28 de maio de 2023
Lições
WHERE SHE GOES
Bad Bunny
Bad Bunny
Já li por alguns que não gostam do Bad Bunny que o mesmo só entrega um tipo de canção ao se “escorar” no reggaeton, mas isso não é verdade já que o rapper vem experimentando e integrando uma grande gama de gêneros a sua sonoridade. Entretanto, o lançamento de Where She Goes é prova cabal da sua abrangência sonora.
Longe das raízes latinas, a canção é uma interessante excursão ao mundo do eletrônico com uma batida bem trabalhada e com originalidade. Explorando o gênero jersey club, subgênero do eletrônico criado em New Jersey que mistura house e hip hop, Bad Bunny acerta ao entregar uma canção que o faz soar disposto a procurar novas fronteiras sem perder a sua imensa e distinta personalidade. E isso é uma verdadeira lição para rappers como, por exemplo, o Drake que tentam fazer essa transição, mas vem falhando miseravelmente. É obvio que devido a sua persona ainda está marcada com fogo e ferro em Where She Goes, a canção não é para aqueles que já não gostam do artista. Entretanto, o resultado final mostra que o Bad Bunny parece pronto para evoluir sonoramente e continuar a sua dominação mundial.
nota: 7,5
Toda Barbizinha
Dance The Night
Dua Lipa
Dua Lipa
Um dos eventos midiáticos do ano é o lançamento do filme Barbie e isso vai se estender para a parte música, pois a sua trilha sonora está recheada de quem é quem no atual cenário pop. E como primeiro single foi lançado Dance The Night da Dua Lipa.
Com uma participação no filme como a Barbie sereia, a cantora emoldura a sua era Future Nostalgia em uma canção tão colorida como o mundo da Barbie. Com produção de Andrew Watt, Mark Ronson e duo Picard Brothers, Dance The Night é uma leve, divertida, dançante e despretensiosa post-disco/dance-pop que segue a cartilha a risca sem grandes novidades, mas com uma realização tão bem feita que fica difícil resistir. Dua Lipa domina a canção com propriedade adicionando a sua iluminada presença para dar vida a canção. Com uma letra fácil, rápida e deliciosamente despretensiosa, a canção era no refrão ao não dar a explosão necessária para que o mesmo exploda plenamente, quase preferindo mandar uma certa linearidade em relação ao resto da canção. Tirando isso, Dance The Night é o típico banger da Dua Lipa que dá ainda mais hype para um dos filmes mais hypados de 2023.
nota: 7,5
Karma is a Meh!
Karma (Remix) (featuring Ice Spice)
Taylor Swift
Taylor Swift
Existe uma relação de altos e baixos entre a minha percepção com a Taylor Swift que nesse momento se encontra no lado mais baixo. E canções como Karma não ajudam nada.
Single do relançamento de Midnights, a canção agora tem a participação da atual sensação do rap Ice Spice. E, queridos leitores, apesar de nem tentar entender como foi o processo de pensar que a rapper combinaria com a canção, acredito que a presença de Ice nem é tão ruim. Na verdade, o seu estilo combina até bem com a proposta da canção ao entregar um bom refrão em que a sua presença dá algum peso para o resultado final. O problema de Karma é que a canção já não é realmente boa e esse “remix” não faz melhorar nada. Esse electropop/synth-pop asséptico, massificado e com os mesmos cacoetes de canções da cantora em outras eras é manjado, mesmo que continue a ser sempre muito bem planejado tecnicamente. E a canção é novamente um desfile de “white girls problems” tem o seu público cativo, mas, sinceramente, está bem cansativo. E por enquanto, Taylor não tem previsão de mudar essa sua nora era mediana.
nota: 6
Toque de Midas
un x100to
Grupo Frontera & Bad Bunny
Grupo Frontera & Bad Bunny
Apesar de ter se tornado um dos maiores nome da indústria musical mundialmente, o Bad Bunny se mantém fiel as raízes da musica tradicional latina. E é por isso que ver un x100to, parceria com a banda Grupo Frontera, fazer sucesso adiciona mais significado para o sucesso do rapper.
Ao ajudar a colocar uma canção de cumbia, estilo tradicional colombiano, misturado com norteño, gênero tradicional mexicano, no top 5 da Billboard é algo quase imaginável não tem muito tempo, mas a presença do Bad Bunny ajuda o seu imenso publico a ser exposto a esse tipo de canção. E isso já vale alguns pontos. Felizmente, un x100to é uma canção bastante simpática que consegue conquistar quem escuta de maneira natural ao ser carismática como uma balda romântica deveria ser. Gosto de como não importa o estilo, o Bad Bunny coloca a sua marca na canção de maneira indiscutível. E esse deve ser o legado do rapper. Justo.
nota: 7
21 de maio de 2023
O Mundo de Acordo com a Beyoncé
America Has a Problem (feat. Kendrick Lamar)
Beyoncé
Beyoncé
Finalmente a Beyoncé começou a “divulgar” o Renaissance com o início da tour que tomou conta das redes sociais e notícias sobre a indústria da música nas últimas semanas. E agora vem o lançamento de America Has a Problem na sua versão remix com a presença ilustre de Kendrick Lamar.
Devo admitir que a canção não está na minha lista de favoritas do álbum, mas é ainda um ponto interessante dentro do álbum. Uma miami bass, subgênero do hip hop misturado com eletrônico e dance music, que não tem o glitter explosivo de outras canções do álbum devido a seguir uma batida mais linear, mas é produzido de maneira tão estilosa e refinada que consegue acompanhar a ritmo que o álbum impõe. A versão “remix” não muda nada sonoramente e isso é um ponto negativo, especialmente se comparado com os outros remixes lançados. Entretanto, o inspiradíssimo verso de Lamar logo no começo de America Has a Problem é uma dose de excitação e quebra de expectativa que faz a canção ganhar alguns pontos consideráveis. Agora só falta a Bey decidir lançar em algum momento os visuais de Renaissance, mas isso só Deus sabe se vai acontecer algum dia.
nota: 8
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