cupcakKe
23 de julho de 2024
22 de julho de 2024
Um Presente Do Passado
#19
Aphex Twin
Aphex Twin
Quantas vezes uma música lançada há trinta anos tem a capacidade de poder ser considerada um dos melhores lançamentos da atualidade? Até o momento apenas a genial e deslumbrante #19 (ou Stone in Focus) está elegível para esse título.
Para quem não conhece, Richard David James, conhecido como Aphex Twin, é considerado um dos mais importantes e influencias artistas eletrônicos de todos os tempos. Em 1994, o artista lançou o seu segundo e aclamado álbum intitulado Selected Ambient Works Volume II e devido a capacidade dos CD’s da época, a canção ficou apenas nas edições do vinil e de cassete. Depois de trinta anos, a faixa foi lançada pela primeira vez em streaming e, queridos leitores, que oportunidade incrível é escutar essa joia. Com seus mais de dez minutos, #19 é uma viagem deslumbrante em que podemos perceber facilmente toda a criação genial de uma sonoridade quase transcendental. Apesar de linear, a complexidade sonora da canção é de uma força monumental devido a maneira como Aphex Twin cria o soberbo instrumental que fundi perfeitamente ambient com eletrônico. Ouvir a canção tem a mesma sensação de estar diante do grande vasto espaço sideral, pois é um sentimento quase devastador e, ao mesmo tempo, inspirador e cativante. E assim temos a demonstração que a força da música ultrapassa facilmente a barreira do tempo quando é realmente boa.
nota: 9
O Pop Critico
Russian Roulette
Knock Yourself Out XD
Knock Yourself Out XD
Porter Robinson
Quando o Porter Robinson começou a sua nova era dando um tapa na cara pensei que isso apenas uma faceta do seu novo trabalho. Todavia, o DJ/produtor resolveu continuar a acertar com força com os lançamentos de Russian Roulette e Knock Yourself Out XD.
O motivo de Cheerleader ser um soco é o fato da canção ser “uma inteligentíssima, honesta e amadurecida crônica/reflexão sobre a relação entre artistas e seus fãs”. E nos dois singles essa tendência continua de maneira desconcertante, começando com Knock Yourself Out XD. Dessa vez, porém, o artista reflete sobre a sua relação com a fama, a indústria, a expectativa que tem sobre ele e os haters de maneira a criar uma letra ácida, mas mais reflexiva em que podemos perceber os pensamentos conflitantes do artista. É inspirada, inteligente e engraçadona que no fundo dá uma sensação estranha de ouvirmos uma letra de uma canção pop falando de maneira tão desconcertante sobre o mundo em que admiramos de alguma forma. E aí o outro tapa na cara. Sonoramente, a canção é menos inspirada que as outras canções até o momento ao ser uma electropop/bitpop redonda, mas que não vai muito além das exceptivas devido a sua ideia de realmente ser uma canção pop mais redonda e comercial. Em Russian Roulette, porém, Robinson volta com tudo para entregar outra musica realmente sensacional.
A grande qualidade da canção é a sua inesperada mudança rítmica na parte final da canção em que saímos de uma batida electropop para uma emocional e sentimental parte pop rock/emo-pop para logo depois mudar novamente para uma parte mais eletrônica e trance que termina a faixa de maneira inesperada e genial. A ponte entre as partes é de uma fluidez impressionante e que faz a gente fica desconcertado ao escutar pela primeira, notando o quanto as mudanças fazem sentido perante ao teor da canção e o como a temática é trabalhada ao longo da canção. Russian Roulette muda o foco das duas canções já citadas para ser bem mais intima aos sentimentos do Robinson em relação a sua arte e como a mídia e o público a percebem, tentando encontrar o real sentido para ser um artista e, também, viver. E assim o Porter Robinson abre espaço para um dos álbuns mais hypados no ano que já se prepara para ser uma “pancadaria” para quem escutar.
