais old school a base para o trabalho. Dessa vez, a escolhida é uma mistura refinadíssima de soul com post-disco que transforma Late Night Feelings em uma deliciosa, sensual e envolvente produção dançante. Original do começo ao fim, o single ainda conta com a presença inusitada e inspirada da cantora indie pop Lykke Li que cria um charme único para a canção. Sem precisar de uma letra genial, a canção apresenta uma composição certeira ao misturar certa melancolia com um toque popular em seu refrão que lembra os grandes clássicos da disco. Se o sucesso não vem, Mark Ronson pode ao menos se vangloriar das qualidades dos seus recentes trabalhos.
nota: 8

3 de dezembro de 2018

Nada Como Uma Boa Surpresa

Nothing Breaks Like a Heart (feat. Miley Cyrus)
Mark Ronson

E nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo de 2018 eis que surge o Mark Ronson para lançar a surpreendente Nothing Breaks Like a Heart ao lado da Miley Cyrus.

Completamente diferente do mega hit funk/soul/dance-pop Uptown Funk, Nothing Breaks Like a Heart é uma emocional country/pop rock com um arranjo inspiradíssimo que eleva a canção com as suas construção espetacular e instrumentalização rica e poderosa. Na verdade, a canção já pode ser considerada uma das melhores "baladas" do ano, principalmente por passar longe dos clichês de canções românticas. Composição com profundidade tocante e uma inteligência lírica que consegue criar também perfeito para o mainstream com um refrão certeiro, a canção é uma bela e devastadora crônica sobre ter o coração quebrado por quem mais se ama. Sem ter uma voz que seja unanimidade, Miley entrega uma performance segura, sendo favorecido pelo estilo da canção já que seu passado no meio country e o seu timbre distinto. E o ano vai terminando melhor que o esperado. Espero que seja uma prévia para 2019.
nota: 8

27 de novembro de 2014

A Origem

Uptown Funk (feat. Bruno Mars)
Mark Ronson

A atual configuração do cenário musical deve-se, e muito, a presença de vários novos artistas nos últimos dez anos. Um deles é o produtor inglês Mark Ronson. Conhecido pelo trabalho ao lado da finada Amy Winehouse em Back To Black, Mark já trabalho com nomes de sucesso como Christina Aguilera, Adele, Solange Knowles, Bruno Mars, entre outros, além de lançamentos solos. Por isso, Mark construiu uma carreira forte deixando a sua marca. Depois de um tempo sumido, o produtor está de volta aos holofotes com o lançamento da canção Uptown Funk.

O single, primeiro do seu próximo álbum, é a consagração máxima da influência soul/funk/pop com base nos anos oitenta que Mark já mostrou em outras oportunidades, mas que encontra aqui o seu ápice. O primeiro acerto da canção é chamar Bruno Mars para ser os vocais em Uptown Funk: o cantor passa a sensualidade, a malandragem e a exata noção de "soul singer" que a canção precisa para ganhar vida. Claro, o estilo da canção ajuda muito e, especialmente, o ótimo trabalho de backvocal da canção. A produção de Mark é inspiradíssima entregando a melhor mistura entre Prince e James Brown sem parecer uma cópia e com uma instrumentalização espetacular. Pena que a composição não é tão sensacional, apesar de entregar um do refrão mais viciante do ano. Com Uptown Funk, Mark prova que não foi apenas uma onde e ainda tem bem mais para mostrar.
nota: 7,5