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2 de fevereiro de 2025

2 Por 1 - Lucy Dacus

Limerence
Ankles
Lucy Dacus

Descobrir novos talentos é ótimo, mas continuar acompanhado sua trajetória também é algo que valorizo na mesma proporção. Então, ouvir os novos singles da Lucy Dacus mostra que vale a pena a se abrir para novas possibilidades.

Limerence e Ankles são dos dois primeiros singles do seu novo álbum intitulado Forever Is A Feeling e mostram igualmente o talento da cantora ao criar duas pequenas, mas emocionais obras que tem como grande qualidade a sua mágica e tocante presença vocal apesar de performances diferentes. Mesmo igualmente boas, a canção que mais me tocou foi a emocionante Limerence devido especialmente a sua devastadora composição. Uma bela balada indie pop/tradicional pop, a canção é uma crônica devastadora sobre o peso do dia a dia nas nossas relações e como a rotina pode afetar nossas emoções. De maneira até simples liricamente, Lucy entrega um soco emocional para ser tão direta e honesta, especialmente nos versos “Is there a differеnce between lying to you/If it feels just as bad as telling thе truth?”. Em Ankles, a força lírica continua em alta, mas muda de direção ao relatar o primeiro encontro de duas pessoas entre medos e desejos. E isso é feito também como a mesma qualidade, mas sem tanto emocional envolvido. Além disso, a canção segue um caminho indie rock que dá uma atmosfera diferente e áspera para o resultado final, mesmo ainda sendo um trabalho inspirado. Todavia, ambas canções demonstram o quanto inspirada é a Lucy Dacus e isso é algo que não tem preço.
notas
Limerence: 8
Ankles: 7,5

1 de março de 2022

Pequena Grande Obra

Kissing Lessons
Lucy Dacus


Apesar de ter conhecido a Lucy Dacus tenho a impressão certa que a cantora é o tipo de artista que entrega boas canções até mesmo quando erra. E é assim na bonitinha Kissing Lessons.

Uma indie rock/pop rock direta de uma delicadeza surpreendente, a produção entrega um arranjo seguro, bem feito e com uma atmosfera fofa que não chega a empolgar totalmente, mas deixa bem claro o potencial de Lucy de criar canções chicletes de maneira fácil. Faltou tempero para o resultado final, especialmente devido a performance linear da cantora que combina com a vibe da canção, faltando, porém, a força emocional que a cantora já apresentou em outros momentos. O que continua igual é imensa capacidade da artista criar uma composição sincera e sentimental com doses de acidez e uma melancolia ao contar a história do seu primeiro crush com uma garota. Cada vez mais acredito que podemos mesurar o talento de uma artista em seus momentos menos inspirados. E a Lucy então entrega um pequeno grande momento em Kissing Lessons.
nota: 7

12 de junho de 2021

A Hora de Lucy

Hot & Heavy
Lucy Dacus


Depois dos recentes sucessos da Phoebe Bridgers e, mais recentemente, da Julien Baker chegou a vez da terceira integrante do Boygenius a ter o seu momento ao Sol: Lucy Dacus. Depois de entregar a emocionante Thumbs, a cantora lançou a ótima Hot & Heavy.

Uma mistura azeitada de indie rock com toques de americana, Hot & Heavy é o tipo de canção que parece ser uma assassina silenciosa emocionalmente. Primeiro, a batida doce e até mesmo alegrinha conquista pela aveludada melodia e a sua deliciosa sensação de envolvimento. Em segundo, Lucy entrega uma performance lindamente delicada, explorando de maneira contida o seu timbre cristalino e afetuoso. Todavia, Hot & Heavy tem uma composição extremamente forte, cortante e verdadeira ao narrar de forma poética o ciclo vicioso de viver com alguém tóxico que, mesmo a pessoa tendo conhecimento das suas atitudes e até mesmo dando um fim, parece sempre voltar ao começo de tudo. Mesmo sendo emocionalmente menos pungente que a canção anterior, Lucy Dacus continua a construir um caminho auspicioso e excitante para o lançamento do seu próximo álbum.
nota: 8

12 de abril de 2021

A Força da Palavra

Thumbs
Lucy Dacus


A música faz a gente ter a capacidade de sentir emoções das mais variadas possíveis, mas, principalmente, é responsável por fazer a gente entrar em contato com sentimentos escondidos ou/e que a nunca fomos capazes de sentir. Em Thumbs, a cantora Lucy Dacus entrega uma das mais avassaladoras entregas líricas que tive a honra de escutar em muitos anos.

Parte do trio Boygenius ao lado das geniais Phoebe Bridgers e Julien Baker, Lucy Dacus já tem uma carreira solida com dois bem avaliados álbuns lançados até o momento. Entretanto, Thumbs mostra a cantora de indie rock entrando em um nível novo, pois o público é contemplado com uma verdadeira obra de arte em forma de canção. E parte dessa sensação vem da sua magistral e devastadora composição. Lucy narra o encontro de uma pessoa que a mesma ama com o pai do mesmo, contando de forte tocante e forte toda os sentimentos envolvidos. Na composição, esse pai ausente parece querer reatar um relacionamento que no passado causou apenas sofrimento sem parecer se importar em assumir seus erros do passado. Vendo a pessoa que ama completamente abalada emocionalmente com esse encontro, Lucy faz uma confissão chocante e, ao mesmo tempo, compressível ao falar do genial refrão: I would kill him/ If you let me.

O poder da composição em Thumbs não recaí somente apenas na surpreendente declaração de Lucy/narrador, mas, também, na construção perfeita de todo o cenário do encontro do começo ao fim, a observação da cena com seus detalhes materiais e emocionais e todo o amor e dor expressa por toda a letra. Cada verso é como um soco no estômago. Um pequeno corte profundo que se repete várias vezes. Um turbilhão de emoções que traga o ouvinte para ume estado de lágrimas genuínas. E isso é sem contar a performance melancolicamente contida de Lucy que entrega todas os sentimentos de forma impressionante e genial, pois não precisa de grandes arrombos para carregar o imenso peso da composição. Sonoramente, Thumbs é uma slow burn/minimalista indie rock que de forma climática consegue capitar toda a força da intenção por trás da canção ao acompanhar com descrição e de uma beleza atemporal. Depois de ouvir Thumbs é quase impossível se manter sóbrio emocionalmente e, também, não afirmar que Lucy Dacus é dona de uma das melhores canções dos últimos tempos.
nota: 9