notas
Russian Roulette: 8,5
Knock Yourself Out XD: 8
Knock Yourself Out XD: 8
Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single
I Write Sins Not Tragedies
Panic! at the Disco
Panic! at the Disco
Quando a banda Panic! at the Disco lançou I Write Sins Not Tragedies em 2006, que se tornou o seu maior sucesso e a música assinatura, eu tinha exatamente vinte anos de idade. E era basicamente parte do publico alvo da banda, mas o meu gosto musical nunca se associou com o estilo deles. Quase vinte anos depois, eu analiso a canção em um lugar mais aberto e amadurecimento. Devo admitir que, mesmo não sendo genial, a canção é bem divertida e bem melhor que a minha versão jovem achava.
Tenho que apontar que I Write Sins Not Tragedies é uma canção que ao ser olhada atualmente fica um pouco datada, pois é uma cria quase estática de um movimento bastante demarcado que foi o “emo” dos anos dois mil. E isso cria certo ruido, mas que é tirado de lado devido a impressionante produção de Matt Squire que transforma a canção em uma épica e showstopper mistura de post-punk, glam rock e pop punk. Épica e com uma estrutura ousada, a canção é uma pequena grande jornada que só teria esse resultado pelo ótimo instrumental. Entretanto, o grande trunfo da canção é a extraordinária performance do vocalista Brendon Urie que consegue captar toda a grandiosidade da produção com um display incrível de versatilidade e potencial. O que impede a canção de não ser sensacional é a pretenciosa composição que tenta ser mais inteligente e profunda do que realmente é, mesmo sendo esteticamente bem trabalhada. Escutar a canção tantos anos depois sem ter um apelo nostálgico ajuda a entender a sua qualidade e também ver o motivo para que um eu jovem não foi atraído para esse tipo de canção. E isso apenas a maturidade é capaz de dá.
nota: 7,5
Simbólico
Reason Why
SOPHIE, Kim Petras & BC Kingdom
SOPHIE, Kim Petras & BC Kingdom
A trágica morte da Sophie privou o mundo de uma das mais excitante e talentosas artistas que surgidas nos últimos vinte anos. Felizmente, a gente vai poder ter um pouco de conforto com o lançamento do álbum que leva o seu nome ainda esse ano que a mesma estava trabalhando antes da sua passagem. E a primeira canção lançada é a boa Reason Why.
Sonoramente, a canção é um trabalho com a marca da artista ao ser uma deliciosa e refinada electropop com influencias de EDM/house. Não é espetacular, mas é um trabalho que mostra o amadurecimento que a Sophie estava passando ao produzir a sua batida. A canção perder força, porém, na sua composição apenas boa e que não parece ter força para estar a altura da sua produção. Também não gosto da produção vocal no refrão inicial, mas a presença da Kim Petras melhora consideravelmente na segunda metade para frente e o duo BC Kingdom entrega uma performance sólida. Apesar de um pouco abaixo do esperado, Reason Why é uma canção que representa bem o legado da Sophie.
nota: 7,5
O Cover do Cover
Take Me to the River
Lorde
Lorde
Assim como o Paramore, a Lorde também está na trilha do relançamento do Stop Making Sense do Talking Heads com uma regravação. O interessante é que Take Me to the River é um cover de um cover.
Escrita e gravada em 1974 pelo Al Green, a canção ficou famosa com a regravação do Talking Heads quatro anos depois. Na versão da banda a canção é uma new wave/soul, mudando a versão original que vai para o lado R&B/gospel. Com a Lorde, a canção ganhou um verniz pop rock/indie pop que cai bem com a canção, especialmente devido a personalidade que a cantora adiciona para o trabalho. O melhor desse cover é ter a feito a canção ganhar os contornos da Lorde sem fazer com a sua excepcional melodia fosse afetada ou alterada de maneira drástica. Esse cover é basicamente melhor que todo o último álbum da Lorde. Quem sabe essa sonoridade não possa ser o seu novo caminho?
nota: 8
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