31 de março de 2024

Primeira Impressão

COWBOY CARTER
Beyoncé



A Capsula Perfeita

Weird World
Allie X


Weird World, quarto single do ótimo Girl With No Face, é a perfeita incorporação de toda a vibe que a Allie X constrói para o álbum.

Estranha, sombria, nostálgica, contagiante e viciante, a canção consegue pegar toda uma estética synthpop mistura com darkwave e toques de glam rock ficada nos anos oitenta e a transmutar em um trabalho deliciosamente atemporal e lindamente excitante. E ainda existe uma pitada de melancolia na batida dançante que apenas enriquece o resultado final e está a par com a sensacional composição. Weird World é uma crônica sobre como a dureza do mundo faz as pessoas mudarem ao longo dos anos e cantora percebeu a sua própria transformação. E tudo é alcançado de uma força tão cruelmente real e, ao mesmo tempo, de um apuro estético que ajuda colocar Allie X no patamar de uma das melhores compositoras da atualidade. E assim que se entrega tudo sem nem prometer nada.
nota: 8,5

Um Tapa Na Cara

Cheerleader
Porter Robinson

Se tem um artista que nunca pensei em ao ouvir uma música seria impactado pela sua mensagem era do cantor/DJ/produtor Porter Robinson, mas é exatamente isso que acontece com o lançamento da ótima Cheerleader.

Primeiro single do terceiro álbum de Porter, a canção é uma inteligentíssima, honesta e amadurecida crônica/reflexão sobre a relação entre artistas e seus fãs. E o grande trunfo é que como a composição abrange a complexidade dessa relação ao mostrar que existe, sim, uma idolatria que pode passar do limite, mas que ao mesmo tempo o artista precisa de fãs para ter sucesso e uma carreira. Não existe nenhum dedo apontado para qualquer um dos lados de maneira acusativa, deixando julgamentos para quem escuta a canção. E tudo isso é feito com uma estética tão bem pensada para ser uma perfeita letra pop com um refrão fácil e viciante. Sonoramente, Cheerleader é uma inspirada e divertida hyperpop/pop punk/eletropop que está a par com a qualidade da sonoridade mostrada pelo artista até o momento. Todavia, Porter Robinson se sobressai aqui no momento de tocar em uma ferida que não é comum ser discutida. Bravo.
nota: 8,5

Um Remix Puro

The von dutch remix with addison rae and a.g. cook
Charli XCX


Desde que houve esse renascimento do remix como peça importante para a promoção de um single e/ou álbum que surgiu dois tipos: o remix que não remix e o remix verdadeiro. E é nessa segunda categoria que entre o remix The von Dutch da Charli XCX.

Produzido por A. G. Cook, a canção é na verdade uma reconstrução da canção original, pegando a base e criando quase uma nova canção. E isso funciona bem, pois estamos diante de um trabalho pensado para ser um remix de fato e, não, um caça níquel barato. O problema é que a canção perde certo brilho da original ao ser uma versão menos inspirada, sendo que Von Dutch, mesmo sendo uma “eletrizante e reverberante electropop/house/dance-pop”, já tinha seu problema ao ter “uma produção que é tão direta na sua construção que falta certa nuance para a fazer menos massificada”. Gosto, porém, da mudança que acontece depois de um minuto e meia em que o remix pisa no acelerador para criar um clímax mais trabalho. Apesar de não atrapalhar e adicionar certa personalidade, a presença da Addison Rae termina soado desnecessária já que poderia facilmente ser outra artista. De qualquer forma, o remix ganha pontos para fazer o seu único trabalho: ser um remix de verdade.
nota: 7



Divida de Jogo

I LUV IT (Ft. Playboi Carti)
Camila Cabello

Se existe alguma música que entra facilmente na categoria de “isso é dívida de jogo” é o single retorno da Camila Cabello na horrível I LUV IT.

Sinceramente, ouvir a canção é quase uma tortura devido a ser praticamente um amontoado de sons que deveria ter algum de conexão, mas parecem apenas colagens mal feitas e sem sentido. E isso é um espanto porque quem produz a canção é o El Guincho que tem no currículo apenas a produção de El Mal Querer e MOTOMAMI da Rosalía. Ao tentar ser um hyperpop/eletropop descontruído, a canção se perde em um oceano de mediocridade devastadora que nada consegue chegar perto de ser ao menos decente. A composição é simplesmente podre de tão genérica e irritante enquanto a presença da Camila parece ser feita por I.A. E quando o ponto alto da canção é a presença moribunda do rapper Playboi Carti é para ter certeza que não há salvação para essa bomba atômica.
nota: 3



24 de março de 2024

Antes Tarde do Que Nunca

Like a Virgin
Madonna


Primeira Impressão

Venus
Zara Larsson


Épico Transcendental

Prologue
Kamasi Washington


Existem algumas experiências musicais que são quase impossíveis de explicar, pois é necessário sentir para ter ideia de todo o seu impacto. Entretanto, como esse é um blog de resenhas tentarei explanar todo o meu fascínio com a genial Prologue do saxofonista Kamasi Washington.

Single do quinto álbum (Fearless Movement) da carreira do artista, a canção é uma explosão sonora que faz a gente ser catapultado para uma outra dimensão devido a magistral construção instrumental e transcendental estrutura atmosférica. Sem ter medo de começa a canção já a 100km por hora, Washington já impacta quem ouve com o seu magistral sax em torrente continua e desorientante que vai conduzindo todo o resto do espetacular arranjo. E quando a gente acha que a canção não tem mais para onde ir, Prologue vai se desenrolando no seu terço final como um quase maremoto sonoro em uma explosão de tirar o folego e misturar todas as nossas sensações de forma inesquecível. Não posso dizer que essa jazz fussion seja para todos, mas para quem for estará sendo arrebatado por essa jornada de sensações inesquecível.
nota: 9